A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) recomenda que os motoristas evitem a Marginal do Tietê na manhã desta terça-feira, 11, devido aos diversos pontos de alagamento que impedem o trânsito no local. As 8 horas, a Marginal tinha oito pontos intransitáveis. No mesmo horário, havia 49 alagamentos ativos em toda a cidade e 81 km de congestionamento, com pior ponto na Radial Leste, sentido bairro.
O caos é resultado do dia mais chuvoso do ano. Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), da Prefeitura, a forte chuva que atingiu São Paulo na segunda-feira, 10, fez transbordar os rios Pinheiros e Tietê e os córregos Cabuçu de Baixo, na zona norte, Jaguaré, na zona oeste, e Morro do S, na zona sul. Cinco pessoas morreram e três ficaram feridas em deslizamentos na capital e em Mauá, na Grande SP. Duas vítimas ainda estão desaparecidas.
Entre a meia-noite de domingo e de segunda choveu 52,1 mm. No acumulado de janeiro já choveu 204,3, 85,4% do esperado para todo o mês, que é de 239 mm.
O mau tempo se intensificou a partir das 19 horas de ontem. Cerca de três horas depois, algumas regiões estavam em estado de atenção. Durante o período chuvoso, a capital registrou 135 pontos de alagamento, sendo que 58 eram intransitáveis.
Quatro árvores que caíram na cidade continuavam a atrapalhar o tráfego nesta manhã. Elas estavam na Rua José Roberto Sales, no número 53, em ambos os sentidos; Rua da União, sentido centro; Marginal do Tietê, na pista expressa, perto da Ponte Júlio de Mesquita Neto, sentido Castelo e na Rua Doutor Carlos de Oliveira Coutinho, número 81, nos dois lados.
Priscila Trindade, da Central de Notícias
SÃO PAULO – Toda a cidade de São Paulo saiu do estado de atenção às 21h05, após quatro horas, após a chuva que caia perder intensidade. Por causa do temporal, o Centro de Gerenciamento de Emergências registrou cinco pontos de alagamento, a maioria na zona norte da capital. Por volta das 22h, dois deles ainda estavam ativos e um era intransitável.
Devido às altas temperaturas e à umidade vinda do oceano, associadas a áreas de instabilidade vindas do Sul do Brasil, pancadas de chuva de até forte intensidade se formaram e atingiram a região sul no início da tarde. No fim da tarde, choveu forte entre a zonas norte e leste e na zona oeste.
O ponto de alagamento intransitável estava na Marginal do Tietê, próximo a Ponte Cruzeiro do Sul, para quem seguia em direção a Castelo Branco. Por causa do alagamento, a pista tinha lentidão na aproximação.
Os outros pontos de alagamento que ainda afetava o motorista, mas eram transitáveis, estava também na Marginal do Tietê, na altura da Ponte Vila Guilherme, no mesmo sentido que o primeiro.
Os outros três alagamentos registrados foram nas avenidas Zaki Narchi e Sumaré e na Estrada de M’Boi Mirim, mas o nível da água já baixou.
Árvores. A CET registrou ao menos quatro queda de árvores neste sábado, três deles depois do início das chuvas. Os incidentes aconteceram nas ruas Dr. Rafael de Barros, Aluísio Azevedo, Passos Ourique e Tuiuti.
Mais cedo, a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras realizou um mutirão de poda de árvores nas regiões Sé e Pinheiros, respectivamente no centro e na zona oeste. A operação, em parceria com a Eletropaulo, contou com 71 funcionários das subprefeituras. Quarenta árvores foram podadas nas ruas Groenlândia, Norma Pieruccini, Colômbia, avenida Rudge e Rio Branco.
Neste ano, as subprefeituras receberam cerca de 300 mil pedidos para poda de árvores na cidade, sendo que mais de 700 mil intervenções foram realizadas.
Choveu um pouco mais e pronto: nova enchente na Avenida Alexandre Colares com a Marginal do Tietê. E a culpa é de quem? De dois bueiros que não cumprem o papel a que foram designados – o de escoar corretamente a água. “Esses bueiros são falsos”, diz Luiz Eduardo Silva, supervisor de vendas da empresa Aços Finos Tarumã, que fica exatamente na esquina que sofre com os alagamentos. “Qualquer chuvinha mais forte, como a de segunda (dia 27), a água já sobe, os bueiros transbordam e não dá para trafegar”, conta.
Ao contrário do que se possa imaginar, essas valetas – como também são chamados os bueiros – são limpadas regularmente, mas não resolvem a situação. “Só esse ano, eu já contei que a Prefeitura mandou equipe de limpeza umas oito vezes. Mas é só chover de novo que tudo recomeça”, diz. Vale lembrar que o lixo jogado na rua e acumulado ao redor dos bueiros – fato verificado pela reportagem – também contribui para o problema.
Apontada pelo Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) como um dos pontos de inundação da cidade, a avenida Alexandre Colares fica próxima à Ponte Atílio Fontana, sentido Rodovia Castelo Branco. Ambas são acessadas pela Marginal do Tietê que, segundo dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), é a via que concentra o maior volume de veículos por dia: cerca de 350 mil. Com esse problema dos bueiros, o trânsito no local é comprometido quase toda vez que chove, além dos riscos que a água parada oferece aos pedestres.
Outro fato importante: apesar dessa avenida ser um pouco vazia, quase completamente tomada por empresas e transportadoras, existe um bar perto das valetas e também duas comunidades instaladas nas ruas ao lado, que utilizam a saída da Marginal. A moradora Maria José de Souza, que vive há 15 anos na comunidade ‘Razzo’ – localizada entre a Marginal e a Avenida Joaquim da Costa Miranda –, conta que os alagamentos são grandes obstáculos. “Já ficamos presos aqui várias vezes por causa de inundação”, diz. “Para tentar sair, temos de andar muito pelas ruas de trás porque não dá para passar ali perto da Marginal que, na maioria das vezes, é o caminho mais fácil para gente”.
De acordo com a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, o mau funcionamento dos bueiros nesse local já foi detectado. Para resolvê-lo, será construída uma galeria na pista local da Marginal do Tietê, de modo a minimizar as inundações. Galeria é um sistema de dutos subterrâneos utilizados para conduzir as águas pluviais captadas pelas estruturas de microdrenagem, como os bueiros e as bocas de lobo, que serão liberadas em córregos e rios. Segundo informou a Secretaria, essa obra – que ainda não começou – ficará pronta na primeira quinzena de novembro.
Em entrevista concedida ao Estado nesta quarta-feira, 29, o prefeito Gilberto Kassab confirmou a data citada acima para o término de alguns projetos, entre eles a galeria da Avenida Alexandre Colares, e também complementou dizendo que a cidade vai estar mais preparada para as enchentes no próximo ano. De acordo com o prefeito, a verba prevista para ações como limpeza de bocas de lobo e substituição das galerias pluviais será elevada em 2011 para R$ 540 milhões.
O blog vai acompanhar essas promessas.
Wanise Martinez
2011
2010