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SP das enchentes

11.outubro.2010 08:17:38

Era uma vez um bueiro…

Problemas com bueiros. Esse foi o tema abordado pelo SP das enchentes nas duas últimas sextas-feiras. Como há sempre uma valeta pertinho da gente, o blog decidiu relembrar o assunto no post de hoje, mas seguindo um caminho diferente: o ‘poder’ do cidadão.

Além de fazer a sua parte não jogando detritos, toda pessoa pode pedir a limpeza, construção ou reforma de qualquer um dos 57 mil bueiros ou das 400 mil bocas de lobo espalhadas por São Paulo. A solicitação é feita por telefone (156), pessoalmente nas subprefeituras ou pela internet (http://sac.prefeitura.sp.gov.br).

Segundo técnicos da área, uma operação de limpeza é realizada por quatro funcionários e tende a levar menos de meia hora. Se o bueiro estiver atrelado a uma galeria, o tempo aumenta e vai para 5 horas de trabalho. Já no caso de uma reconstrução, o processo pode levar alguns dias. Pareceu muito longo? Nem um pouco se comparado a um ‘ex-bueiro’ que fica em frente ao número 93 da Rua Euzébio Bento Barbosa, em Itaquera. Segundo o morador Ricardo Gomes de Souza, o tal bueiro demorou quatro anos para não ser limpo e muito menos reconstruído.

Situação do bueiro quatro anos atrás

Deixado de lado pelos órgãos competentes, diz Gomes, ele não aguentou a pressão e desmoronou, levando consigo parte da calçada. Seja isso obra do destino ou falha da Prefeitura, hoje jaz apenas o buraco de 2,5 metros de profundidade. “O estado do que um dia foi esse bueiro é terrível e perigoso”, afirma o morador, que vive na casa ao lado do buraco, localizado em frente a uma casa abandonada. “Qualquer um pode cair, não dá pra andar mais na calçada. Só não está pior porque nós todos [os moradores] limpamos sempre. Se não fosse por isso, o buraco estaria cheio de lixo e ainda poderia alagar a rua quando chovesse.”

Ricardo conta que reclamou no 156, pela primeira vez, em 2006. Como não teve resposta, continuou ligando até que, oito meses depois, viu no site da Prefeitura que o problema estava citado como resolvido, só que nada tinha sido feito – a reportagem verificou no site da Prefeitura que o protocolo nº 5787750, de 29/8/2006, consta como ‘solicitação atendida’. “Resolvi ligar direto na Ouvidoria, além de ir na Subprefeitura de Itaquera para cobrar. Mais uma vez, ninguém ajudou e isso foi se arrastando. Olha, até a Defesa Civil já foi chamada para verificar a situação e nada”, explica o morador, que tem em seu nome oito solicitações para o mesmo caso no site da Prefeitura.

Hoje em dia, buraco onde ficava bueiro acumula lixo

Mesmo depois de toda essa jornada, Ricardo decidiu divulgar a reclamação em vários sites e blogs de ajuda ao cidadão, mas não teve resultado positivo. Há três meses, fez uma última tentativa: mandou email para todos os vereadores de São Paulo. Somente o vereador Milton Ferreira (PPS) respondeu o pedido e mandou providenciar um ofício (nº 106/2010) solicitando a reforma do bueiro. Ainda assim, o buraco continua.

De acordo com a Supervisão de Obras da Subprefeitura de Itaquera, não existem bocas de lobo na Rua Euzébio Bento Barbosa. As águas pluviais escoariam superficialmente pela propriedade particular localizada no número 93 – que seria o único local disponível para a execução de rede de águas da chuva.

A Subprefeitura de Itaquera também ressaltou que “para tal serviço, necessitamos de autorização do proprietário, o que ainda não ocorreu, e também da compra de tubo de PVC, pois a Supervisão de Obras não tem o estoque, pelo fato de ser usado apenas tubos de concreto para manutenção de galerias em ruas e avenidas. Não é possível a execução com tubos de concreto, pois não existe acesso de máquinas no local. A Supervisão de Obras desta subprefeitura informou o munícipe via telefone.”

Sem limpeza. Quem também testou o serviço, de limpeza ou reconstrução de bueiros, oferecido pela Prefeitura foi o engenheiro Valter Manoel Ribeiro Vieira. Em 6 de julho, ele se dirigiu à Subprefeitura de Tucuruvi-Santana e solicitou a limpeza de uma valeta que estava soltando água e infectando a rua em que mora, a Travessa dos Cartões de Natal, no bairro Parque Vitória. Mais de dois meses se foram sem uma resposta positiva. “Nesse período, entrei em contato com a Ouvidoria, fiquei verificando o status do pedido no site e também voltei à subprefeitura várias vezes para reclamar”, explica.

Cansado de esperar, optou por enviar um email ao ‘São Paulo Reclama’, seção do Estado, no dia 13 de setembro. Dez dias depois, a assessoria de imprensa da Subprefeitura Santana/Tucuruvi afirmou que ‘a limpeza do bueiro tinha sido executada e que os serviços de manutenção e zeladoria na região seriam reforçados’.

De acordo com decreto oficial do prefeito Gilberto Kassab, as empresas terceirizadas responsáveis pela limpeza dos bueiros têm prazo de cinco dias corridos após o recebimento da ordem de serviço. Depois disso, o cidadão deve ligar para a Ouvidoria do Município. Segundo dados da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, de 2005 até o final de agosto de 2010, foram realizadas 4,7 milhões de limpezas em bueiros e bocas de lobo da cidade.

E você, já fez alguma solicitação de limpeza ou reforma de bueiro para a Prefeitura? Conte-nos sua história.

Wanise Martinez

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01.outubro.2010 09:14:09

Culpa do bueiro

Choveu um pouco mais e pronto: nova enchente na Avenida Alexandre Colares com a Marginal do Tietê. E a culpa é de quem? De dois bueiros que não cumprem o papel a que foram designados – o de escoar corretamente a água. “Esses bueiros são falsos”, diz Luiz Eduardo Silva, supervisor de vendas da empresa Aços Finos Tarumã, que fica exatamente na esquina que sofre com os alagamentos. “Qualquer chuvinha mais forte, como a de segunda (dia 27), a água já sobe, os bueiros transbordam e não dá para trafegar”, conta.

Ao contrário do que se possa imaginar, essas valetas – como também são chamados os bueiros – são limpadas regularmente, mas não resolvem a situação. “Só esse ano, eu já contei que a Prefeitura mandou equipe de limpeza umas oito vezes. Mas é só chover de novo que tudo recomeça”, diz. Vale lembrar que o lixo jogado na rua e acumulado ao redor dos bueiros – fato verificado pela reportagem – também contribui para o problema.

Apontada pelo Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) como um dos pontos de inundação da cidade, a avenida Alexandre Colares fica próxima à Ponte Atílio Fontana, sentido Rodovia Castelo Branco. Ambas são acessadas pela Marginal do Tietê que, segundo dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), é a via que concentra o maior volume de veículos por dia: cerca de 350 mil. Com esse problema dos bueiros, o trânsito no local é comprometido quase toda vez que chove, além dos riscos que a água parada oferece aos pedestres.

Outro fato importante: apesar dessa avenida ser um pouco vazia, quase completamente tomada por empresas e transportadoras, existe um bar perto das valetas e também duas comunidades instaladas nas ruas ao lado, que utilizam a saída da Marginal. A moradora Maria José de Souza, que vive há 15 anos na comunidade ‘Razzo’ – localizada entre a Marginal e a Avenida Joaquim da Costa Miranda –, conta que os alagamentos são grandes obstáculos. “Já ficamos presos aqui várias vezes por causa de inundação”, diz. “Para tentar sair, temos de andar muito pelas ruas de trás porque não dá para passar ali perto da Marginal que, na maioria das vezes, é o caminho mais fácil para gente”.

De acordo com a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, o mau funcionamento dos bueiros nesse local já foi detectado. Para resolvê-lo, será construída uma galeria na pista local da Marginal do Tietê, de modo a minimizar as inundações. Galeria é um sistema de dutos subterrâneos utilizados para conduzir as águas pluviais captadas pelas estruturas de microdrenagem, como os bueiros e as bocas de lobo, que serão liberadas em córregos e rios. Segundo informou a Secretaria, essa obra – que ainda não começou – ficará pronta na primeira quinzena de novembro.

Em entrevista concedida ao Estado nesta quarta-feira, 29, o prefeito Gilberto Kassab confirmou a data citada acima para o término de alguns projetos, entre eles a galeria da Avenida Alexandre Colares, e também complementou dizendo que a cidade vai estar mais preparada para as enchentes no próximo ano. De acordo com o prefeito, a verba prevista para ações como limpeza de bocas de lobo e substituição das galerias pluviais será elevada em 2011 para R$ 540 milhões.

O blog vai acompanhar essas promessas.

Wanise Martinez

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