Segundo a Prefeitura de São Paulo, nossa cidade produz quase 17 mil toneladas de lixo todos os dias. Desse número, cerca de 10 mil toneladas são geradas nas residências. Ou seja, o paulistano precisa aprender a lidar melhor com a questão do lixo para não acabar com a própria saúde e o meio ambiente em que vive, já que mais de 80% dessa sujeira ainda é despejada em lixões a céu aberto.
Assim como o blog tem registrado constantemente, o lixo é responsável por inúmeras enchentes que acontecem na cidade. Mas ele não aparece lá sozinho. Alguém o descartou, ainda que seja um papel de bala ou um sofá de três lugares. Já que as consequências do acúmulo de lixo são sempre notadas, decidimos falar agora de como podemos fazer para evitar esse transtorno recorrente. Para tanto, a equipe do blog vai apresentar algumas dicas do Instituto Akatu, uma organização que tem como objetivo divulgar a importância de um consumo mais consciente, em respeito ao planeta e a nós mesmos.
São atitudes simples, mas que significam muito se todos fizerem a sua parte. Basta dar o primeiro passo.
Não suje a cidade
- Não jogue lixo nas ruas
- Se não achar lixeira, guarde consigo até que possa se desfazer dele
- Recuse folhetos de propaganda, mas, se os pegar, não descarte em qualquer local
Separe lixo para reciclagem
- O papel do cidadão no processo de reciclagem é o mais simples: separar o lixo. A melhor maneira de realizá-lo é isolando o lixo seco do molhado
Lixo seco: embalagens, papéis, revistas e jornais, entre outros
Lixo úmido ou orgânico: restos de alimentos e folhas
Importante: um material deixa de ser reciclável se estava em contato com líquidos contaminantes, como óleos e graxas. Exemplo: garrafa de plástico com solvente
Compacte o lixo antes de jogá-lo
- Latinhas de alumínio e garrafas plásticas devem ser amassadas (sem esquecer de tirar as tampas), pois ocupam menos espaço nos sacos de lixo
Não jogue o que você pode doar
- Roupas, livros, móveis, brinquedos e outros objetos podem ser levados para entidades beneficentes, brechós e sebos, ou então doados para pessoas conhecidas. Não desperdice o que ainda tem alguma utilidade
Leve a própria sacola para fazer compras
- Aproveitando que a Câmara de São Paulo tem como projeto decretar o fim das sacolas plásticas no comércio, faça sua parte e comece a levar uma sacola retornável ao mercado, feira e outros estabelecimentos. Além de demorar 450 anos para se decompor, a sacola plástica corresponde a 40% das embalagens que são jogadas no lixo da nossa cidade. Evite ao máximo seu uso
Exerça a cidadania e cobre providências dos governantes
- Exigir propostas e ações viáveis para solucionar o problema do acúmulo de lixo é direito e dever do cidadão. Faça sua parte. Cobre posições dos políticos que ajudou a eleger e também dos que não levaram seu voto. Eles estão lá para agir em prol de todos. Além disso, mande sugestões para o blog, ideias de pauta, problemas pela cidade. Esse espaço também é seu!
Durante o turno de oito horas em que trabalha, A.A.S. refaz o mesmo trajeto quatro vezes, recolhendo o lixo que encontra nas calçadas e canteiros dos arredores da Praça da Sé, no Centro de São Paulo.
Com receio de ser identificado e possivelmente repreendido pelos seus superiores, ele conversou com o repórter sob a condição de não ter seu nome publicado. Há dois anos e meio, por indicação do irmão (também na mesma profissão), A. começou o trabalho de gari nas vias públicas da capital paulista.
“Como é que chama mesmo?”, pergunta o varredor, que tenta explicar o dia em que se deparou com uma placenta ensanguentada em um saco plástico – de acordo com ele, àquela altura, a polícia já tinha encontrado a mulher que teve o filho na rua. Apesar da surpresa, a maior parte do lixo de todo dia é restrito a garrafas e sacolas plásticas.
A. divide os moradores de rua da região em dois grupos. Os primeiros, cuidadosos, abrem as sacolas, recuperam o que precisam e fecham os sacos sem deixar rastros, o que facilita muito o trabalho dos varredores. Já outros, “vão logo rasgando tudo e espalhando lixo pelos cantos”.

Cada grupo de garis varre uma parte da rua e deixa as sacolas fechadas em pontos determinados para que um caminhão leve o lixo embora. No início da Rua Riachuelo, sacos plásticos amarelos se amontoavam ao pé de um poste. “Precisa de mais caminhão”, questiona A. sobre o material deixado ali horas antes e que permanecia exatamente no mesmo lugar.
Em dias quentes, a sujeira aumenta. “Deve ser porque o pessoal sai mais de casa”, supõe o varredor. Ele comenta que algumas pessoas não passam muito perto deles, “acham sujo”, explica.
“Se chover, pode ter certeza que vai alagar tudo de novo”. Por quê? “É muito lixo, né?”.
Sindicato
Para o presidente do SIEMACO*, José Moacyr Pereira, a chance de a cidade sofrer novamente com as enchentes no próximo verão é muito grande. “A quantidade de lixo jogado na rua pela população é muita. Infelizmente, é um problema cultural”, considera.
De acordo com ele, a limpeza feita pelos garis e pela Prefeitura nas bocas de lobo são insuficientes, já que nos ramais – por onde a água é escoada – o lixo muitas vezes fica acumulado.
Embora não saiba exatamente o número de garis que atuam hoje em São Paulo, Moacyr acredita que a quantidade de varredores parece ser suficiente. No entanto, para ele, além do excesso de lixo, outro ponto precisaria de mais atenção: “Não temos tecnologia. É tudo manualmente.”
* O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Prestação de Serviços de Asseio e Conservação e Limpeza Urbana de São Paulo foi fundado em 1959 e representa, entre outras profissões, os garis e varredores de ruas da cidade de São Paulo. Para saber mais, acesse o site.
Gabriel Vituri
2011
2010