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SP das enchentes

Luiz Rangel, do Arquivo

“O ano entrou extraordinariamente chuvoso, provocando uma série interminável de acidentes…” A frase, que poderia vir destacada em qualquer noticiário atual, tem mais de cem anos. Seu autor, Antonio de Almeida Prado, já anunciava em sua Crônica de Outrora: “Em 1900 rompeu o novo século. E rompeu mal.”

O Estado de S. Paulo. 1º de fevereiro de 1900.

O recuo no tempo mostra que a história das enchentes esteve sempre presente na história de São Paulo. E trata-se de um problema que foi aumentando conforme a cidade foi crescendo. Em seu livro Cidade das águas: Usos de rios, córregos, bicas e chafarizes em São Paulo (1822-1901) a historiadora Denise Bernuzzi de Sant´Anna lembra que “em pleno verão de 1900, os bairros do Brás, Cambuci e Barra Funda estavam inundados pelas águas barrentas do Tietê.” E mais de um século depois as notícias dos jornais de antigamente ainda mostram-se atuais.

O Estado de S. Paulo. 28 de fevereiro de 1929.

A questão da ocupação irregular de terrenos com risco de alagamento como se este fato fosse exclusivo do presente, mas a cidade sempre ocupou as margens de rios. Áreas pavimentadas chegam a cobrir grandes porções dos cursos fluviais e até córregos inteiros. Tão históricas quanto as inundações são as reivindicações da população paulista, cobrando das autoridades a tomada de medidas de combate e prevenção aos danos decorrentes das chuvas.

A Província de São Paulo. 7 de março de 1877.

Projetos de drenagem do rio Tamanduateí, por exemplo, remontam a 1827, segundo a historiadora. Outros projetos contra enchentes são ainda mais remotos. Em 1810, por exemplo, a Várzea do Carmo já ganhara uma vala na tentativa de acomodar os alagamentos.

Presente na história colonial, imperial e republicana da cidade e com as autoridades pouco fazendo para amenizá-lo, o problema das enchentes ainda está longe de ser lembrança de um passado distante.

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A Defesa Civil de São Carlos, no interior de São Paulo, disponibilizou, desde a última sexta-feira, 29 de outubro, programa de alerta de enchentes enviados por meio de torpedos e e-mail para comerciantes e a população em área de risco. O sistema promete avisar comerciantes e outras pessoas cadastradas sobre enchentes, temporais, vendavais e descargas elétrica com até três horas de antecedência.

Segundo o diretor do Departamento de Segurança Pública e Defesa Civil de São Carlos, Heleno do Nascimento, a região central da cidade abriga a maior parte do comércio, que foi construído em cima do leito de um rio que corta a região. “Acima de 50 milímetros de chuva, o rio transborda. Com isso, muitos comerciantes são prejudicados”, afirmou.

Até agora, há 80 comerciantes cadastrados para receber SMS, e 1.437, para e-mails. A medida faz parte da ‘Campanha Cidade Mais Segura’, lançada pela Secretaria Nacional de Defesa Civil.

Um sistema parecido criado pelo professor Jó Ueyama, do Instituto de Ciências Matemáticas e Computação da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos, foi indicado para monitorar o nível e a poluição do Rio Tietê, mas dependia da aprovação do Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) do Estado.

Por Julia Baptista, da Central de Notícias

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Que tal em um aplicativo gratuito para celular que indica em tempo real onde estão os pontos de alagamento na cidade? Foi o que pensou o programador Noel Rocha, de 24 anos, ao desenvolver o “Alaga SP” para iPhones. A ideia surgiu entre o fim do ano passado e o início de 2010, com os mais de 40 dias ininterruptos de chuvas em São Paulo.

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“Todo dia eu ficava me perguntando onde é que estaria alagado”, conta o paulistano. “Depois vi que todos se perguntavam a mesma coisa, então resolvi colocar o serviço na internet.”

Noel se desloca todos os dias do quilômetro 21 da Rodovia Raposo Tavares, onde reside, até o centro de São Paulo. Como milhões de paulistanos, seu trajeto até o trabalho foi prejudicado na época de chuvas, em janeiro. Após conhecer o site do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Prefeitura, sentiu-se incomodado pelo fato de que só podia ver os dados justamente quando não precisava mais – em casa ou no escritório.

O aplicativo divide a capital entre suas cinco regiões e pelas marginais Pinheiros e Tietê. De acordo com o monitoramento do CGE, o usuário fica sabendo na hora onde estão os alagamentos.

E Noel já planeja aperfeiçoar o serviço. No próximo mês o programa deve ganhar uma atualização que permitirá mostrar um mapa detalhado das regiões prejudicadas. Hoje, apenas textos são informados. A sugestão foi dada pelos usuários, que podem enviar suas opiniões pelo próprio “Alaga SP”. “Agora é esperar a próxima chuva para ver se está funcionando bem”, brinca.

De olho nos rios. Outra tentativa de criar um sistema de monitoramento de enchentes foi proposta pelo professor Jó Ueyama, do Instituto de Ciências Matemáticas e Computação da USP de São Carlos. Ele desenvolveu  um sensor capaz de emitir um alerta cada vez que um rio está prestes a transbordar. O equipamento também consegue medir a poluição das águas.

A ideia do professor seria usar os sensores no Rio Tietê, mas isso depende de negociação com o Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) do Estado de São Paulo. Leia reportagem completa no JT.

Eduardo Roberto

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Nos meses de verão, basta o tempo fechar para o paulistano se deparar com uma enxurrada de notícias de que São Paulo foi colocada sob estado de atenção ou alerta… Mas o que isso significa?

estados_CGE

Vamos lá: O Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) é o órgão da Prefeitura responsável por monitorar os alagamentos na cidade. São os técnicos do CGE que indicam quantos e quais pontos estão tomados pelas águas e decretam a maioria dos estados de emergência.

O órgão funciona todos os dias do ano, das 7h às 19h. Nos meses em que chove mais, entre 1.º de novembro e a primeira quinzena de abril, os profissionais monitoram a cidade 24 horas.

Por via de regra, São Paulo está sempre em “estado de observação”. Se a chuva aperta e demonstra potencial para provocar alagamentos, é decretado “estado de atenção.” O próximo passo é o “estado de alerta”, quando rios e córregos já estão transbordando.

Por fim vem o “estado de alerta máximo”, que significa calamidade pública. O decreto deste estado só pode ser feito pelo prefeito e prevê intervenção do governo estadual ou federal. São Paulo nunca entrou neste nível de alerta – até agora.

Gabriel Pinheiro

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