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Sonia Racy

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O dono da bola

17.junho.2014 | 1:10

Foto: Reuters

Kobe Bryant não brinca em serviço. O melhor atleta de basquete do mundo, ala-armador no Los Angeles Lakers, chegou ao galpão da Nike, sábado, no Rio, focado nas entrevistas cronometradas de 3 minutos para as TVs, coletiva de quase uma hora para a imprensa escrita e uma individual, de 15 minutos, para esta coluna. “Estamos no horário?”, perguntava, do alto de seus quase dois metros. Aos 35 anos, em plena forma, o fã de Oscar Schmidt – “vi meu pai jogar contra ele quando morávamos na Itália” –, diz que o basquete do Brasil tem boa chance de fazer um bom papel no Mundial deste ano – em agosto, na Espanha.

Bryant está de férias no Brasil – justamente no momento em que Tiago Splitter se tornou o primeiro brasileiro campeão da NBA, com o San Antonio Spurs. “Ele é um grande atleta.” O astro está, agora, com os olhos voltados para a Copa e quer assistir a vários jogos – inclusive o de hoje, entre Brasil e México. Para quem torce? “Torço para que o melhor vença”, desconversa, politicamente correto.
Já sobre o recente episódio de racismo no basquete nos EUA – em que Donald Sterling, dono do Clippers, foi flagrado em comentários discriminatórios –, não titubeia: “É inaceitável perder tempo falando disso e, ainda hoje, sermos obrigados a testemunhar um caso de racismo na NBA. Temos mais é que valorizar a família Buss (dona do Los Angeles Lakers). Sterling não deveria continuar a ser dono dos Clippers. Não faz sentido. Eu não conseguiria jogar no time dele.”

Na conversa com a coluna, transparece seu treinamento de mídia. Bryant, dono de cinco títulos mundiais – só Michael Jordan tem um a mais –, também pode concorrer ao top… da comunicação.

Há 30 anos, um bom atleta que não sabia se expressar tinha chance de vencer. Hoje, um atleta talentoso, mas sem habilidade de comunicação, tem alguma chance?

Acho que sim. Todos temos talentos diversos, a chave é encontrar o que amamos fazer. Além de jogar, amo conversar com as pessoas. Me sinto bem. Quem não gosta vai ter que aprender alguma coisa pelo menos. Não precisa ser um expert, mas, sem conseguir o básico, fica difícil.

O que você acha da administração Barack Obama?

Desafiadora, com muitos problemas a enfrentar. É difícil dar uma opinião porque a política, muitas vezes, vira uma bagunça. Gosto de me aprofundar nos temas para, depois, emitir opinião. Sou obsessivo.

Qual a sua opinião sobre o sistema educacional americano, que incentiva os esportes ao extremo?

Se você for um estudante medíocre, mas bom em algum esporte, pode entrar em Harvard. As escolas ganham dinheiro com seus atletas e se aprimoram. É o chamado efeito dominó positivo.

Se não fosse jogador de basquete, o que seria?

Jogador de futebol. Comecei a jogar na Itália com 6 anos. Mas, aos 14, nos mudamos para Los Angeles e não achei ninguém para jogar.

Você fez pesquisa antes de vir ao Brasil?

Não, é minha segunda vez aqui, e gosto de explorar. A primeira coisa que me chamou atenção não foi a natureza – temos belas praias perto de Los Angeles. Vi aqui a paixão, a alegria, a vontade de viver. Isso me fascina.

Topou com alguma manifestação contra a Copa?

Vi uma em Ipanema, tranquila e pacífica. Me alertaram para os perigos que poderia viver, para a violência, mas não senti nada disso.

Você está no topo e ganha US$ 30 milhões por ano. Ainda existe algum desafio para você no basquete?

Meu desafio é aprender, aprender e aprender. Com atletas, advogados, músicos, não importa a profissão. Sempre tiro algo ouvindo os outros. No dia em que alguém achar que sabe tudo, relaxar o estado de alerta, está morto.

Pretende se aposentar se ganhar o sexto mundial?

Tenho dois anos ainda de contrato e vou cumpri-los. Depois, quero trabalhar servindo de inspiração para a geração mais jovem.

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