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Sonia Racy

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Missão: Itaquera

06.junho.2014 | 1:10

Foto: Paulo Giandalia/Estadão

Qual, afinal, o custo do estádio do Corinthians? Ninguém mais apto a responder que Marcelo Odebrecht, dono da construtora contratada para tanto. Ele esclarece que o total chega a R$ 985 milhões. “Esse custo é 50% inferior ao da arena de Brasília e 30% superior ao do estádio de Manaus”, compara. Nessa conta, segundo ele, é preciso considerar componentes como a complexidade do projeto, tamanho, materiais usados e padrão de acabamento. “A qualidade da casa da Fiel é superior – e tem um bando de loucos para dar sustentabilidade econômica a ela. Mas tivemos de financiar um valor maior, decorrente do atraso dos financiamentos e da emissão de, assim como para pagar as estruturas provisórias para a Copa.” Sobre o laudo do acidente ocorrido em novembro, que causou a morte de dois operários, Marcelo prefere não comentar. A seguir, a conversa do empresário com a coluna.

Por que as obras do Itaquerão atrasaram?

Da parte do Corinthians e da Odebrecht, não houve atraso. Pelo contrário, considerando que a obra começou depois das outras arenas. Entregamos o prometido dia 15 de abril. O atraso está nos assentos e estruturas provisórias, que não fazem parte do escopo da Odebrecht.

Mas vocês não entregaram o estádio inacabado?

Entregamos o estádio pronto para receber as estruturas provisórias. Os vidros, que fazem parte das extremidades das coberturas leste e oeste, serão instalados após o Mundial, como definido pelo Corinthians.

Quanto dinheiro público foi gasto nessa obra?

Esse é o maior mal-entendido da Copa. A resposta é: nenhum! A menos que se considere gasto público o financiamento da Caixa para a casa própria de um cidadão. O Corinthians levantou um financiamento imobiliário para sua casa e vai pagá-lo como qualquer um. Fala-se também que a Prefeitura de SP colocou dinheiro na arena – outra falácia. A Prefeitura emitiu CIDs, conforme lei existente e que beneficia outros projetos destinados a desenvolver as regiões mais carentes de SP. Após a conclusão da arena, esses CIDs serão usados para pagar tributos em um valor menor que o incremento de arrecadação a ser propiciado pela própria arena. Muito em linha com o feito há anos para o investimento em projetos Brasil afora. A verdade é que o Corinthians, com apoio da Odebrecht, bancou a Copa em SP, assumindo gastos adicionais para a construção e as estruturas provisórias de uma arena para a abertura de um Mundial, poupando os cofres públicos em mais de R$ 500 milhões.

O Brasil vai passar vergonha na Copa, como disse Ronaldo?

Vamos mostrar ao mundo quem somos – as nossas belezas e carências. Vergonha só se tivermos manifestações violentas. Ou se perdermos feio em campo.

Se algo der errado na abertura, de quem será a culpa?

Depende do que der errado e de quem for o responsável. Falhas e acertos serão potencializados em função do resultado do jogo.

Qual sua opinião sobre o laudo do Instituto de Criminalística sobre o acidente de novembro em Itaquera?

Não posso comentar, porque nossa equipe nem sequer teve acesso a seu conteúdo e, por conseguinte, às premissas, ensaios e fatos que o embasaram. De qualquer forma, a Odebrecht apresentou ao IC um detalhado estudo, de autoria do prof. Roberto Kochen, demonstrando a plena capacidade do solo, cuja conclusão foi corroborada por outros renomados especialistas. O que mais nos incomoda nessa apuração é o fato de a empresa fabricante do guindaste acidentado jamais ter apresentado os dados da caixa-preta do equipamento, que podem ser determinantes para revelar a causa do acidente.

Para que time você torce?

Brasil, no campo e fora dele.

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