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Sonia Racy

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Entre amigos

03.setembro.2014 | 1:07

O objetivo era fazer uma homenagem em vida. Não deu tempo. Dia 10, na ArtRio, Etel e Lissa Carmona lançam o livro De Sergio Para Adolpho, baseado em longa entrevista de Sergio Rodrigues, a última de sua vida, dada em 12 de agosto. Procuradas para comentar como será o evento e também a obra, mãe e filha preferiram não se manifestar, em respeito à morte do designer, na segunda-feira. Hoje, ele será cremado, no Rio.
Esta coluna conseguiu, em primeira mão, uma prova do livro. Principais assuntos? O relacionamento de Sergio com o dono da editora Bloch, que muito o ajudou quando ele deixou sua sociedade na Oca; a série especial de mobiliário que desenvolveu para o empresário, chamada Adolpho e jamais comercializada; e a recente parceria fechada com a loja de móveis de Etel. Amiga do designer, ela apresentará na feira carioca parte desse mobiliário inédito, seguida de comercialização futura.
A seguir, alguns dos melhores trechos do livro.
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Quando Sergio desenhou e produziu sua obra-ícone, a poltrona Mole, ela era algo completamente diferente de tudo o que se conhecia. Ficou um ano na vitrine até ser vendida a primeira peça. A compradora foi a empresária Niomar Moniz Sodré Bittencourt, dona do jornal Correio da Manhã, uma das fundadoras do MAM-Rio. Ele explica:
– Acho que as pessoas pensavam: coisa esquisita, parece cama de cachorro…
Mas logo outros interessados foram aparecendo. Eram intelectuais, gente da alta roda; entre os primeiros, Adolpho Bloch, que adquiriu quatro peças e montou um canto de jogo e bate-papo em sua casa na Granja Comary, em Teresópolis.
– Quando a Mole ganhou o prêmio em Cantu, todo mundo quis.
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O amigo Millôr Fernandes, sempre irônico, gostava de falar a Sergio: “Você é a única pessoa que eu admito falar bem do Adolpho Bloch”. Retratava, de certa forma, uma personalidade nem um pouco preocupada em fazer concessões ao que não acreditava. No caso de Sergio, era o contrário.
– O Adolpho era apaixonado comigo, eu andava de braço dado com ele na Manchete. E ele não era de fazer isso!
Adolpho dizia que, se Sergio tivesse nascido na Europa, estaria riquíssimo.
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Sergio e Adolpho já eram velhos conhecidos quando, em 1990, o empresário encomendou ao designer uma mesa para seu uso pessoal. E, poucos meses depois, uma cadeira para o mesmo fim.
A linha Adolpho, que nunca foi comercializada, tem ainda sofá, poltrona, mesa de centro, peças que se conectam e ganharam esse nome pela relação afetiva de terem sido desenhadas para o amigo no mesmo período.
– A mesa não tinha nada a ver com a cadeira. Aliás, essa ligação, fazer um móvel para outro, com a mesma pinta, nunca foi a minha.
Na encomenda, Adolpho não fez pedidos especiais.
– Ele disse que eu fizesse o que quisesse. E quando viu a cadeira pela primeira vez, já topou aquilo de saída. Disse apenas: “É essa mesmo, você acertou, é exatamente as minhas costas”.

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