Direto da Fonte | Sonia Racy
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Sonia Racy

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‘Tentamos sempre dar um olhar contemporâneo e elegante ao Brasil’

31.agosto.2015 | 1:00

Foto: Fernando Laszlo

Festejados no exterior, os Irmãos Campana viajam pelo País em busca de material para suas criações, estimulam talentos por onde passam e avisam: “Temos uma missão aqui”

Humberto e Fernando Campana formam a mais aclamada dupla do design brasileiro. Reconhecidos internacionalmente, as vezes, muito mais do que pelos próprios brasileiros. Os Irmãos Campana – nascidos em Brotas, interior paulista – gostam de brincar com a ideia. “Aqui somos mais conhecidos como os sapateiros da Melissa”, comparou Humberto em entrevista a Sofia Patsch, sobre a parceria de 11 anos que os dois mantêm com a marca de calçados.

Conhecidos pelo modo como trabalham materiais inusitados, como barbantes e bichos de pelúcia, muitas vezes barganhados no bairro de Santa Cecília – onde têm desde 1989 o Estúdio Campana – eles foram os primeiros brasileiros a ter peças no acervo permanente do MoMa, em Nova York. A mais conhecida é a Poltrona Vermelha (foto).

Entre sapatos e mobiliários, a dupla está viajando pelo Brasil, com o apoio da ONG IPTI. Missão? Conhecer trabalhos de comunidades, como a da Ilha do Ferro, em Alagoas – onde desenvolvem uma coleção de luminárias usando o bordado feito pelos locais. Depois querem transformar a experiência em documentário, ainda sem nome.

Por que não aproveitar seus talentos para embelezar São Paulo? “Falta iniciativa política. Eu faria até de graça”, disse Fernando. “Há uma falta de respeito pela memória paulistana”, completou Humberto. A seguir, os principais trechos da conversa com a dupla, no estúdio de Santa Cecília.

Como se sentem, trabalhando com sapatos?
Fernando:Isso democratizou nosso trabalho no País. Somos conhecidos como os sapateiros da Melissa (risos). Tem fã clube e tudo, somos muito mais conhecidos como sapateiros do que como designers de móveis…

Como veem hoje as feiras e eventos como o Design Weekend, a Made, entre outros, que estão despertando a curiosidade de mais brasileiros para o design nacional?
Humberto: A situação mudou muito desde que começamos, nos anos 1980. O design brasileiro hoje está maduro. Tem uma identidade. Vejo muitos talentos jovens fazendo coisas interessantes, chamando a atenção de fora para o que ocorre no Brasil.

Vocês são os precursores dessa curiosidade…
Fernando: Começamos a chamar atenção por falar outra língua que não a do Niemeyer, do Sérgio Rodrigues. Sempre nos inspiramos neles, são nossos heróis, mas criávamos do nosso jeito e não reproduzindo o trabalho deles.
Humberto: Percebemos um outro Brasil sem estereótipos – mulata, samba, carnaval… sabe? Tentamos sempre dar um olhar contemporâneo e elegante ao Brasil.

Vocês misturam um Brasil barroco e outro contemporâneo.
Humberto: O Brasil nunca foi clássico, sempre foi barroco, pela própria consistência da natureza, da população. Somos um hibridismo de culturas. Não somos um país limpo, graças a Deus. Nosso sangue é misturado com o dos negros, o dos índios. Essa mistura nos trouxe uma cultura muito rica, diferente do resto da América Latina. O Tom Jobim já dizia: “O Brasil é uma merda, mas é bom. Os Estados Unidos são um país bom, mas uma merda…”.

Sua produção é um design de vanguarda – como as poltronas Vermelha e Banquete, feita de bichos de pelúcia. De onde vêm essas sacadas?
Fernando: Do nosso bairro, por exemplo, Santa Cecília, onde fica nosso ateliê desde 1989. Vira e mexe passa um vendedor de bichos de pelúcia, temos sorte de estar em um bairro que tem de tudo. Acho que isso sintetiza muito o Brasil. E é esse Brasil que nos inspira.

Quais os próximos projetos?
Fernando: Estamos desenvolvendo uma coleção de luminárias com a comunidade da Ilha do Ferro, em Alagoas, que faz um trabalho legal com bordado. Pensamos até em fazer algo para a Trousseau com eles.
Humberto: Estamos viajando pelo interior do Brasil com a ONG IPTI. A cada semana vamos a um lugar diferente. Visitamos comunidades à beira do Rio São Francisco. Entramos em uma canoa e descemos o rio, que é lindo. Dessa aventura vai nascer um documentário.

Que legal, já tem nome?
Humberto: Ainda não. Mas estamos gostando muito de conhecer lugares aos quais nunca tínhamos ido. É curioso, quando chegamos vemos que eles têm uma sede de fazer as coisas, não são bicho preguiça.

Nenhum dos dois é formado em design. Como ele surgiu na vida de vocês?
Fernando: Na época em que fiz faculdade, a arquitetura incluía urbanismo, design e comunicação visual. O que era muito legal. Se fôssemos criar um hospital, tínhamos que pensar em tudo, até no uniforme dos médicos.
Humberto: Acho que me eduquei através do olhar. Na época, quando deixei a advocacia, adorava ir às exposições da Lina Bo Bardi no Masp e acompanhar os trabalhos do Niemeyer. Sou muito intuitivo, autodidata, nunca estudei.

Quando foi que tiveram a ideia de trabalhar juntos?
Fernando: Foi por acaso. Eu estava me formando em arquitetura e fazia estágio na Bienal de São Paulo, onde conheci gente como Anish Kapoor, Keith Haring. Passou a Bienal, acabei a faculdade e o Humberto me chamou para fazer nota fiscal no estúdio dele (risos).
Humberto: Eu tinha um estúdio, queria ser escultor, fazia um trabalho paralelo, vendia cestos de bambu – que comprava em Brotas – para lojas como Mappin e Mesbla. Investia o dinheiro em curso de escultura na Faap. No Natal o Fernando veio me ajudar e ficamos juntos até hoje.
Fernando: Dos 32 anos que estamos juntos, 25 foram de muita ralação. Vivemos todo o processo, desde comprar a caixa de papelão no Brás até ficar devendo um carro no banco para pagar as contas na época do Cruzado. Nunca fomos de gastar.

Ou seja, não são consumistas?
Fernando: Nunca tivemos vontade de ter o carro do ano… Hoje podemos ter, mas na época não era nossa prioridade.
Humberto: Podíamos estar morando nos Estados Unidos ou na Europa, mas acho que morar aqui é uma missão. Acredito que temos uma missão aqui no Brasil. Vejo esse estúdio como uma escola, para ensinar a pegar o artesanato e dar a ele um nível de design.

Têm muitos aprendizes?
Fernando: Temos, sim. Trabalhamos muito com ONGs como a Cooopa-roca, Orientavida, Projeto Arrastão, Comunidade do Muinho.
Humberto: Toda quarta-feira, dois assistentes dão aula em uma creche na Santa Casa de Misericórdia. A ideia, é expandir esse lado social.
Fernando: A habilidade manual está cada vez mais de lado com esse mundo de máquinas. Queremos reviver essa habilidade.

O trabalho de vocês ainda é 100% manual?
Humberto: Não chega a ser 100%. Lançamos uma coleção de móveis em parceria com a A Lot Of Brasil, toda automatizada. O que possibilitou a criação de peças mais acessíveis.

A crise atual afeta seu trabalho de alguma forma?
Humberto: Desde o começo da minha vida lido com crises. A ditadura, o Plano Cruzado, agora a crise política. Na Europa as pessoas estariam deprimidas, acho que aqui somos mais flexíveis.
Fernando: Quando estourou esta crise, amigos meus que vivem na Europa me chamaram para ser jardineiro na casa deles… (risos).

Pensaram em deixar o País?

Os dois: Não.

Humberto: É importante estar aqui, contaminar outras pessoas com uma mensagem positiva.

Houve queda nas vendas?
Nosso mercado sempre foi mais voltado para o exterior, no Brasil há uma certa lentidão, não foi a crise não. Mesmo nos “bons tempos” tinha muito brasileiro que ia comprar nossos produtos em Miami. Aqui o governo deveria facilitar mais com os impostos.

São Paulo é para muitos uma cidade feia e cinza. Não seria importante valorizar o design na cidade? Rolar uma parceria com a Prefeitura?

Fernando: Falta iniciativa política. Eu faria até de graça.
Humberto: Existe uma falta de respeito pela memória paulistana. Que educação você pode passar para o outro quando não respeita nem a memória do lugar onde vive?
Fernando: No final das contas, a iniciativa privada faz mais pelo design no Brasil do que o poder público. Estamos participando do projeto de revitalização de Detroit, nos EUA, a cidade estava um caco. Se comparar Detroit com São Paulo e a rapidez com que lá estão recuperando, é nítido que há algo errado aqui. São Paulo arrecada muito mais. É possível mudar, basta mobilizar, chamar investidores.

São a favor ou contra demolir o Minhocão?
Os dois: Contra. Vão gastar um dinheirão demolindo! Deviam fazer algo como a High Line, de NY. Usar a parte de baixo para galerias.

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Lugares e memórias

30.agosto.2015 | 1:30

Foto: Iara Morselli/Estadão

Dani Tranchesi vai reunir amigos em jantar, quinta-feira, na sua casa para lançar seu novo site, o danitranchesi.com – onde vai somar fotos e dicas de viagens e tudo que ronda esse universo. “As fotografias de viagens têm tomado cada vez mais meu tempo e dedicação. Por isso, resolvi montar um site onde posso expor meu trabalho junto com minhas experiências e histórias de vida”, explica. Formada em comunicação pela ESPM, Dani foi ‘picada’ pelo bicho das viagens desde cedo, como ela mesma define. Dessa paixão também nasceu, em 2004, a CasaNeo10 – “um espaço físico para cursos de fotografia, filosofia aplicada em viagens e troca de informações”. Os três lugares top favoritos da moça? “Isfahan no Irã, Mumbai na Índia e Sydney na Austrália”. E para comer? “Nazi Goreng em Bali, Xangai Dumpling em Sidney e Ramen em Roppongi, Tóquio.”

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Novos ares

30.agosto.2015 | 1:25

Foto: Iara Morselli/Estadão

O chef Raphael Cesana veio ao Brasil passar só uma temporada – apesar de ser brasileiro, o moço mora há cinco anos em NY, onde atuou nas cozinhas do Hotel Americano e do Café Moto. Passou ainda por Paris, onde trabalhou no Café Français – mas o noivado com a empresária Marina Morena o trouxe de volta a terras tupiniquins.Aqui, Raphael assumiu, há dois meses, as cozinhas dos restaurantes Chez Oscar e Chez MIS, do Grupo Chez. Criou novo cardápio, priorizando os vegetais e carnes orgânicos e pães de fermentação natural. “Sempre vou respeitar a rusticidade do lugar, a madeira, o couro. Continuo com o comfort food, mas com uma pitada mais exclusiva.”

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Sabor em família

30.agosto.2015 | 1:20

Foto: Iara Morselli/Estadão

Depois de trabalhar anos com moda, Nicole Salvia de la Garza resolveu mudar de carreira. Sua mãe, Silvana Farkouh Salvia, já era famosa por sua receita familiar de brownie e muito incentivada a abrir o próprio negócio. Assim nasceu a Misses Brownies. Mãe e filha uniram diferentes qualidades – Nicole cuida do marketing e Silvana, da produção criativa. Além dos tradicionais brownies, a dupla criou uma cartela de sabores para versões “mini” dos doces. Muitos deles podem ser vistos em uma “bicibrownie”, e em um “tuk tuk” nos shoppings Cidade Jardim e Villa Lobos.

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Pop, rock, balada

30.agosto.2015 | 1:15

Foto: Priscila Prade

Beto Wrigth fez o caminho inverso de grande parte dos músicos. Em lugar de começar uma banda, ensaiando ao vivo, passou uma temporada de cinco anos no Canadá, formou-se em psicologia e agora – depois de anos de pesquisa musical e composição – lança seu primeiro CD, Nem Tudo é Normal, gravado em NY, que estará disponível hoje, no site Rotação Inversa. Com estilo que mescla pop-rock e balada, o músico acredita que a identidade está nas faixas: “Hoje lançamos um álbum pensando nas faixas separadamente. Perceber essas nuances foi essencial na hora de criar o repertório”, diz.

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