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Sagrado e Profano

Oscar Quiroga

27 agosto 2014 | 18:54

 

Às 18h54 de quarta-feira 27-8-14 a Lua que cresce ingressou em Libra e está em sextil com Júpiter, quadratura com Plutão, oposição a Urano e sextil com Vênus até 13h de sexta-feira 29-8-14, horário de Brasília. No mesmo período, Sol e Netuno em oposição.

A descrença generalizada é um bom sinal, pois nós existimos no tempo em que da relação de obediência à autoridade institucional e de fé nas escrituras sagradas nos dirigimos ao estado de compreensão individual e percepção clara e direta da realidade, sem intermediários, sem necessidade de haver quem esteja acima de nós enchendo-nos de proibições e “cagando regras”.

As religiões monoteístas, os povos dos livros, produziram uma civilização em que o consenso se baseia em que tudo precisa ser “como deve ser”. Porém, as coisas são como são e não “como devem ser”.

Quando se perde tempo demais tentando fazer com que as coisas sejam “como devem ser”, o ardor do coração que é o responsável pela criação e está por trás de todas as religiões e instituições, é a razão de ser de toda a ordem social e civilizada, esse ardor se perde, fica oculto.

Como em nosso tempo esse ardor emerge, vivemos a descrença, porque não nos chama mais a atenção o que está escrito, nós queremos viver de acordo com o que percebemos, nós não queremos que nos encham de regras, nós queremos que o próprio fluir da existência seja nosso orientador, e se nos deixarem em paz, certamente viveríamos felizes e pacíficos.

A linha que demarca a diferença entre um viver certo e outro errado não está mais nos livros sagrados, esses se referiam a épocas que não existem mais. Nossa humanidade é, hoje em dia, muito mais inteligente e esclarecida do que os povos antigos, e temos necessidades mais sofisticadas, que só podem ser satisfeitas pelo atrevimento à experiência.

Nós todos, através de nossas experiências, escrevemos atualmente um novo livro sagrado, o livro do viver, sem tinta e sem papel, que se dissemina livremente através das consciências, e que não enxerga conflito entre o sagrado e o profano, mas que integra os aparentes opostos para viver livre.

A vida é um pássaro que para voar livremente precisa das duas asas, sem preferir uma e rejeitar a outra, uma asa é sagrada, outra asa é profana.