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Quinta-feira, 31 de Maio de 2012
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USP testa novo tratamento contra depressão

Categoria: pesquisa

O Hospital Universitário da USP está recrutando voluntários para testar um novo tratamento para depressão. A  Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua (ETCC). A técnica consiste na aplicação de dois eletrodos-esponja sobre crânio do paciente (semelhantes aos usados em fisioterapia) por meio dos quais é enviada uma fraca corrente elétrica.  Essa estimulação regularia a atividade em áreas do cérebro responsáveis pelo humor, pela sensação de depressão e de excitação.

A pesquisa, pioneira no Brasil, é conduzida pelo psiquiatra Andre Brunoni que conheceu a técnica em 2008, na universidade de Harvard, Estados Unidos.  Até o próximo ano, ele e outros profissionais envolvidos no estudo analisarão 120 voluntários (leia abaixo entrevista com o Dr. Brunoni).

O voluntário deve entre 18 e 65 anos e sofrer de depressão moderada a grave. Os interessados podem mandar um email para pesquisacientificahu@gmail.com ou entrar em contato com a psiquiatra Lays pelo telefone:  11 3021-2222.

*

Dr. Brunoni, a aplicação da corrente elétrica dói?  O que o paciente sente?

Não. O método é totalmente indolor. O paciente pode sentir um formigamento na região em que é aplicada a estimulação, porém o efeito dura menos de um minuto.

É preciso sedar o paciente?

Não é necessário sedar, também não é necessário ter um acompanhante, pois o paciente sai bem ao fim da estimulação (não fica tonto, com dor de cabeça, etc.). Durante a estimulação, os pacientes costumam ficar lendo, vendo TV ou mesmo dormindo. 

Quanto tempo dura a aplicação?

30 minutos.

Qual o tempo médio de um tratamento?

10 dias consecutivos, normalmente são excluídos fins de semana. 

Qual o intervalo entre as aplicações?

24h durante a fase de estimulação diária. Após as dez sessões, sabe-se que o efeito dura no mínimo 6 semanas (segundo estudos) mas o seguimento de longo prazo ainda está sendo investigado. Estamos com uma proposta a ser avaliada pelo comitê de ética para fazer uma manutenção de estimulação quinzenal por 6 meses.

O paciente pode retomar suas atividades normais depois da aplicação?

Sim, o paciente sai normal, não fica com efeitos colaterais, sedação, etc.

 *

As informações divulgadas neste blog não substituem aconselhamento profissional. Antes de tomar qualquer decisão, procure um médico.

21 Comentários Comente também
  1. Enviado por: Anna H.

    Que maravilha ! É bom saber que em São Paulo existem psiquiatras interessados nas novas formas de tratamento, é bastante animador. Pena que eu não esteja por perto para participar como voluntária das pesquisas. Se confirmarem que dá resultados a longo prazo e que assim o doente fica livre dessa maldita doença, será um grande passo na psiquiatria contemporânea e não somente limitada ao Brasil.Outros pacientes em outros países poderão também se beneficiar.Mesmo que tenham começado nos Estados Unidos, o fato da técnica se espalhar pelo mundo significa que ela é promissora.Vou falar sobre o tratamento com um psiquiatra que conheço,de uma clínica famosa no centro de Paris. Meus parabéns pela iniciativa ao doutor Brunoni e sua equipe do hospital universitário.

  2. Enviado por: luiz

    NADA DE NOVO SOB O SOL E SOB AS TREVAS
    Eletrochoque é uma das terapias mais tradicionais no tratamento do estado agudo da depressão. O filósofo Louis Althuser, que padecia, desde a juventude, de “Psicose Maníaco-Depressiva” (como era então chamado o Transtorno Bipolar Nível 4), na sua autobiografia (L’Avenir Dure Longtemps), aos 85 anos, relata que ia por iniciativa própria à clínica psiquiátrica quando se encontrava em estado agudo de depressão. E confessa: de todos tratamentos que experimentou durante 60 anos, esse era o mais eficaz, menos danoso e menos penoso.
    O preconceito contra o eletrochoque surge nos anos 60, por conta das correntes novidadeiras como a antipsiquiatria e do charlatanismo dos psicólogos, que embora não tivessem formação médica, passaram a poder exercer a psicanálise.

  3. Enviado por: Renato

    Infelizmente ainda atacamos as consequencias das depressões / ansiedades e não suas causas, que são em sua maior frequencia de origem social. Analisar o processo saúde-doença de forma compreensivista e não positivista / pragmatica visa ter como objetivo os determinantes desse processo e por consequência trazer a luz propóstas que de fato tenham o compromisso com a mudança dos fatores que produzem doenças e não com uma lógica social patologizadora, puramente biologicista e limitada. Basta ver o aumento das vendas de fluoxetina (prozac) nos ultimos anos. Além do óbvio e do senso comum…abraços

  4. Enviado por: luiz

    Psiquiatria sociológica Renato? Hummm… eu sugeriria oncosociolgia, gastrosociologia, cardiosocilogia também.

  5. Enviado por: daise

    Esta pesquisa só é feita em São Paulo?
    Gostaria de ser Voluntaria, moro em Curitiba, Paraná.Sofro de depressãoa 8 anos,aos 50 anos faz 1 ano que tenho Asma,Os remedios que tomo, Alprazolam e Fluoxetina Causam efeitos colateral Asma, medicamento manipulado?as capsulas são feitas de gelatina,minha saliva parece um Gel,é asma? procurei profissionais ele não souberam me dizer, manipulo a medicaçõ por ser mais barato. Obrigada aguardo resposta.A Distimia tem haver com a Depressão?

  6. Enviado por: Renato

    Que bom que percebe senhor Luiz que uma gastrite pode desenvolver uma úlcera que pode desencadear o desenvolvimento de células cancerígenas e se pensarmos que as ansiedades provindas da lógica social atual são elementos chave para o alcoolismo, fumo e hábtos de alimentação que podem desencadear, no mínimo, essa gastrite…ou será que nossos hábtos são construidos por nós e em nada tem relação com a lógica social contemporânea (culpabilização da vitima)? ou será que as ansiedades se tornaram epidemicas por serem transmitidas de um indivíduo para o outro… é …faz sentido pensarmos em gastrosociologia sim, como o Sr. sugeru, ou então em algo ainda mais abrangente, como bem estar biopsicossocial focando assim a promoção da saúde a qual englobaria por consequencia a prevenção (o preventivismo) e o assistencia ( cura da doença já instalada com o retorno desse indivíduo para um meio que não estimule novamente o aparecimento dessa patologia) com as drogas serotoninérgicas por exemplo. Uma visão processual da dinâmica saúde-doença nos apresentaria de forma mais clara os métodos e meios de fato mais eficazes para manter a saúde e tratar os doentes e não as doenças. Grato.

  7. Enviado por: Anna H.

    Mas esse novo tratamento é o eletrochoque de antigamente ? Pelo que diz o psiquiatra, nao sao a mesma coisa, ou é ? Senao nem teria sentido se falar nele como novidade. Diziam coisas horríveis sobre dar choques nos pacientes e ninguém aceitava, era uma espécie de tortura.

  8. Enviado por: Sueli Cabral Rathsam

    O FDA já confirmou que a tecnica não invasiva para depressão como a Estimulação Magnética Transcraniana (TMS) é tão eficaz no tratamento da depressão com a Eletroconvulsoterapia (ECT). Com a vantagem de não causar perda de memória cocmo no eletrochoque e ainda melhorar o desempenho intelectual, globalmente.

  9. Enviado por: NELSON NISENBAUM

    A depressão é uma doença que pode atingir diversas espécies, não só a humana, e em particular na humana, acompanha nossa história desde que o homem escreve e deixa registros. Sua existência tem também componentes genéticos e constitucionais. Tem expressão física e química como forma de disfunção cerebral, e portanto, diversas formas de tratamento concorrem para a melhora do doente, sejam medicamentosas, psicoterápicas, magnéticas ou elétricas. Portanto, tudo é uma questão de objetivos e metodologia. Boa sorte aos pesquisadores e aos doentes, é o que desejo.

  10. Enviado por: Anna H.

    Querida Claudia, hoje mesmo li numa revista científica para leigos que a depressão pode acelerar o desenvolvimento do câncer, mesmo que nao o cause diretamente. Que doença perigosa, essa. Noto que você gosta muito de falar sobre ela aqui. Entao todo tratamento que mostre eficácia deve ser válido, no entanto os eletrochoques desapareceram há anos e agora voltam a falar sobre eles. Esse outro método tem a ver com choques elétricos ? A estimulaçao deve ser mais interessante ainda para quem sofre de distúrbio bipolar ?

  11. Enviado por: Claudia Belfort

    Cara Anna
    Essa estimulação é diferente de eletrochoque, pelo que li os atuais tratamentos de eletroconvulsosoterapia. Segundo o site do Instituto de Psquiatria da USP o tratamento consiste na aplicação de uma carga elétrica no cérebro, com o paciente anestesiado (é induzida uma anestesia geral com duração em torno de 5 minutos). Esta carga elétrica produz uma descarga do cérebro, originando uma convulsão (daí o nome eletroconvulsoterapia).
    Ainda segundo o Instituto de PSiquiatria: “pacientes com esquizofrenia ou Transtorno Bipolar do Humor em fase de Mania (ficam com o pensamento acelerado e o comportamento expansivo e incontrolável) também podem se beneficiar da ECT, especialmente quando o quadro é grave e/ou as medicações não obtiveram resultado satisfatório.”
    o site do Instituto de Psiquiatra é http://www.hcnet.usp.br/ipq/hc/ect/ect.htm#Noções%20gerais
    ab

  12. Enviado por: Jeane Rabelo

    Boa tarde, Cláudia.

    Esta matéria foi-me de extrema valia. Inscrevi-me e passarei por uma triagem no próximo dia 01/07.Caso seja sorteada, serei submetida ao tratamento.Estou feliz e confiante!
    Obrigada.

  13. Enviado por: ernani

    Qdo aprimorarem essa tecnica vão chegar a algo que existe há pelo menos 2 mil anos e por certo muito mais. Eu tive depressao por 2,5 anos e um dos milhares de tratamentos que obtive (todos foram validos, nenhum suficiente) e que me lembro com maior alegria foram sessóes semanais de passes que tomava de um grupo de pessoas simples, trabalhadore comuns, que se juntavam em 5,6, para isso. Qdo.ia pra lá minha cabeça parecia aquelas almofadas de alfinetes que costureiras e alfaiates usam, ou aqueles caras que morriam nos filmes de cow-boys com mil flechadas dos apaches. Pois bem, após os passes (atençao, não sou espirita, continuo catolico de missa todo domingo) era como se criassem um escudo em volta da minha cabeça, sumiam todos os tormentos, todo descontentamento, todo cinza, – isso durava mais de uma semana, mas eu voltava antes. Essa blindagem me permitia trabalhar, seguir minha vida normalmente, e trabalho é tudo! Pouca diferença faz pra mim entre raios eletricos de pequena intensidade, eletro-mecanicos, com raios eletro-magneticos originados de mãos humanas bem intencionadas, veiculos da Graça de Deus. Pensem bem, eu posso nao escrever bem, mas o argumento é válido, – ps – eu brincava com eles: há dois mil anos Jesus dava uma bençao/passe em mil pessoas a um tempo, agora precisa juntar 10 gatos pingados como voces, pra conseguir dar um passe num coitado como eu! – eles riam, e ai tudo ficava mais facil pra todos nós. Depressao é uma bencão de Deus, um dia voce acorda e se surpreende dizendo: que dia maravilhoso hoje! êpa! mudou o mundo ou mudei eu ? ora,
    o mundo não mundou, quer dizer: eu mudei! eu sarei! bendito seja Deus. A partir desse dia o mundo será outro para você!

  14. Enviado por: Ana

    Olá. Eu me inscrevi como voluntária e estou fazendo o tratamento. Nada tem de invasivo ou efeitos colaterais. Não há dor nem desconforto e a equipe média é de primeira qualidade. Já estou percebendo os resultados positivos e tive uma significativa melhora no meu quadro depressivo, que era considerado grave. Agradeço à equipe pela oportunidade e espero que mais pessoas possam se beneficiar com esse método. Vale à pena tentar, afinal, só que sofre de depressão entende como é complicada a busca pela cura.

  15. Enviado por: ederson

    ola gostaria de saber se vc estao fazendo o tratamento ,eu tenho depressao a anos e so tenho 19 anos de iddade ,gostaria de sarar um dia

  16. Enviado por: Jandira Alves Ferreira

    Lamento, pois não consegui contatar pelo telefone 30212222(fui informada de que este número mudou à mais de quatro meses… O endereço de e-mail,não permite acesso.. Gostaria muitíssimo de fazer parte desta pesquisa; pois tenho depressão à mais de 10 anos… e me disponho a qualquer exigência…

  17. Enviado por: luciene

    Olá, tenho depressão desde criança, já fiz vários tratamentos e nenhum remédio resolveu. Hoje tenho 37 anos e espero que esse novo tratamento esteja disponível a todos. Sofro muito com essa doença, não vivo, vou levando. Por favor ajudem-me.

  18. Enviado por: Rejane

    Pessoas sensíveis buscam soluções inteligentes. Menos medicamento é tudo que precisamos pois os efeitos colaterais sao imensos e as despesas difíceis de serem mantidas, ainda mais a longo prazo.
    Parabéns e sucesso!!!!

    Quero participar!!!!!Por favor, me incluam neste programa.

  19. Enviado por: Rejane

    Ana, como podemos participar se nao conseguimos acesso aos telefones, nem através do email indicado?

    Veja se descobre, caso ainda esteja indo ao tratamento, por favor. Fico feliz por saber da sua melhora. Um abraço

  20. Enviado por: Lilian do Patrocinio Fernandes

    Mesmo ñ sabendo se este site ainda está no ar,
    vou tentar pq meu sofrimento e mto gde e proponho-me
    a fazer qq coisa.
    Poderiam me informar se esta experiência deu certo?
    Att,
    Lilian

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