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Quinta-feira, 31 de Maio de 2012
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A força que uma escolha tem

Categoria: Geral, pesquisa

Às vezes é difícil fazer escolhas. Normalmente escolher  significa abrir mão de algo, de alguém. Para mim escolher é fascinante, tem um tanto de saber, muito de independência e de ser dono de si. Agora descobri que pode ser um aliado no tratamento de distúrbios mentais relacionados à ansiedade e até ataques de pânico.

Uma pesquisa recente concluiu que pacientes que podem escolher entre tomar remédios ou fazer a terapia cognitivo-comportamental (TCC), ou combinar ambas, respondem melhor ao tratamento.

O estudo envolveu 1000 pacientes nos Estados Unidos. Metade deles pôde optar entre terapia, farmacoterapia ou ambos. A outra metade teve de adotar o  tratamento prescrito pelo médico, independentemente de ser de natureza medicamentosa ou psicoterápica.

Depois de um ano de acompanhamento, 64% da amostra que pôde fazer escolhas apresentou um quadro de melhora, inclusive com alguns casos de remissão,   no outro grupo a incidência de resposta, também incluindo as remissões, foi de 44%.  Vale destacar que na primeira amostra, 57% optaram por combinar os tratamentos, 9% por medicamentos como terapia única e 34% apenas pela TCC.

Os pesquisadores não identificam com exatidão o aspecto mais determinante na melhora dos pacientes. Eles  destacam, porém, que a possibilidade de escolher entre determinadas  opções de tratamento, mesmo que previamente determinadas pelo médico, pode ter contribuído para que eles se dedicassem mais às sessões de terapia e aos medicamentos.

Em nenhum momento o estudo aponta que é o paciente quem deve definir exclusivamente seu tratamento. 

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As informações divulgadas neste blog não substituem aconselhamento profissional. Antes de tomar qualquer decisão, procure um médico.

O risco da depressão entre idosos

Categoria: Geral, pesquisa

A avó de um amigo meu decidiu por conta própria morar numa espécie de comunidade de idosos. Faz coisa de dois anos. Não era um daqueles asilos que povoam nossa mente quando falamos em abrigar anciões. Era uma chácara, com muitas árvores, área de ginástica, de música, oficinas. Tinha um quarto só para ela, sem cozinha, sem sala, mas era só dela, e fez um amigão. Vinte anos mais jovem que a avó do meu amigo, ela já próxima dos 80, o senhor deu a ela um brilho no olhar, uma fala carinhosa que a família inteira pensou que havia tempo a senhora não parecia tão feliz.

Aquela felicidade, provou-se depois, era melancólica. A enorme estrutura da casa fazia com que ela se sentisse presa, mordomias como ter as roupas lavadas, as três refeições prontas, sessões de cinema deram a ela uma sensação de perda de independência, de não poder mais escolher. A senhora ficou deprimida e voltou a morar com uma cuidadora em seu apartamento cheio de escolhas.

Lembrei essa história por conta de um artigo que li recentemente sobre o suicídio entre idosos.  Nos Estados Unidos, 14,2% dos casos ocorrem em pessoas acima de 65 anos. A ida a um abrigo ou comunidade pode não ter relação direta com o suicídio na população nessa faixa etária, mas a mudança ambiente, de status social, de perda de função provoca medo, ansiedade e sensação de desesperança podem colaborar para o desenvolvimento de um quadro de depressão. Alie isso à falta de capacidade de identificação de doenças de humor, depressão, dependência química por parte de familiares e funcionários dessas casas e tem-se um sério fator de risco.

Os pesquisadores da Universidade de Rochester, EUA, listaram uma série de procedimentos que casas de idosos podem adotar para prevenir suicídios, como disseminar informações sobre tratamentos para distúrbios mentais, preparar a família, funcionários e outros idosos residentes a identificar quando um ancião precisa de auxílio psiquiátrico.

Mas será que a gente pensa que idosos podem desenvolver uma depressão a ponto de cometer suicídio? Como não é comum, pode ser difícil crer que sim.  Além do mais, eles não têm mais problemas com trabalho, já criaram os filhos, já amaram. Bem o caso da avó do meu amigo. Independente, financeiramente autônoma, lúcida. Ficou deprimida e ninguém viu. Ela intuitivamente percebeu-se num caminho onde não queria estar e agiu. Na família, antes disso, todos acreditavam que estava ótima.

Com a idade a gente até aprende a controlar um mau humor, a sorrir diante da visita de um parente, mesmo querendo se acabar de chorar, a experiência, no entanto, demonstra essa pesquisa, não cura sozinha um distúrbio mental.

Ah, a avó do meu amigo ainda mora com uma cuidadora no seu apartamento. Está fisicamente bem.

Vídeo: depoimentos de mulheres com distúrbios mentais

Categoria: Entrevista, Sem categoria

Achei uns vídeos bem legais com depoimentos de mulheres que sofrem de algum tipo de distúrbio mental. São curtinhos, aproximadamente 1 minuto, mas em inglês. De qualquer modo vou colocar um deles aqui, o de Cyntia que fala sobre sua depressão. Demora um pouquinho para carregar.

Cyntia 

Assista  os outros vídeos.

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5 minutos junto à natureza é bom para a saúde mental

Categoria: pesquisa

Sou meio desconfiada com terapias, dietas ou qualquer tipo de benefício conseguido em um curto período de tempo. Como cada vez que estou estressada  me sinto melhor ao passar meia horinha que seja sob uma árvore ou sentada na grama, li com menos desconfiança sobre a pesquisa da Universidade Essex que concluiu que 5 minutos de atividades como caminhada, jardinagem, andar de bicicleta melhoram o humor e elevam a auto-estima.  Os efeitos seriam ainda maiores se os exercícios forem próximos à água. A pesquisa foi divulgada na edição de 4 de maio da Enviromental Science & Tecnology.

Outras pesquisas já demonstraram os benefícios da prática de exercícios junto à natureza na saúde mental, mas esse seria o primeiro a determinar o tempo necessário para que os resultados apareçam. Cinco minutos, um prato cheio, ou melhor, um fast-food para quem vive sem tempo para nada.

Os pesquisadores analisaram 1252 pessoas de diferentes idades, sexo e estado de saúde mental da Grã-Bretanha e os efeitos da prática dessas atividades no humor e na auto-estima. Como parâmetro utilizaram duas escalas científicas (o artigo não cita quais). Eles descobriram que as maiores alterações ocorreram na saúde dos jovens e dos doentes mentais.

Mas e se forem cinco minutos sem computador? Sem blog? Sem celular? E se forem cinco minutos em silêncio?  Sem nenhuma base científica, médica, nada disso, puro impressionismo meu, acho que pelo menos o humor já melhoraria. Aqui no jornal tem uma pracinha, vou tentar.

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As informações divulgadas neste blog não substituem aconselhamento profissional. Antes de tomar qualquer decisão, procure um médico.

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EUA autoriza pilotos de avião a tomarem antipressivos

Categoria: Geral

Pilotos de avião que tomam antidepressivos serão novamente autorizados a voar nos Estados Unidos. O veto vigorava havia 70 anos e foi derrubado neste mês pelo órgão que regula a aviação americana, FAA, na sigla em inglês. A agência considerou que os antidepressivos atuais são melhores que os do passado e que provocam menos efeitos colaterais, como sonolência, por exemplo.

O FAA estima que 10% dos pilotos norte-americanos tomem antidepressivos, o mesmo porcentual da população dos EUA que usa esse tipo de medicamento. Mas segundo administrador da agência Randy Babbitt a porcentagem  pode até ser maior. Babbitt acredita que a proibição desestimulava os pilotos a procurarem tratamento ou a informarem sua condição aos superiores.

Com a nova política, serão autorizados a voar os pilotos que tomarem antidepressivos como  Prozac, Zoloft, Celexa e Lexapro, ou seus equivalentes genéricos. A permissão só ocorrerá após um ano de tratamento e se eles não apresentarem efeitos colaterais que ponham em risco a segurança do voo.

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Cuidado para não se perder

Categoria: Geral

Há uns dois meses houve um debate entre leitores aqui no blog sobre os efeitos do uso de medicamentos no comportamento dos pacientes com distúrbios mentais. Alguns defendiam que pessoas sob esse tipo de terapia perdem o controle sobre si, têm suas atitudes ditadas por remédios e  não pela própria essência. Essa discussão ficou bastante tempo na minha cabeça.

Podemos controlar apenas parte da nossa vida, pensava eu a caminho do jornal hoje. Tudo bem, essa parte é fundamental, do contrário seríamos como birutas à mercê do vento, mas esperar ter controle sobre tudo é tarefa impossível. Algumas horas atrás peguei um táxi perto de casa. Acreditava nunca ter visto o motorista até me dizer que quando eu acenei ele já ligou o ar condicionado para em seguida desandar a falar que nunca mais havia me visto e tal. O sujeito sabia onde eu morava, para onde eu mudaria, quem era o proprietário anterior do meu apartamento e até o nome do síndico do prédio.  

Que controle tenho sobre essas informações?, pensei. Estico o braço no meio da rua, entro num táxi cujo motorista tem conhecimento de tantos detalhes de minha vida e eu nem faço ideia do seu nome, de fato sequer lembro o modelo do carro. Não perguntei como ele soube de tudo aquilo, respondi com vogais e mergulhei no caderno de esportes do Jornal da Tarde, que deixei com ele ao descer – melhor ocupá-lo com a convocação ou não de Neymar para a seleção a deixá-lo elucubrando sobre minha vida.

Essa prosopopeia toda é só para dizer que acho uma ilusão defender que tomar remédios é abandonar o próprio eu. Ficar doente então também seria, não me convence o argumento de não se medicar para não se perder. Já tem um pedaço nosso perdido por aí.  Já existe um outro você, ou eu, à solta e sobre esse não temos um controle absoluto, ele é uma projeção do que eu mostro e do que os outros interpretam, é um punhado de informações que se dissipa por ondas sonoras, por letrinhas pretas sobre tela branca, por conversa de taxista.  Podemos até tentar criar um personagem à nossa imagem e semelhança, mas saber por onde ela trafega  e com que nível de detalhamento é difícil.  Somos  mistério por dentro e percepção lá fora, assim não dá para querer se livrar do incontrolável, do desconhecido. Eles estão aí, ponto. E isso é o divertido de viver (não de enlouquecer), mesmo sob medicamentos.

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Depressão e obesidade em via de mão dupla

Categoria: pesquisa

Obesidade e depressão estão numa via de mão dupla.  Pessoas obesas têm 55% de chances de desenvolverem um quadro depressivo e a obesidade é um risco para 58% dos  pacientes vítimas de depressão. De acordo com a Dra. Floriana S. Lupino, da Universidade de Leiden, na Holanda, que ao lado de outros cientistas conduziu pesquisa sobre o tema, sobrepeso e obesidade podem levar a uma baixa autoestima o que potencializa o risco de depressão além de servir de combustível à doença.

Um outro estudo divulgado em 2006 Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos (NIMH na sigla em inglês) já havia revelado que um em cada quatro obesos tem transtorno de  humor ou de ansiedade. Os dados, segundo o NIMH, apontam claramente uma relação entre obesidade e crescimento dos índices de depressão e outros problemas mentais.

Por serem doenças com sérias consequências, os cientistas holandeses recomendam que médicos tentem prevenir e pensar no tratamento de ambos  os problemas. Profissionais que tratam de pacientes vítimas de obesidade deveriam considerar a possibilidade de eles terem depressão e os psiquiatras que têm pacientes obesos teriam de encorajá-los a procurar ajuda de um especialista para emagrecer.

A pesquisa foi feita a partir da revisão de 15 estudos publicados envolvendo 58 mil pessoas.

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Mães depressivas, filhas em risco

Categoria: pesquisa

Meninas cujas mães têm depressão apresentam uma atividade anormal em determinadas áreas do cérebro que podem colocá-las em risco de também desenvolver a doença, segundo estudo publicado na edição de abril da  Archives of General Psychiatry. Pesquisadores da Universidade de Stanford, EUA, estudaram o cérebro de 26 garotas, entre 10 e 14 anos, sendo 13 delas filhas de mulheres com recorrentes episódios de depressão (grupo de risco) e 13 sem histórico familiar da doença (grupo de baixo risco).

Os exames, feitos por ressonância magnética, revelaram que as filhas de mulheres portadoras da doença, quando colocadas em situações de recompensa, tinham uma atividade cerebral menor nas áreas que processam ganhos que suas pares do grupo de baixo risco. Já diante de perdas elas apresentavam atividade intensa nas regiões relacionadas à antecipação de eventos adversos como medo e dor e também nas do aprendizado a partir de experiências negativas. No grupo de meninas sem histórico de mães depressivas, por sua vez, a região do aprendizado foi acionada nos momentos de recompensa.

Embora reconheçam que a amostragem é pequena, os cientistas estimam que 50% das filhas de mães com depressão desenvolverão a doença. Eles também acreditam que esse mapeamento das reações cerebrais a partir de estímulos distintos pode ser um indicador da importância da Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) – psicoterapia que foca nas relações entre o comportamento e a estrutura de pensamento desenvolvida por um indivíduo - na prevenção da doença.

Atualização: Luísa, leitora deste blog, me perguntou e a informação realmente faz falta. A pesquisa foi feita apenas com meninas, mas não significa necessariamente que é essa hereditariedade seria uma condição exclusivamente feminina. O artigo não explica porque esse grupo foi escolhido.

 

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Spam

Categoria: Sem categoria

Desculpem, o blog sofreu ataque de spam. Apaguei mais de 200. Amanhã escrevo novo post.

Claudia

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Depressão é quinta doença mais comum no Brasil

Categoria: pesquisa

O Suplemento de Saúde da Pnad  (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2008, divulgado nesta quarta-feira, revela que a depressão é a quinta doença de maior ocorrência no Brasil, atingindo 4,1% das 59,9 milhões de pessoas que se declaram portadora de alguma doença crônica.

As doenças crônicas (identificadas por algum médico ou profissional de saúde) mais informadas foram: hipertensão (14,0%) e doença de coluna ou costas (13,5%), com artrite ou reumatismo (5,7%), bronquite ou asma (5,0%), depressão (4,1%), doença de coração (4,0%) e diabetes (3,6%).

A Organização Mundial de Saúde estima que em pouco mais de 10 anos a depressão será a segunda doença mais comum no mundo, devendo atingir o primeiro lugar no ranking em 2030. Ela também será a maior responsável por mortes prematuras e anos produtivos perdidos dado seu potencial incapacitante.

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