A força que uma escolha tem
- 25 de maio de 2010|
- 22h17|
- Tweet este Post
Às vezes é difÃcil fazer escolhas. Normalmente escolher  significa abrir mão de algo, de alguém. Para mim escolher é fascinante, tem um tanto de saber, muito de independência e de ser dono de si. Agora descobri que pode ser um aliado no tratamento de distúrbios mentais relacionados à ansiedade e até ataques de pânico.
Uma pesquisa recente concluiu que pacientes que podem escolher entre tomar remédios ou fazer a terapia cognitivo-comportamental (TCC), ou combinar ambas, respondem melhor ao tratamento.
O estudo envolveu 1000 pacientes nos Estados Unidos. Metade deles pôde optar entre terapia, farmacoterapia ou ambos. A outra metade teve de adotar o  tratamento prescrito pelo médico, independentemente de ser de natureza medicamentosa ou psicoterápica.
Depois de um ano de acompanhamento, 64% da amostra que pôde fazer escolhas apresentou um quadro de melhora, inclusive com alguns casos de remissão,   no outro grupo a incidência de resposta, também incluindo as remissões, foi de 44%. Vale destacar que na primeira amostra, 57% optaram por combinar os tratamentos, 9% por medicamentos como terapia única e 34% apenas pela TCC.
Os pesquisadores não identificam com exatidão o aspecto mais determinante na melhora dos pacientes. Eles  destacam, porém, que a possibilidade de escolher entre determinadas  opções de tratamento, mesmo que previamente determinadas pelo médico, pode ter contribuÃdo para que eles se dedicassem mais à s sessões de terapia e aos medicamentos.
Em nenhum momento o estudo aponta que é o paciente quem deve definir exclusivamente seu tratamento.Â
 *
As informações divulgadas neste blog não substituem aconselhamento profissional. Antes de tomar qualquer decisão, procure um médico.
Tópicos Relacionados
ansiedade, pânico, pesquisa, Terapia Cognitivo Comportamental
O risco da depressão entre idosos
- 18 de maio de 2010|
- 21h11|
- Tweet este Post
A avó de um amigo meu decidiu por conta própria morar numa espécie de comunidade de idosos. Faz coisa de dois anos. Não era um daqueles asilos que povoam nossa mente quando falamos em abrigar anciões. Era uma chácara, com muitas árvores, área de ginástica, de música, oficinas. Tinha um quarto só para ela, sem cozinha, sem sala, mas era só dela, e fez um amigão. Vinte anos mais jovem que a avó do meu amigo, ela já próxima dos 80, o senhor deu a ela um brilho no olhar, uma fala carinhosa que a famÃlia inteira pensou que havia tempo a senhora não parecia tão feliz.
Aquela felicidade, provou-se depois, era melancólica. A enorme estrutura da casa fazia com que ela se sentisse presa, mordomias como ter as roupas lavadas, as três refeições prontas, sessões de cinema deram a ela uma sensação de perda de independência, de não poder mais escolher. A senhora ficou deprimida e voltou a morar com uma cuidadora em seu apartamento cheio de escolhas.
Lembrei essa história por conta de um artigo que li recentemente sobre o suicÃdio entre idosos.  Nos Estados Unidos, 14,2% dos casos ocorrem em pessoas acima de 65 anos. A ida a um abrigo ou comunidade pode não ter relação direta com o suicÃdio na população nessa faixa etária, mas a mudança ambiente, de status social, de perda de função provoca medo, ansiedade e sensação de desesperança podem colaborar para o desenvolvimento de um quadro de depressão. Alie isso à falta de capacidade de identificação de doenças de humor, depressão, dependência quÃmica por parte de familiares e funcionários dessas casas e tem-se um sério fator de risco.
Os pesquisadores da Universidade de Rochester, EUA, listaram uma série de procedimentos que casas de idosos podem adotar para prevenir suicÃdios, como disseminar informações sobre tratamentos para distúrbios mentais, preparar a famÃlia, funcionários e outros idosos residentes a identificar quando um ancião precisa de auxÃlio psiquiátrico.
Mas será que a gente pensa que idosos podem desenvolver uma depressão a ponto de cometer suicÃdio? Como não é comum, pode ser difÃcil crer que sim.  Além do mais, eles não têm mais problemas com trabalho, já criaram os filhos, já amaram. Bem o caso da avó do meu amigo. Independente, financeiramente autônoma, lúcida. Ficou deprimida e ninguém viu. Ela intuitivamente percebeu-se num caminho onde não queria estar e agiu. Na famÃlia, antes disso, todos acreditavam que estava ótima.
Com a idade a gente até aprende a controlar um mau humor, a sorrir diante da visita de um parente, mesmo querendo se acabar de chorar, a experiência, no entanto, demonstra essa pesquisa, não cura sozinha um distúrbio mental.
Ah, a avó do meu amigo ainda mora com uma cuidadora no seu apartamento. Está fisicamente bem.
Tópicos Relacionados
depressão, prevenção, suicÃdio, transtorno psiquiátrico
VÃdeo: depoimentos de mulheres com distúrbios mentais
- 12 de maio de 2010|
- 17h02|
- Tweet este Post
Categoria: Entrevista, Sem categoria
Achei uns vÃdeos bem legais com depoimentos de mulheres que sofrem de algum tipo de distúrbio mental. São curtinhos, aproximadamente 1 minuto, mas em inglês. De qualquer modo vou colocar um deles aqui, o de Cyntia que fala sobre sua depressão. Demora um pouquinho para carregar.
Assista  os outros vÃdeos.
Tópicos Relacionados
5 minutos junto à natureza é bom para a saúde mental
- 6 de maio de 2010|
- 15h25|
- Tweet este Post
Categoria: pesquisa
Sou meio desconfiada com terapias, dietas ou qualquer tipo de benefÃcio conseguido em um curto perÃodo de tempo. Como cada vez que estou estressada  me sinto melhor ao passar meia horinha que seja sob uma árvore ou sentada na grama, li com menos desconfiança sobre a pesquisa da Universidade Essex que concluiu que 5 minutos de atividades como caminhada, jardinagem, andar de bicicleta melhoram o humor e elevam a auto-estima.  Os efeitos seriam ainda maiores se os exercÃcios forem próximos à água. A pesquisa foi divulgada na edição de 4 de maio da Enviromental Science & Tecnology.
Outras pesquisas já demonstraram os benefÃcios da prática de exercÃcios junto à natureza na saúde mental, mas esse seria o primeiro a determinar o tempo necessário para que os resultados apareçam. Cinco minutos, um prato cheio, ou melhor, um fast-food para quem vive sem tempo para nada.
Os pesquisadores analisaram 1252 pessoas de diferentes idades, sexo e estado de saúde mental da Grã-Bretanha e os efeitos da prática dessas atividades no humor e na auto-estima. Como parâmetro utilizaram duas escalas cientÃficas (o artigo não cita quais). Eles descobriram que as maiores alterações ocorreram na saúde dos jovens e dos doentes mentais.
Mas e se forem cinco minutos sem computador? Sem blog? Sem celular? E se forem cinco minutos em silêncio? Sem nenhuma base cientÃfica, médica, nada disso, puro impressionismo meu, acho que pelo menos o humor já melhoraria. Aqui no jornal tem uma pracinha, vou tentar.
*
As informações divulgadas neste blog não substituem aconselhamento profissional. Antes de tomar qualquer decisão, procure um médico.
Tópicos Relacionados
EUA autoriza pilotos de avião a tomarem antipressivos
- 23 de abril de 2010|
- 22h33|
- Tweet este Post
Categoria: Geral
Pilotos de avião que tomam antidepressivos serão novamente autorizados a voar nos Estados Unidos. O veto vigorava havia 70 anos e foi derrubado neste mês pelo órgão que regula a aviação americana, FAA, na sigla em inglês. A agência considerou que os antidepressivos atuais são melhores que os do passado e que provocam menos efeitos colaterais, como sonolência, por exemplo.
O FAA estima que 10% dos pilotos norte-americanos tomem antidepressivos, o mesmo porcentual da população dos EUA que usa esse tipo de medicamento. Mas segundo administrador da agência Randy Babbitt a porcentagem  pode até ser maior. Babbitt acredita que a proibição desestimulava os pilotos a procurarem tratamento ou a informarem sua condição aos superiores.
Com a nova polÃtica, serão autorizados a voar os pilotos que tomarem antidepressivos como  Prozac, Zoloft, Celexa e Lexapro, ou seus equivalentes genéricos. A permissão só ocorrerá após um ano de tratamento e se eles não apresentarem efeitos colaterais que ponham em risco a segurança do voo.
Tópicos Relacionados
Cuidado para não se perder
- 20 de abril de 2010|
- 20h10|
- Tweet este Post
Categoria: Geral
Há uns dois meses houve um debate entre leitores aqui no blog sobre os efeitos do uso de medicamentos no comportamento dos pacientes com distúrbios mentais. Alguns defendiam que pessoas sob esse tipo de terapia perdem o controle sobre si, têm suas atitudes ditadas por remédios e  não pela própria essência. Essa discussão ficou bastante tempo na minha cabeça.
Podemos controlar apenas parte da nossa vida, pensava eu a caminho do jornal hoje. Tudo bem, essa parte é fundamental, do contrário serÃamos como birutas à mercê do vento, mas esperar ter controle sobre tudo é tarefa impossÃvel. Algumas horas atrás peguei um táxi perto de casa. Acreditava nunca ter visto o motorista até me dizer que quando eu acenei ele já ligou o ar condicionado para em seguida desandar a falar que nunca mais havia me visto e tal. O sujeito sabia onde eu morava, para onde eu mudaria, quem era o proprietário anterior do meu apartamento e até o nome do sÃndico do prédio. Â
Que controle tenho sobre essas informações?, pensei. Estico o braço no meio da rua, entro num táxi cujo motorista tem conhecimento de tantos detalhes de minha vida e eu nem faço ideia do seu nome, de fato sequer lembro o modelo do carro. Não perguntei como ele soube de tudo aquilo, respondi com vogais e mergulhei no caderno de esportes do Jornal da Tarde, que deixei com ele ao descer – melhor ocupá-lo com a convocação ou não de Neymar para a seleção a deixá-lo elucubrando sobre minha vida.
Essa prosopopeia toda é só para dizer que acho uma ilusão defender que tomar remédios é abandonar o próprio eu. Ficar doente então também seria, não me convence o argumento de não se medicar para não se perder. Já tem um pedaço nosso perdido por aÃ. Já existe um outro você, ou eu, à solta e sobre esse não temos um controle absoluto, ele é uma projeção do que eu mostro e do que os outros interpretam, é um punhado de informações que se dissipa por ondas sonoras, por letrinhas pretas sobre tela branca, por conversa de taxista. Podemos até tentar criar um personagem à nossa imagem e semelhança, mas saber por onde ela trafega  e com que nÃvel de detalhamento é difÃcil. Somos mistério por dentro e percepção lá fora, assim não dá para querer se livrar do incontrolável, do desconhecido. Eles estão aÃ, ponto. E isso é o divertido de viver (não de enlouquecer), mesmo sob medicamentos.
Tópicos Relacionados
Depressão e obesidade em via de mão dupla
- 14 de abril de 2010|
- 18h56|
- Tweet este Post
Categoria: pesquisa
Obesidade e depressão estão numa via de mão dupla.  Pessoas obesas têm 55% de chances de desenvolverem um quadro depressivo e a obesidade é um risco para 58% dos  pacientes vÃtimas de depressão. De acordo com a Dra. Floriana S. Lupino, da Universidade de Leiden, na Holanda, que ao lado de outros cientistas conduziu pesquisa sobre o tema, sobrepeso e obesidade podem levar a uma baixa autoestima o que potencializa o risco de depressão além de servir de combustÃvel à doença.
Um outro estudo divulgado em 2006 Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos (NIMH na sigla em inglês) já havia revelado que um em cada quatro obesos tem transtorno de  humor ou de ansiedade. Os dados, segundo o NIMH, apontam claramente uma relação entre obesidade e crescimento dos Ãndices de depressão e outros problemas mentais.
Por serem doenças com sérias consequências, os cientistas holandeses recomendam que médicos tentem prevenir e pensar no tratamento de ambos os problemas. Profissionais que tratam de pacientes vÃtimas de obesidade deveriam considerar a possibilidade de eles terem depressão e os psiquiatras que têm pacientes obesos teriam de encorajá-los a procurar ajuda de um especialista para emagrecer.
A pesquisa foi feita a partir da revisão de 15 estudos publicados envolvendo 58 mil pessoas.
*
As informações divulgadas neste blog não substituem aconselhamento profissional. Antes de tomar qualquer decisão, procure um médico.
Tópicos Relacionados
Mães depressivas, filhas em risco
- 13 de abril de 2010|
- 0h12|
- Tweet este Post
Categoria: pesquisa
Meninas cujas mães têm depressão apresentam uma atividade anormal em determinadas áreas do cérebro que podem colocá-las em risco de também desenvolver a doença, segundo estudo publicado na edição de abril da  Archives of General Psychiatry. Pesquisadores da Universidade de Stanford, EUA, estudaram o cérebro de 26 garotas, entre 10 e 14 anos, sendo 13 delas filhas de mulheres com recorrentes episódios de depressão (grupo de risco) e 13 sem histórico familiar da doença (grupo de baixo risco).
Os exames, feitos por ressonância magnética, revelaram que as filhas de mulheres portadoras da doença, quando colocadas em situações de recompensa, tinham uma atividade cerebral menor nas áreas que processam ganhos que suas pares do grupo de baixo risco. Já diante de perdas elas apresentavam atividade intensa nas regiões relacionadas à antecipação de eventos adversos como medo e dor e também nas do aprendizado a partir de experiências negativas. No grupo de meninas sem histórico de mães depressivas, por sua vez, a região do aprendizado foi acionada nos momentos de recompensa.
Embora reconheçam que a amostragem é pequena, os cientistas estimam que 50% das filhas de mães com depressão desenvolverão a doença. Eles também acreditam que esse mapeamento das reações cerebrais a partir de estÃmulos distintos pode ser um indicador da importância da Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) – psicoterapia que foca nas relações entre o comportamento e a estrutura de pensamento desenvolvida por um indivÃduo - na prevenção da doença.
Atualização: LuÃsa, leitora deste blog, me perguntou e a informação realmente faz falta. A pesquisa foi feita apenas com meninas, mas não significa necessariamente que é essa hereditariedade seria uma condição exclusivamente feminina. O artigo não explica porque esse grupo foi escolhido.
Â
*
As informações divulgadas neste blog não substituem aconselhamento profissional. Antes de tomar qualquer decisão, procure um médico.
Tópicos Relacionados
Spam
- 12 de abril de 2010|
- 21h50|
- Tweet este Post
Categoria: Sem categoria
Desculpem, o blog sofreu ataque de spam. Apaguei mais de 200. Amanhã escrevo novo post.
Claudia
Tópicos Relacionados
Depressão é quinta doença mais comum no Brasil
- 31 de março de 2010|
- 18h15|
- Tweet este Post
Categoria: pesquisa
O Suplemento de Saúde da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de DomicÃlios) de 2008, divulgado nesta quarta-feira, revela que a depressão é a quinta doença de maior ocorrência no Brasil, atingindo 4,1% das 59,9 milhões de pessoas que se declaram portadora de alguma doença crônica.
As doenças crônicas (identificadas por algum médico ou profissional de saúde) mais informadas foram: hipertensão (14,0%) e doença de coluna ou costas (13,5%), com artrite ou reumatismo (5,7%), bronquite ou asma (5,0%), depressão (4,1%), doença de coração (4,0%) e diabetes (3,6%).
A Organização Mundial de Saúde estima que em pouco mais de 10 anos a depressão será a segunda doença mais comum no mundo, devendo atingir o primeiro lugar no ranking em 2030. Ela também será a maior responsável por mortes prematuras e anos produtivos perdidos dado seu potencial incapacitante.

RSS