Jazz: loucura e criatividade
- 24 de janeiro de 2010|
- 22h56|
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Miles Davis tinha alucinações e delÃrios paranóicos, abusava de drogas (álcool, barbitúricos, heroÃna e cocaÃna), teve diversos relacionamentos sexuais, alguns deles simultaneamente, gostava de participar de orgias e praticar voyerismo. Ele, Chet Baker e Scott La Faro eram loucos por emoções fortes e adoravam carros velozes. Theolonious Monk também usava diferentes tipos de drogas, passava dias sem dormir andando de um lado para outro aparentemente sem reconhecer ninguém. Bud Powell foi diagnosticado como esquizofrênico, sofreu diversas internações em hospitais psiquiátricos, uma delas por dez meses. Charles Mingus e Oscar Pettiford eram irascÃveis e megalomanÃacos. Mingus ainda apresentava traços de paranóia. Paul Desmond e Bill Evans tinham baixa auto-estima, remorsos, sentimentos de culpa e uma visão pessimista do mundo. Desmond sofria de alcoolismo, Evans era dependente de cocaÃna. Todos eles foram músicos geniais do perÃodo clássico do jazz moderno americano (1945 – 1960) e sofriam de algum tipo de transtorno psÃquico.
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Miles Davis – foto: Anton Corbijn (Groninger Museum)
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As informações são de uma pesquisa publicada no British Journal of Psichiatry e indicada via twitter pelo psiquiatra Daniel Barros . Bom, a publicação é de 2003, mas como os dois temas, jazz e transtornos mentais, não têm data (além do fato que adoro jazz) resolvi trazê-la aqui. A investigação foi conduzida por Geoffrey I. Mills, doutor em psicologia e pesquisador da Universidade Manchester, na Inglaterra, que pretendia estudar a incidência de distúrbios mentais num grupo de jazzistas americanos. Mills usou como ponto de partida outras pesquisas que relacionavam criatividade a transtornos afetivos e até apontavam a possibilidade de uma psicopatologia atuar como elemento vital do processo criativo.
O alvo de Mills foram 40 grandes músicos de jazz, de quem ele analisou dados biográficos coletados em revistas e livros para buscar de evidências de psicopatologias que se encaixassem nos critérios do DSM-IV (Manual Diagnóstico e EstatÃstico de Doenças Mentais , publicado pela Associação Psiquiátrica Americana). Os resultados (veja abaixo), segundo o autor, são similares aos já identificados em pesquisas semelhantes feitas em grupos que atuam em profissões artÃsticas ou criativas e tendem a confirmar, ainda de acordo com Mills, a conexão entre transtornos de humor e pessoas criativas.
Dos 40 músicos de jazz pesquisados:
10% (4) tinham histórico de transtornos psiquiátricos na famÃlia
17,5% (7) tiveram infância instável ou infeliz
52,5% (21) foram viciados em heroÃna durante algum periodo da vida.
27,5 (11) eram dependentes de álcool e 15% (6) abusavam de álcool
8% (3) eram dependentes de cocaÃna
8% (3) tinham transtornos psicóticos
28,5% (11) tinham transtornos de humor
5% (2) apresentavam transtorno de ansiedade
17,5% (7) tinham tendências de busca de sensação como desinibição, busca por emoções fortes e aventuras, relacionados ao transtorno de personalidade borderline.
2 cometeram suicÃdio (J.J. Johnson e Frank Rosolino)
Para mim, com transtornos ou sem, são todos geniais.
Tópicos Relacionados
depressão, doença mental, melancolia, pesquisa, transtorno psiquiátrico

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Minha nossa, a estatÃstica me assustou.Será que a mùsica e criatividade fazem aparecer sintomas de distúrbios ou o contrário, tais sintomas levam à genialidade na arte ? Dzem que Vincent Van Gogh era esquizofrênico.Andy Warhol também era bastante excêntrico.Ih, se formos analisar bem,cada artista verdadeiro tem seu lado psicodélico, não ?
Bem. Na história de muitos deles, as drogas entraram para mantê-los acordados para aguentar a maratona de shows a que se submetiam, alguns fazendo mais de dois shows por noite. Tudo bem. Isso não justifica e também temos os fatores assinalados acima que demonstram uma forte tendência à dependência quÃmica e tal. Sim, são gênios, sem dúvida. Mas não acredito que a criatividade desse homens tenha relação apenas com seus distúrbios psicopatológicos. Muitos teriam sido gênios mesmo sendo pessoas normais. E ainda, sabe-se que muitos tiveram seus momentos mais criativos e inesquecÃveis quando já estavam fora das drogas, se não me engano, é o caso do Miles.
Identificar esses distúrbios em artistas tais e relacionar com a criatividade e magnitude de suas obras talvez seja perigoso de cair na má interpretação de apologia às drogas, e tal. Sim, pode ser exagero da minha parte. Sempre acho perigoso esse tipo de associação.
Agora, deixando de lado as drogas, quem não conhece algum megalomanÃaco, um depressivo, alguém com distúrbio bipolar ou paranóico? Se não conhece, ou é porque não observa muito bem as coisas ao redor, ou porque hospeda uma das patologias mencionadas.O que vejo é que não é difÃcil aceitar que Miles Davis fosse, sei lá, ninfomanÃaco ou Philip K. Dick (outro gênio com distúrbios e exageros similares), paranóico, mas é difÃcil aceitar isso em um ente próximo. Conheço alguns jovens artistas das áreas da música (toco com um em minha banda. Serei eu megalomanÃaco?), artes plásticas, cinema, que são brilhantes e têm distúrbios psicopatológicos e é bastante difÃcil relacionar-se com essas pessoas. Pior: eles sabem da condição de artistas que têm, portanto, pode ser que acentuem essas condições psicopatológicas criando maneirismos. Isso está em todo lugar. Não pertence só aos artistas. Assim como a criatividade. Graças a deus!
As perguntas podem ser:
Se é gênio porque se droga ou se droga porque é gênio?
A arte é a fuga mais sublime da insanidade?
TaÃ, depois dessa, acho que todos os seus posts deveriam vir com essas trilhas ao fundo… rsrsrs.
Acho esse tipo de pesquisa muito interessante, mas primeiro vejamos que aborda um número bastante reduzido de pessoas estudadas. Segundo, há muitos artistas sem transtornos psiquiátricos e muitos portadores destes transtornos longe de serem gênios. Acho que se faz uma imagem um pouco mÃstica dos loucos, que não nos ajudam a quebrar os preconceitos. Transtornos mentais significam para quem os têm sofrimento e acredito que não são eles que fazem os gênios, ao contrário, acho que esses gênios continuaram gênios sem as doenças mas mais felizes.
E parabéns pelo blog, bastante inovador, estou adorando.
Trilha sonora para este post: A Love Supreme, John Coltrane. Uma obra patologicamente divina!
De fato! :^D
Hoje mesmo eu pensava: acho que postei essa pesquisa só para montar um trilha…abs
Oi Lia, o número é reduzido mesmo, ele fez um corte com 40 músicos apenas, mas partiu de pesquisas com amostras mais amplas e os resultados foram semelhantes. Mas concordo com você, também há muitos artistas sem transtornos psiquiátricos e muitos portadores destes transtornos longe de serem gênios. e acrescento: há os que fingem serem loucos para parecem gênios, não é? Abs
Oi Giba, depois desse post até me deu vontade de tocar outro blog, dessa vez sobre jazz. Mas aà enlouqueço de vez com tanto trabalho. abs
Bem preconceituosa a pesquisa, pois se fosse realizada entre figuras polÃticas, os resultados seriam evidentemente muito piores.
Quer que cite o nome de alguns nomes de polÃticos brasileiros viciados em drogas? Acho desnecessário, não é mesmo?
E os paranóicos na polÃtica internacional que provocaram tragédias na história do mundo? São as marcas mais comuns que a humanidade carrega.
e se fôssemos falar dos caras que pintaram como os melhores músicos de jazz, como o fez J. Pollock? fato é que qq tipo de arte, assim como se estar em estado de depressão, – a mim – é estar em contato consigo mesmo. e quantas formas há de se estar imerso naquilo que somos. Se as drogas representam uma fuga?, não sei, há tantas formas de se fugir. que acho complicado alguém dizer isso com propriedade. de certo nisso tudo só a sensibilidade do olhar, a superfÃcie da pele que suporta e sente, como fosse uma esponja, todas as coisas do entorno. alguém ai disse ou afirmou que a arte é a fuga mais sublime, não sei. talvez a arte seja apenas mais uma forma de se levar isso aqui que uns chamam de vida e alguns poucos apenas de existência. acho que o jazz é a música do eu.
Mas quem é totalmente normal ?
Há pesquisas que mostram que os mais geniais artistas são homossexuais. O percentual é até maior que esse de loucos.
Tem a comparação com o universo das pessoas normais (aqui no sentido estatÃstico)?
Olá Virgilio
Normais, você quer dizer não artistas geniais? De qualquer forma há diversas pesquisas, inclusive no site da OMS sobre a incidência de transtornos mentais na população em geral. Em relação a outras áreas, há a de Ludwig, A. M – The Price of Greatness: Resolving the creativity and madness controversy,1995; Jamison, K.R. Touched with fire: manic depressive illness and the artistic temperament, 1993. No final da pesquisa, cujo link está no post há uma lista com umas 20 pesquisas e artigos sobre o tema. Abs
No caso americano,os negros, drogavam-se para imunizar-se da hostilidade social,a discriminação e o tratamento que recebiam ,mesmo nos clubes onde se apresentavam.A heroÃna ,derivada do ópio, modismo importado dos tempos da ocupação multinacional da China e da utilização maciça da morfina,como analgésico e sedativo ,principalmente no perÃodo entre as duas guerras,I e a II.
Mudando o estilo musical e focando no perÃodo do grunge, nirvana, alice in chains, smashing pumpkings(na fase boa), o vocalista do pearl jam disse algo sensato:” nunca vi uma droga que desse e tirasse tanto talento como a heroÃna.”. Outro exemplo clássico é o perÃodo do woodstock, jimmy hendrix, rolling stones, e afins.
Para ser um artista de peso, a pessoa não pode ser normal, pq se o fosse, todos seriam artistas de peso.O que difere alguém genial de alguem que cria algo comum, é uma sensibilidade mais requintada, uma percepção diferente, e as drogas de uma forma proporciam isso. Uma pena pois sempre cobram o seu preço.
Se todos os gênios fossem pessoas comuns então não seriam gênios. Isso é obvio. O fato é que pessoas geniais possuem algo que lhes diferencia da grande maioria e isto na minha opiniao nao esta necessariamente relacionado as drogas, mas uma caracteristica pessoal de cada um. Assim como sabemos que a genialidade de cada um pode se expressar de maneiras sublimes ou terriveis.
O Syd Barrett despois de sua explosão de criatividade inutilizou-se para sempre de tanto LSD. O Peter Green também, mas não acelerou tanto quanto o primeiro gênio criativo do Floyd.
Phillipe, eu concordo com você, entendo que a genialidade nada tem a ver com as drogas. Vejo, nesses casos, o uso de drogas como uma fuga, uma tentativa de aliviar o sofrimento, nunca um potencializador da genialidade.
Aproveito para falar aos demais leitores:
Gente, a pesquisa relaciona transtorno psÃquicos com o potencial criativo de um grupo de músicos. O uso de drogas aparece nessa amostra como causa ou consequência dos distúrbios. A pesquisa não faz conexão de drogadição com criatividade. abs
Olha, FFTarga, chega a ser perigoso sim, fazer essa associação entre loucura e criatividade, no entanto, não se pode negligenciar a relevância que estatÃsticas, tais como a que a Claudia apresenta, tem. Ao meu ver, existe uma relação mais do que estreita entre arte e loucura, existe uma correlação quase que de reciprocidade entre esses dois termos. Assinalarei aqui os termos. “Ser louco é ser artista”, numa reciprocidade admissÃvel teremos “ser artista é ser louco”. Um relação de coexistência entre tais conceitos. Porém, ela é falha, uma vez que nem todos artistas sofrem distúrbios psicóticos, têm dependência com substâncias, etc.
p.s. (quanto aos artistas deverei um comentário para debatermos o conceito de arte, até pq ser artista pode englobar desde o magnÃfico M. Davis até Mc’s de funk dos dias atuais, ambos, óbvio, de iguais importâncias para a indústria cultural, já que eles vendem muitos produtos com seus nomes e obras, no entanto, cada qual tem seu devido ou ausente grau de genialidade, e, outra vez, carece de espaço para se debater o conceito de genialidade.) Enfim, por enquanto é só.
Humm… essa coluna é ruim. A dona é metida a besta.
Olá Giovanni, sabe, às vezes sou um pouco metida mesmo, mas ninguém é perfeito. Tenho um amigo que vive me dizendo que o mundo não gira em torno dos leoninos como eu. Sempre que ele diz isso eu me surpreendo! Abraço bem humorado.
Essa relaçao transtorno mental e arte é antiga, porém os estudos nada concluem, apenas aventam hipóteses. Sem dúvida, aquele com humor em elação produz muito mais, não necessariamente obras geniais. Como também as substancias psicoativas em determinado momento estimulam a produção. Uma coisa é certa: o gênio não é gênio porque é louco, como também o louco não é louco porque é gênio.
Não é o caso de abusar de drogas, mas de viver intensamente. Acredito que as pessoas que se entregam completamente tem mais possibilidade de transcender, seja artÃsticamente ou em outras áreas. E quem não tem medo de se entregar, acaba experimentando um monte de coisas!
Parabéns, Cláudia,
Sequencia de arrepiar!
conheci o espaço hoje e já li quase tudo aqui. bom, muito bom.
Bom, creio que portador de distúrbio mental mesmo seria apenas o Thelonius Monk. Miles, Bird, Bud Powell, Chet Baker e outros eram dependentes de heroÃna, hábito muito comum entre músicos de jazz nos anos 50, assim como hoje acontece com o LSD nos anos 60 e a cocaÃna nos anos 80… O lamentável é que as drogas abreviou ou mesmo ceifou muitos talento imensos, como Emily Remler e outros…
Sou profundo conhecedor da obra,vida e até do instrumentos usados pelo Miles ao longo da carreira e não me consta que tenha tido alucinações ou delÃrios paranóicos a não ser quando estava sob efeito de drogas, e aà bastaria dizer que ele durante um tempo usou drogas. O texto sugere que ele era meio maluco,o que absolutamente não é verdade. Era sim um gênio e trompetista sem igual.
A relação entre a genialidade e a loucura já foram estudadas em dezenas de pesquisas cientÃficas e não há novidade nenhuma nisso. Existe um mito em torno da loucura, que a relaciona com com a genialidade, desde que Nero ateou fogo em Roma, assim como, na imagem excêntrica de Albert Einsten ao mostrar a lÃngua para as câmeras… De toda forma, a loucura real dos manicômios, pouco tem com a genialidade. Talvez seja a maior prisão a céu aberto, a que se submete um ser vivo. Não há nada de romântico, criativo ou carismático. A relação vulgar entre genialidade e transtorno mental, não passa em grande medida, de uma grande brincadeira de mau gosto, com a psiquiatria, com a psicologia e outras da saúde…
As pessoas se drogam (álcool é droga) porque é prazeiroso. Não vejo relação entre drogar-se e ser muito criativo. Porque não citam o Dizzy Gillespie, Armstrong, que eram pessoas “normais” ?
Claudia: PARABÉNS!
Muito bom seu artigo! Pena que, pelo visto, muitos não entenderam, ou não leram direito…
Tenho 2 exemplos “em casa”. Um tio, já falecido, extremamente sensÃvel, era ótimo músico, tocava quase todos os intrumentos de cordas e sopro, incluindo a gaita, maravilhosamente bem. Além disso, esculpia em madeira e pintava excepionalmente, mas era extremamente intropectivo e, “coincidentemente”, foi viciado em drogas, especilamente cocaÃna, até a precoce morte. Ela o deixava extrovertido…
Tenho um primo, em tratamento neste exato momento, também extremamente sensÃvel, carismático, carinhoso e talentoso! Trabalhava numa das melhores empresas de decoração de ambientes com couro de animais (não aprovo!) e ajudou inclusive na decoração de um certo “terraço” em SP há alguns anos… toca sax como ninguém, violão, baixo, etc. e, infelizmente, tem começou a consumir drogas ainda aos 11 anos (maconha) e hoje, já tendo passado por todas, está com apenas 26, severamente viciado em crack…
Beijos
Obrigada, Ricardo, abs
Vale fazer uma citação de uma artista plástica?
“A arte é uma garantia de sanidade. Eu não disse que é A garantia de sanidade. Há muitas outras. A arte é apenas um modo de se atingir um equilÃbrio – de se tornar uma pessoa sociável. (…) O trabalho alivia um estado de dor momentânea.” Louise Bourgeois
Acho que a relação com as drogas é pra aliviar esse tal estado de “dor” momentânea. Dor de pensar demais, produzir demais, administrar emoções, sensibilidade, obsessões, etc.
Drogas em excesso reduz drasticamente o senso crÃtico, mas na dosagem certa, pode sim “turbinar” o cérebro (como o Cloridato de Fluoxetina que tomo diariamente sob prescrição médica).
Se eles tivessem tratado a patologia, com certeza viveriam mais, melhor e realizariam mais obras.
amigo acho que não homosexuais e, sim, bisexuais.
Depois de todos esses comentários fica até difÃcil tecer algum.
Mas o que eu tenho a dizer é o seguinte: de mente e coração abertos, como muitos artistas agem para atingir seus dons e, assim, entrando em contato direto com as coisas que acontecem ao seu redor: assassinatos, roubos, mortes, corrupção, agressões desenfreadas… é muito difÃcil ser uma pessoa que não usa drogas, que não seja paranóica achando que alguma coisa lhe persiga para o oprimir (fechar a mente e coração), sem transtornos mentais e etc.
Creio serem os transtornos mentais uma maneira de se defender de toda essa loucura de vida cotidiana que nós homens criamos.
A trilha sonora está maravilhosa mas o conteúdo do Post… um perigo…
Do ponto de vista cientÃfico fazer esse tipo de associação sem pé nem cabeça é quase um crime, por exemplo:
Qual o critério para a confecção dessa lista de músicos?
Audiência? venda de discos? estilo? instrumento?
Qual a representatividade étnica, etária, genética, alimentar de seus membros?
“Glamurisar” a loucura é uma crueldade com os doentes mentais e asssociar o talento dos artistas as patologias mentais é iguamente desrespeitoso com o esforço criativo, o estudo e o deslocamento social de muitos deles são vÃtimas.
A exceção à regra é Ella Fitzgerald. Caretinha e genial. Outro bem light foi Louis Armstrong. Gostava só de um baseadinho.
Olá Paulo,
A associação é feita pelo cientista, doutor em psicologia da Manchester University, Geoffrey I. Mills. Ele usou como critério, segundo defendeu no artigo publicado no British Journal of Psichiatry, 40 músicos de jazz que fizeram sucesso entre 1945 – 1960, nascidos entre 1912 e 1936; 65% negros, 35% brancos. Não coloquei todos esses dados porque estão no link que aparece em “pesquisa”. Se o autor investigou os hábitos alimentares dos músicos, a informação não aparece no artigo, mas não me pareceu que o cientista tivesse como objetivo glamourizar a loucura. O link para o texto do British Journal of Psichiatry é http://www.scribd.com/doc/24824742/Psychiatry-and-Jazz. Espero ter ajudado. Abs
Viver dói bastante, não? Quanto mais sensÃvel (não confundir com criativo ou genial) o ser humano, mais ele procurará meios de aliviar essa dor, seja músico, pintor, escritor, médico, advogado ou motorista de lotação. Simplesmente porque para algumas pessoas é mais difÃcil fazer as coisas mais corriqueiras. As drogas aliviam e, logo depois aumentam essa dor logo adiante, criando o mecanÃsmo da dependência. Elas podem favorecer os processos criativos, as experiências religiosas/mÃsticas (explo: Santo Daime e livros de Carlos Castañeda, quem se lembra?) e as tentativas de autoconhecimento (Huxley, Thimoty Leary). Para mim parece claro que certas pessoas simplesmente não conseguem viver em paz consigo mesmas e com o mundo. Essa inquietação tem conexões com a criatividade, mas na maioria dos indivÃduos o resultado não é o sucesso e sim a prevalência da dor e da solidão.
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Accredito que essas pessoas tenham uma sensibilidade particular. Tem esquemas mentais e modulos de reconhecimento musical diferente. Em relação à criatividade, é uma forma de ” brincar” com esses modulos. Estes artistas viviam de “improvvisação”, o que estimula a criatividade. A genialidade da improvvisação esta na associação de diversas componentes que talvés nao tenham um sentido ( sozinhas) mas que na sequencia formam a “materia” ou “obra”.
Esses, sao genios com ou sem as drogas, mas accredito que as drogas possam amplificar a percepção e seja uma “janela” que enxerga sobre o novo, sobre novos modulos de improvvisação. A sensação nova, é bem refletida nesses artistas para procurar momentos que proporcionam prazeres. Musica, Orgias, velocidade, drogas,…