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Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012
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Estigma inabalável

Categoria: pesquisa

Você acha que o preconceito contra as pessoas que se revelam portadoras de um distúrbio mental vem diminuindo? Pergunto sua percepção de um modo geral. A minha impressão, é só uma impressão, é que já se aceita falar sobre esses transtornos, mas quando nos referimos a alguém que sofre de depressão, esquizofrenia, TOC e afins o tom ainda é de um sussurro.  Não é comum falar-se abertamente “João não bebe porque é bipolar” como se diz sem constrangimento que “Ana Lúcia não comerá o bolo porque tem diabetes”.

Trouxe o tema por conta de uma recente pesquisa feita nos Estados Unidos pelas universidades da Indiana e da Carolina do Norte sobre o estigma envolvendo os transtornos psíquicos. Nos EUA, a veiculação de medicamentos para distúrbios mentais, especialmente para depressão, é permitida desde 1997, por isso os sociólogos que lideraram a investigação supunham que a disseminação de informação, feita via os anúncios, ajudaria a população a deixar de ver doença mental como fraqueza moral ou motivo de vergonha para encará-la como algo que pode ser tratado. Mas, os pesquisadores chegaram à conclusão que nada mudou, o estigma continua inabalável mesmo diante de informações mais precisas sobre os distúrbios.

O problema, segundo os especialistas, é que esse tipo de reação negativa da sociedade afeta profundamente o modo como os pacientes e suas famílias tratam a questão, além de contribuir para que muitos portadores de distúrbios psíquicos temam procurar ajuda médica por medo de serem discriminados.

Ao ler sobre a pesquisa, lembrei do filme Amantes. O protagonista, Leonard (Joaquin Phoenix) é um bipolar que logo na primeira cena tenta se matar atirando-se de um píer em Brighton Beach. O filme é lindo. Além da história, me marcou muito o modo como a família, a namorada, o futuro sogro olhavam para Leonard. Sempre com um misto de pena e preocupação, às vezes até com um pouco de pânico. Perguntei a um amigo bipolar o que achou e ele me disse: é exatamente assim que me olham em casa.

*

As informações divulgadas neste blog não substituem aconselhamento profissional. Antes de tomar qualquer decisão, procure um médico.

69 Comentários Comente também
  1. Enviado por: cprada

    eu fico feliz – felicidade mesmo – quando leio algo sensato.

  2. Enviado por: cprada

    Bem que eu gostaria de deixar um comentário indignado diante deste.
    Mira, a Sra. falou em doença, indisciplina, autocontrole, no entanto, assim como outros que aqui expuseram seus pensamentos, não falou em amor e respeito – “talvez” seja a ausência deles que traz tantos problemas…

  3. Enviado por: Samuel

    Cara Claudia.

    Acompanho o blog. É ótimo. Esse livro pode lhe interessar:

    50 Great Myths of Popular Psychology: Shattering Widespread Misconceptions about Human Behavior.
    Scott O. Lilienfeld.

  4. Enviado por: Marcelo

    O amigo bem poderia se aprofundar melhor no assunto. Para quem convive com bipolares, esquizofrênicos ou deprimidos chega a ser ofensivo ler este monte de besteira.

  5. Enviado por: Eli Barroso

    Eu também não,Henry.Quando se pensa no sofrimento DIÁRIO ao viver com uma pessoa problemática de verdade,quero dizer,que tem doença e não frescura (esta a gente deixa pra lá,porque frescura todos temos),então se você entrou nesse barco e não pode sair,o jeito é ser bastante paciente e aguentar,talvez conversando com quem teve experiências do tipo sirva pra alguma coisa,né?

  6. Enviado por: Ana

    Gostaria que me indicassem livros sobre o transtorno Bipolar. meu namorado esta fazendo tratamento para isso e quero entender mais do assunto.

  7. Enviado por: Sergio

    Convivi com uma bipolar.
    Na terceira vez que saímos juntos ela me avisou.
    - Tenho THB (transtorno de Humor Bipolar).
    Ela me descreveu tudo o que acontecia, e me explicou,
    que a doença tem controle com medicação e terapia.
    No dia, fiquei pensando que ela estava exagerando.
    Depois de um ano juntos, veio a primeira crise.
    Neste tempo, pensava que as alterações súbitas de humor, eram decorrentes
    do estress do dia-a-dia, da tpm, do cansaço. Tipo coisas normais .
    Naquele dia, em que ela acordou em surto, com uma faca na mão, me dei conta
    do tamanho da encrenca.
    Ela ficou internada por alguns dias, pois estava psicótica.
    Quando saiu do hospital, conversamos sobre o que iríamos fazer com nossa relação.
    Decidimos que iríamos continuar juntos, pois com medicação e terapia mais intensiva,
    com carinho, apoio, amor, a tendência era de melhorar.
    THB não tem cura, mas como já é sabido, ele é melhor “controlado” com medicação adequada e terapia.
    Com isto resolvi ler, a respeito de Bipolaridade. Conversei com psicólogos, psiquiatras, no intuito de manter um ambiente mais tranqüilo e harmonioso. Sempre tentava lembrar disto, nos momentos de pitis, nas distorcidas que ela dava nos assuntos, nos momentos em que ela não cumpria o que havia sido combinado, nos momentos que ela pegava o carro e saia a 120 KM dentro da cidade, e outras coisinhas que ela achava legal.
    Sempre tentava lembrar que muita coisa era motivada pela doença. A carência afetiva, a mania de comprar algo mais caro. A postura de se achar superior aos outros.
    Com o passar do tempo, as coisas foram piorando ao invés de melhorar.
    Ela não tomava a medicação de forma adequada.
    Ela mentia para a terapeuta ou que estava tudo bem ou que as outras pessoas estavam fazendo mal a ela, quando na realidade ela que estava ou boicotando ou aumentado as coisas.
    Aqui cabe um parêntese.
    Alem da doença, um outro grave problema, é o numero de profissionais da área da saúde, totalmente despreparados. Psiquiatras que só sabem receitar o remédio, mas que não sabem verificar se o paciente esta falando a verdade ou mentira. Psicólogos que acham, que dando conselhos comportamentais estão tratando o paciente. Sem saber se ele esta falando a verdade ou a mentira. Sem conhecer todo o histórico do paciente. Não conseguem nem verificar se o paciente esta ou não tomando a medicação de forma correta, mas acreditam piamente em tudo o que o paciente fala. Aprendi que o Bipolar e um excelente atuador. Mas será que não tem uma técnica melhor de abordagem pelos profissionais da saúde ?
    Com isto, nossa relação foi se desgastando. Ë muito difícil conviver diariamente com alguém que acorda te amando e dorme querendo te matar. E isto pode mudar abruptamente, varias vezes ao dia.
    Ë complicado manter certas “combinações”com alguém que tem um excelente poder de distorcer toda uma realidade, e criar uma bela fantasia e fazer todos os outros acreditarem.
    Descobri também que alem da Bipolaridade a moca tinha um serio distúrbio de caráter.
    Uma coisa é um humor que varia o tempo todo. Outra coisa completamente diferente é alguém de má índole. Um bipolar pode ser ter um humor que ninguém agüenta, mas sendo mal caráter, estas características se acentuam muito mais.
    Chega um determinado momento, em que eu me questionei, se eu não estava precisando de tratamento.
    Bem, depois de varias brigas e retornos, brigamos de forma definitiva.
    Com direito a delegacia, processo e muitos exageros.
    Hoje, ela se acha curada, não toma medicação, e abandonou a terapia.
    A família dela, a defende, achando que ela é na realidade uma grande vitima.
    Os outros é que a estigmatizaram.

  8. Enviado por: Sergio

    oi, de uma olhada nestes sites:
    http://www.bipolaridade.com.br/livro/livro.asp
    http://www.pesquisabipolar.com.br/
    tem bastante indicacao de literatura

  9. Enviado por: PH

    Entre as pessoas com a quais convivo, noto que as de escolaridade mais alta se mostram, em média, mais compreensivas e sensatas quanto ao tema “distúrbio mental”.

    Ainda assim, a tendência de “ver doença mental como fraqueza moral” e, principamente, de discriminar o doente continua muito fortel.

  10. Enviado por: Amanda

    Obrigada, Wassen. Suas informações foram muito interessantes. Esclareceu algumas dúvidas que eu tinha (por exemplo, se bipolar também possui esquizofrenia). Um abraço.

  11. Enviado por: Anna H.

    Sergio,você explicou muito bem,inclusive os sintomas que são sempre os mesmos,o bipolar sabe fingir muito bem e às vezes dá a impressão de que é uma vítima dos outros,quando na verdade essa doença não o deixa sequer perceber que é nele o problema.Além disso,se o temperamento dele é forte,as coisas se complicam,porque quem estiver ao seu lado não sabe NUNCA se a reação é devido a uma crise ou apenas resultado de seu (mau)caráter.Passa a mentir,a inventar histórias,e para quem não está acostumado a lidar com ele,parece que veio de outro planeta.Muda de humor rapidamente,está aqui nesse momento,de repente some…sei como é.Você deve ter sofrido muito.Numa relação desse tip não basta o amor,o companheiro nem sabe o que é isso,confunde tudo.Enfim,é difícil manter a relação,não se é psicólogo pessoal dele nem psiquiatra,então deve-se no máximo ajudá-lo a se tratar e não desistir (entendo que os efeitos colaterais de certos remédios são desanimadores),digo porque convivo há muito tempo com bipolar e sei a barra que é.Mas se Deus quiser,e a ciência avançar,daqui uns anos teremos uma nova molécula que vai revolucionar tratamentos neuropsiquiátricos.Vamor torcer !

  12. Enviado por: Basilio Coimbra

    Concordo com o Rodrigo…

  13. Enviado por: PraFrenteBrasil

    Nos comentários em geral foi muito pouco explorado o exercício físico.

    Manter uma rotina de fortes exercícios físicos é bom para o humor de qualquer pessoa, mas é essencial para as pessoas que sofrem tendência à depressão.

    Sem qualquer diminuição da importância do psiquiatra e dos remédios, que é a primeira e principal ajuda.

  14. Enviado por: Cristiano de Almeida Lima

    O estigma existe justamente pela ilusão do “normal”. O que é normal? A esta pergunta eu duvido que haja uma única resposta igual ou que se relacione diretamente, pelo simples motivo de que não existem “pessoas normais”, pois NINGUÉM É NORMAL!!! Somos todos diferentes e justamente pelos indivíduos não aceitarem a diferença tem preconceito com soropositivos, negros, homossexuais, acham que diabetes é coisa de quem come muito, pessoas se matam por não aceitarem a religião do seu semelhante,terroristas se explodem,líderes políticos invadem nações para “democratizá-las”… O ideal é aceitar a diferença e quem tem qualquer doença procure se tratar. Como portador de TOC não há coisa mais cômica do que quando alguém, ao saber que eu tenho esta doença, dizem “nem parece…”. Pobres ignorantes: desde quando doença mental tem cara?

  15. Enviado por: Claudia Belfort

    Vou ver sim , muito obrigada, abs

  16. Enviado por: Claudia Belfort

    Bom, ideia ELy, vou fazer um post sim masi adiante. abs

  17. Enviado por: Fernanda

    Desculpem…. achei altíssimo o nível da discussão, mas ao ma deparar com isso quase morri de rir. Imagino a cara da autora do Blog desconsolada….
    NUNCA LI NADA MAIS ESQUIZOFRENICO NA MINHA VIDA…hihihihihih
    alguém q sofre pelo calor do inferno… calça jeans e contratos… Céus….

  18. Enviado por: Ana

    Sérgio, Obrigada .

  19. Enviado por: JO

    Gostaria de uma informação??? se devemos impor limites as pessoas que tem bipolaridade, pois tenho uma tia que tem, mas ela não respeita ninguem, simplesmente invade a vida das pessoas, da familia e vizinhos, colocando sua doença como aliada, ela toma seus remedios, mas infelizmente ela mora sozinha, não temos como controlar se está tomando certo os medicamentos.

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