Antidepressivos e as alterações de personalidade
- 11 de junho de 2010|
- 17h20|
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Categoria: Geral
Uma reportagem de Luísa Alcalde, que está cobrindo o 6 º Congresso Brasileiro de Cérebro, Comportamento e Emoções, em Gramado, no Rio Grande do Sul, publicada hoje no Jornal da Tarde, mostra que uma discussão recente entre leitores do Sinapses também se passa na academia. Os antidepressivos mudam ou não a personalidade do paciente?
O coordenador do fórum, Valentim Gentil, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, e que há 20 anos pesquisa os efeitos desses medicamentos em pessoas normais admitiu que ainda não chegou a uma conclusão. “Em doses baixas, o que sabemos é que altera o humor de pessoas que não têm nenhuma doença mental”. Já a doutoura em psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo da Universidade de São Paulo (USP), Dóris Moreno, afirmou que um paciente não muda de personalidade porque ao tomar um antidepressivo deixou de se sentir como antes. “Como estão depressivas, elas vivem uma anestesia afetiva. Depois que são medicadas, voltam a ser como deveriam ter sido sempre”.
Na mão oposta, o professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul, e autor de Temperamento forte e bipolaridade - Dominando os altos e baixos do humor , Diogo Lara, diz ser quase ingênuo pensar que os antidepressivos não interferem na personalidade dos pacientes. “O cérebro é um sistema integrado e harmônico e remédios são para mexer com o humor.
O debate foi acalorado, segundo relato da repórter, e os especialistas não chegaram a um consenso.

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Realmente mudam a personalidade. Concordo com o medico que disse que o cerebro eh um sistema integrado, nao da pra distinguir entre doenca e personalidade, afinal das contas, a doenca tambem molda a personalidade ao longo dos anos.
Acho que a opiniao da Dóris Moreno é a mais certa.Por experiência na família, o doente ao usar antidepressivo torna-se novamente aquela pessoa que era antes, e foi a depressao com seus efeitos perversos que a mudou. Aos olhos dos familiares, é como se ele tivesse evaporado e outra pessoa assumido seu lugar.O problema é quando o antidepressivo causa dependência e entao aparece outra doença no lugar: a dependência a substância química.Ela tem de procurar um tratamento alternativo,depois de certo tempo, e evitar que o cérebro fique acostumado, senao fica difícil a cura total.O remédio nao altera a personalidade, mas se o doente deixa de tomá-lo todos vao perceber a diferença.E logo.
Posso dizer que, no meu caso, alguma coisa os antidepressivos mudaram, com certeza.
Após diagnóstico de depressão maior, tomei escitalopram por cerca de 1 ano entre 2009 e 2010. No começo me ajudou bastante, porém, após algum tempo percebi que apesar de não sentir aquela tristeza prostrante, não sentia alegria alguma.
Era como se eu estivesse assistindo a minha vida passar. Coisas iam acontecendo e eu não me sentia feliz e nem triste. Eu que sempre fui considerado o mais calmo da turma de amigos, também passei a ter um comportamento agressivo, culminando em uma troca de socos com um rapaz no início do ano, coisa que não acontecia desde que era criança.
No início de abril tentei marcar consulta de retorno com a psiquiatra mas consegui apenas para dali a 30 dias. O remédio havia acabado e diante da negativa da doutora em me dar uma receita sem a necessidade da consulta, resolvi parar de tomar o remédio por conta própria. Depois de quase 2 meses sofrendo com os efeitos da ausência do remédio e uma recaída na depressão, me sinto melhor agora.
Passei a tomar mais cuidado com a alimentação, praticar esportes quando tenho tempo e agressividade sumiu. Hoje vejo melhores perspectivas. Tenho recaídas em alguns dias e sei que ainda estou um pouco longe de me me livrar da depressão, mas estou mais confiante para vencê-la. Parar com o medicamento, no meu caso, foi bom. Seja alegria, ou tristeza, agora tenho capacidade de sentir.
Nossa, ousada essa Dra. Dóris. É uma afirmação complicada de verificar. O problema é complexo demais, estamos falando de diversas drogas, em quantidades e tempos de exposição diferentes em cérebros diferentes. Meu Deus, é variável para assustar qualquer um.
Mas como “achar” vale, meu achismo é que altera sim. Você é Fulano, fica deprimido e vira Fulano Deprimido, toma os remédios e vira Fulano Deprimido com Remédios. Depende do caso, mas muda sim.
COM CERTEZA, ALTERA SIM. CONHEÇO PACIENTES, QUE OUTRORA, ERAM NORMAIS E, APÓS O INICIO DE USO DO MEDICAMENTO, ALTEROU -SE TOTALMENTE SEU COMPORTAMENTO. ACREDITO QUE A DOUTORA, ENGANOU-SE EM AFIRMAR QUE NÃO ALTERA. PARA SER MAIS CLARO, EU FAÇO USO DESTE TIPO DE MEDICAMENTO, COMO SOU PESSOA ESCLARECIDA, PERCEBO ISSO EM MIM. ABRAÇOS. JC