Depressão e doenças do coração: relação pode mortal
- 8 de agosto de 2011|
- 16h40|
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Categoria: Falou doutor
Infartos podem estar ligados à depressão. Ouça aqui o comentário do Dr. Pastore na Estadão/ESPN.
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ansiedade, depressão, doença mental, transtorno psiquiátrico
As bipolares Zeta-Jones e Deborah Guerner
- 21 de abril de 2011|
- 16h59|
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Categoria: CHAMADA 01, Sem categoria
A promotora de Justiça Deborah Guerner, presa na quarta-feira com o marido Jorge Guerner por suspeita de envolvimento no esquema de corrupção no Distrito Federal, alega que é bipolar. No momento de sua prisão ela tentou agredir fotógrafos, em outro tirou a roupa diante de policiais. Mas segundo o Ministério Público (MP) a doença de Deborah tem outro nome: farsa. De acordo com o MP, um vídeo encontrado na casa de Guerner revela que ela foi orientada por um psiquiatra a simular sintomas do distúrbio. O objetivo seria conseguir aposentar-se por invalidez.
Esse tipo de estratégia aumenta o estigma que existe em torno dos portadores de transtornos mentais. Como um psiquiatra faz isso? Esses profissionais sabem como sofrem seus pacientes, sabem do medo que têm de se verem descobertos, de terem suas capacidades postas em dúvida. Já há tanto preconceito, um ato assim colabora para o sofrimento, dificulta a busca por tratamento. Imagine como se sentiria uma pessoa que justamente esta semana iria pedir uma licença no trabalho para tratar de um transtorno bipolar.
Claro, uma desordem psiquiátrica pode afetar as ações de uma pessoa, seu modo de ver o mundo, mas não é a única razão. Um comportamento antiético não significa necessariamente ser fruto de um distúrbio psíquico, tampouco distúrbios dessa ordem levam diretamente a comportamentos antiéticos e amorais. Há pesquisas sobre isso, até já publiquei aqui no blog.
Melhor fez a atriz Catherine Zeta-Jones que anunciou semana passada ser bipolar e que passara cinco dias em tratamento numa clínica psiquiátrica em Connecticut, EUA. Revelou para tentar diminuir o preconceito, segundo disse seu relações públicas a jornais norte-americanos.
(Karen, obrigada)
* As informações divulgadas neste blog não substituem aconselhamento profissional. Antes de tomar qualquer decisão, procure um médico.
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Obscenidades? Não, palavras de apoio
- 9 de novembro de 2010|
- 15h42|
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Assim que me deparei com essa pesquisa da Universidade York, Canadá, lembrei de um conto de Inácio de Loyola Brandão, Obscenidades para uma dona de casa. Nele, uma esposa e mãe dedicada espera ansiosamente por cartas anônimas descrevendo a participação dela em picantes atos sexuais. As mensagens deixavam-na chocadas, mas levavam sua autoestima aos céus.
Conduzida pela professora e psicóloga Myrian Mongrain, a pesquisa concluiu que enviar uma carta a si mesmo com frases de apoio ou compreensão pode melhorar o estado de pessoas vulneráveis à depressão. Os participantes foram encorajados a descrever um acontecimento desagradável de suas vidas e depois escrever palavras de conforto, como um amigo faria. Outros tinham de relatar suas vidas num futuro depois de vencidos os problemas atuais. As mensagens eram diárias e os pacientes deveriam medir o resultado após 30 dias, 90 dias e 180 dias. O resultado foi uma melhora no estado geral dos participantes. Alguns tiveram uma redução no quadro depressivo após três meses, e até uma evolução na sensação de felicidade após 6 meses.
Segundo Dra. Mongrais, a ideia é fazer o paciente ser bom com ele mesmo, estar ciente de seus problemas e proporcionar palavras que precisa para sentir-se bem. A pesquisa (veja mais detalhes sobre metodologia) foi feita com 200 pessoas.
E o que isso tem a ver mesmo com o texto do Inácio de Loyola? Não vou estragar o final do conto que você pode ler aqui ou nos livros:
“Os Melhores Contos de Ignácio de Loyola Brandão”, seleção de Deonísio da Silva, Global Editora — São Paulo, 1997.
”Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século”, seleção de Ítalo Moriconi, Editora Objetiva — Rio de Janeiro, 2000.
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As informações divulgadas neste blog não substituem aconselhamento profissional. Antes de tomar qualquer decisão, procure um médico.
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A hora de terminar uma relação
- 28 de outubro de 2010|
- 16h53|
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Categoria: Sem categoria
Saber quando encerrar uma relação, seja ela já de alguns anos ou recente, é daqueles momentos de angústia em que as fronteiras entre amor, tristeza, racionalidade, medo, esperança tornam-se invisíveis. Eu acho difícil acertar se aquela é mesmo a hora. Também não tenho fórmula para calcular. Mas uma psicoterapeuta de casais da Califórnia, EUA, Christina Steinorth, sugeriu algo de uma objetividade norteamericana e até agora impensável para mim. Em artigo publicado no MenthalHelp.net ela apresenta duas listas para ajudar a quem pensa em se separar, terminar namoro, casamento, caso. Primeiro mostra dicas de como identificar os sinais de que já é hora de encerrar a relação, que incluem sensação de frustração e vazio, de que já não gosta dele(a) tanto assim, desculpas para usufruir mais tempo sem o (a) parceiro (a), etc.
Identificados os sinais, Dra. Steinorth relaciona aquilo que chama de “a maneira mais pragmática” de tomar a decisão: fazer uma lista de prós e contras. Cada um tem um jeito de decidir, mas a abordagem me levou a uma reunião de planejamento estratégico aqui do jornal. Será que colocamos a lista num power point no final? Enfim, ela sugere uma lista com duas colunas, sendo uma para os atributos positivos da relação, outra para os negativos. A partir daí, você insere nessas categorias o que há de bom e de ruim no seu relacionamento. Segundo Dra. Steinorth, para algumas pessoas é mais fácil ter algo concreto, como uma lista onde uma coluna é muito maior que outra, para decidir-se pelo fim de uma história que não traz mais satisfação e alegria.
Ela deixou bem claro “para algumas pessoas” e eu pensei “para maioria das que conheço”. Os indivíduos, e por conseqüência nossos relacionamentos, são tão ricos que às vezes a gente gosta justamente daquilo que não gosta numa pessoa. Às vezes algo chato está contido num contexto super interessante, como me disse uma amiga: “eu detesto quando ele fala alto, mas adoro aquele jeitão suburbano”. Claro é um exemplo simplório, quero apenas defender que quando se trata de pessoas, de relacionamentos, os “itens” da lista podem ter pesos distintos e até navegar de uma coluna para outra.
Um colega fez meses de terapia antes de deixar a mulher e está seguro. Outra deixou raiva e insegurança ditarem sua decisão e está num nevoeiro. Já há quem viva numa dúvida eterna, paralisante, pensa, pensa e não sabe se é a hora, se é a pessoa, se é ela mesma (imagine quantas listas essa teria de fazer). Uma hora a decisão terá de ser tomada, para sim ou para não. Duvido apenas que ela seja sempre baseada numa certeza ou que tenha tanta objetividade.
Em tempo: adoro essa música
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A depressão é cinza
- 29 de julho de 2010|
- 16h50|
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Categoria: pesquisa
Não é apenas uma metáfora a comparação que muitos portadores de depressão fazem entre a doença e uma nuvem cinza. Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Albert-Ludwigs de Freiburg, na Alemanha, indica que as pessoas que sofrem desse transtorno veem o mundo em tons acinzentados mesmo. Liderada por Ludger Tebartz van Elst e publicada na edição de julho da revista ”Biological Psychiatry”, a pesquisa revelou que a depressão dilui o contraste entre o preto e o branco.
Para chegar a essa conclusão os cientistas analisaram a resposta das retinas à variação de contrastes de cor em 80 pacientes voluntários, sendo 40 com quadros de depressão. No grupo de pacientes deprimidos a reação da retina aos estímulos de cor foi menor que no grupo de pacientes que não sofria de depressão, e ainda mais frágil nos pacientes com quadros mais graves da doença.
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10% dos professores têm algum transtorno mental
- 12 de julho de 2010|
- 15h59|
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Categoria: Geral, Sem categoria
Marici Capitelli – JORNAL DA TARDE
Transtornos mentais e comportamentais foram as principais causas de afastamento por doença dos professores da rede municipal de São Paulo no ano passado. Foram 4,9 mil afastamentos para uma categoria com 55 mil profissionais, o que equivale a quase 10% dos trabalhadores.
Os dados são de um levantamento que está sendo feito pelo Departamento de Saúde do Servidor (DSS) da Secretaria Municipal de Gestão e Desburocratização. O estudo aponta o crescimento de problemas psiquiátricos entre os professores. Em 1999, esses transtornos eram responsáveis por cerca de 16% dos afastamentos. Dez anos depois, a porcentagem subiu para 30% - de um universo aproximado de 16 mil afastados.
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ansiedade, depressão, doença mental, transtorno psiquiátrico
23 milhões de brasileiros têm algum transtorno mental
- 29 de junho de 2010|
- 12h21|
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Categoria: Geral
Da Agência Brasil
No Brasil, 23 milhões de pessoas (12% da população) necessitam de algum atendimento em saúde mental. Pelo menos 5 milhões de brasileiros (3% da população) sofrem com transtornos mentais graves e persistentes.
De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, apesar de a política de saúde mental priorizar as doenças mais graves, como esquizofrenia e transtorno bipolar, as mais comuns estão ligadas à depressão, ansiedade e a transtornos de ajustamento.
Em todo o mundo, mais de 400 milhões de pessoas são afetadas por distúrbios mentais ou comportamentais. Os problemas de saúde mentais ocupam cinco posições no ranking das dez principais causas de incapacidade, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Dados da OMS indicam que 62% dos países têm políticas de saúde mental, entre eles o Brasil. No ano passado, o País destinou R$ 1,4 bilhão em saúde mental.
Desde a aprovação da chamada Lei da Reforma Psiquiátrica (Lei nº 10.216/2001), os investimentos são principalmente direcionados a medidas que visam a tirar a loucura dos hospícios, com a substituição do atendimento em hospitais psiquiátricos (principalmente das internações) pelos serviços abertos e de base comunitária.
Em 2002, 75,24% do orçamento federal de saúde mental foram repassados a hospitais psiquiátricos, de um investimento total de R$ 619,2 milhões. Em 2009, o porcentual caiu para 32,4%. Uma das principais metas da reforma é a redução do número de leitos nessas instituições. Até agora, foram fechados 17,5 mil, mas ainda restam 35.426 leitos em hospitais psiquiátricos públicos ou privados em todo o país.
A implementação da rede substitutiva – com a criação dos centros de Atenção Psicossocial (Caps), das residências terapêuticas e a ampliação do número de leitos psiquiátricos em hospitais gerais – tem avançado, mas ainda convive com o antigo modelo manicomial, marcado pelas internações de longa permanência.
O País conta com 1.513 Caps, mas a distribuição ainda é desigual. O Amazonas, por exemplo, com 3 milhões de habitantes, tem apenas quatro centros. Dos 27 estados, só a Paraíba e Sergipe têm Caps suficientes para atender ao parâmetro de uma unidade para cada 100 mil habitantes.
As residências terapêuticas, segundo dados do Ministério da Saúde referentes a maio deste ano, ainda não foram implantadas em oito Estados: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Rondônia, Roraima e Tocantins.
No Pará, o serviço ainda não está disponível, mas duas unidades estão em fase de implantação. Em todo o Brasil, há 564 residências terapêuticas, que abrigam 3.062 moradores.
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Terapia por telefone celular e a R$ 1,80
- 14 de junho de 2010|
- 10h40|
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Categoria: Entrevista
Terapia por telefone celular e a U$ 0.99 (R$ 1,80). É isso mesmo e não é o fim do mundo. Pelo menos na opinião da doutora em psicologia e especialista em transtornos de personalidade e ansiedade da Universidade Columbia, Nova York , Simone Hoermann. Ela testou três APPs de terapia cognitivo comportamental (TCC) para iphone (APP é um software desenvolvido para navegação na internet por telefone celular) e concluiu que “nenhum deles faz o melhor uso de todo o potencial da plataforma iphone” e completou “parece que o uso do iphone como instrumento para a TCC parece estar ainda no início.”
Para a especialista, que publicou a análise no MentalHelpnet, site mantido por professores e profissionais de psiquiatria e psicologia dos Estados Unidos, internet, celulares podem ser um complemento para o processo terapêutico. No caso dos desenvolvidos para TCC, por exemplo, ela acredita que eles ajudam o paciente a anotar pensamentos, acontecimentos e os sentimentos decorrentes deles (essa é uma das técnicas usadas na terapia). Ou um paciente que se muda para outro país pode conversar com seu terapeuta via skype. Mas ela também tem ressalvas sobre o assunto e, em entrevista concedida por email, de Nova York, onde vive, alertou para os riscos da psicologia digital e da falta de regulamentação sobre o tema.

Dra. Simone Hoermann
A psicologia está se tornando também digital e portátil?
Acredito que a Psicologia está se tornando digital e portátil sob muitos aspectos: as novas mídias – a internet, o iPad, o Kindle e os telefones celulares – proporcionam novas oportunidades para a difusão de informações a respeito de temas psicológicos, entre eles as doenças mentais e o seu tratamento, incluindo os conhecimentos e interpretações mais recentes. É possível, por exemplo, comprar livros digitais que podem ser lidos em dispositivos portáteis, encontrar informações educativas e de autoajuda no YouTube, como encontrar aplicativos relacionados ao assunto para telefones celulares. Há muitos sites e blogs de excelente qualidade que oferecem informações importantes e úteis sobre temas da psicologia. Além disso, há até terapeutas que se dispõem a tratar os pacientes à distância por meio de programas de mensagem instantânea ou do Skype.
Em termos de aplicativos para celulares, é possível encontrar muitos tipos diferentes de programas: aplicativos que oferecem informações educativas, aplicativos que ajudam o usuário a localizar um terapeuta, e aplicativos que exibem notícias via streaming. Além disso, há também aplicativos que oferecem ferramentas de autoajuda, como técnicas de relaxamento, por exemplo, um registro para o acompanhamento dos humores, ou informações a respeito de recursos para suportar e lidar com as mais diversas e adversas situações.
E a terapia, ela poderia migrar para o celular?
Acho que as novas tecnologias podem criar oportunidades que devem ser levadas em consideração. A telemedicina é uma área fascinante que envolve o emprego de diferentes mídias para proporcionar consultas e tratamento para aqueles que não teriam acesso a eles na ausência deste recurso. O New York Times publicou recentemente um artigo interessante sobre o uso da telemedicina por pessoas que trabalham em localidades remotas e não podem simplesmente entrar no carro e visitar o médico. Tomemos como exemplo alternativo uma pessoa que frequenta um terapeuta. Suponhamos que o paciente tenha uma boa relação com o terapeuta e esteja no meio de um processo terapêutico positivo. Talvez a pessoa tenha que se mudar para outro país por três meses em decorrência de seu trabalho, mas não queira interromper o processo terapêutico. Para algumas pessoas, prosseguir com a terapia à distância pode funcionar, seja pelo telefone ou via Skype. Entretanto, a eficácia disto depende muito da situação e da pessoa.
Um aplicativo para o iPhone para terapia cognitivo-comportamental pode ser eficaz no tratamento de distúrbios mentais?
No presente momento, não dispomos de dados para responder a esta pergunta, pois tudo isto ainda é novidade. O resultado pode ser semelhante ao dos livros de autoajuda, e mesmo em relação a estes, os dados de que dispomos para avaliar sua eficácia são limitados. Tudo pode depender do tipo de problema e da pessoa. Alguns podem se beneficiar destes aplicativos, mas é difícil prever quem seriam esses pacientes, e também se o benefício não seria ainda maior se eles visitassem o terapeuta.
Esses aplicativos podem substituir uma visita ao psicólogo?
Com base em minha experiência enquanto terapeuta, devo dizer que acredito na importância da interação cara-a-cara. Meu trabalho se torna muito mais fácil quando posso ver o paciente, acompanhar sua linguagem corporal e sua expressão facial. Isto traz informações importantes que me ajudam a entender aquilo que a pessoa está vivenciando e qual seria a melhor maneira de ajudá-la. Portanto, não acredito que um aplicativo, um programa de computador ou um livro possam substituir um profissional treinado. São muitos os nuances que devem ser levados em consideração quando realmente queremos ajudar uma pessoa. Além disso, boa parte dos estudos que buscam determinar porque a psicoterapia funciona indica que o relacionamento com o terapeuta é um dos fatores mais importantes para tornar a terapia eficaz. Dito isto, posso imaginar o uso de um bom aplicativo como complemento para o processo terapêutico.
Existe algum tipo de risco no uso de APPs sem o acompanhamento profissional?
Um dos maiores problemas que enxergo nos aplicativos é o fato de eles não serem capazes de proporcionar um diagnóstico sólido, e assim certas dificuldades podem continuar sem tratamento se a pessoa confiar apenas num aplicativo em busca de ajuda. O Transtorno Bipolar II, por exemplo, e o Transtorno de Personalidade Limítrofe podem ser considerados muito parecidos por um leigo. A depressão é muito comum, mas podemos encontrar sintomas de depressão em pessoas portadoras de Transtorno Distímico, Transtorno Depressivo Maior, Transtorno Bipolar, ou como consequência do uso de certas substâncias. Acho que é importante saber qual é o problema específico para que a pessoa receba o tipo de tratamento adequado e não precise sofrer além do necessário. Outro problema é que, no caso de muitos destes aplicativos, não sabemos quem os desenvolveu, e nem se foram desenvolvidos por especialistas ou leigos. Devemos também levar em consideração que todo tipo de telemedicina pode envolver problemas de confidencialidade – como garantir a privacidade da comunicação por e-mail, por exemplo? O aplicativo usado é protegido por senha? As informações inseridas são transmitidas a um servidor via internet? No caso de inscrições em sites qual é a política de privacidade da página? No momento, esses aspectos não são alvo de uma regulamentação mais atenta, e vale à pena pesquisar um pouco antes de fazer uso de um aplicativo.
Veja a análise da Dra. Simone Hoermann dos APPs.
iCBT - U$ 2.99
Não diz se há um especialista em saúde mental no desenvolvimento do site. As explicações e instruções são poucas para quem não está familiarizado com a Terapia Cognitivo Comportamental (TCC). O aplicativo pede para o usuário escrever um acontecimento e relacioná-lo a um sentimento a partir de uma lista que surge na tela, na sequência ele deve digitar os pensamentos negativos que surgiram e depois é orientado a racionalizá-los. Mas não há nenhuma indicação sobre como fazer essa racionalização. Difícil para quem não está familiarizado com a TCC.
eCBTmood - U$ 0.99
Entre os desenvolvedores do site há um psicólogo clínico. Oferece uma boa explicação sobre a TCC, um bom sistema de organização de anotações e um questionário para avaliar o nível de depressão, que se parece muito com o inventário de depressão de Beck. Apesar do nome eCBTmood o único humor (mood) que trata é o depressivo.
CBTReferee - U$ 4.99
Não há informações sobre os profissionais que estão por trás do site. As explicações sobre a TCC são pobres e não explicam porque um paciente deve anotar e analisar seus pensamentos. Rudimentar.
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Antidepressivos e as alterações de personalidade
- 11 de junho de 2010|
- 17h20|
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Categoria: Geral
Uma reportagem de Luísa Alcalde, que está cobrindo o 6 º Congresso Brasileiro de Cérebro, Comportamento e Emoções, em Gramado, no Rio Grande do Sul, publicada hoje no Jornal da Tarde, mostra que uma discussão recente entre leitores do Sinapses também se passa na academia. Os antidepressivos mudam ou não a personalidade do paciente?
O coordenador do fórum, Valentim Gentil, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, e que há 20 anos pesquisa os efeitos desses medicamentos em pessoas normais admitiu que ainda não chegou a uma conclusão. “Em doses baixas, o que sabemos é que altera o humor de pessoas que não têm nenhuma doença mental”. Já a doutoura em psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo da Universidade de São Paulo (USP), Dóris Moreno, afirmou que um paciente não muda de personalidade porque ao tomar um antidepressivo deixou de se sentir como antes. “Como estão depressivas, elas vivem uma anestesia afetiva. Depois que são medicadas, voltam a ser como deveriam ter sido sempre”.
Na mão oposta, o professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul, e autor de Temperamento forte e bipolaridade - Dominando os altos e baixos do humor , Diogo Lara, diz ser quase ingênuo pensar que os antidepressivos não interferem na personalidade dos pacientes. “O cérebro é um sistema integrado e harmônico e remédios são para mexer com o humor.
O debate foi acalorado, segundo relato da repórter, e os especialistas não chegaram a um consenso.
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USP testa novo tratamento contra depressão
- 27 de maio de 2010|
- 21h43|
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Categoria: pesquisa
O Hospital Universitário da USP está recrutando voluntários para testar um novo tratamento para depressão. A Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua (ETCC). A técnica consiste na aplicação de dois eletrodos-esponja sobre crânio do paciente (semelhantes aos usados em fisioterapia) por meio dos quais é enviada uma fraca corrente elétrica. Essa estimulação regularia a atividade em áreas do cérebro responsáveis pelo humor, pela sensação de depressão e de excitação.
A pesquisa, pioneira no Brasil, é conduzida pelo psiquiatra Andre Brunoni que conheceu a técnica em 2008, na universidade de Harvard, Estados Unidos. Até o próximo ano, ele e outros profissionais envolvidos no estudo analisarão 120 voluntários (leia abaixo entrevista com o Dr. Brunoni).
O voluntário deve entre 18 e 65 anos e sofrer de depressão moderada a grave. Os interessados podem mandar um email para pesquisacientificahu@gmail.com ou entrar em contato com a psiquiatra Lays pelo telefone: 11 3021-2222.
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Dr. Brunoni, a aplicação da corrente elétrica dói? O que o paciente sente?
Não. O método é totalmente indolor. O paciente pode sentir um formigamento na região em que é aplicada a estimulação, porém o efeito dura menos de um minuto.
É preciso sedar o paciente?
Não é necessário sedar, também não é necessário ter um acompanhante, pois o paciente sai bem ao fim da estimulação (não fica tonto, com dor de cabeça, etc.). Durante a estimulação, os pacientes costumam ficar lendo, vendo TV ou mesmo dormindo.
Quanto tempo dura a aplicação?
30 minutos.
Qual o tempo médio de um tratamento?
10 dias consecutivos, normalmente são excluídos fins de semana.
Qual o intervalo entre as aplicações?
24h durante a fase de estimulação diária. Após as dez sessões, sabe-se que o efeito dura no mínimo 6 semanas (segundo estudos) mas o seguimento de longo prazo ainda está sendo investigado. Estamos com uma proposta a ser avaliada pelo comitê de ética para fazer uma manutenção de estimulação quinzenal por 6 meses.
O paciente pode retomar suas atividades normais depois da aplicação?
Sim, o paciente sai normal, não fica com efeitos colaterais, sedação, etc.
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