Cuidado com os ganhos “milagrosos”
- 16 de julho de 2012|
- 17h18|
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Na semana passada, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aplicou uma multa administrativa de R$ 1 milhão a Thales Emanuelle Maioline e à Firv Consultoria e Administração de Recursos Financeiros. Ele e a empresa estão também impedidos por 10 anos de exercer qualquer atividade relacionada à administração de carteira de valores mobiliários.
O “empresário” é acusado de ter causado prejuízos de mais de R$ 100 milhões a dois mil investidores de Belo Horizonte e outras 13 cidades mineiras. Em julgamento realizado na terça-feira, o colegiado da CVM concluiu que Maioline operava a carteira de investimentos de forma irregular.
O esquema de Maioline teve início em 2006 e começou a ruir em junho de 2010, depois que a CVM divulgou um alerta, motivado por reclamações de investidores. Ele operava no sistema de pirâmide, no qual os lucros dos clientes antigos são bancados com o dinheiro dos novos, em uma corrente que depende da entrada infinita de novos recursos para continuar existindo. Ele atraía suas vítimas com promessa de rendimentos de 5% ao mês, muito superiores aos pagos pelo mercado financeiro e a risco zero. O dinheiro era captado pelo Fundo de Investimento Capitalizado (Ficap), também chamado de “Clube dos Vencedores”, que não tinha autorização da CVM para funcionar.
Como escrevi neste espaço em agosto de 2010, assim que o caso virou notícia, o ganho de 5% ao mês sem risco é impossível nas condições normais de mercado. A taxa básica de juros em julho de 2010, por exemplo, era de 0,86% ao mês. No mercado de ações é até possível obter ganho expressivo, mas não a risco zero. As ações, como o investidor sabe, podem amargar longos períodos de queda.
Assim, fica difícil entender como duas mil pessoas acreditaram na conversa do rapaz. Não foram investigar? Ou preferiram fechar os olhos, acreditando participar de um “esquema garantido”? Vai saber que tipo de conversa Maioline jogou para cima dos incautos. Suas vítimas agora brigam na Justiça para reaver o dinheiro.
Mesmo animado com os lucros obtidos por conhecidos, é preciso ficar atento para não cair nesse tipo de cilada. Quando se trata de nosso dinheiro não se pode ter vergonha, preguiça ou qualquer outra desculpa para deixar de buscar informações. É nossa responsabilidade zelar por ele.
Ainda mais no caso de uma empresa pequena e não muito conhecida, é preciso conferir se ela tem registro nos órgãos fiscalizadores e se há reclamações na CVM ou no Banco Central. Na página da CVM na internet é possível verificar as entidades ou pessoas que foram investigadas e tiveram suas atividades vetadas pelo órgão. Entre na página da CVM www.cvm.gov.br), vá até “acesso rápido”. Em seguida, clique em “Atos declaratórios – suspensão de atividade irregular”. Clique em “consultar”. Abre-se uma lista e é só clicar no número ao lado do nome escolhido para ler o processo. Informação é o antídoto contra enganação.
Denise Juliani (publicado no Jornal da Tarde em 16/07/2012)

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