Estado.com.br
Terça-feira, 18 de Junho de 2013
Seu Dinheiro
Seções
Arquivos
Tamanho do Texto

Todos de olho na caderneta de poupança

Com a queda da taxa Selic, começaram as especulações sobre mudanças no rendimento da caderneta de poupança. A gente já viu isso antes. Em 2009, quando a Selic estava em 8,75%, houve uma tentativa do governo de cobrar imposto sobre as cadernetas com saldo superior a R$ 50 mil. Desistiram por causa da grita geral e também porque não foi preciso, já que os juros logo voltaram a subir.

Agora, com a Selic em 9% ao ano (e em tendência de queda), o assunto está de volta. O argumento é o mesmo: o receio de que, com a queda de rentabilidade dos fundos de renda fixa e DI, ocorra uma fuga de investidores para a poupança.

A caderneta é isenta de tributos e taxas. Já os fundos de renda fixa recolhem Imposto de Renda (IR) conforme o tempo de permanência na aplicação. Quanto mais longo for o prazo, menor o desconto. Quem resgata em menos de seis meses paga a maior alíquota, de 22,5%. Quem sacar os recursos depois de dois anos recolhe 15% sobre a rentabilidade.

Além disso, os fundos têm descontada a taxa de administração que tem impacto na rentabilidade das cotas.  Dois fundos exatamente iguais, mas com taxa de administração diferente, dão retorno diferente aos seus cotistas. Neste exemplo, quanto menor ela for, melhor o rendimento. Uma taxa considerada baixa, de 0,5% ou menos, vale apenas para aplicações maiores, acima de R$ 50 mil.

Aí é que está o nó da questão. A caderneta de poupança tem seu ganho fixado pelo governo em 6% ao ano. Quando a Selic está elevada, acima de um dígito, a rentabilidade dos fundos fica distante da apresentada pela caderneta, pois há uma gordura (que compensa o desconto da taxa de administração e do imposto) e sobra um bom retorno ao investidor. Mas quando a Selic começa a cair, esta gordura diminui e o rendimento dos fundos emagrece.

Estudo da Associação Nacional de Executivo de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) mostra que muitos fundos já estão perdendo para a poupança. Pelos cálculos da associação, quando a rentabilidade dos fundos de renda fixa é inferior a 0,54% ao mês, a poupança é melhor para o investidor. O fundo só ganha se render pelo menos 0,55% ao mês. Por isso é preciso ficar atento.

Mas qual o problema de a poupança roubar clientes dos fundos de renda fixa? É por causa do risco de desequilíbrio no mercado financeiro. Hoje, a maioria dos recursos dos fundos de renda fixa está aplicada em títulos públicos federais, ou seja, financiam a dívida do governo. Se muitos investidores, principalmente os que têm grandes quantias, migrarem dos fundos para a poupança, os gestores desses fundos teriam de vender os títulos públicos, provocando grande oferta de papéis no mercado. Com títulos sobrando, o governo poderia ter de aumentar sua remuneração para atrair investidores, elevando a pressão sobre o custo da dívida pública.

Além disso, os bancos são obrigados a destinar 65% do que captam na poupança para o mercado imobiliário. Se o saldo subir muito, sobe também o valor a ser repassado e a demanda do setor de construção já não é a mesma.

Como alternativa a mexer no rendimento da poupança já se fala em permitir que os bancos possam aplicar a captação excedente em títulos públicos, compensando a retirada dos fundos e mantendo o equilíbrio do mercado. Outra sugestão é que os bancos melhorem o rendimento dos fundos simplesmente baixando as taxas de administração para os produtos de varejo, justamente os que têm o custo mais elevado. As cartas estão na mesa.

 

Denise Juliani

publicado no Jornal da Tarde em 23/04/2012

Um quarto do ano já foi

Acabou o primeiro trimestre, um quarto do ano já se foi. Quem no final do ano passado colocou entre suas resoluções para 2012 a intenção de guardar dinheiro, e cumpriu com o prometido, já tem massa crítica para realizar um balanço.

No ranking dos investimentos financeiros dos três primeiros meses do ano, a liderança ficou com a Bolsa de Valores, que registrou alta de 13,67%. Superou com larga vantagem os outros ativos.
Mas vale lembrar que a melhora no humor do mercado de ações no ano foi mais intensa em janeiro, fevereiro e até meados de março. A maior parte da alta acumulada no trimestre foi obtida nos dois primeiros meses do ano. Na segunda metade de março, contudo, a divulgação de indicadores da economia chinesa menos exuberantes do que projetavam os analistas reduziu o entusiasmo dos investidores.

Daqui para frente, na opinião de especialistas, vai ser preciso surgir algum fato novo bastante positivo para que o mercado de ações sustente o fôlego. Em março, com as notícias menos favoráveis, a Bolsa fechou em queda de 1,98%. Nos primeiros dias de abril, manteve a tendência de baixa, desanimada com indicadores ruins da economia americana e européia.

No ranking de rentabilidade do trimestre, o segundo posto ficou bem lá atrás: com 2,19% de ganho médio ficaram os fundos de renda fixa. Os fundos DI renderam 1,98% no período, em média. Os Certificados de Depósito Bancário (CDB) para grandes investidores (aplicações acima de R$ 100 mil), deram retorno de 1,96% no trimestre.

Das aplicações destinadas aos pequenos investidores, a melhor opção no primeiro trimestre foi mesmo a caderneta de poupança, que rendeu 1,70%. Os fundos DI para este público deram, em média, 1,58%, o mesmo que os CDBs para aplicações a partir de R$ 5 mil. Fechando o ranking, o ouro subiu 0,74% no período e o dólar comercial caiu 2,25%.

Os ganhos de março

Março foi bom para quem apostou no dólar, que fechou o mês em alta de 6,47%; na ponta extrema da tabela ficou a Bolsa, com queda de 1,98%. Os fundos de Renda Fixa deram 0,75% no mês, seguidos pelos fundos DI, com 0,67%. Os CDBs para grandes quantias rendeu 0,65% e a poupança, 0,61%. Os CDBs para pequenos investidores renderam 0,53%, igual aos fundos DI também para pequenos. O ouro caiu 0,31%.

Empresas

 Começa agora o período de divulgação dos balanços anuais das empresas de capital aberto (que têm ações negociadas na Bolsa). Os analistas fazem suas projeções sobre os lucros (ou prejuízos) de 2011. Quando a perspectiva é positiva, a tendência é que mais investidores comprem as ações, prevendo uma alta do preço quando o lucro for anunciado e de olho no pagamento de um bom dividendo (que é a distribuição do lucro entre os acionistas).

Quando sai o balanço, muitas vezes o papel acaba perdendo valor, mas nem sempre o motivo é o lucro ter ficado abaixo do que previam os analistas.  É que eles examinam outros dados além do lucro líquido (depois dos impostos). Informações sobre o lucro operacional, as receitas, as despesas, o endividamento e os investimentos são igualmente importantes. Com esses dados é possível prever o futuro da companhia e ver se vale a pena continuar com as ações. Os balanços são publicados em abril e este é um momento da grande agitação no mercado. A ver.

Denise Juliani

publicado no Jornal da Tarde em 02/04/2012

Ações: queda não é prejuízo realizado

Eduardo ensaia entrar no mercado de ações desde o final do ano passado. Sua intenção é aproveitar a queda dos preços para montar uma carteira de aplicações de longo prazo. Só planeja usar o dinheiro dentro de dez anos ou mais, pois seu objetivo é formar uma poupança para a aposentadoria.

O dinheiro que será usado para a compra das ações já está até separado em uma caderneta de poupança, podendo ser resgatado a qualquer momento, mas ele ainda não criou coragem de trocar a baixa (mas segura) rentabilidade da caderneta pela promessa de altos ganhos do mercado de ações.

A cada recuo do Índice Bovespa, o principal indicador da Bolsa de Valores, ele diz: “se eu tivesse comprado, teria tido prejuízo”. E a queda de 23% acumulada pelo Índice Bovespa no ano de fato impressiona. Apesar de estar familiarizado com o mercado de ações, pois vem estudando seu comportamento há meses, Eduardo ainda comete um equivoco muito comum, que é confundir queda de preço com prejuízo realizado. Se tivesse comprado ações em dezembro a um preço maior do que o atual, por exemplo, ele só teria prejuízo se as vendesse agora, quando os preços estão em baixa.

Digamos que ele tivesse aplicado R$ 20 mil em ações no final do ano passado e que hoje estas ações estejam cotadas pela metade do que estavam na época. Se ele se desesperar e vender os papéis ao preço atual vai receber R$ 10 mil. Isso sim é um prejuízo. Mas se mantiver as ações na carteira pelos dez anos ou mais planejados inicialmente, há tempo de sobra para uma recuperação. É o que sempre observam os especialistas em investimentos.

Ele está descobrindo que não tem tanto estômago para operar na Bolsa como pensava. Para investir em ações é preciso mesmo se preparar para períodos de montanha-russa. E o cenário de sobe e desce está longe de terminar. O principal combustível é o agravamento da crise na Europa e as previsões de crescimento fraco para todos os países, inclusive os emergentes, como o Brasil, que passaram mais tranquilos pelas turbulências da crise de 2008. Já se prevê que essa nova onda será bem pior e que a volatilidade deve continuar por pelo menos mais dois anos.

Só este ano, até a última quinta-feira, as empresas brasileiras de capital aberto perderam US$ 378,1 bilhões em valor de mercado, segundo levantamento da consultoria Economática, com base na cotação das ações de 301 companhias.

O valor de mercado é uma referência usada pelos investidores para avaliar se a ação está cara ou barata, ou seja, está sendo negociada acima ou abaixo do que a companhia efetivamente vale – seu patrimônio menos as dívidas, mais as projeções de lucros, por exemplo.

De acordo com o levantamento da consultoria, no final de 2010 as empresas brasileiras tinham valor de mercado de US$ 1,43 trilhão, que caiu 26% para US$ 1,057 trilhão em 22 de setembro.

O valor de mercado de uma empresa de capital aberto é calculado multiplicando-se o volume total de suas ações em circulação no mercado pela cotação dessas ações na Bolsa. Assim, se uma empresa tem 100 mil ações em circulação ao preço de R$ 1, seu valor de mercado é de R$ 100 mil. Se a ação sobe para R$ 2, esse valor pula para R$ 200 mil. E se a ação cai para R$ 0,50, o valor de mercado desce para R$ 50 mil.

Denise Juliani – Jornal da Tarde

Ouro sobe 9,32% em julho com cenário instável

O ouro disparou no ranking de investimentos financeiros em julho: fechou o mês com uma impressionante alta de 9,32%. O metal vem subindo praticamente sem parar desse a crise financeira internacional de 2008, pois é um tradicional porto seguro em períodos turbulentos.

E os tempos não estão nada tranquilos no hemisfério norte. A crise iniciada nos Estados Unidos há quase três anos e que se espalhou pelos países mais ricos do mundo continua fazendo estragos. Nações europeias demoram a se recuperar e agora os EUA voltaram ao noticiário por causa da sua dívida pública que já supera os US$ 14 trilhões.
A ameaça de um calote americano foi finalmente afastada, mas mexeu com o mundo todo, pois as principais economias aplicam em títulos do Tesouro dos EUA. Inclusive o governo brasileiro.

Toda essa confusão criou um cenário perfeito para a procura pelo ouro. Governos ao redor do planeta iniciaram um movimento de aquisição do metal há pelo menos dez anos, mas nos últimos três a demanda se acentuou. Com a cotação em alta, investidores (primeiro os grandes e agora também os pequenos) correm atrás do metal. Tudo isso infla os preços do ativo, cuja alta está em torno de 80% desde o estouro da crise. Quando o cenário se acalmar, a cotação deve ceder, dizem os especialistas.

O segundo colocado de julho ficou lá atrás comendo poeira: o Certificado de Depósito Bancário (CDB) rendeu 0,77% no mês, para aplicações acima de R$ 100 mil. O rendimento médio do CDB para quem aplica R$ 5 mil foi de 0,63%. Os fundos DI registraram ganho médio de 0,77% (para pequenos investidores, foi de 0,61%). Os fundos de renda fixa ficaram um pouco atrás, com 0,67%. Já a caderneta de poupança deu 0,62% no mês.

A ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, divulgada na semana passada, sinalizou para o mercado que a taxa básica de juros (Selic) deve continuar subindo nos próximos meses e pode chegar a 13% ao ano até dezembro. Ou seja, a renda fixa vai continuar em alta. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrou o pior desempenho em julho, com queda de 5,74%. O dólar perdeu 0,51%.

No acumulado do ano, o ouro também liderou, com valorização de 7,32%. Em segundo lugar ficou o CDB (5,17%), depois os fundos DI (5,13%); de renda fixa (3,66%); e a caderneta de poupança (3,61%). O dólar caiu 6,67% e a Bovespa perde 15,12%. A inflação no ano medida pelo IGP-M foi de 3,03%.

Esta queda da Bolsa é vista pelos analistas como uma boa oportunidade para quem já aplica em ações e quer ampliar suas posições ou para quem pretende começar a investir neste segmento.

Fábio Colombo, administrador de investimentos, recomenda a compra de ações aos poucos para compor a carteira sem forçar muito os preços. “Em termos estatísticos, a projeção para os próximos 12 meses é um ponto médio de 65.000 pontos, o que representa uma alta de 11% para o índice Bovespa”, diz.  

Títulos da dívida, o que é isso?

Títulos da dívida pública são papéis usados pelos países para captar recursos no mercado e, com isso, financiar as atividades do governo federal. Os papéis são emitidos pelo Tesouro dos países e vendidos a investidores, que são remunerados com o pagamento de juros. O Brasil também emite títulos da dívida pública, papéis que são comprados por grandes investidores, mas que também são conhecidos dos pequenos investidores individuais que fazem suas aplicações por meio do Tesouro Direto.

Criança quer brinquedo

Todo ano é a mesma coisa. Quando começa a se aproximar o Dia da Criança aparecem os “chatos” sugerindo um presente diferente: dinheiro. Mas não na mão da criança, e sim em algum investimento. Só que criança gosta mesmo é de ganhar brinquedo.

Dar aos pequenos um certificado de investimento é um excelente presente, mas no Dia da Criança a expectativa é outra. E como a lista de desejos infantis sofisticou-se nos últimos anos, não é mesmo? O filho de nove anos de uma amiga minha pediu um smartphone, produto tecnológico que nem ela tem.

A estratégia de usar a data comercial para começar a falar sobre o valor do dinheiro é interessante e pode ser incorporada à comemoração do dia 12 de outubro. Afinal, formar cidadãos – e isso inclui a educação financeira – é tarefa de pais (ou responsáveis).

Usar o preço dos artigos desejados para falar sobre dinheiro é um bom começo. Em vez de um presente caro, como o celular com acesso à internet, a criança pode ganhar um presente mais barato e uma quantia investida, como estímulo para começar a poupar para consumir no futuro.

Crianças a partir de três anos de idade já podem receber as primeiras lições sobre o mundo das finanças pessoais. Parece exagero? Para o educador e terapeuta financeiro Reinaldo Domingos essa é uma boa idade para começar. É claro que tudo deve ser feito na forma de jogos e brincadeiras. A partir dos nove anos já é possível falar sobre preços e outros conceitos econômicos.

Onde aplicar o dinheiro é outra questão. O mais clássico desde sempre é a caderneta de poupança. Mas existem fundos de ações só para menores de 18 anos. Algo menos arriscado? Os fundos de previdência privada também são bem interessantes.

Uma recente pesquisa da Brasilprev (do Banco do Brasil) mostra que os planos de previdência privada estão na lista de presentes escolhidos por pais e avós para filhos e netos. Segundo o levantamento, quase 30% dos planos contratados por clientes da empresa são da linha Junior, voltada para “menores”, como o setor os classifica.

De acordo com a Brasilprev, na grande maioria dos casos (89%), os planos para menores de 21 anos hoje são contratados pelos pais. Avós respondem por 7% dos contratos em nome das crianças e jovens.

O valor médio das contribuições subiu para R$ 100, ante R$ 93 em 2009 e R$ 85 em 2008. Outra constatação interessante da pesquisa anual da empresa é a queda na idade média das crianças, que passou de 12 para 10 anos entre 2008 e 2010.

O pior inimigo da educação financeira é o marketing de consumo. Comprar faz parte da vida, é uma ação importante, faz o dinheiro circular e aquece a economia, mas poupar para realizar um sonho de consumo também é muito bom. E o mais legal é que uma coisa não exclui a outra

Onde econtrar informações sobre educação financeira:

No site da CVM há uma área voltada para crianças

Simulador de sonhos  no site a Febraban

No site da BM&FBovespa também existe uma área educacional

Rede de Educação Financeira Dsop

Denise Juliani

publicado no Jornal da Tarde, em 11/10/2010