A economia só não basta
- 6 de setembro de 2010|
- 15h41|
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Categoria: Investimentos, Sustentabilidade
O termo sustentabilidade se popularizou tanto nos últimos anos que acabou se banalizando, virou assunto obrigatório até nos comerciais de televisão e hoje chega a despertar desconfiança.
Deixando de lado sua apropriação pelo mercado publicitário, não é mais possível ignorar a importância do assunto. No mercado de ações muitos investidores já estão há algum tempo olhando além do aspecto econômico: querem saber como as empresas se comportam também nas áreas social e ambiental. E por que isso? Porque os impactos a longo prazo do descuido com esses dois lados pode resultar em prejuízos para a companhia e, em consequência, aos seus acionistas.
Um exemplo recente é o caso da empresa britânica BP, protagonista do desastre ambiental ocorrido no Golfo do México em abril deste ano. Incapaz de conter o vazamento em uma de suas plataformas de exploração de petróleo, que se prolongou por semanas a fio, a empresa viu sua imagem ser abalada aos olhos do mundo todo.
Em resposta ao acidente, suas ações começaram a despencar nas bolsas Londres e Nova York. É que, antevendo o impacto que os custos para mitigar os efeitos do desastre ambiental teria no balanço da empresa, investidores trataram de colocar as ações à venda. Os papéis chegaram ao menor nível dos últimos 14 anos.
Embora tenha dinheiro suficiente para cobrir os prejuízos, os lucros certamente cairão. E isso, o acionista não perdoa.
Por causa do desastre ambiental, a BP foi retirada do Dow Jones Sustainability Index (DJSI), um indicador usado pelos investidores preocupados com a sustentabilidade de suas aplicações. Em todo o mundo, US$ 8 bilhões estão investidos em produtos que usam o DJSI como referência – são cerca de 70 carteiras em 16 países.
Lançado em 1999, o Dow Jones Sustainability Index (DJSI) foi o primeiro indicador global dedicado a acompanhar a performance das ações de empresas que incorporam conceitos de sustentabilidade em seus negócios.
A Bolsa brasileira também tem o seu, lançado em 2005 e inspirado no DJSI. Trata-se do Índice de Sustentabilidade Empresarial. Segundo a Bovespa, existem dois tipos de investidores interessados em ações de empresas social e ambientalmente responsáveis: o pragmático e o engajado.
O primeiro grupo engloba aqueles que compram ações de empresas listadas em índices de sustentabilidade porque acreditam que elas têm mais chances de permanecerem produtivas pelas próximas décadas e que sofrerão menos passivos judiciais, com ações ambientais, trabalhistas e sociais.
Os engajados buscam privilegiar as empresas que atuam de forma sustentável, pois não querem se envolver com aquelas que poluem ou que têm problemas com direitos humanos. Estão dispostos a pagar um valor maior pelas ações de empresas que estão atentas aos três pilares de sustentabilidade: econômico, ambiental e social.
CONCEITO: O termo sustentabilidade deriva do conceito de desenvolvimento sustentável, que significa possibilitar que as pessoas, agora e no futuro, atinjam um nível satisfatório de desenvolvimento social e econômico e de realização humana e cultural, fazendo, ao mesmo tempo, um uso razoável dos recursos da terra e preservando as espécies e os habitats naturais.
LÁ FORA: Os investimentos socialmente responsáveis cresceram mais de 320% nos EUA entre 1995 e 2007, e representam cerca de 10% do volume total dos fundos de investimento do país. Já nas contas da ONU, que tem uma iniciativa, os Princípios para o Investimento Responsável (PRI, na sigla em inglês), para estimular critérios de sustentabilidade entre instituições financeiras, os fundos que atendem aos PRI movimentam US$ 20 trilhões em todo o mundo.
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