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Briga de amigas

marilianeustein

segunda-feira 01/09/14

No mais, não vale a pena brigar. Aquela blusinha florida de alcinha que ela nunca mais te devolveu? Deixa estar. Fica bem melhor nela do que em você, provavelmente. Se ela não te liga há três meses, talvez seja porque está realmente trabalhando demais. E se ela te cobra atenção é só porque sente sua falta. Quem sabe, quando o verão chegar, vocês já não terão feito as pazes?

Poucas coisas são tão chatas e pesadas na vida quanto brigar com uma amiga. Não é só chato porque você está brava e frustrada com a situação, mas porque, normalmente, é um conflito incompreensível para quem não está envolvido. Vai tentar explicar para a sua mãe ou para o seu namorado que você está chateada porque está brigada com uma amiga que ama muito. Não entra na cabeça deles como uma mulher feita, bem-sucedida, senhora de si, pode se comportar igualzinho a uma adolescente e ficar deprimida só porque discutiu com uma amiga querida.

Só quem tem relações fortes com as amigas sabe do que eu falo. Não se briga de verdade com colegas ou amigas passageiras. Elas não fazem nem cócegas nas nossas aflições. Só vínculos de verdade – que são levemente dramáticos – causam brigas. Os motivos, sabemos, são feitos de uma grande mistureba de sentimentos. Coisas bobas, como um brinco emprestado que nunca foi devolvido, caronas (uma quer ir e a outra quer ficar),  ligações  não retornadas, ciúme. Briga-se porque uma sente falta da outra, porque cobra-se atenção demais, porque a amiga de infância ficou anos morando fora e nunca te escreveu, porque a amiga da vida resolveu não gostar do seu namorado ou você não gostar do dela. Porque esquecem os aniversários, porque os eventos dão preguiça, porque ela mudou de turma e não tem mais nada a ver com você. Não importa. O fato é: cada vez que a gente briga com uma amiga, fica um buraquinho no peito.

Quem nunca viveu as clássicas cenas de briga? Argumentos descabidos, gestos exagerados, e-mails quilométricos, choros e… abraços. Quando vem a briga com uma amiga realmente querida, a gente não se conforma. É completamente diferente de brigar com o marido ou namorado. É outro tipo de intimidade. A gente sente falta de uma coisa que só existe entre amigas mesmo. De sair de um casamento, na madrugada da vida, olhos borrados, pés descalços, rindo muito. De começar um “regime fictício” juntas – desses que não pode beber cerveja, porque engorda, mas caipirinha pode, porque é ‘light’. A gente quer a amiga perto, porque sabe que só ela vai te acompanhar em algum programa mala em pleno sábado à tarde – pela única razão de que ela é sua amiga e ponto. E porque ela nunca perde a paciência com você demorando 78 minutos para passar rímel nos olhos ou reclamando há anos das mesmas coisas sobre as mesmas pessoas.

No mais, não vale a pena brigar. Aquela blusinha florida de alcinha que ela nunca mais te devolveu? Deixa estar. Fica bem melhor nela do que em você, provavelmente. Se ela não te liga há três meses, talvez seja porque está realmente trabalhando demais. E se ela te cobra atenção é só porque sente sua falta. Quem sabe, quando o verão chegar, vocês já não terão feito as pazes?

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