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A difícil arte de dar passagem

marilianeustein

25 agosto 2014 | 14:10

O que faz ser tão difícil ceder o lugar ao outro? Será que é a pressa? Não pode ser só isso. Afinal, nos fins de semana, tem um montão de gente que não dá passagem do mesmo jeito. Será que é a educação familiar? O pai, na mesa de jantar, ensinando a estudar, economizar dinheiro e não dar passagem no trânsito: “Meus filhos, nunca deixem um carro passar na sua frente, não ajudem pessoas que querem entrar nas avenidas e em cruzamentos complicados”

É só reparar no cruzamento. Você liga a seta porque precisa virar para a direita e ninguém, niguém mesmo, naqueles eternos segundos em que o farol está aberto, te dá passagem. Daí vêm a frustração (por que, ó, céus?) e, depois, a raiva (ninguém dá passagem nessa cidade!!!!). O farol fica vermelho, o cara no carro de trás – você olha pelo retrovisor – perde a paciência e já solta uma bufada. O próximo passo é a buzina e, se ninguém te der passagem mesmo, é melhor dar a volta no quarteirão, antes que ele desca do carro e quebre a sua janela. O farol abre de novo e você tenta mais uma vez. Olha com cara de choro para os carros que passam, até que, normalmente, aparece um cara (santa criatura) que faz aquele  sinalzinho de “vai, passa” com a mão e a expressão de “vou quebrar esse galho pra você”. E você se sente uma vitoriosa, merecedora da compaixão dos colegas de trânsito e aliviada por não ter sido agredida pelo carro de trás.

Já repararam como essa situação é frequente? De diversas formas, é claro. Às vezes, tem uma pessoa tentando, desesperadamente, entrar numa vaga, fazer uma baliza difícil e lá vem o pessoal do fundão reclamar. Gente, espera um pouco! E o pior é que, muitas vezes, o tipo de pessoa que não dá passagem no trânsito é justamente aquela que vive com discursos em prol de um mundo melhor, que não quer que corte a árvore da rua, que defende as crianças da África. Mas, na hora de dar passagem no trânsito,… a coisa muda.

O que faz ser tão difícil ceder o lugar ao outro? Será que é a pressa? Não pode ser só isso. Afinal, nos fins de semana, tem um montão de gente que não dá passagem do mesmo jeito. Será que é a educação familiar? O pai, na mesa de jantar, ensinando a estudar, economizar dinheiro e não dar passagem no trânsito: “Meus filhos, nunca deixem um carro passar na sua frente, não ajudem pessoas que querem entrar nas avenidas e em cruzamentos complicados”. Ou será que é só uma maldadezinha humana que, no trânsito, fica ainda mais afiada, porque a pessoa está trancada em sua pequena bolha chamada carro? Se uma pessoa deixa outra  passar na sua frente, o que  perde com isso? Talvez meio milésimo de segundo de sua vida. Ou tem algo a mais?

Nunca ninguém pensou em começar uma campanha, uma mobilização do tipo “mais passagens, por favor”? Eu assino embaixo.

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