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Rivalidade marca saída de argentinos e brasileiros no Mané Garrincha

Seleção Universitária

05 julho 2014 | 16:51

Torcedores se provocaram mutuamente e esperam final inédita

Torcedores se provocaram mutuamente e esperam final inédita

Argentinos estão confiantes no tricampeonato (Jorge Macedo/Seleção Universitária)

 

Jorge Macedo – especial para O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA – O azul e branco da camisa argentina se misturou com o verde e amarelo brasileiro ao fim do jogo entre Argentina e Bélgica na tarde deste sábado, 5, no estádio Mané Garrincha. Com a vitória sobre os belgas por 1 a 0, gol de Higuaín, a torcida dos bicampeões mundiais fez a festa e saiu confiante de que levantará o troféu pela terceira vez, dessa vez em cima do Brasil. Do lado brasileiro, muita provocação e a certeza de que a seleção será hexacampeã.

Antes de a bola rolar, quem foi ao jogo enfrentou dificuldades por conta da greve de rodoviários que acontece na cidade. Cerca de 10 mil motoristas e cobradores cruzaram os braços neste sábado reivindicando o pagamento do reajuste de 20% concedido no mês passado pelos empresários. Com isso, muitos optaram por caminhar quase dois quilômetros da rodoviária até o estádio sob o sol de meio-dia que tomava conta do céu de Brasília.

Ainda assim, quem foi chegando ao palco da partida era só alegria. Os brasileiros tentaram irritar os argentinos com gritos de “Se você é argentino, então diga como é / Ter apenas duas copas, uma a menos que o Pelé” e emendaram “Mil gols, mil gols, mil gols / Só Pelé, só Pelé / Maradona cheirador”. Os rivais responderam com cantos de “Vamos, vamos Argentina / Vamos, vamos a ganar” e “Maradona és más grande que Pelé”.

Na saída, com a classificação garantida para a semifinal, os vizinhos sul-americanos esbanjaram confiança. Pablo Jimenez, 36, falou sobre o privilégio que os brasileiros tiveram na tarde de hoje. “Vocês têm que nos agradecer, puderam ver de perto o melhor jogador do mundo. A partida de Messi foi fantástica, vamos ganhar do Brasil por 2 a 1 dentro do Maracanã”, cravou.

O compatriota Ezequiel Román, 28, estava eufórico na saída do estádio. “Que coisa mais linda a tarde de hoje, estamos entre os quatro melhores após 24 anos. Foi um grande espetáculo, a festa lá dentro foi incrível. Os brasileiros nos receberam muito bem, apesar da rivalidade histórica”, disse ele que veio de Mendoza em um carro com outros três amigos.

A festa argentina chamou a atenção inclusive dos brasileiros que foram ao jogo. A estudante Carolina Dantas, 21, ficou impressionada com a empolgação dos rivais. “Eles cantam o tempo todo, é uma festa encantadora. Parecia que jogavam em casa por causa do imenso apoio. Para mim, eles sabem torcer mais que nós brasileiros”, declarou. De acordo com a embaixada argentina, 60 mil torcedores vieram para Brasília apoiar a seleção.

Prisão. Durante o jogo, a Polícia Federal prendeu Pablo Alvarez, conhecido como Bebote. O nome dele constava na lista de 2,5 mil torcedores violentos proibidos de frequentar estádios na Argentina. Os nomes foram enviados pela polícia argentina para o Brasil antes do mundial começar. Conhecidos como ‘barra bravas’, os torcedores eram a maior preocupação das forças de segurança que trabalharam no local. Segundo a assessoria da PF, Alvarez estava dentro do estádio quando foi detido. Ele terá 72 horas para deixar o Brasil. Caso contrário, será preso e deportado.