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Acampamento em Porto Alegre tem mais de 2,5 mil argentinos

Seleção Universitária

24 junho 2014 | 13:24

Área chamada de “Fazendinha” foi destinada para abrigar os visitantes

Área chamada de “Fazendinha” foi destinada para abrigar os visitantes

Abrigo feito de lonas está lotado de barracas, faixas e bandeiras da torcida argentina (Lucas Oliveira/Seleção Universitária)

 

Lucas Oliveira – especial para o Estado de S. Paulo

PORTO ALEGRE – A expectativa de que mais de 100 mil hermanos viessem a Porto Alegre para o jogo de quarta-feira, 25, contra a Nigéria, começa a se confirmar. Prova disso é o camping feito por mais de 2,5 mil argentinos no Acampamento Farroupilha Extraordinário, realizado especialmente para o Mundial.

Tudo começou quando Gustavo Bierhals, responsável pelo local, permitiu que um grupo de apenas oito argentinos montassem acampamento. Hoje, segundo ele, são mais de 2, 5 mil acampados no local. “Eles chegaram e fincaram as suas estacas, sem terem pedido nada e eu deixei eles ficarem. Então eu vi na rua mais um grupo que não conseguiam acampar em lugar algum, e trouxe eles também. Começaram a aparecer cada vez mais e mais, então tivemos que montar uma estrutura com lonas, banheiro e água.É uma obrigação nossa fazer isso e nos unimos para atendê-los. Alguns deles já estão até chamando de filial”, brinca Bierhals.

Enquanto conversava com a reportagem, um turista pergunta para Bierhals se poderia ir de carro até a praia – ele se refiria às margens do Rio Guaíba – e voltar.  Após dizer que sim, o brasileiro disse que os veículos estão sendo cadastrados e que a lotação está esgotada.

Marina da Silva e Silva, que já está sendo chamada de “mama” pelos turistas, é quem cozinhao para as pessoas. “Nós servimos café da manhã, almoço e janta pra eles. Hoje vai ter carne de panela, arroz, feijão e massa. No café, nós demos leite recém ordenhado da vaquinha e um sanduíche”, afirma Maria, que trabalha há dez anos no Acampamento Farroupilha e diz estar acostumada a servir 400 almoços por dia. “Eu faço isso sempre, não tem problema nenhum. Eles são educados, só querem fazer festa e dizem que gostam da minha comida”, afirma.

O argentino Sebastian Josefe, 33, veio de Buenos Aires e está impressionado com a hospitalidade do local. “Nós viemos para Porto Alegre sem ingresso e sem ter onde ficar. Pensamos em acampar em qualquer lugar. Nunca pensei que encontraria um abrigo, com a comida da ‘mama’, e onde pudesse tomar banho. Ontem nós comemos até feijoada”, disse.

Na segunda-feira, 23, representantes do governo do Estado, da prefeitura, do Movimento Tradicionalista Gaúcho e da Fundação Cultural Gaúcha, se reuniram para definir como será a organização, cadastramento e o esquema de segurança do local. As forças de segurança pública manterão o policiamento especial no Acampamento Farroupilha e nos espaços de eventos da Copa, mobilizadas para a movimentação do grande contingente de turistas previsto para os próximos dias.