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Derrota histórica da seleção provoca reações diferentes em torcedores

Seleção Universitária

08 julho 2014 | 19:54

São poucos os brasileiros chorando ou visivelmente tristes na Savassi; festa continua

São poucos os brasileiros chorando ou visivelmente tristes na Savassi; festa continua

Em BH, derrota enterrou o sonho do hexa, mas não a festa da Savassi (Gabriel Gama/Seleção Universitária)

 

Gabriel Gama – especial para O Estado de S. Paulo

BELO HORIZONTE – A derrota enterrou o sonho do hexa, mas não a festa da Savassi, que continua intensa mesmo depois do resultado. Quando os gols alemães começaram a acontecer no primeiro tempo e a goleada foi se desenhando, o semblante dos milhares de torcedores que lotaram as ruas da região foi de espanto. Porém, o que se viu minutos depois e ao fim do jogo foi bem diferente. Quem se decepcionou mesmo, saiu no intervalo de jogo e aos prantos. Mas a maioria presente no momento parecia pouco se importar com o resultado. Meia hora depois do fim da partida, bares continuam lotados e com muita música.

As reações dos torcedores são distintas. O estudante Estevão Garbocci, 18, não está surpreso com a pouca quantidade de pessoas chorando ou sérias. “Se todos aqui viessem pelo patriotismo, teríamos gente chorando nas ruas”, afirmou.

Garbocci e quatro amigos ainda gozaram com a seleção brasileira quando a seleção alemã marcou o sétimo gol. “Quem vai apoiar um país que deu as costas para a educação e saúde em prol de um evento milionário?”, desabafou o estudante.

Alguns não pareciam estar preocupados com o resultado e a consequência dele. Este é o caso de João Pedro Silva, 23, amigo de Garbocci. “Está todo mundo aqui por causa é do feriado. O jogo sempre ficou em segundo plano, por isso que não vimos tanta tristeza”, revelou.

Divergência. Apoiado na grade de um dos bares da rua Antônio de Albuquerque, o torcedor Juan David estava inconformado e em lágrimas. Ele estava sozinha e esperava um grupo de amigos no local. Apesar do abatimento evidente, David minimizou a própria decepção. “Só estou triste. É passageiro. Existem coisas muito piores na vida”, desabafou.

Ao contrário de Garbocci, David ficou surpreso com a reação impassível da maioria dos torcedores. Para ele, o brasileiro está acostumado com a derrota. “Cai um viaduto ou o Brasil é eliminado, fica a indignação do momento, mas para a maioria pouco importa. O que interessa é a cerveja, as mulheres e a música da festa”, ironizou.