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Dadá Maravilha e Nelinho dão detalhes das únicas derrotas do Brasil no Mineirão

Seleção Universitária

26 junho 2014 | 14:26

Seleção perdeu em amistoso para o Atlético, em 1969, e para o Peru, seis anos depois, pela Copa América

Seleção perdeu em amistoso para o Atlético, em 1969, e para o Peru, seis anos depois, pela Copa América

Time do Atlético e seleção brasileira cantam hino nacional antes do jogo (Divulgação)

Gabriel Gama – especial para O Estado de S. Paulo

BELO HORIZONTE – O retrospecto da seleção brasileira no estádio Mineirão – palco que sediará o jogo de oitavas de final entre Brasil e Chile, no sábado, 28, às 13h – é digno de um time pentacampeão mundial. Desde a primeira partida, em 1965, contra o Uruguai, o Brasil disputou 22 partidas, com 16 vitórias, quatro empates e apenas duas derrotas, um aproveitamento aproximado de 78%.

Entretanto, o que ficou marcado na história da seleção no estádio não foram as vitórias em amistosos e em eliminatórias, mas, sim, os reveses surpreendentes para o Atlético Mineiro, em 1969, e a eliminação para o Peru, nas semifinais da Copa América de 1975.

A primeira, em especial, foi ainda mais significativa. A seleção brasileira vinha de um desempenho irrepreensível nas Eliminatórias para o Mundial do ano seguinte, com seis vitórias em seis jogos sob o comando do técnico João Saldanha e tinha grandes nomes no grupo como Pelé, Jairzinho, Tostão e Piazza.

O intuito do amistoso contra o Atlético Mineiro era de preparação para a Copa, mas o jogo passou a ter um espírito de rivalidade quando Saldanha comprou uma briga com o atacante Dario antes do duelo, ao afirmar que havia dez atacantes melhores que o jogador alvinegro e que por isso não o convocava.

Após demissão de Saldanha, Dadá foi campeão mundial em 1970 com a seleção brasileira (Arquivo pessoal/Divulgação)

 

Indignado, Dadá Maravilha, como é conhecido, respondeu em campo e marcou o gol da vitória – Atlético venceu de virada por 2 a 1. A derrota resultou na demissão de Saldanha a pedido do então presidente Médici. O militar foi a público elogiar o desempenho de Dadá, exigindo a presença do jogador na seleção. Saldanha, que era comunista, respondeu que Médici deveria se preocupar era com o ministério e não com a seleção brasileira. Zagallo foi o substituto escolhido e comandou a seleção na Copa de 1970.

O ídolo do clube mineiro contou detalhes do fatídico jogo para a Seleção Universitária. “A princípio era para ser um amistoso normal, mas depois das declarações que o Saldanha fez contra mim, fiz questão de jogar o melhor que pude”, relembrou Dadá. “Os jogadores do Brasil, em defesa do Saldanha, ficaram com raiva de mim e me bateram o jogo todo. Mas melhor que Dadá só Jesus Cristo. Fui lá e fiz o gol da vitória. O Atlético jogou uma barbaridade naquele dia e eu ganhei uma vaga na seleção após a saída do Saldanha.”

O centroavante, porém, lamenta a repercussão negativa e a imagem ruim que o caso resultou para ele. “Infelizmente, fiquei conhecido como o cara que o Médici convocou. Mas eu era um fenômeno de gols. Fui para a Copa com meus próprios méritos”, concluiu.

Surpresa. Já tricampeã do mundo, a seleção brasileira era amplamente favorita contra o Peru, nas semifinais da Copa América de 1975. Naquela competição, o time comandado por Osvaldo Brandão havia vencido a Argentina, por 2 a 1, e goleado a Venezuela, por 6 a 0, no estádio. O Brasil foi representado pela Seleção Mineira no torneio e disputou todas as suas partidas no Mineirão.

Porém, os canarinhos foram surpreendidos e perderam por 3 a 1 – o gol brasileiro foi marcado por Roberto Batata. A vitória é considerada uma das mais importantes da história do futebol peruano. O curioso deste confronto é que, no segundo jogo, em Lima, o Brasil venceu por 2 a 0 e foi necessário um sorteio para definir o finalista. Peru acabou seguindo adiante e ainda foi o campeão.

Nelinho foi o lateral-direito na derrota surpreendente para o Peru em 1975 (Divulgação)

 

O lateral-direito Nelinho, ídolo do Cruzeiro e do Atlético, jogou os 90 minutos da partida. O ex-jogador relembrou que a equipe do Peru deu muito trabalho no jogo sob o comando do atacante Cubillas e fez por merecer o resultado.

“Lembro que a base do time deles era do Allianza Lima, do Peru”, disse. “Eu havia jogado contra o time peruano pela Libertadores com o Cruzeiro. Na ocasião, vencemos por 4 a 0. Mas aquela seleção era um combinado de jogadores mineiros e não estava com a força máxima. Foi um jogo difícil. Cubillas fez um golaço de falta. Lembro que marquei o jogo todo o meia Oblitas, que deu muito trabalho.”

Nelinho até hoje acha estranho a decisão da confederação sul-americana de ter decidido o finalista da competição no sorteio. “No jogo de volta, o Brasil levou 3 ou 4 jogadores fora de Minas e vencemos por 2 a 0. O placar agregado ficou empatado e só não fomos para a final, porque perdemos no cara ou coroa. Nunca me conformei com aquela decisão”, completou.