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Como sobreviver ao calor de Manaus na Copa

Seleção Universitária

06 junho 2014 | 14:34

Temperaturas na capital ultrapassam os 30 graus e a umidade do ar a 80%

Temperaturas na capital ultrapassam os 30 graus e a umidade do ar a 80%

 

Bruna Chagas – especial para O Estado de S. Paulo

MANAUS – Desde o sorteio que selou o destino de países como Inglaterra, Croácia e Itália na Copa do Mundo, as comissões técnicas dessas seleções preparam seus jogadores para enfrentar o calor manauara, com treinos para aumentar a resistência e exercícios físicos que simulam alta temperatura e umidade relativa do ar que chega a quase 80% na cidade. De olho nisso, a Seleção Universitária ouviu especialistas e a população local, e separou algumas dicas para que os turistas não sofram tanto ao acompanhar os jogos na capital.

A polêmica sobre o clima de Manaus ganhou repercussão quando, no final do ano passado, o técnico da seleção da Inglaterra, Roy Hodgson, declarou ao jornal The Guardian que o clima tropical era um problema (“Manaus é a sede a ser evitada”) e que preferia “o grupo da morte”. O técnico não exagerou, pois o período mais quente do ano em Manaus ocorre nos meses de julho e agosto, quando a sensação térmica chega a 41 graus, mas em junho já é possível sentir o mesmo, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O calor na capital no mês de junho é um dos mais altos do ano. É nesta época que acontece a transição entre as estações chuvosa e seca na cidade. De acordo com Inmet, as temperaturas mínimas variam entre 23 e 19 graus (geralmente pela manhã e madrugada) e as máximas oscilam entre 31 e 34 graus, à sombra.

Para o dermatologista Simão Pecher, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, não há motivos para preocupação, já que a maioria dos jogos em Manaus serão realizados à noite – quando a temperatura é mais agradável. “Durante o dia para passear e também em passeios de barco para visitar a selva amazônica, o uso de protetor solar e um bom repelente ao entrar na floresta são indicados”, diz.

“Por aqui não se passa sem que se sofra o calor do fogo.” Essa é uma passagem de Dante Alighieri no livro Divina Comédia, mas que para Rayssa Almeida, 24, de Mairink (SP), que mora em Manaus há 4 anos, pode descrever apenas um dia de verão na capital. “Quando cheguei, marcava uns 30 graus, mas nunca pensei que fosse sentir tanto calor. Saí do avião e a primeira sensação foi se confirmando. Caramba, quanto calor”, afirma. Rayssa diz que até hoje não se sente adaptada. “Minha cidade é no interior de São Paulo, faz muito frio lá. É muito difícil viver aqui se não tiver um ar-condicionado, mas tenho uma dica para quem vier: é tomar sempre líquido, seja água ou suco, o importante é se manter hidratado.”

Quem já adotou a capital amazonense e não é do Brasil, como o argentino, Emanuel Escobar, 27, afirma que é possível passar pelo calor local sem muitos transtornos, basta ter paciência para se adaptar. “No primeiro ano foi muito complicado, mas estou no meu segundo ano e tudo melhorou. Acho que adaptação depende de cada um e o primeiro passo para suportar o calor é comer comidas leves”, diz.

De acordo com a nutricionista Nina Laredo, do Conselho Regional de Nutrição do Amazonas, a melhor opção são alimentos in natura como frutas, legumes, assados, grelhados e como fonte energética consumir macaxeira, tapioca, cará, banana cozida, cuscuz, sempre disponíveis nos desjejuns manauaras. Além das dicas já citadas, a nutricionista indica beber apenas água mineral, comer em lugares apropriados, evitar alimentos exóticos (como açaí e tacacá) e abusar dos peixes assados.

A amazonense Tatiana Ribeiro, 35, faz faculdade de Turismo e acredita que a elevada temperatura não vai assustar os turistas, mas que eles precisam sim vir preparados. “Manaus é uma cidade com calor humano e belezas naturais. Não será o calor que vai afastar os visitantes daqui. Estou otimista que muitos vão voltar depois da Copa.”