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Colônia japonesa cria comissão de torcida no Recife

Seleção Universitária

quarta-feira 04/06/14

Associação Cultural Japonesa do Recife distribuirá 30 mil luvas-bandeiras durante jogo

Associação Cultural Japonesa do Recife distribuirá 30 mil luvas-bandeiras durante jogo

Camisas e luvas-bandeiras da Torcida do Japão no Recife (Emanuel Leite Jr./Seleção Universitária)

 

Emanuel Leite Jr. – especial para O Estado de S. Paulo

RECIFE – Na Várzea, entre Recife, Jaboatão e São Lourenço da Mata, um muro de larga extensão abre-se para o público com um portão de traços bem diferentes. Não chega a ser um torii, mas a ideia do típico portão japonês está lá. E não é por acaso. No local encontra-se a sede da Associação Cultural Japonesa do Recife, entidade que há 42 anos reúne as famílias nikkei (japoneses e descendentes residentes fora do Japão) e que promove a cultura nipônica na capital pernambucana.

Na Copa, o Japão faz sua estreia bem próximo dali, a apenas três quilômetros, na Arena Pernambuco (município de São Lourenço da Mata). E os japoneses do Recife criaram a Torcida do Japão na Copa do Mundo, para que a sua seleção, apesar da enorme distância geográfica, sinta-se em casa.

A ideia de uma colônia japonesa no Brasil pode remeter aos Estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul, devido às suas grandes comunidades de nikkei. Em Pernambuco, onde vivem cerca de dois mil japoneses e descendentes, a Associação Cultural Japonesa do Recife (ACJR) desenvolve diversas atividades de promoção da cultura nipônica. Fundada há 42 anos por 30 famílias, hoje a ACJR tem 150 famílias associadas.

Ao chegar à ACJR, em uma terça-feira de sol, cerca de dez japoneses e descendentes jogavam gateball, esporte coletivo de taco criado no Japão logo após a 2ª Guerra Mundial. Nenhum deles parecia se importar com o jogo da seleção brasileira contra o Panamá, prestes a começar. Entre eles estavam Akira Iyoda, 66 anos, nascido em Osaka (Japão) e presidente da Associação, e Valter Kuae, 68 anos, sansei (neto de japoneses) paulistano, e presidente da comissão da Torcida do Japão.

A ideia de formar a torcida partiu de Akira Iyoda. Seu objetivo é auxiliar os mais de sete mil japoneses que chegarão ao Recife diretamente do Japão apenas para assistir ao confronto com a Costa do Marfim, no dia 14 de junho. Para isso, eles contarão com o apoio da embaixada e consulado. “Uma equipe de comissão da torcida dará assistência aos japoneses no aeroporto”, explica Valter Kuae.

Os japoneses recifenses também mandaram confeccionar 30 mil luvas com o formato da bandeira nipônica para serem distribuídas já no desembarque na capital pernambucana. Além disso, no dia do jogo, haverá três frentes de distribuição espalhadas em pontos estratégicos. “Cerca de 80 associados estarão na Arena e farão a distribuição por lá. Outros 15 estarão na estação de metrô Cosme e Damião, que é onde os torcedores chegarão, e ainda teremos mais 10 no shopping RioMar, que terá estacionamento especial para a Copa”, detalha Kuae.

Além das 30 mil luvas, 300 camisas especiais da torcida foram produzidas para serem vendidas por R$ 25. A ideia é transformar a Arena Pernambuco na casa do Japão na Copa.

Quem não conseguiu adquirir ingressos para o jogo, poderá se reunir em um restaurante japonês da cidade, o Hakata, no Derby, onde será servido um buffet com todos os quitutes da culinária japonesa e um cardápio especial para o dia, que inclui versões japonesas para alguns pratos brasileiros. O jogo está marcado para as 22h, mas o evento no restaurante começa às 20h.

Expectativa. O presidente da ACJR, Akira Iyoda, não pode ir à Copa do Mundo de 2002, disputada no Japão e na Coreia do Sul. Então, para ele, ver seu país em um Mundial é especial. “Primeira e última oportunidade de ver uma Copa do Mundo ao vivo”, disse. “Estamos fazendo de tudo para que o Japão vença.” Iyoda quer ver a Arena Pernambuco apoiando o Japão, assim como aconteceu durante a Copa das Confederações, em 2013. “Fiquei muito emocionado ao ver que o brasileiro estava torcendo pela minha seleção. Espero que isso se repita, seria muito bom”, diz.

O futebol não é o esporte mais popular no Japão, mas vem crescendo em popularidade nas últimas décadas. Em especial depois que o brasileiro Zico profissionalizou o esporte no país. Este crescimento também acompanha a evolução técnica da seleção nipônica. “Somos alunos do Brasil”, diz Valter Kuae.

Para Kuae, a realização da Copa no Brasil contribui para que mesmo os japoneses mais velhos, que não se interessam normalmente pelo esporte, demonstrem um interesse pela competição. “Este ano, a expectativa da comunidade pela Copa é muito grande.”

Kuae acredita que o Japão chega, pelo menos, às quartas de final. Diferente de Iyoda, que diz, claramente, “queria ser tão otimista como ele”, sorri.