1. Usuário
Assine o Estadão
assine

Um café e um bondinho

Margarida Vaqueiro Lopes

quinta-feira 21/08/14

Lisboa nem sempre é a primeira opção para quem planeja uma viagem na Europa. E a gente tem que entender: a capital portuguesa não tem o glamour de Paris ou o carisma de Londres. Também não é tão badalada quanto Barcelona nem tem as gôndolas de Veneza. Mas Lisboa tem uma coisa maravilhosa de que [...]

Lisboa nem sempre é a primeira opção para quem planeja uma viagem na Europa. E a gente tem que entender: a capital portuguesa não tem o glamour de Paris ou o carisma de Londres. Também não é tão badalada quanto Barcelona nem tem as gôndolas de Veneza. Mas Lisboa tem uma coisa maravilhosa de que geralmente ninguém lembra: a cidade tem uma luz que você não conseguirá encontrar em nenhuma outra cidade do mundo. E tem sete colinas. E castelos, e o rio Tejo, e baladas realmente legais e obviamente: Lisboa tem Pastel de Belém.

Dessa vez, e como a gente está só se conhecendo, quero deixar para vocês aquela que meus amigos estrangeiros consideram a melhor dica relativa a Lisboa para quem não conhece. Esse passeio pode tomar umas boas horas do seu dia mas você vai ficar a conhecer a cidade de uma forma bem diferente.

A sugestão é que pegue o Elétrico 28 – um bondinho bem igual ao que está parado em Santa Teresa, no Rio de Janeiro – no Cemitério dos Prazeres, em Campo de Ourique. Esse bondinho faz um passeio pelas várias colinas de Lisboa, e permite conhecer alguns dos lugares mais emblemáticos da cidade antiga.

Eletrico_28.jpg

Você só tem que desfrutar do passeio e sair em algumas das paradas para conhecer. Primeiro você vai passar nas ruas do elegante bairro de Campo de Ourique – considerado o melhor bairro de Lisboa para viver, por várias revistas estrangeiras (e por quem lá vive) –, vai olhar o Jardim da Estrela e a Basílica da Estrela, uma imponente construção do século XVIII. Depois o bonde desce a Calçada da Estrela – se olhar para a esquerda consegue ver a Assembleia da República – por um grupo de ruazinhas antigas e estreitas, e de repente você está no conhecido Bairro do Chiado, onde Luís de Camões falará um ‘xau’ da estátua. Vale saltar aí e ver a pastelaria – é uma espécie de padaria – ‘Brasileira’, onde Fernando Pessoa adorava estar e onde pode bater uma foto com a estátua do poeta. E bem do lado você vai encontrar a ‘Benard’, a pastelaria que tem [para mim] os melhores ‘croissants’ de Lisboa: peça um com chocolate para viagem e volte a pegar o bondinho um pouco mais abaixo, junto do Teatro Nacional de S. Carlos.

Continue o passeio, veja as várias igrejas do caminho, passe pela Sé de Lisboa (vale visitar!) e salte no Mirante de Santa Luzia. Daí você terá uma vista linda da cidade enquanto pode tomar um café, um refresco ou uma água no barzinho de rua. E claro, não esqueça de bater uma ‘selfie’.

Volte a pegar o bonde e entre pelo lindíssimo bairro de Alfama, com suas ruas apertadas e super típicas da Lisboa antiga. Se quiser caminhar um pouco salte numa das paradas e se perca no bairro. Se precisar de ajuda para achar novamente o ponto, os lisboetas te indicam. Volte ao bonde e saia novamente na Calçada de S. Vicente, para visitar o Mosteiro e o Panteão Nacional.

Depois, pode encarar a subida ou pegar novamente o bondinho 28 e saltar na parada ‘Graça’ onde tem mais um mirante de cortar a respiração. Com vista sobre o Rio Tejo e alguns dos bairros mais antigos de Lisboa, vale um passeio e um momento de silêncio olhando para aquela luz maravilhosa.

Aqui, já bem cheio do espírito português, pegue novamente o bonde e vá até ao ponto final – ‘Martim Moniz’. Nessa praça você encontrará um monte de banquinhas onde vale um almoço leve e siga para a praça do Rossio, bem do lado. Visite o Teatro Nacional, bata fotos aos edifícios, conheça a pastelaria Suissa – nossos poetas adoravam comer – e encare a Rua Augusta (sim, a gente também tem uma mas ela não é nada parecida com a de São Paulo).

Olhe para o rio bem lá no fundo e veja como ela é bonita, com a calçada portuguesa, o arco bem lá no fundo, os edifícios seculares cheios de lojas modernas e os vários restaurantes e espaços de refeição. Para mim é o melhor final de viagem no bonde.

Da próxima vez falarei de algo mais efémero que esteja acontecendo na cidade para o caso de estar planejando vir para cá em breve. Mas esse passeio de bonde era inevitável!

Quanto custa? Em qualquer estação de metrô pode comprar um cartão chamado ‘Viva Viagem’, que custa 0,50€ e é recarregável e reutilizável durante um ano. Vale comprar o bilhete diário por 6€, que dará acesso a toda a linha de metrô, bondes e ônibus dentro da cidade, durante 24 horas.

 [Esse post foi atualizado com uma imagem gentilmente cedida por uma querida amiga. Só para aguçar mais a curiosidade.]