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A política cambial de Dilma

2 de novembro de 2010 | 17h16

Raquel Landim

Ainda são contraditórios os sinais de como será efetivamente a política cambial de Dilma Rousseff. Em entrevista ao Jornal Nacional ontem, ela reafirmou o compromisso com o câmbio flutuante. “Não acredito que manipular câmbio resolva coisa alguma. Nós temos uma péssima experiência disso”, afirmou.

É uma manifestação importante, mas altamente esperada. Seria quase impensável um presidente eleito no Brasil de hoje se posicionar contra um dos tripés da política econômica sem provocar uma turbulência nos mercados. Mas exatamente o que pode ser considerado câmbio flutuante?

O Brasil já pratica uma flutuação “suja” com pesadas intervenções do Banco Central, que segue comprando reservas. O ministério da Fazenda elevou por duas vezes o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que saltou de 2% para 6%. Também aplicou a mesma taxa para as garantias que os investidores depositam ao operar no mercado futuro.

Um dos maiores especilistas em câmbio do País, Nathan Blanche, disse em entrevista ao Estadão que, com tantas intervenções, o Brasil caminha para um câmbio controlado. Analistas relatam que as medidas recentes causaram mal-estar entre os investidores estrangeiros e foram consideradas mais agressivas que de outros países. 

Não se deve, no entanto, esquecer em que contexto tais medidas foram tomadas. O Federal Reserve deve anunciar amanhã mais um afrouxamento monetário para estimular a economia dos Estados Unidos, que incentivará ainda mais a desvalorização do dólar. Do outro lado, a China mantem o yuan colado na moeda americana. Países como o Brasil ficam em meio ao fogo cruzado e assistem sua moeda se fortalecer e suas exportações perderem competitividade.

Dilma deu sinais de que está atenta à guerra cambial. A presidente eleita afirmou que vai discutir o tema com outros países nos fóruns multilaterais, que o Brasil “vai utilizar todas as armas para impedir o dumping” (venda no mercado brasileiro abaixo do preço de custo no país exportador), e que o ajuste dos países desenvolvidos não pode ser feito com base em desvalorizações competitivas. “Você não pode tentar ganhar seu ajuste nas costas do resto do mundo”, afirmou.

As especulações de que o atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, pode permanecer no cargo no governo Dilma estão aumentando nos jornais. Sua permanência seria um sinal de que medidas de restrição do fluxo de capital continuarão a ser tomadas para conter a alta do real.

Mantega também assustou os investidores ao dizer que o País não precisa de ajuste fiscal para reduzir os juros. O diferencial entre a taxa de juros brasileira e internacional é um atrativo para os capitais especulativos, que ajudam a fortalecer a moeda.

Nem mesmo o Fundo Monetário Internacional (FMI) condena um certo controle do fluxo de capital hoje, mas a questão é saber dosar. Até que ponto medidas como elevar o IOF são eficazes e podem ser tomadas sem comprometer a classificação do sistema cambial brasileiro como flutuante pelos investidores? 

Sem dúvida, será um dos principais desafios do governo Dilma.

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28 Comentários Comente também
  1. Essa foto de Dilma e Lula se não for uma montagem, é uma grande safadagem.

  2. Falando sério, Dilma se quiser fazer um governo decente e de futuro para o Brasil, deve chamar governadores de estado, pedir, exigir que eles cuide da educação, saúde e segurança principalmente, não essa de fazer de contas que esta tudo bem.

  3. Enviado por: Tiao do MSB

    Nossa dívida interna chegando a 1 trilhão de dolares, quando vamos reduzir gastos? Com um nível desses de dívida é muito difícil reduzir juros, como consequencia desvalorizar o real.

  4. Enviado por: luiz americo teixeira

    agora não adianta chorar,definitivamente estamos na mão da facção *PT* ,ninguem sabe nada viu nada e mto menos sabem controlar coisa nenhuma!! tai o caso da super valorização do real…que não é real!!e nós vamos continuar sustentando tudo isso pagando impostos, e eles comprando votos com o bolsa familia.

  5. Enviado por: luiz americo teixeira

    pode mandar para pauta que eu seguro o pepino,o governo faz pior,vcs sabem bem disso!

  6. Enviado por: jan z. volens

    A politica cambial tambem e problema para a seguranca do Brasil. Veja o editorial de Gelio Fregapani em “Defesanet” e “Arco de Fronteiras”. EUA e o problema imendiato para o sistema financeiro do Brasil, China e somente um problema para algumas industrias no Brasil. Ao menos a China compra muita exportacao do Brasil. Sorte que agora o Brasil tem economista com experienca com presidente!

  7. Enviado por: carlo

    a melhor ideia e’ aquela que esta’ sendo discutida
    ou seja , limitar o saldo comercial de cada naçao a um precentual do PIB.
    So’ que commodity nao deveriam entrar na conta
    porque sao basicas para todos.

  8. Enviado por: josé marques

    A UTILIZAÇÃO DE UMA MOEDA FORTE ,FRENTE AO DÓLAR, SE JUSTIFICA EM UMA FASE DE ESTRUTURAÇÃO DO PAÍS.É NECESSÁRIO ,AO BRASIL,RESOLVER GARGALOS DE ESCOAMENTO DA PRODUÇÃO,MODERNIZAR PORTOS,ESTRADAS,HIDROVIAS,E QUALIFICAR A MÃO DE OBRA.A COMPRA E DESENVOLVIMENTO DE TECNOLOGIAS ,FEITAS EM MOMENTO EM QUE O DÓLAR ESTÁ MAIS BARATO , ESTRUTURA,PODE FORTALECER O PAÍS ,PARA QUANDO O MUNDO VOLTAR A CRESCER ,O BRASIL CRESÇA JUNTO ,E, TALVEZ , MAIS.

  9. Enviado por: carlo

    Raquel, tenho certeza absoluta que o governo defende o cambio flutuante, para justificar e amenizar, as criticas sobre o trabalho de barata tonta , que estao realizando.
    O mundo inteiro ipnotizado e inerte, observa a briga entre a China e EUA, e o proverbio ja’ dizia
    entre os dois que brigam os terceiros apanham.

  10. Enviado por: José

    O país com tanto superavit no momento, falar em aumento da CPMF, é cogitar medidas antipáticas. O que seria lógico é se falar em corte de gastos públicos; mas com tanto apetite por cargos, por parte dos partidos que apoiaram a Presidente Dilma, vai ser difícil tomar esta iniciativa. Se nessa reunião próxima do G-20 não se resolver nada de concreto, então a coisa vai piorar; aí os prejudicados terão que tomar medidas bilaterais.

  11. Enviado por: Rodrigo Silva

    A minha opinião e que a Argentina depende do Brasil para elevar seu PIB, e o Brasil depende de um bom governo para elevar o seu e acho que isso está longe de acontecer porque se pegar os impostos arrecadados com os investimentos feitos não vejo nada.
    E no momento o Brsil tá como aquele ditado que diz guando se tem dois donos cuidando de um cachorro ele morre de fome.
    OBS. Pocha a Dilma vai deixar os outros assumir só em 2011, até onde sei ainda e o LULA?

  12. Enviado por: vanderlei

    Sim, desvalorizar as exportações do pré-sal.
    Tudo bem planejado, por que toda a produção será para exportação.

  13. Enviado por: vanderlei

    Toda a política de nacionalização do petróleo será anulada pelo fortalecimento da moeda.

  14. Enviado por: vanderlei

    Quando os árabes descobrem petróleo o dolar não desvaloriza, mas quando brasileiro descobre, o que acontece?

  15. Enviado por: vanderlei

    A exportação é uma imposição do sistema internacional

  16. Enviado por: jose carlos

    A China tem o yuan coladinho no dolár porquê? Porque tem poupança interna! Portanto, gente, bastante vaselina viu…

  17. Enviado por: Nick

    Cara Raquel,

    A Dilma não define política cambial nenhuma. Seria surpresa até esperar que ela entendesse alguma coisa sobre câmbio. Ela desempenha um papel apenas de Relações Públicas com o povo, pois quem define as políticas cambiais do Brasil é o Banco Mundial através do nosso Banco Central. O próprio fato de ter sido veiculada aqui a notícia de que Meirelles será retirado do BC é evidência das políticas do Banco Mundial em ação. Vamos acordar.

  18. Enviado por: Francisco Kaveski

    Raquel.
    A Dilma tem q conhecer seus auxiliares e ter confiança neles.
    Existem auxiliares que simplesmente falam e outros que nos dão exemplos e otimos , pois qdo sentamos com nossos
    pares para as verificações de graus de verdade, vemos que podemos confiar. Ñ é facil, mas ñ é impossivel.
    A Dilma ñ precisa ser tão polivalente como muitos querem.
    Alias ninguem o é.
    Bom trabalho Raquel.
    Sou muito feliz por ter uma filha amada, idolatrada,salve, salve: RAQUEL MIRAM KAVESKI.
    SHALOM!!

  19. Enviado por: yousef

    lendo os comentarios abaixo ? e muito facil criticar um governo de estabilidade atacondo sem fundamentos . comfeco tenho uma preucupacao sim com a valorizacao do real, quanto a sua propria desvalorizacao poque e uma faca de dois lados si valorizamos o real perdemos mercado internasional ou seja nossas industrias perderao com isso suas produtividade cai gerao des enpregos e o outro lado com valorizacao do dolar ganhamos mercados emergentes ou seja nossos produtos ficam mais barratoa la fora onde jeramos mais enpregos ? fica uma pergunta e o mercado finamceiro como seria as bolcas de valores com isso

  20. Enviado por: komiku nakama

    Como a Sra. gosta de se meter com a Presidenta do Brasil, Sra. Dilma, não?!
    porque não vais comentar sobre as atrocidades que os judeus estão fazendo com os verdadeiros donos da terra, os Palestinos.
    E deixas o governo brasilero em paz, longe dos teus comentários infortúnios, querida…

  21. Enviado por: Heretiano Henrique Pereira

    CPMF – O país expurgou da arrecadação, aproximadamente R$ 40 bi., seria muito interessante que tivessemos intenção de conhecer qual foi o indicador atribuído as pessoas juridicas e pessoas fisicas. No entanto, não houve redução de preço de produtos,mercdorias e serviços, mesmo expurgando custo, e que está embutido no custo de fabricação, isso, significa que, caso volte essa bendita CPMF, teremos mais aumento nos preço

  22. Enviado por: heretiano henrique pereira

    O cambio é resultado, tanto de ativo quanto de passivo,dependendo da operação, e está embutido no preço de venda. O governo brasileiro, deve ficar atento, com os produtos importados, que produz uma competitividade relevante para o país. Por outro lado, seria muito interessante, observar a taxa de mão-de-obra, embutido no custo de fabricação, desses países, onde este é um dos fatores que o Brasil não tem condições de competir. E, o que fazer ?

  23. Enviado por: heretiano henrique pereira

    Carga Tributaria – Reconhecemos que estes encargos são elevados. No entanto, caso haja redução de tributos, fator que não acreditamos, até porque o gasto público a cada dia tem demonstrado crescimento. E, com certeza, os preços de produtos, mercadorias e serviços não iriam apresentar quedas, beneficiando de forma expressiva toda a classe empresarial, com mais ganho de capital. Portanto, creio que o que pode existir são algumas reduções de quantidade de aliquotas.

  24. Enviado por: heretiano henrique pereira

    Estamos de volta ! Atualmente estamos dando aula de contabilidade empresarial, através do http://www.heretianopereira.blogspot.com
    Em vários segmentos, a matéria foi elaborada, tendo em vista, a ausencia de conhecimentos cientificos para aplicação no mercado. Portanto, gostaria que todos observassem as explicações

  25. Enviado por: heretiano henrique pereira

    SPRED/Custo Financeiro – Este encargo faz com que os preços de produtos, mercadorias e serviços, alcance um patamar que chama a atenção da sociedade. No entanto, ninguém tem interesse de reduzir tal encargo, até porque se o fizesse, os nossos preços de vendas, não iriam demonstrar queda, onde com isso produziria mais ganho de capital para classe empresarial. Por outro lado, esse encargo produz uma receita expressiva para o sistema financeiro, onde muitas das vezes é maior do que o valor principal. Por isso ninguém tem interesse em sua redução.

  26. Enviado por: Heretiano Henrique Pereira

    estimado leitor, gostaria que vc. tivesse acesso ao endereço: http://www.google.com.br com o nome de heretiano henrique pereira e, observasse vários tópicos de interesse da sociedade como um todo. Assim sendo, espero seu acesso. Sem outro particular, sou,

  27. Enviado por: Heretiano Henrique Pereira

    Nióbio – Baseado em pesquisas, constatamos que este se traduz como matéria prima, sendo que este metal, está constando apenas nos municípios de Catalão e Araxá. Portanto,nosso país fornece para: EUA; Europa e Japão. Assim sendo, seria muito interessante que fosse divulgado de forma analítica, qual o nível de consumo mundial, onde sabemos que sua produção atinge praticamente 37 mil ton.anual, considrado 100% (cem por cento) brasileira.

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