Para entrar na pós-graduação é necessário passar por um processo de seleção. Em alguns lugares, como aqui no IQ-USP, há uma prova. Em outros, o processo tem entrevistas e provas de conhecimento de inglês. Como a pós é um ambiente onde a maior parte dos ingressantes migra para laboratórios, acaba não existindo uma festa conjunta. O que já causa uma desagregação a partir do começo do curso.
Nós, da representação discente, vamos tentar fazer algo para mudar isso. Estamos anunciando os eventos para tentar aumentar a integração dos alunos. E vamos organizar um churrasco para que todos possam se encontrar fora do ambiente de trabalho. Estamos tentando criar um ambiente mais próximo daquele da graduação, e com isso aumentar a integração dos grupos.
Isso parece mais bobagem do que algo que realmente pode aumentar a produtividade e capacidade. Mas empresas que necessitam de criatividade e desenvolvimento fazem coisas parecidas. Facebook, Google e LinkedIn, entre outras, focam na integração e no relaxamento dos seus funcionários para que eles possam colocar o maior esforço e capacidade criativa quando necessário.
Espero que esse ano consigamos melhorar a integração e a situação dos alunos aqui da pós para a gente trabalhar e estudar melhor.
Bruno Queliconi é doutorando no Instituto de Química da USP
Uma característica interessante da ciência é o fato de que embora seja feita no mundo inteiro é muito comum você conhecer boa parte das pessoas que trabalham na sua área. E isso leva a situações de amizade e reconhecimento, assim como de disputas e inimizades. Com o tempo essas relações originaram “famílias” de pesquisadores. Nessa lógica, vários pesquisadores se acostumaram a desenhar árvores genealógicas, em que seus filhos são os estudantes que passaram por sua orientação, na iniciação científica, no mestrado, no doutorado ou no pós-doutorado. Acima de você estariam os seus ex-orientadores e aqueles que os orientaram representam seus pais e seus avôs.
Dia desses percebi que em muitos blocos aqui do IQ professores montam as sua árvores e as colocam em pôsteres no corredor para mostrar os seus ex-alunos. Pode parecer um pouco de esnobismo, mas eu vejo isso como uma demonstração de carinho e reconhecimento aos seus ex-alunos. O que me deixa com muita vontade de orientar bem os alunos que eu venha a ter, para que eles sempre tenham orgulho de lembrar quem foi o seu orientador.
Eu acho que essas relações são a parte afetiva da ciência, permitindo um relaxamento das necessidades do método científico e faz com que dentro dos laboratórios possamos trabalhar em conjunto, nos ajudando e prezando pelo seu “irmão”. Nos bons laboratórios os alunos têm orgulho do seu orientador e dos seus colegas, tornando o ambiente confortável e extremamente convidativo para se trabalhar!
Como vocês já devem ter percebido, eu sou encantado pela ciência e pelo mundo científico, mas não pensem que exagero nas descrições e colocações. Existem laboratórios que não correspondem a essa descrição, mas se se depararem com um desses fujam! Alguns desses podem até publicar bem, mas não te mostraram a essência colaborativa e genial da ciência que é você reconhecer o próximo e trabalhar com ele.
Por isso, hoje deixo uma dica para os futuros pós-graduandos: procurem saber o clima do laboratório antes de entrar nele. Se o clima de competição for muito acirrado entre os alunos, posso assegurar que você poderá achar um lugar melhor para passar os seus anos de mestrado ou doutorado. Procure a família certa para se juntar, pois assim como uma família de verdade o laboratório em que você se formar terá grande importância para o seu currículo e sua percepção da comunidade científica.
Bruno Queliconi é doutorando no Instituto de Química da USP
Passei a segunda-feira no consulado americano para tirar o visto de estudante. Parte da entrevista foi feita em inglês, o que me lembrou da importância desse idioma na pós-graduação.
Originalmente, a língua oficial da ciência no mundo era o alemão. As revistas dos naturalistas e dos químicos eram todas publicadas na Alemanha. Com o tempo, o inglês tomou esse posto, e o mantém até hoje.
Sem inglês, a sua capacidade de interagir com o mundo científico se torna limitada. Todas as grandes revistas são em inglês, todos os grandes congressos têm como língua oficial o inglês (inclusive muitos nacionais). Resumindo, você só alcança o mundo se for em inglês, seu trabalho só será lido se for em inglês, você só será ouvido se for em inglês.
Algumas pessoas defendem que devemos publicar em português e que nossos congressos devem ser em português também. Eu concordo que é importante prezar pela cultura nacional, além do nosso idioma ser muito bonito e, por isso, não deve ser esquecido. Mas ciência não é feita só no Brasil. Ciência só se torna importante se todos souberem dos seus trabalhos. A ciência só evolui porque ela é feita em conjunto e temos o mundo todo participando nos trabalhos
A ciência só é tão interessante e cativante porque você compartilha as novidades com os outros cientistas e eles fazem o mesmo. A ciência só é linda porque você está sempre vendo o limiar do conhecimento e tudo isso só pode ser feito se falarmos o mesmo idioma!
Por isso se você, caro leitor, gosta de ciência e pensa em pós-graduação, lembre-se: dominar inglês faz diferença!
Bruno Queliconi é doutorando no Instituto de Química da USP
Repetir um experimento já feito anteriormente é muito comum no meu trabalho. Permite que você demonstre que tudo funciona como deveria e serve como teste para provar que o outro está certo. Mas isso não é fácil como parece.
Nas últimas semanas tentei, sem sucesso, reproduzir um experimento, mas só obtive respostas absurdas, o que é frustrante depois de tanto trabalho. Poderia colocar a culpa na empresa que fez o equipamento ou na pessoa que descreveu a técnica com poucos detalhes, mas vamos olhar para o verdadeiro culpado: a modernidade!
Os trabalhos publicados no século passado (até a década de 70) apresentavam uma descrição minuciosa do que deveria ser feito. Hoje, as revistas científicas limitam o espaço para essa descrição ao mínimo possível e exigem que os autores sejam breves na descrição da metodologia.
Isso impede que se repita o experimento com exatidão. Assim, algo que levaria dias pode levar semanas para funcionar da maneira correta. É uma das situações mais chatas que ocorrem no dia a dia de um laboratório. Mas depois dos meses para tudo funcionar, podemos nos deliciar com os resultados que obtivemos com a técnica que suamos para dominar, e acho que esse prazer é uma das maiores endorfinas que temos na pós-graduação!
Bruno Queliconi é doutorando no Instituto de Química da USP
Olá a todos,
Sou o Bruno Queliconi, alunos de doutorado no departamento de Bioquímica do Instituto de Química da USP. Gosto de ciência desde criança, mas isso só ficou claro para mim após a coordenadora da escola onde fiz o ensino médio comentar, certa vez: “Nossa, impressionante como seus olhos brilham ao falar de biologia!”. Essa simples frase me fez perceber o quanto eu gostava de biologia e principalmente de descobrir coisas novas e fazer perguntas sem respostas!
Essa sensação se reforçou após eu participar da Olimpíada Brasileira de Química, que me deixou determinado a trabalhar nas duas áreas. Depois de uma certa indecisão sobre qual carreira seguir, prestei vestibular para Biologia na Fuvest já decidido em ser cientista e professor universitário (eu gosto tanto de dar aulas sobre temas desafiadores quanto de estudá-los).
Já no primeiro ano da faculdade, assuntos como longevidade e morte celular me despertavam um enorme interesse, o que me levou a um tema obscuro para muitos – radicais livres. Entrei pelo programa de iniciação científica no laboratório da professora Alicia Kowaltowski e gostei tanto dos radicais livres que os pesquiso até hoje, depois de seis anos.
Depois da graduação, continuei meus estudos na pós. Estou envolvido com uma série de novos e excitantes projetos, que me levaram a trabalhar com diversas pessoas e entrar na representação discente da pós-graduação na USP. Espero que meus esforços me levem a conseguir ser um bom professor universitário e um grande pesquisador!
Aqui no Rotina de Estudante, vou contar um pouco do meu dia a dia e falar das preocupações de um pós-graduando em Ciências Biológicas. Vou tentar mostrar os prazeres e os infortúnios que existem na pesquisa e na pós-graduação, no Brasil e no mundo.
Bruno Queliconi é doutorando no Instituto de Química da USP
Segundo Aristóteles, tudo tem um telos, que pode ser considerado como um objetivo interno que se quer atingir. Creio que qualquer criatura nesse mundo tem um telos: um abacateiro tem um telos, abelhas tem e até a seleção do Dunga teve! O ponto vital dessa teoria de Aristóteles é que o telos da humanidade é a FELICIDADE. Ah, aqui entre nós… dá pra negar que as pessoas estão eternamente em busca da felicidade?!
Não, você não errou o link! Aqui não é o blog de auto-ajuda e também não lerei o seu horóscopo de hoje! Toda essa filosofia de boteco é parte integrante dos meus pensamentos durante uma conversa que tive com outros pós-graduandos. Nossa! Quanta INSATISFAÇÃO! Ok, todos sabemos que a vida de estudante não é um mar de rosas, mas se a pós–graduação representa: dor, cansaço, vergonha, atraso entre outras reclamações, o que esse ser humano está fazendo num programa de mestrado ou doutorado? Pisando no próprio telos só pra exercitar?!
Está aí uma coisa que eu não entendo! Existe uma boa explicação para que tantas pessoas se forcem a fazer as coisas? Principalmente estudar, sendo que depois do ensino médio, quase sempre, ninguém mais está puxando seus pés às 6 horas da manhã e dizendo: você está atrasado!
Bem, quando parei de ouvir os lamentos dos meus companheiros (não que tivessem parado de falar, mas minha audição seletiva é capaz de coisas incríveis), passei a buscar internamente explicações razoáveis para o comportamento daqueles adultos. Uns 5 minutos depois, me ocorreu uma piadinha da qual desconheço a autoria:
“A Sra. Malta estava passeando com seus dois netinhos. Uma amiga parou e graciosamente perguntou que idade eles tinham. Ela respondeu:
- O médico tem 5 e o advogado 7.”
Gente, será essa a explicação? É tudo culpa da vovozinha deles?!
Mariana Marques, enfermeira e pós-graduanda da USP
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