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Rotina de Estudante

25.outubro.2011 08:00:52

Vestibular vem aí

Para muitos estudantes ele está logo ali. Chega essa época (outubro, novembro) e o pessoal logo esquece o tão sonhado Porto Seguro pra lembrar que a vida vai se decidir numa prova. O que eu acho estranho é o fato de todos os textos, conversas e notícias sobre esse tema serem tão pessimistas e com a ideia de colocar cada vez mais a responsabilidade do aluno em estar dentro de uma faculdade no ano que vem. Vestibular sempre foi assim, e sempre será: todos falando e cobrando aos alunos e a si mesmos o dever de passar. Não acho que esteja errado, uma vez que sua vida realmente depende dele, mas acho que muitos estudantes já ouviram tanto sobre isso que já estão cansados de saber sobre seus deveres. Então por que não fazer um texto abordando o outro lado da moeda?

Imaginem um jogador de futebol prestes a bater o pênalti final da Copa do Mundo. As chances de acertar um pênalti são grandes, entretanto, quanto mais pressão estiver sobre seus ombros, mais chances você tem de errar, certo? Acho que as pessoas tem que passar a mostrar pra todos os alunos do ensino médio que não passar no vestibular não é coisa de
outro mundo. Claro, passar nele significa algo indescritível. Mas há um outro lado que comumente não é mostrado a estudante nenhum.

Meu ponto é: alunos que entram com 17 anos são felizardos, mas alunos que entram depois tem, de modo geral, uma maior maturidade pra enfrentar a faculdade, além de mais tempo para decidir para que curso deve prestar de fato. Ser precoce torna a formatura precoce. Fazer cursinho significa conhecer gente nova, ter uma outra visão do conteúdo dado e ter tempo para se preparar psicologicamente pra uma nova fase.

Não vou negar que passar direto do colégio não seja bom. Pelo contrário, é o melhor caminho. Entretanto é bom mostrar para os vestibulandos que o mundo não vai acabar se eles não passarem direto, pois eles também terão uma fase de grande importância a seguir. Passar no vestibular requer muito mais que conhecimento: requer também, além de outras
muitas coisas, habilidade para lidar com a pressão, concentração e maturidade, e nem todos estão preparados para todas essas mudanças.

Talvez se parássemos de colocar tanta pressão cada jogador se sentisse muito melhor pra cobrar esse pênalti, não acham?

Wilhelm Kroskinsque é aluno da graduação em Física na USP

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Estou no segundo ano da graduação em Física na USP e, por algum tempo, trabalhei como plantonista em um colégio de excelência em São Paulo. Nessa experiência pude notar muitos aspectos interessantes sobre a vida dos estudantes sob um ponto de vista que jamais tive: o de educador.

Não tive atuação em áreas que fugiam do meu entendimento – apenas lidei com a área de Exatas – mas pude compreender o porquê de muitos estudantes prestarem um vestibular concorrido e não saberem responder a questões triviais sobre os conteúdos exigidos. O fato é que não importa o nível de excelência do colégio (e aqui estou falando de uma unidade de alto nível), o ensino médio deixa a desejar, pois os professores sempre expõem o conteúdo de maneira genérica e com grande apelo ao “decorar”, sem se importar com o que o aluno entendeu daquele assunto.

Esse aspecto é muito claro em nossa sociedade atual. Numa conversa com um amigo, estudante da graduação em Biologia, perguntei para ele como é a vida de um estudante de Biologia, que tem tantos nomes e processos a decorar. Sua resposta foi certeira: “Não há nada para se decorar, isso é papo de colégio. Na graduação, a ideia é entender.”

Mas por que então propor esse método de ensino? Acho que o principal problema chama-se vestibular: um sistema de avaliação arcaico e falho, que prioriza a decoreba, para que o aluno tenha tempo suficiente para entender, e que determina muito mais quem está psicologicamente apto para o exame do que quem está mais apto ao ingresso no ensino superior.

A questão aqui não é propor uma revolução no ensino do Brasil, e sim abrir a cabeça dos estudantes sobre o meio pelo qual eles estão aprendendo. O sistema não mudará. O vestibular continuará existindo. Entretanto, se cada um fizer sua parte e tentar aprender o conteúdo em vez de decorá-lo, todos poderão ter sucesso nas provas e, ainda asim, conviver com o tão temido vestibular de forma mais segura e saudável.

Wilhelm Kroskinsque é aluno da graduação em Física na USP

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