De uns anos para cá, as “marchas” têm se tornado cada vez mais comuns nas grandes cidades brasileiras e o que mais me impressiona é a dimensão que têm tomado. Começaram discretas e, atualmente, é difícil abrir um jornal e não se deparar com alguma delas. No Estadão.edu li uma matéria que me impressionou bastante. Abordava a Marcha da Educação, sob a qual eu sequer tinha ouvido falar.
Convocam todo e qualquer cidadão brasileiro a despertar nossa educação desse “estado de coma” em que se encontra; exigindo, para isso, maior investimento no setor educacional.
Acreditem, ao pesquisar sobre a passeata tive uma nova surpresa. Os estudantes declararam apoiar um projeto de lei sob o qual falei aqui há mais ou menos um mês (filhos de políticos na escola pública).
Estou, agora, mais animado do que inseguro, mais excitado do que ansioso. Faço um apelo a todos cidadãos, que compareçam à marcha. Talvez, nunca na história do Brasil, houve um movimento tão coerente e altruísta.
Diz o site da Marcha: “descartados outros fatores, o brasileiro tem o dever de, em contexto de agitação mundial por melhores condições de vida (vide Espanha, Israel), deixar o papel de espectador para protagonizar o rumo da educação do seu próprio país.” E ainda: “A Marcha da Educação é do estudante, do professor, do faxineiro, do executivo e de todos os que se importam com o futuro do País”.
Dia 27 (sábado), às 13h, no vão livre do Masp, na Avenida Paulista.
Caio Godinho é aluno do Anglo
Há um ano e meio venho me esforçando para alcançar algo que almejo: passar no Largo de São Francisco. O vestibular, para nós, estudantes, é uma realidade. Talvez esse ponto seja a principal razão para que tenhamos uma visão bem limitada do processo. Justamente pelo fato de estarmos “imersos” no vestibular, pouco nos interessamos por ele; queremos apenas virar essa página. Quando superada essa fase da vida, menores ainda são os estímulos para que pensemos no vestibular, afinal, existem outras preocupações, como o mercado de trabalho. E, ao som de música clássica, esse carrossel se perpetua, fazendo com que o vestibular nunca seja colocado contra a parede.
Há umas semanas atrás li um projeto de lei digno de um debate. Não por mérito ou genialidade do autor, mas pelo fato de ser inovador. O deputado Sibá Machado (PT-AC), defende nada mais nada menos que o fim do vestibular como processo seletivo. Confesso que, ao ler pela primeira vez achei bizarro, ainda mais quando descobri que sua idéia era trocá-lo por um sorteio. Mas, aos poucos, pude observar que argumentos contundentes foram utilizados pelo autor. Segundo ele, o
vestibular é um fato episódico, que não avalia o processo de aprendizagem, em compensação, tão somente um acúmulo de conteúdos cognitivos.
Pensei comigo: Sim, o vestibular possui falhas. Mas quais seriam as vantagens do sorteio? Por incrível que pareça, apoiado em Rubem Alves, segundo ele um psicanalista de autoridade incontestável no meio educacional, Sibá argumenta: “O ensino fundamental e o médio, sem a neurose de “prepararem para o vestibular”, ficariam realmente livres para perseguir a alcançar seu verdadeiro objetivo que é a formação humana e o preparo para a cidadania. Além disso, o retorno da classe média às escola públicas contribuiria para a qualidade que hoje lhes falta.”
Ao ler todo o texto fiquei surpreso. Em primeiro lugar, pelo fato de não termos acesso a esse tipo de discussão, em segundo, por ter mudado minha visão sob o projeto abruptamente. Em um primeiro momento o via como piada, porém, após lê-lo, pude notar coerência. Não é meu objetivo defender ou atacar essa tese, afinal, o vestibular é a minha realidade. De qualquer forma, fica a discussão. O vestibular é justo?
Caio Godinho é aluno do Anglo
Que vivemos em um país marcado por disparidades, não há dúvidas. Pode ser pretensão minha, mas às vezes tento desvendar por que e como chegamos a esse ponto. Veja bem, ter a pior distribuição de renda do mundo não é para qualquer país!
Por mais básicos que sejam meus conhecimentos em Ciências Humanas, não hesito em dizer que, entre os culpados, destaca-se nosso passado escravocrata. Mais de um século se passou e, ainda hoje, seus frutos (podres, é claro!) se fazem presentes.
Em mais de um ano no Anglo, poucos foram os colegas de classe negros que tive. Grande parte da população negra, infelizmente, não tem acesso a educação de qualidade. Adotando essa triste premissa, o que fazer?
Não sou ingênuo a ponto de acreditar que o sistema de cotas, utilizado em alguns vestibulares, é a solução para nossos problemas, afinal, se assim fosse não estaríamos discutindo esse tema. Trata-se de uma questão bem mais complexa e abrangente que envolve toda a estrutura social vigente em nosso país.
Embora eu admita que o sistema de cotas é falho em diversos aspectos, questionar sua existência contraria o bom senso. Ceder 5% em pontuação no vestibular a um jovem negro que estudou em uma escola pública de Heliópolis parece injusto? Ao meu ver, parece mais injusto dar 15% a um jovem de classe média alta que cursou uma boa escola pública do Centro Paula Souza. O sistema de cotas é uma indenização ínfima quando analisadas as consequências da escravidão, cujo maior expoente é a marginalização socioeconômica da população negra.
Aos que se negam a enxergar tudo isso, recomendo Castro Alves, ex-aluno da SanFran.
“Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro… ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!…
Ó mar, por que não apagas
Co’a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! …”
De fato, não podemos apagar esse borrão de nossa história. Entretanto, fingir que isso não existiu é covardia. Quem cala consente!
Caio Godinho é aluno do Anglo
Haja ansiedade. Finalmente estão abertas as inscrições para o vestibular mais concorrido do País. Agora, na reta final de nosso trabalho, pouco podemos fazer a não ser estudar. A temporada de exames está próxima e restam apenas dois simulados até o derradeiro dia.
Meus resultados têm sido satisfatórios, no entanto, conheço muito bem a diferença entre o virtual e o real. Lembro-me que no último simulado do ano passado acertei 74 questões, mas na Fuvest real apenas 60. Tendo a experiência a meu lado, espero acertar por volta de 65 questões; mesmo não sendo uma tarefa das mais simples, trabalho todos os dias para isso.
Quanto ao conteúdo, me preocupo mais com as humanidades. Tenho ido maravilhosamente bem em exatas e, além disso, o fantasma da redação tem se mostrado menor.
O fato é que, dada a dificuldade das questões do terceiro dia da 2ª fase, devo me preocupar bastante com História. Alunos de Humanas geralmente menosprezam matérias como História e Geografia, afinal, “na hora eu me viro”. Doce ilusão.
Mais uma semana chega ao fim. Fiquei sabendo que hoje, dia 2, haverá uma espécie de sarau no Centro Cultural São Paulo, um Festival de Poesia que inclui grandes poetas ibero-americanos, como Arnaldo Antunes e António Gomes. Provavelmente vou lá, estão todos convidados. Tenham um ótimo fim de semana.
Caio Godinho é aluno do Anglo
As férias praticamente acabaram. Falta apenas mais um fim de semana para terminar o recesso. Embora tenha estudado pouco durante as férias, não me sinto culpado. No ano passado estudei bastante durante o período de férias e tive como único fruto desse trabalho o cansaço.
Já nas primeiras semanas de novembro estava extremamente estafado. Até fiquei doente às vésperas da Fuvest, o que me impossibilitou de assistir à última revisão. Com receio de arruinar os próximos 5 meses de estudo, decidi sacrificar essas três semanas.
Confesso que não esperava, mas estou extremamente ansioso para a volta às aulas. Nessas semanas, além de me divertir, me preocupei em estabelecer o “know-how” do próximo semestre e cheguei a conclusões interessantes. Decidi, por exemplo, que estudar no Anglo é uma garantia de que nada sairá do controle.
Aos que lembram do último post, li algo interessante durante a semana. No blog de Rodrigo Martins, um rapaz de 21 anos afirma ter passado em primeiro lugar no vestibular com ajuda de redes sociais. Vale a pena dar uma lida!
Caio Godinho é aluno do Anglo
Por estar preocupado com uma série de coisas, apenas agora, nas férias, pude ver de perto o funcionamento das redes sociais mais recentes. Sucesso entre alunos e professores, tais redes são usadas em larga escala, entretanto, existem dissidentes. Achei muito interessante e atraente o modo como as pessoas se relacionam nesses meios, uma ferramenta de tamanho alcance não deve ser simplesmente ignorada pelos vestibulandos.
Essa atitude defensiva de repudiar tudo aquilo que supostamente tira nosso foco, na minha modesta opinião, não deve ser cultivada. O twitter, por exemplo, passou de mero aplicativo a assessor de imprensa em poucos anos. Não pensem que sou um grande defensor das redes sociais, apenas tento não subestimar sua utilidade.
Se por um lado milhões de pessoas dizem ser a favor das redes sociais, de outro, muitos especialistas dizem o contrário. Todos vocês devem conhecer um vídeo no qual Pierluigi Piazzi – professor do curso anglo – afirma que usuários do msn sofrem um rebaixamento de Q.I. duas vezes maior do que se fumassem maconha.
Mesmo relevando a dose de sensacionalismo presente no vídeo, pode-se denotar facilmente o posicionamento do professor quanto às redes sociais. Sei que devemos nos focar, mas acho que se abdicar de tudo e de todos não é o caminho. Até mesmo os mais conservadores podem se surpreender com os artifícios da internet. Pensar que as redes sociais se limitam a perguntar o que você está fazendo agora é ter uma imagem pobre e destorcida da realidade. Com ou sem objetivos, nenhum homem é uma ilha.
Caio Godinho é aluno do Anglo. Excepcionalmente, seu texto sai hoje, segunda-feira, em vez de sexta-feira.
“Um verdadeiro estelionato educacional”. Com essas palavras, o presidente da OAB, Ophir Cavalcante, definiu 81 faculdades de Direito que não aprovaram um candidato sequer no exame da OAB. Ao passar os olhos por essa manchete me senti no dever de comentar tal acontecimento.
Primeiramente, devo deixar claro que tal alcunha não se restringe ao curso de Direito. Imaginem se exames como esse fossem aplicados a todos recém-formandos? Provavelmente, o País que passou de subdesenvolvido à emergente em duas década – risos – passaria por sérios problemas de mão de obra.
Vejo a questão de modo simples: é dever do Estado prover educação de qualidade a todos brasileiros. No entanto, por ser incapaz de realizar tal façanha, o estratégico setor da educação fica nas mãos da iniciativa privada – mania antiga, vide capitanias hereditárias.
Fiscalizar universidades com baixo desempenho no Enade é uma medida correta, no entanto meramente paliativa. Não se trata de uma questão educacional, e sim de consumo. Pessoas que trabalham arduamente para pagar a tão sonhada universidade são literalmente enganadas. Pessoas essas que antes eram discriminadas por não terem curso superior, e hoje, continuam sendo. Com outras palavras: “O Haiti é aqui.O Haiti não é aqui”
Caio Godinho é aluno do Anglo
O noticiário deixa estudantes literalmente de orelha em pé. Isso porque existe a possibilidade de acontecimentos de repercussão global serem utilizados para a formulação de questões do vestibular – o que não é uma novidade. No ano passado, por exemplo, uma das questões da segunda fase da Fuvest se referia ao Haiti, país que foi devastado por terremotos há um ano.
Embora tais assuntos sejam utilizados, tais questões, na realidade, servem apenas de pretexto para que um outro assunto seja abordado, para alívio dos vestibulandos. De qualquer forma, sim, além de estudarmos a matéria propriamente dita, devemos sair de nossa redoma. O vestibular exige, de inúmeras formas, que o aluno esteja conectado com o resto do mundo. Uma boa dica para quem tem pouco tempo é assistir o Jornal da TV Cultura, que conta com sociólogos, filósofos e juristas para a discussão de diversos temas.
A internet também é outra ferramenta que pode complementar os estudos. Sempre que posso navego em busca das principais notícias do dia. Na semana passada, um artigo me chamou atenção. Discutia o Projeto de Lei 408, proposto pelo senador Cristovam Buarque, pelo qual os filhos de agentes públicos eleitos seriam obrigados a estudar em escola pública até 2014.
Segundo o autor, a aceitação do projeto provocaria um maior interesse das autoridades para com a educação pública e, além disso, evitaria a evasão legal de dinheiro deduzido no imposto de renda dos parlamentares. Trata-se de uma questão curiosa e, cá entre nós, daria um belo tema de redação, tendo em vista que um projeto de lei que proibia estrangeirismos na língua já o foi.
Será que, realmente, a aprovação de tal projeto traria benefícios? Não é meu propósito responder a essa pergunta, mas, com certeza, a participação ativa da população em tais questões, seja discutindo ou propondo alterações, seria benéfica.
Caio Godinho é aluno do Anglo
Todos sabemos que ano de cursinho não é fácil. Abrimos mão de uma série de coisas e nos dedicamos integralmente aos estudos, sempre vislumbrando a tão sonhada – e muitas vezes merecida – vaga na universidade. Acontece que, por estarmos imersos nessa nova e desafiante realidade, muitas vezes deixamos de lado pontos importantíssimos de nossas vidas. Talvez, o maior exemplo desse tipo de negligência seja o descaso com que nós, vestibulandos, lidamos com nossa saúde.
Não digo por mim, mas muitos estudantes do Anglo sequer têm contato com o sol ao longo do dia. Passam o dia inteiro em ambientes fechados, batalhando por seus sonhos e respirando aquilo que sai dos “secadores de ar, condicionados”. Para mim, em particular, a maioria dos problemas decorree da estação fria do ano. Sinusite, rinite e todos os “ites” possíveis me atormentam, o que felizmente ou infelizmente faz parte das nossas vidas.
O problema é que o limite entre sacrifício e autoflagelação é tênue demais. Será que dormir quatro horas por noite e se entupir de café até ficar com gastrite caracteriza um sacrifício? Talvez os mais exaltados acreditem que sim, além do mais, esse é o preço a ser pago. Não penso da mesma forma. Esse tipo de atitude só tende a agravar as dificuldades dessa longa jornada. Ter uma boa alimentação e adotar um estilo de vida saudável é indispensável em qualquer tipo de processo seletivo.
Voltando à esfera particular, comecei a fazer academia há quase um mês e já sinto melhoras no meu desempenho físico (no que diz respeito ao ânimo e cansaço). Para aqueles que se sentem estafados demais, a atividade física pode ser uma solução.
Caio Godinho é aluno do Anglo
Acredito que este seja o pior período do ano para um vestibulando. Todo o cansaço do primeiro semestre, que não nos abalava até agora, mostra-se um algoz de nossa empreitada. Se eu, que sempre tive boas horas de lazer me sinto cansado e improdutivo, imagine aqueles que até agora realizaram o percurso com velocidade máxima? Esses problemas comuns em qualquer prova de longa distância afetam todo e qualquer vestibulando, cabe a nós a tarefa de driblar os empecilhos.
Ter um trabalho regular nessa época do ano pode ser o diferencial entre bons estudantes, já que o cansaço acomete á todos. Parece piegas, mas a comparação do vestibular a uma prova de longa distância, como uma maratona, nos ajuda a perceber que a regularidade é crucial. Não devemos ir a ritmo de lesma, pois as dificuldades no fim do percurso serão enormes; mas correr 32km como se fossem 100 m é tão ineficaz quanto se poupar demais.
Deixando de lado as observações frias e criteriosas, o cansaço é um bom sinal. Você deve se perguntar: “Ficar cansado e diminuir o passo em uma prova tão acirrada pode ser vantajoso?”. Diretamente não é, mas só se cansa quem de fato se dedicou e trabalhou por 6 meses. Para se despedir de mais uma sexta-feira deixo aqui alguns versos de uma música do Arnaldo Antunes.
“Um cara que anda tem que chegar em algum lugar.
O cara que trabalha, trabalha, trabalha, deve se cansar.
O cara estuda tanto e ainda tem tanto pra aprender,
Passa o tempo e fica mais fácil esquecer.
Não há o quê lamentar quando chega o fim do dia.”
Caio Godinho é aluno do Anglo
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