Chega ao fim a minha participação no blog Rotina de Estudante. Espero que meus posts tenham aumentado o interesse de vocês na pós-graduação e que eles tenham servido para que vocês entendam melhor como é o dia-a-dia de um aluno na pós-graduação.
Eu ainda tenho alguns anos de doutorado e sempre estou disposto a discutir assuntos relevantes sobre o meu trabalho, sobre a pós-graduação ou sobre os meios como acontecem as coisas. Portanto, se quiserem conversar sobre algo ou tiverem alguma dúvida podem me mandar um email: queliconi[arroba]gmail[ponto]com .
Aos editores do Estadão.edu gostaria de deixar meus agradecimentos pela oportunidade e pelo apoio durante o tempo que estive escrevendo aqui. E em especial ao Felipe Mortara, ao Carlos Lordelo e ao Cedê Silva.
Uma última sugestão a todos que entraram ou entrarão na graduação ou estão nela: Olhem com carinho a pós-graduação. Alguns podem falar mal da experiência, mas esses talvez reclamem de qualquer trabalho. Então considerem fazer uma iniciação científica para sentirem pessoalmente como é, e aí decidam se vale a pena ou não.
E por fim, e mais importante, obrigado a todos os leitores e a todos aqueles que comentaram (espero ter respondido todos os comentários) e novamente ao Estadão pela oportunidade.
Bruno Queliconi é doutorando no Instituto de Química da USP
Quando se manda um trabalho científico para publicação, o editor verifica se ele se encaixa no tema de publicações da revista. Se a resposta for afirmativa, o trabalho vai para a mão de um editor acadêmico – senão, você receberá uma resposta lhe contando que seu trabalho foi recusado, mas que a revista está sempre aberta a futuras contribuições suas (às vezes isso vem junto com sugestões de onde publicar).
Chegando no revisor acadêmico esse escolherá de dois a cinco (normalmente doisou três) revisores. Eles lerão o seu trabalho com cuidado e farão críticas (construtivas ou não), e dirão ao editor acadêmico o que acham sobre a publicação. Os editores acadêmicos e os revisores, em geral, são especialistas na área da publicação ou tem muita afinidade com ela- por isso, serão críticos vorazes.
Entre diversos pontos que os revisores devem ser atentar estão o de verificar se as conclusões do paper são fundamentadas pelos dados apresentados, se as literatura foi citada de maneira correta e justa (e se não faltaram referências importantes), se o texto está escrito corretamente e é compreensível ao público leitor, e, em algumas revistas, se essa descoberta é relevante o suficiente.
Após a leitura do paper, os revisores encaminham para o editor acadêmico um texto falando sobre o que acham que falta ou quais são os problemas. Em geral, aqui aparecem críticas à metodologia, a afirmações incorretas no texto e até pedido de novos experimentos para que esclarecer alguns pontos. Após esse texto, o revisor ainda deve informar ao editor se acha que o paper deve a) ser aceito; b) sofrer revisões pequenas; c) sofrer revisão significativa; d) ser rejeitado.
Se seu artigo não for for rejeitado você tem, em geral, um prazo de três meses para fazer as modificações necessárias e reenviar o paper para a consideração dos revisores. Se for aceito, ou forem pedidas somente revisões menores, em geral o editor já aceita após essas mudanças pequenas, sem reenviar aos revisores.
Em muitas revistas, o necessário para ser um revisor é conhecer um editor – algumas pagam pela revisão, mas a maior parte não. Eu sou revisor da PlosOne, e não recebo nada para tal, mas em compensação você tem o privilégio de ler alguns trabalhos antes de eles serem publicados, e o dever de não deixar trabalhos ruins serem publicados.
Aqui cabe uma ressalva. Muitos revisores, em vez de julgar o trabalho que está lá escrito, obrigma os autores a fazerem praticamente um trabalho novo. Muitos exigem tantos experimentos que muitas vezes consomem os três meses de tempo de revisão e infelizmente nem sempre acrescentam muito ao que já tinha sido escrito. E isso acontece por um infeliz ciclo vicioso: os autores são muito exigidos dos revisores, e quando é a sua vez de ser um revisor ele o faz da mesma maneira, quase como vingança para o que fizeram com ele. O que no fim torna um processo que deveria ser amigável e somente de verificação ou pequenas melhorias um inferno para os autores. Eu evito propagar esse ciclo e faço propaganda entre meus colegas para fazermos o mesmo! Vamos se quebramos esse ciclo.
Bruno Queliconi é doutorando no Instituto de Química da USP
Foram dois anos de cursinho. Um ano de estudo intenso. E uma escolha entre dois cursos totalmente diferentes.
Como já contei, escolhi Filosofia. Descobri que é isso o que quero nesse momento da minha vida. Talvez eu faça Mecatrônica depois; mas isso não é algo com o qual eu me preocupo agora. Ao contrário, estou tranquila e feliz com a minha escolha. Passei na UFABC e na Unicamp. E ficarei na primeira.
Esse é o resultado gratificante de muito estudo e do ato de poupar-me de muitas coisas. Depois de um 2011 cheio de estudo, de pensar muitas vezes em desistir, de extremo cansaço físico e mental e de provas desumanas, fecho o ciclo de vestibulanda para encarar o de universitária!
Aulas mesmo, só em maio! A Federal do ABC tem um calendário diferente, lá é por quadrimestre e os bixos começam apenas no segundo. Estou ansiosa para começar, mas tenho mais dois meses de descanso pela frente!
E aqui também encerro as minhas postagens neste espaço.
Por quase um ano dividi minha rotina com vocês. Espero que esse compartilhamento tenha ajudado outros tantos estudantes. Como dizem “só vestibulando entende vestibulando”.
Aos meus amigos e a todos que também conseguiram uma vaga no ensino superior, meus parabéns! Aproveitem muito; será uma nova fase para nós e tem tudo para ser um período lindo nas nossas vidas.
Aos que não conseguiram, por favor, não desistam. É difícil e cansativo, mas vale a pena.
Aos meus amigos que continuarão na luta, saibam que estarei com vocês; consegui meu objetivo, entretanto não esquecerei dos meus dias de vestibulanda, vocês têm meu apoio. Estarei aqui para o que precisarem!
Ao Estadão.Edu agradeço a oportunidade de utilizar este espaço para compartilhar um pouco da minha rotina de estudante e assim também treinar a escrita.
E aos que me leram, gratidão pelas opiniões, foram realmente importantes! Obrigada por estarem comigo.
Um beijo. Luz e bons ventos.
Luiza Nunes é pré-caloura da UFBAC e estudou no Cursinho da Poli
2012
2011
2010