Rotina…Ando cansada da minha. A velha história de que rotina de vestibulando é sempre a mesma. E é mesmo.
O próprio nome já diz: rotina, segundo o dicionário: “Hábito de fazer uma coisa sempre do mesmo modo, mecanicamente [...]”.
Ando tão enjoada da minha rotina, tão desgastada psicologicamente e com a setembrite tão em alta que quando me perguntam como estão os estudos, apenas digo “indo. Como sempre”. Porque é isso, não dá pra dizer que os estudos estão de outra forma. Continuo seguindo o cronograma que me impus. Todos os dias gasto as mesmas horas no cursinho.
Toda semana acho que deveria ter estudado mais.
Então, os estudos vão indo; como sempre. Dizer o que estou estudando? Ninguém se interessa de fato, senão aqueles que também estão estudando. Arrisco dizer que me perguntar “como estão os estudos?” é parte da rotina das outras pessoas; já o fazem por costume.
Mas não posso simplesmente largar tudo porque me cansei. Obvio que não. Tenho um objetivo, uma meta. E o vestibular logo vem bater na porta. No entanto, o cansaço vai acumulando e chega em um ponto no qual o desgaste é tanto que a concentração vai embora; quando nos damos conta, estamos lendo um mesmo parágrafo cinco vezes para entender o que está escrito; ou lendo tantas vezes quantas forem possíveis para reter informação. Nesses momentos é preciso abandonar o cronograma por pelo menos 15 minutos e se dedicar a fazer nada. Isso mesmo, nada! Sair, respirar. Abstrair.
Não é exagero dizer que as horas seguidas de estudo, a ansiedade, tensão, preocupação, medo, má alimentação e tantos outros problemas e sentimentos/sensações que venham preencher essa lista culminam em um cansaço psicológico extremo.
E então nos aparecem pessoas que perguntam: “Você está cansado de quê? Você só estuda”.
Há muito que se tem essa visão de que estudante não faz nada da vida, se for de cursinho então…Aí que as pessoas acham que são ociosos mesmo. Não é assim. Conheço muito aluno que dorme quatro horas por noite; passa dia e madrugada estudando e conciliam o tempo de estudo com seus trabalhos cotidianos. E há ainda os que, mesmo que tenham boas
horas de sono, estudam suas nove horas por dia.
Analisemos o ultimo caso: (em hipótese) oito horas de sono e mais nove horas de estudo, totalizando dezessete horas; restam sete horas, que são distribuídas entre alimentação, higiene, trabalho diário e, claro, o tempo que gastam para ir de um lugar ao outro; se considerarmos a cidade de São Paulo, onde o trânsito é absurdo e se gasta em média uma hora e meia para chegar ao destino desejado, sete horas parecem suficiente para essas atividades? Creio que não. Então pensemos agora no primeiro caso, onde (novamente em hipótese) os estudantes dormem quatro horas, estudam de treze a quatorze e utilizam as mesmas sete (ou seis) horas para todo o restante necessário. Parece cansativo, não?
Como costumam dizer os vestibulandos: dormir para quê? Se não fazemos nada da vida durante o dia, é preciso aproveitar a noite para fazer alguma coisa. E essa coisa é justamente adquirir conhecimento.
De fato, a vida de estudante é fácil. Não temos mesmo do que reclamar!
***
Não desmereço a rotina de qualquer outra pessoa, que fique bem claro. Há tantos trabalhadores que também mal dormem. Escravos de uma rotina tão pior.
Apenas creio que se deve quebrar o mito de que estudante é um ser vadio.
Luiza Nunes é aluna do Cursinho da Poli
Apesar de gostar muito de quadros, eu tinha dificuldade em diferenciar um quadro de um grande pintor do de um pintor mediano. As minhas experiências se resumiam basicamente ao que eu conseguia ver em Sao Paulo: Masp, Pinacoteca, MuBE e às vezes algo na exposição na Oca do parque do Ibirapuera. Fora esses, eu tinha visitados os museus do grupo Smithsonian quando fui em um congresso em Washingon, DC.
No fim do ano passado, eu fiz um mochilão pela Europa e visitei os principais museus de várias cidades: Paris, Berlim, Londres, Roma e Munique. Vi uma enorme variedade de quadros e esculturas, além de artefatos de momentos históricos, como as grandes guerras, o nazismo, e as civilizações da antiguidade. Nesta semana, tirei uns quatro dias de férias e fui para Nova York. A viagem demora umas 6 horas de trem ou carro a partir de Rochester, onde estou.
Entre outro lugares que visitei, um dos mais impressionantes fui o Metropolitan Museum of Art. Nesse museu eu fiquei muito feliz em parar em uma sala e reparar que os quadros de minha preferência eram os mais famosos. E conheci ao vivo algumas estátuas clássicas que fazem parte da historia das civilizações da antiguidade.
Esses dois acontecimentos me fizeram pensar que algumas dessas coisas eu já tinha visto na escola, mas o momento quando realmente as gravei foi quando as vi. Isso melembrou que todos esses grandes museus que visitei sempre tinham entre seus visitantes escolas, pais com filhos, e adolescentes sozinhos fazendo tarefas para escola.
A exposição contínua a esses elementos de história e arte me levaram a compreender melhor um mundo que sempre gostei muito, mas parei de estudar quando passei no vestibular. E aqui acho que valem algumas uma sugestões aos vestibulandos, e estudantes: vão estudar a história do Brasil no Museu do Ipiranga, a evolução da arte e da ciência nos quadros do Masp e da Pinacoteca, exijam das suas escolas essa oportunidade, que ajudará muito na compreensão de valores e culturas.
Escolas, não percam a oportunidade de ajudar os museus e suas crianças, e museus, mostrem para as pessoas que vocês existem.
Bruno Queliconi é doutorando no Instituto de Química da USP
Se agosto demorou a passar, setembro está sendo exatamente o contrário. Mal começou e já tem os seus dias contados.
Talvez tenha me parecido passar mais rápido porque nesse mês os estudos têm me prendido mais. Aulas extras (as tais Rodas de Leitura) e algumas horas a mais de aprendizado e analise dos conteúdos.
Os ares do cursinho são de “setembrite”, o que chamamos de doença dos vestibulandos.
Alguns preocupados com as datas, correndo contra o tempo e estudando cada vez mais (em alguns casos tão excessivamente mais); outros preocupados com o fato de não conseguirem estudar tudo o que deveriam. Há um clima verdadeiro de tensão pelos corredores e salas de aula.
Felizmente eu tenho conseguido estudar bem, embora não o quanto eu ache suficiente, e estou conseguindo entender quase todas as matérias. História e biologia enfim caíram nas minhas graças, provavelmente por terem chegado em pontos da matéria dos quais eu gosto. Física tem me apresentado menos dificuldade, pelo mesmo motivo das outras disciplinas.
E gramática tem sido uma delícia de estudar; tem acontecido algo inusitado e engraçado: em meio à aula, estudando orações e seus tipos, quando dou por mim já estou fazendo versos com a definição das orações. Poetizando a matéria consigo fixar o aprendizado de uma forma natural e, até mesmo, bonita. Além, é claro, de treinar a escrita. Quem diria
que isso seria possível? Bom seria se o mesmo acontecesse com química e as fórmulas matemáticas…
Dedicação é a palavra do momento. Como dizem os professores, agora é a hora de se dedicar mais. No entanto, nada de tentar entender o que foi passado no começo do ano, mas sim aprender o que é ensinado agora. O que passou fica para as aulas de revisão (últimas do curso); toda aula dada (agora mais do que antes) deve resultar em conhecimento adquirido.
Luiza Nunes é aluna do Cursinho da Poli
E minha estada na Universidade de Rochester começa a se aproximar do fim. Esta provavelmente será a minha última semana de experimentos, e na semana que vem o único compromisso acadêmico é um seminário.
Acho que um dos momentos mais prazerosos de se fazer ciência é quando se chega próximo a ou consegue se completar uma história. Ver os dados todos junto provando a sua hipótese é revigorante. Após um bom tempo trabalhando para tentar fechar a história, conseguir conceber um fim é muito bom.
Ao tentar responder a uma pergunta, você percebe que várias outras se abrem: o seu achado solidificará uma parte do conhecimento e permitirá que você ou outros usem-o como um bloco para responder a novas perguntas. E assim que você solidifica um bloco vem a próxima pergunta, e entre tantas possíveis de serem respondidas, qual trará mais benefício para você e para a ciência ?
Essa resposta provavelmente te levará à sua próxima hipótese na qual você trabalhará, e assim por diante. Até que o campo onde você trabalha fique sem novas perguntas. E apesar de isso ser um objetivo, eu não vejo ele se realizando em nenhum futuro próximo, a curiosidade e humana e a complexidade do sistemas são tão grandes que me parece que sempre haverão perguntas.
Bruno Queliconi é doutorando no Instituto de Química da USP
No domingo eu fui para a Roda de Leitura, um ciclo de palestras sobre os livros obrigatórios da Fuvest. O evento, promovido pelo cursinho, começou às 9h e só terminou às 18h50. Cinco obras foram analisadas: Vidas secas, Auto da barca do inferno, O cortiço, A cidade e as serras e Antologia poética.
Para cada livro foram utilizadas cerca de duas horas. Gostei muito das palestras. Foi importante para quem, assim como eu, já havia lido os livros. Pude compreender melhor as obras, bem como o contexto histórico em que se inserem.
Para quem ainda não havia lido, garanto que também valeu a pena. Ao menos já terão alguma noção do que vão encontrar, além de possuir recursos extras para a leitura.
Pequenas porém valiosíssimas dicas foram dadas pelos professores. Coisas que só percebemos depois de uma leitura e análise mais crítica.
Neste domingo haverá mais um dia da Roda de Leitura, desta vez para falar sobre Dom Casmurro, Capitães da areia, Iracema e Memórias de um sargento de milícias. Estou ansiosa por essa segunda parte! Dom Casmurro e Capitães da areia são dois livros que gosto muito. Além, é claro, do primeiro ser muito polêmico e gerar boas discussões (Capitu traiu Bentinho? Nunca saberemos.).
Dois domingos de muito aprendizado e preparação. É importante prestar bastante atenção e anotar tudo o que parecer relevante. São informações preciosas!
Há também livros que mostram um exame das obras literárias. No cursinho mesmo recebemos um. É um material bem interessante.
De resto, é continuar acompanhando as aulas de literatura, que além de complementar as análises, falarão sobre diversas outras obras, autores e contextos históricos não menos importantes para o vestibular.
Luiza Nunes é aluna do Cursinho da Poli
Em qualquer profissão, para você se tornar importante e conseguir um emprego, as pessoas e as empresas precisam conhecer você. Aí entramos na política. Em todos os campos precisamos fazer política, e isso inclui a ciência. No Brasil, temos uma má imagem da palavra “política” porque ela está usualmente ligada à corrupção, mas na essência não deveria ser assim. Deveríamos relacionar essa palavra à administração e à organização de pessoas (e suas relações) e do Estado.
Nesta semana vou visitar um laboratório na Universidade de Stanford. Serão 6 horas de avião a partir de Rochester até São Francisco, e depois mais um pouco até Palo Alto, onde está a universidade (e o Google também!). Lá irei conhecer o laboratório da professora Daria Mochly-Rosen. Vou mostrar o meu trabalho e conhecer o deles.
Isso pode me dar um futuro emprego. Se eu convencê-la de que sou bom o suficiente, posso tentar desenvolver um projeto no laboratório dela (usando uma bolsa-sanduíche do CNPq, por exemplo). No futuro, posso pedir uma bolsa de pós-doutorado.
Com essas visitas e trabalhos em outros lugares, você cria relações que, no futuro, podem frutificar. Se você não acabar nesse laboratório, o pesquisador pode te ajudar com uma carta de recomendação ou te apresentando para outro laboratório com o qual ele tem contato. Então, apesar das 6 horas de viagem, vale a pena visitar um outro bom laboratório.
Bruno Queliconi é doutorando no Instituto de Química da USP
Essa quantidade de cursinhos às vezes me espanta. O número de anúncios e propagandas cresce na mesma proporção em que eles são procurados por estudantes desesperados com os vestibulares da vida.
Não critico a indústria por trás disso, não teria respaudo para tanto. Acho normal, inclusive, existir um mecanismo de preparação para provas que envolvem classificação para qualquer coisa. O que desperta minha preocupacão é o motivo dessa demanda. A escola não está conseguindo formar um jovem como deveria, pelo menos na questão intelectual.
Não é um problema fácil de ser resolvido, porque envolve várias questões. Professores recebendo salários que não acompanham a responsabilidade de suas funções e sem protestos aceitos. Colégios sem estrutura física para oferecer a educacão em tempo integral. Pais sem interesse na vida escolar de seus filhos.
Solucões são possíveis, mas requerem certo tempo. Enquanto isso, estudantes pobres e sem condicões de buscar tais cursos seguem levando certa desvantagem para ingressar na vida profissional.
Esté foi um desabafo de quem sentiu na pele as dificuldades de estudar a vida inteira no ensino público (apesar do convênio com a rede Marista) e teme pelos sonhos de tantos jovens brasileiros.
Ederson Oliveira é vestibulando e fez curso técnico em Enfermagem
Sabemos há muito que a educação brasileira é precária. Ainda mais a pública. E isso é consequência de uma série de fatores. O sistema educacional brasileiro é falho, e os projetos criados para tentar superar as falhas também são ineficazes.
A formação e a preparação de professores não são eficientes, e muitos chegam à sala de aula sem o suporte necessário. Para completar o ciclo, aquela educação que vem de casa também não é executada como deveria. Os pais não entendem que a educação é, acima de tudo, um processo que deve ser iniciado dentro do lar, junto à família e continuado ao lado do sistema escolar. O resultado é que muitos alunos terminam o colegial com uma grande deficiência em múltiplas áreas do ensino.
É realmente absurdo um aluno terminar o ensino médio mal sabendo escrever e ler um texto. E quando digo ler, me refiro ao sentido não só de juntar as letras, mas de entender o que é dito, de conseguir interpretar. Muitos alunos não se interessam pelos estudos, mas as políticas públicas também não incentivam. Os pais jogam a culpa nos professores, e os professores passam o abacaxi para o governo, que por sua vez devolve a culpa aos dois primeiros. E nada se resolve.
Além dos problemas já citados, há ainda o conflito interno, por assim dizer. Os professores são tratados com muito descaso pelo governo. As condições de trabalho (salário, espaço, material, entre outros) são inaceitáveis. Não há como cobrar um bom serviço de um profissional oferecendo a ele uma base frágil.
Claro que existem pessoas engajadas em projetos que visam a melhoria educacional, pessoas que lutam e fazem mudanças. Há pequenos avanços ocorrendo. Mas para dizer que o ensino brasileiro é de qualidade, ainda falta um longo caminho.
Luiza Nunes é aluna do Cursinho da Poli
Sim, aqui nos EUA as aulas começam em agosto ou setembro. A semana passada foi a semana dos bichos. Os calouros conheceram a universidade, o câmpus e os dormitórios. Também fizeram trabalhos comunitários e tiveram festas de recepção das fraternidades e das ligas esportivas.
Sempre achei que seria muito diferente do que ocorre na USP, mas a recepção dos alunos é bem similar. O DCE-USP tem feito um bom trabalho trazendo os alunos para fazer trabalhos sociais e integrá-los melhor à comunidade onde a universidade se encontra.
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Mas uma coisa que vejo aqui e pouco na USP: a universidade tenta se esforçar para se integrar à sociedade. A Universidade de Rochester se separa de um bairro meio pobre pelo principal rio de Rochester, o Genese River. Nos últimos anos a reitoria construiu um ponte de pedestres integrando o câmpus ao bairro e a um um conjunto de dormitório para estudantes.
Isso está criando mais repúblicas do outro lado do rio, e melhorando muito a vida dos moradores aos revitalizar e melhorar as interações na vizinhança. Agora a universidade está adaptando uma casa (a umas duas quadras da ponte para o câmpus) bem perto de onde estou vivendo, e toda a vizinhança ajuda em parte na construção ou com ideias. Acho isso um ótimo exemplo. Para a universidade é bom que os seus arredores sejam bons, e para a vizinhança é bom que haja investimentos.
Na USP, a vizinhança se resume a um bairro de classe média baixa (similar a esse onde estou) e uma favela, a São Remo. Agora a universidade sofre pela falta de espaço para construir moradias e prédios, usar os arredores e conversar com as pessoas da região para fazer uma colaboração que talvez traga benefícios para todos. Sei que será mais difícil principalmente pelo fato de a USP estar localizada em uma região com uma densidade populacional bem maior, mas eu gostaria de ver um esforço nesse sentido na USP também.
Bruno Queliconi é doutorando no Instituto de Química da USP
Setembro chegou, trazendo ansiedade enorme para os vestibulandos. Falta um mês para o Enem e dois para a Fuvest.
Minha inscrição na Fuvest está garantida. Infelizmente, durante a inscrição não se pode optar por duas carreiras, então apostei mesmo em Filosofia na USP.
Quando estamos preenchendo o formulário e escolhemos o curso, logo se abre uma nova janela com dizeres que têm como objetivo certificar que o curso marcado é o que de fato queremos. Sei que isso é um processo para evitar erros na inscrição. No entanto, confusa como estou com os cursos que desejo fazer, ter que ler essa pergunta é um tormento.
Acho que, para todos os vestibulandos na mesma situação, a nova guia que se abre parece mais um questionamento, feito em letras enormes, sobre a nossa escolha (o que nos deixa ainda mais apavorados).
A esta altura do campeonato, já estamos enlouquecendo. São muitos sentimentos: ansiedade, medo, preocupação, receio. Saber que um ano será resumido em alguns dias de provas é realmente assustador. Por outro lado, queremos mesmo que cheguem (e passem) os vestibulares. Tirar esse peso das costas.
O jeito é continuar estudando, para daqui a um mês darmos o nosso melhor e sairmos da prova com a consciência tranquila.
Só não nos peçam calma, porque neste momento é impossível!
Luiza Nunes é aluna do Cursinho da Poli
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