Finalmente a cor do medo deixa de fazer parte do bronzeado carioca. Banho de mar, ir para escola caminhando, manter a malandragem só no figurino das escolas de samba, subidas e descidas do morro, agora, tá tudo liberado!
Definitivamente, a atuação das forças armadas e das polícias brasileiras merece nosso louvor. No entanto, em meio ao êxtase vivido por mim diante das cenas e das publicações que anunciavam a tomada das comunidades do morro pelo Estado, pensei que há 25 anos venho sendo impregnada pela visão de que o Rio de Janeiro é um território de traficantes que desenvolvem suas atividades livremente. Sendo assim, passei a tê-la como uma verdade imutável e quase parte integrante da rotina da cidade maravilhosa. Agora, isso mudou! Mas, se isso era possível… qual é a justificativa para tanta demora?
Existem teorias que dizem que esse tesouro estava guardado nos campos de futebol. Afinal, como a cidade sede de uma Copa do Mundo explicaria cadeiras numeradas ocupadas por traficantes armados? Ingressos comprados com o fruto de um sequestrozinho em Ipanema ou um arrastão de pequeno porte em Copacabana?
Bem, de qualquer forma, sempre é tempo sair da zona de rebaixamento e ganhar o campeonato, e, cá entre nós, o Estado bateu um bolão no Rio de Janeiro nessa última semana. Comeeeeça o segundo tempo!
Mariana é enfermeira e pós-graduanda da USP
De fisioterapia para jornalismo. E antes disso era enfermagem. Como é difícil escolher uma carreira! Quando estava no 6º ano tinha colocado na cabeça que faria enfermagem, só pensava nisso e dizia que era isso que faria, ponto final. Chegou o último colegial, e um belo dia pensei: e fisioterapia? Confesso que também pensei em radiologia e recursos humanos. Só que fisioterapia havia ganhado aquele round.
Passei na faculdade, não passei? Pois bem, agora mudo novamente de ideia para o meu futuro: jornalismo. Nessas horas eu penso: ainda bem que não prestarei Fuvest este ano. Mas isso é normal, muita gente na véspera do vestibular ainda tem dúvidas, é perfeitamente natural termos dúvidas e não devemos desmerecê-las por isso.
Quem nunca teve dilemas? Creio que todos devem ter passado por algo assim.
É aquela velha história do menino que queria ser médico durante a infância, e depois acabou se formando em literatura. As coisas mudam, sempre mudam e sempre mudarão, ainda mais no que depender nas pessoas. É isso que torna a coisa divertida, sabe? Você não esta preso a nada, tome consciência disso, ninguém pode te obrigar a seguir uma carreira que não lhe agrade. Tente, tente quantas vezes quiser quantos cursos vierem na telha, cedo ou tarde vai acabar achando algo com o qual se identifique.
Hoje temos uma vantagem que nossos pais não tinham, existe toda uma variedade sem tamanho em carreiras além daquelas tradicionais que muitas pessoas acreditam cegamente serem as únicas e melhores. Há de tudo, é só passar uma hora na frente de um computador, ou até mesmo olhando folhetos de universidades, que poderá encontrar coisas das quais nunca sequer havia pensado existir. Não é fantástico? Você não precisa atravessar o oceano para fazer algo diferente com sua vida, tudo que precisa fazer é abrir os olhos e ver as milhares de possibilidades que estão à sua frente.
Nunca pensei que o meu vício pela escrita e literatura me prejudicaria no vestibular. Foi isso o que aconteceu no último domingo, enquanto eu prestava Unicamp. Comecei pelas redações. O primeiro e o segundo texto escrevi em menos de duas horas. Já no terceiro, aquele que propõe um artigo jornalístico opinativo, com base numa crônica de Carlos Drummond de Andrade, gastei um bom tempo. E bota “bom” nisso.
Me envolvi com a temática das catástrofes naturais e do meio urbano. Era bem a cara do Drummond. A sua estátua, localizada em um banco na praia de Copacabana, está voltada para a rua, e não para a praia. Tudo isso me fez lembrar de versos e mais versos do poeta, e aquilo estava resultando numa boa redação.
Quando eu estava terminando o texto, a f iscal disse que faltava menos de uma hora para a prova acabar. Já era, pensei. Vou ter que largar a minha redação e responder as questões. Mas não fiz isso. Drummondianamente, preferi a “luta vã com as palavras”. Se eu não passar no vestibular, a culpa é do Drummond.
Domingo que vem é a vez da temida Fuvest. Noventa questões alternativas, nada que exija um esforço, digamos, “literário”. Isto é, sem redações. Ou melhor: sem Drummond.
Bianca estuda por conta própria para entrar em Letras
À essa época, no ano passado, eu vivia os momentos de tensão e expectativa que mercavam os dias que antecediam o vestibular da Fuvest. Pesadelos com a Mata Atlântica, insônia, revisão intensiva e a tentativa de preparar os outros para o pior, com frases do tipo “se não der, ano que vem eu tento de novo” fizeram parte desse momento que parecia que ficava mais angustiante, quanto maior era o meu desejo de entrar na USP.
Agora, exatamente um ano depois dessa odisseia desvairada, eu não vejo a hora de sair da USP… (de férias, é claro). Se na semana da Fuvest eu vivia uma odisseia, agora estou dentro de um poema épico maior ainda. Tenho que conseguir a proeza, em menos de duas semanas, de apresentar três seminários, elaborar dois artigos (um deles, interativo), fazer provas, criar um programa de TV, uma matéria de economia com entrevistas e trabalhar na rediagramação e no design de uma matéria com 10 páginas de uma revista – só faltaria também fazer a flecha atravessar todos os buracos.
Diferentemente do novembro passado, eu poderia dizer que o atual cansaço, em razão de todas essas tarefas, é bastante gratificante (se é que poderia existir algum “cansaço gratificante”), pois é possível, atrás de todo o trabalho, ver a sua própria marca no resultado final. Na Fuvest, a maioria das questões era meramente a devolução daquilo que se tinha aprendido ao longo do colegial, a partir de agora, além da devolução é necessário imprimir muito daquilo que repercutiu em si mesmo no próprio trabalho, por isso, o caráter gratificante.
Enfim, encontrei esse espaço para escrever esse texto no meio de uma pesquisa sobre os mineiros do Chile e a retirada das tropas do Afeganistão, porque julguei que tal contagem repressiva (isso mesmo, eu escrevi contagem “repressiva”) está presente não só na minha vida, mas também na dos vestibulandos, das donas de casa, dos jornalistas do Estadão, dos economistas, dos pedreiros, dos executivos, dos lixeiros e da família. Tomara que o cansaço de todos possa ser gratificante, afinal a vida é uma odisseia.
Na longa jornada que separa a minha casa do hospital – não raramente sinto que fazer o caminho de Santiago de Compostela de cócoras leva menos tempo – resolvi deixar de ser egoísta, me desfazer da capa de DJ ( do meu carro) e dar uma escutada no que estava acontecendo nas rádios de São Paulo. A primeira frase do locutor foi : “ Ouça agora mais uma dica de saúde com nossa especialista no assunto”. Curiosa que sou, aumentei o volume e agucei o sentido, para ouvir esta pérola de nossa especialista:
“Bom dia pessoal. Hoje vamos responder mais uma perguntinha sobre SA- Ú – DÊ! A pergunta do nosso ouvinte Marcelo é : Durante a prática da natação é necessário beber água? Marcelo, durante a prática de qualquer atividade física, o consumo de líquidos é muito importante, inclusive na natação. Mesmo estando dentro da água, nós perdemos líquidos! Acredite! Mas, ainda é bem importante lembrar que não se deve consumir a água da piscina ou do mar, essa água contém substâncias que podem ser prejudiciais à saúde e não contribuir na hidratação de seu corpo. Bom, por hoje é só!Aproveitem o dia com SA – Ú – DÊ!!”
Duro de acreditar, não é mesmo? Como a nossa querida especialista nos presenteia com uma dica dessas e perde a oportunidade de avisar que não se deve fazer xixi na piscina, pois fica azul!
E nesse dia tive mais uma importante lição sobre como o QI (Quem Indica) pode promover uma personal trainer com voz Disney a especialista em saúde.
Mariana é enfermeira e pós-graduanda da USP
Pensei que me livraria do Enem depois que a liminar da pomposa senhora juíza foi gloriosamente derrubada. Que piada, porque me livraria? A sombra dessa prova estará para sempre em meu passado, quando me lembrarei de ter jogado 10 horas numa prova mal estruturada, uma ofensa para com os estudantes.
Penso eu que nosso ilustre ministro vive em algum tipo de realidade alternativa. Viram a nova que é velha? “Enem mais de uma vez por ano”. Não conseguem fazer dar certo sequer uma vez, imaginem que tipo de experiencia degradante os estudantes (ou, como o governo nos vê, as cobaias) terão de passar?
Chega de Enem!
É chegada a temporada dos vestibulares. Depois de tantas horas de estudo por dia agora chegou a hora de enfrentar o verdadeiro desafio para muitos brasileiros: cursar o ensino superior!
Boa sorte para todos! Não desistam agora, ainda temos muito chão pela frente e a batalha ainda não foi vencida. Mas lembrem-se: podem perder uma batalha, mas o que importa é vencer a guerra. Meu próximo vestibular é dia 27, próximo sábado, para cursar jornalismo na UniRadial. No fim, outra paixão aflorou e tomou o lugar da fisioterapia, vamos ver no que vai dar!
Sabrina está no 3º ano do ensino médio da escola Waldorf Micael
A polêmica do Enem ainda está rendendo assunto. Já culparam o ministro, a gráfica e até o twitter. Inúmeros protestos ocorreram em vários Estados do país, tendo, em sua militância, estudantes de escolas de ‘elite’. Pelo que percebi, a maioria dos ‘enemganados’ pertencem a uma parcela ínfima da sociedade que tem o ‘privilégio’ de não depender do ensino público. Uma minoria que, convenhamos, não tem muito motivo para se revoltar.
Falo isso porque a maioria – a ‘não-elite’ – tem muito mais motivo para protesto. O problema da educação não está concentrada em erros de impressão da prova do Enem. Está, principalmente, na passividade pela qual a maioria se comporta perante ao descaso. E essa fal ta de mobilização afeta todos os outros setores.
Por isso, sou a favor de protestos mais sólidos. Por que não se mobilizar pela educação assim como protestamos a favor do Ficha Limpa? Nossa geração é mais do que privilegiada quando o assunto é liberdade de expressão. Passou da hora de usar essas ferramentas a favor de uma educação de qualidade.
Bianca estuda por conta própria para entrar em Letras
Para a alegria de Steve Jobs, os iPads estão chegando (oficialmente) ao mercado brasileiro e as empresas concorrentes também estão lançando seus tabletes pra movimentar o comércio daqueles que querem tudo a um toque. No calor dessa novidade, várias pessoas continuam fazendo a mesma pergunta que sempre ressurge quando novas tecnologias vêm à tona: “Qual o futuro do Jornalismo? Agora com o iPad, será que as pessoas ainda irão às bancas para comprar jornais e revistas?” – e geralmente, quem faz essa pergunta nem costuma ir às bancas… Esse tipo de questionamento é muito radical e me faz lembrar aquilo que o escritor Umberto Eco colocou como os “apocalípticos” e os “integrados”.
Ou seja, ou as pessoas leem apenas livros, revistas, jornais impressos e não são, de forma alguma, adeptos da tecnologia ou então, são completamente integrados aos meios digitais e só leem nos computadores, na internet e, mais recentemente, lerão nos iPads também. Porém, muitos esquecem que há a terceira via, a da complementaridade dos meios de comunicação, em que a utilização de uma plataforma (seja ela impressa, virtual, 3D ou qualquer outra) não implica a exclusão ou extinção de outra. Temos que bater palmas todos os dias para a revolução que Gutemberg trouxe ao viabilizar a impressão e assim popularizar o que era monopólio cultural e, com o mesmo entusiasmo, temos que aplaudir Steve Jobs por toda a inovação midiática e interação digital que está trazendo.
Já dizia Shakespeare que “a vida é cheia de som e fúria”, assim, quanto mais os livros e os jornais puderem valer-se dos recursos tecnológicos novos em associação com os antigos para reproduzir com mais intensidade a atmosfera de som e fúria da vida, mais os leitores e espectadores terão a ganhar. Se no futuro os leitores lerão notícias em 240 carecteres ou se ainda existirão jornais impressos com infindáveis colunas, se os leitores vão virar a página da revista de verdade ou de mentira só com um toque, não importa. Tomara que eles façam tudo isso.
Leandro é aluno do 1º ano de Jornalismo da ECA-USP
Fiz Unesp, no domingo passado. Fui bem até. Não deixaram levar o caderno de perguntas. A gente tinha um rascunho de gabarito, mas não consegui passar para o rascunho. O tempo é curto – 4h30 para as 90 questões. Sinto muita falta daquela meia hora a mais da Fuvest. Mas gostei da prova, prioriza bastante Humanas, que é a parte em que vou bem. Acho que deu para passar para a segunda fase de Economia. Ano passado, a nota de corte foi 54. Estou esperando sair a deste ano.
Mas meu estado geral é de cansaço. Estou cansada e nervosa para caramba. Não vejo a hora de passar a Fuvest, para dar uma aliviada. Sexta-feira passada, fui com um amigo para a FEA (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo) para dar uma incentivada. Meu amigo estuda na Poli, então fiquei na biblioteca da Poli estudando e só visitei a FEA. O prédio da FEA é muito lindo, é estruturado. Deu um ânimo para mim…
Cinthia é vestibulanda do Etapa e vai prestar Administração e Economia
Quase não parei neste feriado. Aliás, parei na cama em alguns momentos só. Um plantão atrás do outro, quando eu menos esperava, minha chefe me ligava e me escalava para o seguinte. Será que eu era mesmo tão necessário assim ou que as outras estavam no bem bom curtindo um feriado na Praia Grande?
Hoje já é segunda e meu corpo pede arrego. Não consigo fazer meu trabalho pela metade, acabo me entregando demais, dou atenção (em demasia?) a todos os pacientes e colegas, gosto demais do que eu faço. Mas sinto que preciso de um respiro, para meu corpo se reabastecer de energias, para poder estar 100% ali quando todos precisarem da atenção, que eu tenho enorme prazer de dar quando estou trabalhando.
E começa mais um plantão.
Mariana é enfermeira e pós-graduanda da USP
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