O nome da ex-ministra Matilde Ribeiro figura na lista dos cotados para chefiar a futura Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial, uma das promessas de campanha de Fernando Haddad (PT).
Além de militante histórica dos movimentos negro e feminista, Matilde é filiada ao PT, tem ligações com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e dirigiu durante quase cinco anos a Secretaria Especial de Promoção de Políticas da Igualdade Racial (Seppir). Ela chegou ao ministério em 2003, pelas mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e pediu demissão em 2008.
Saiu em meio a uma série de denúncias sobre gastos considerados excessivos com os cartões de crédito corporativos distribuídos pelo governo federal a funcionários, para despesas emergenciais. Ela reconheceu que agiu de forma errada, seguindo orientação de assessores, e disse que teria corrigido o problema antes, se tivesse sido alertada.
Para alguns setores do PT, Matilde não teve culpa e se demitiu por pressão da mídia. Sua indicação para a secretaria seria uma forma de redimi-la e de aproveitar seus conhecimentos na área. Para outros setores, porém, a escolha poderia criar polêmicas e constrangimentos desnecessários no início do mandato de Haddad.
No plano federal, a Seppir tem sido tradicionalmente disputada entre o PT e o PC do B. Em São Paulo não será diferente. Na longa lista de cotados para a nova pasta também figuram os nomes de Leci Brandão, deputada estadual pelo PC do B, e Flávio Jorge Rodrigues da Silva, militante do movimento negro, mais próximo do PT.
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O Brasil não está se transformando apenas num gigante econômico, como se gosta de dizer por aí. As eleições municipais encerradas neste domingo, 28, atestaram, uma vez mais, que o País também pode virar um gigante democrático.
O colégio eleitoral brasileiro tem 138 milhões de eleitores – atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia – e elege prefeitos de todas as cidades há 27 anos, desde o fim da ditadura militar, em 1985. Nunca antes em sua história os brasileiros respiraram democracia por um período tão longo.
Mas não é só o tempo. A qualidade também melhorou. Entre 1945 e 1964, o segundo período democrático mais longo no Brasil, não se permitia o voto de analfabetos. Para se ter uma ideia da exclusão que esse impedimento causava, basta lembrar que em 1950 mais da metade dos brasileiros (50,5%) era composta por pessoas que não sabiam ler nem escrever.
Foram os constituintes de 1988 que permitiram o acesso da massa de analfabetos às urnas. Também foram eles que tornaram facultativo o voto para jovens de 16 e 17 anos (antes só era autorizado a partir dos 18).
Outro avanço importante foi o combate às fraudes. Ao contrário do que ocorria no Brasil do passado e continua a ocorrer em algumas democracias tradicionais, não se põe mais em dúvida a votação e a apuração dos votos.
Na cidade de São Paulo, o maior colégio eleitoral do País, as urnas foram fechadas às 17 horas. Decorridos apenas 134 minutos, às 19h14m, já haviam sido contabilizados os votos dos 6.896.290 eleitores que exerceram seu direito ao voto, sem que se contestasse a lisura de qualquer parte do processo.
É claro que a essa altura alguns leitores já devem estar lembrando dos erros e problemas, como o peso do poder econômico nas eleições, o excesso de partidos, a superficialidade ideológica dos debates políticos, a incapacidade da democracia brasileira para promover uma efetiva redução na distância entre os mais ricos e os mais pobres, o crescente índice de abstenção (destacado pela presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministra Cármem Lúcia), entre outros. Mas a democracia é assim mesmo: se constrói aos poucos. E sempre. O processo nunca termina, como disse a esse repórter a cientista política Maria Celina D’Araújo, da PUC-RJ.
O que não se pode perder de vista é que os erros e os problemas estão mais relacionados a pessoas que à estrutura democrática. Quando se esquece disso e se começa a dizer que todos os políticos são iguais, que nada se salva, fica aberto o caminho para aventuras autoritárias, como a ocorrida no trágico dia 31 de março de 1964.
Até aqui, há muito mais a comemorar do que lamentar. Viva a democracia brasileira.
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De acordo com levantamento realizado pelo demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, neste ano foram eleitas 7.648 mulheres para as câmaras municipais de todo o País e outras 663 para as prefeituras. Na comparação com a eleição anterior, em 2008, isso representou um avanço. No caso das câmaras, elas passaram de 12,5% para 13,3% do total de cadeiras disponíveis. Nas prefeituras, a variação foi de 9,1% para11,8%.
Se a comparação for feita, porém, com a presença das mulheres no conjunto da população e com outros níveis de atividades, a variação foi medíocre. Qual a razão disso? Na entrevista abaixo, Alves, que é professor da Escola Nacional de Ciências Estatísticas, no Rio, afirma que os resultados refletem sobretudo a resistência dos caciques partidários à presença de mulheres na política. “O funil está nos partidos”, afirma.
Seu levantamento aponta um aumento da participação das mulheres. Dá para comemorar?
É um avanço. Mas ainda está muito aquém do se esperava, especialmente quando se considera que elas são a maioria da população e do eleitorado, conquistam cada vez mais espaço no mercado de trabalho, já ultrapassaram os homens em todos os níveis de educação e possuem uma esperança de vida mais elevada. Até nas Olimpíadas elas se destacam mais. Em Londres e Pequim conquistaram duas três medalhas do Brasil. Pode-se lembrar também que temos uma mulher na Presidência da República e que foi uma mulher, à frente do Tribunal Superior Eleitoral, que comandou o processo eleitoral deste ano.
Como é a situação em outros países?
Desde as recomendações da Conferência Internacional de Mulheres, em Pequim, em 1995, diferentes países começaram a estimular a presença de mulheres na política, especialmente por meio de cotas. Ocorreram avanços na maior parte deles. A média mundial de mulheres de mulheres em cargos em câmaras federais hoje é de 23%. Na Argentina, em Cuba e nos países nórdicos chega a 40%. No Brasil, ainda é de 8,6%. É a pior situação da América do Sul.
A que atribui esses resultados?
Quando passou a vigorar a política de cotas para mulheres nas eleições, os partidos entenderam que bastava reservar para elas um número de vagas entre os candidatos, sem a obrigação de preenchê-las. Mais tarde, quando mudou a interpretação da lei, por imposição do TSE, eles passaram a lançar mulheres laranjas, donas de casa, secretárias e mães dos dirigentes partidários, muitas delas sem condições de competir, que estão ali só para preencher a cota obrigatória.
Como explica isso? Ao preconceito do eleitorado? À ideia de que mulher não vota em mulher?
O eleitorado não discrimina as mulheres. O exemplo mais claro disso apareceu nas eleições presidenciais de 2010, quando concorreram nove candidatos, dos quais sete eram homens. Ao final do primeiro turno, as duas mulheres conquistaram 67% do total dos votos. Ora, se os brasileiros são capazes de confiar a Presidência da Reopublica a uma mulher, porque não votariam nelas para cargos em prefeituras e câmaras municipais?
Qual seria então a razão dessa baixa representação?
O problema está no controle dos partidos. São os homens que controlam os principais cargos, os recursos partidários e o processo de escolha de candidatos. O funil está na máquina partidária. Não existe nenhum partido no Brasil presidido por mulher. A Marina Silva, depois de obter quase vinte milhões de votos na eleição presidencial, foi praticamente forçada a se retirar do PV.
E o caso da presidente Dilma Rousseff?
Ela só conseguiu ir adiante porque o Lula apoiou. Se fosse contar apenas com a estrutura do PT não teria saído como candidata. Foi um caso excepcional, que deixou o Brasil à frente dos Estados Unidos e França. Esses dois países, apesar de sua longa e importante tradição democrática, nunca elegeram uma mulher para o cargo de presidente.
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Diante do hiperpragmatismo partidário que marcou as eleições municipais deste ano, com arranjos políticos para todos os gostos, o cientista político Jairo Nicolau considera o embate entre o PSDB e o PT em São Paulo como um momento excepcional. Vai reproduzir, na avaliação dele, a polarização que existe no âmbito nacional entre os dois maiores partidos do País, com o envolvimento de ex-presidentes. “Vai ser uma eleição de manual”, disse ele em entrevista ao Estado.
Nicolau, que é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), também disse que o mensalão não teve muita influência nas eleições, nas quais predominam debates sobre questões gerenciais e locais. Para ele, o fator mais visível no resultado das urnas é fragmentação partidária cada vez maior e a falta de densidade ideológica das legendas.
Sobre a ação de Lula no cenário eleitoral paulistano, disse que ele acertou na escolha de Fernando Haddad, mas não fez milagre. Seu candidato foi empurrado pelas características da eleição na capital paulista.
Quais mudanças no quadro partidário o senhor verifica após o resultado desta eleição?
Ainda é cedo para uma análise detalhada, mas, pelo que vi, não ocorreram grandes alterações. Nós, cientistas políticos, e vocês, jornalistas, queremos sempre encontrar recorrências, ver o que se destaca, um declínio acentuado, uma ascensão estonteante, mas não houve nada disso. O resultado só reforça um padrão que já verifiquei em eleições anteriores, desde 1996, caracterizado por uma enorme fragmentação dos partidos no âmbito do controle do poder local.
Essa fragmentação aumentou?
Ela já tinha aumentando na eleição para o Congresso e está sendo aprofundada agora. O Brasil apresenta um dos quadros partidários mais fragmentados do mundo. É uma característica da nossa democracia. Isso pode ser medido e comparado nas eleições para o Congresso.
O que organiza esse quadro tão fragmentado?
Se apresentar o resultado destas eleições a um cientista político estrangeiro, ele vai ficar embananado, porque não há uma força dominante, não aparece exatamente quem está ganhando e perdendo no plano nacional. Cada cidade tem sua liderança local, que se encontra no partido Z, mas poderia estar no Y. E como existem trinta opções para navegar, as combinações são as mais incríveis. Aqui, no Rio, na Baixada Fluminense, no município de Belford Roxo, o candidato que saiu em primeiro lugar na corrida do segundo turno, com mais de 40% dos votos, é do PC do B. Mas o que o PC do B tem ali para explicar esse resultado? Não tem nada. Esse rapaz, provavelmente, caiu no gosto da população, assim como Lindbergh Farias caiu, anos atrás, e virou prefeito de Nova Iguaçu. A dificuldade para analisar as eleições locais é o fato de não seguirem o padrão da disputa nacional.
O senhor não vê nesta eleição nenhum fator de peso capaz de provocar uma guinada eleitoral em favor deste ou daquele partido?
Qual seria a razão para esse abalo sísmico? Não está acontecendo nenhuma onda. A última ocorreu na década de 1980, particularmente na eleição de 1985, e beneficiou o PT. Foi causada pelo episódio da morte dos operários da usina siderúrgica de Volta Redonda, após ter sido invadida pelo Exército. Houve uma insatisfação muito grande naquela semana e quem se beneficiou foi o PT. No Rio, o candidato Jacó Bittar dormiu com sete pontos nas pesquisas de intenção de voto e acordou com quinze. O mesmo aconteceu em Goiânia, Vitória, em São Paulo. Agora, porém, as ondas não são partidárias. Quando ocorrem, são em torno de nomes, de figuras que despontam.
E o mensalão?
Não acredito que o PT tenha sido muito prejudicado nacionalmente por conta do processo do mensalão. Se o eleitor local vota no candidato do PT é porque ele o conhece, porque o PT já geriu a cidade dele. É o caso de Goiânia, onde os eleitores deram 57% dos votos para o candidato do PT. Em Belém, o candidato do pequeno PSOL, Edmilson Rodrigues, foi para o segundo turno porque já foi prefeito, quando era filiado ao PT, e é considerado um excelente gestor. Se estivesse no PT do B também iria para o segundo turno. O mesmo acontece com o Gustavo Fruet, do PDT, em Curitiba. Ele poderia estar em qualquer outro partido, porque o decisivo ali foi a sua liderança e o espaço político que conquistou.
E o voto partidário?
Não pesa nas eleições locais. Os partidos brasileiros têm baixa densidade ideológica e se comportam eleitoralmente como organizações hiperpragmáticas. Um exemplo do que estou falando é o PDT, que, depois da morte do Brizola, ficou acéfalo, sem uma liderança nacional e passou a se organizar também como uma confederação de lideranças regionais. Agora ele passou para o segundo turno em Curitiba e Macapá e ganhou em Porto Alegre. Deve ter algumas centenas de prefeituras e muitos vereadores pelo Brasil, o que significa que não foi mal. Mas posso atribuir isso ao crescimento do PDT como organização? Formalmente, sim. Mas que PDT é esse? É um partido orgânico? O que junta esses prefeitos e vereadores? Outro exemplo do que estou falando pode ser visto ao longo do tempo, na comparação do resultado das eleições. Em 2008, o Fernando Gabeira, do PV, foi para o segundo turno na disputa municipal e perdeu por trinta mil votos. Neste ano, a Aspásia Camargo, do mesmo PV, só obteve 1% dos votos.
E o caso de São Paulo?
É a exceção, com PT e PSDB, os dois grandes partidos nacionais, disputando a eleição com candidatos próprios, sem intermediários, replicando a polarização que existe no âmbito nacional. Vai ser uma eleição de manual. De um lado está o governador Geraldo Alckmin e o ex-presidente Fernando Henrique declarando voto em Serra; e, do outro, o Lula empenhado diretamente na campanha de Haddad. Será um momento excepcional, mas restrito a São Paulo. No restante do Brasil, o que mais se aproxima disso é o cenário de Salvador.
Não foi assim desde o começo.
Até a semana passada, todas as interpretações dos resultados das pesquisas de intenção de voto sinalizavam que o PT e o PSDB não organizavam mais a política de São Paulo. Observando as explicações sociológicas sobre a influência de uma nova classe C nos resultados, pensava: aqui no Rio também tem essa classe média e não apareceu um Celso Russomanno. Por que?
E o Rio?
Apresentou um cenário totalmente diferente. A cidade teve dois candidatos, um de um partido minúsculo nacionalmente, que é o PSOL, que se saiu muito bem; e o outro, do PMDB, que vai bem. Onde ficaram os dois grandes partidos nacionais? O PSDB ficou com menos de 3% dos votos e o PT não lançou candidato. Isso acontece na maioria das capitais, que não reproduzem o cenário de disputa nacional. Nem há motivo para esperar isso. Nas eleições municipais predominam temas gerenciais, administrativos, locais.
Quando o Lula entra diretamente numa eleição como de São Paulo e viaja pelo País defendendo outros petistas, não está tentando levar a polarização para o cenário nacional?
Há dois momentos na eleição municipal. O primeiro ocorre quando os partidos escolhem seus candidatos. A direção nacional dos partidos pode influenciar a decisão, especialmente os mais centralizados, como o PC do B, os pequenos partidos de esquerda. Nesta eleição, o Aécio Neves e o Eduardo Campos também circularam por vários Estados, procurando fortalecer alianças, operando em defesa de alguns nomes. A influência nacional se destina sobretudo à montagem das coligações.
E o segundo movimento?
O movimento dois é o do voto. No lugar de escolher um bom gestor para a sociedade, o leitor vai votar em alguém porque o diretório nacional indicou ou porque o Lula apoiou?
Que peso atribui a Lula na votação de Fernando Haddad?
O Lula é uma liderança popular e o seu empenho foi importantíssimo para Haddad, que, ao disputar pela primeira vez uma eleição, na maior cidade do Brasil, teve que confrontar um oponente que já se candidatou duas vezes à Presidência da República, foi governador e prefeito. O resultado foi bonito para Haddad, mas será que deve ser atribuído apenas à influência de Lula? A eleição em São Paulo tem uma configuração diferente neste ano. Sem um prefeito tentando a reeleição e sem caráter plebiscitário, o que ficou em primeiro plano foi a perspectiva de se eleger um bom gestor. Quando o Lula resolveu investir em Haddad, foi por ter visto nele um candidato com virtudes para concorrer em São Paulo. Sabia que não faria mágica. Por enquanto, ele acertou no seu diagnóstico. Mas por qual motivo não acertou em Porto Alegre? E em Recife? Porque os contextos eram diferentes, as circunstâncias não ajudavam, os concorrentes eram mais competitivos.
Diante da fragmentação que o senhor observa, o que deve ocorrer daqui para a frente?
A única previsão que faço, com certa segurança, é que vai continuar aumentando. A próxima Câmara dos Deputados vai ser tão fragmentado quanto a atual.
Isso pode criar problemas de governabilidade?
Parece que não. Se tivéssemos partidos de maior densidade ideológica, partidos de extrema direita ou extrema esquerda, partidos regionalistas, capazes de criar polarização, haveria problemas. Mas os partidos pouco se distinguem uns dos outros, são praticamente vizinhos ideológicos e raras vezes se movem por princípios doutrinários. São legendas pragmáticas, que servem para eleger prefeitos e vereadores e estão sempre muito disponíveis para colaborar com o governo federal. O Fernando Henrique e o Lula não tiveram graves problemas de governabilidade. O mesmo ocorre com as prefeituras. Quais os prefeitos do País com graves problemas de governabilidade?
Mesmo a título de primeiras impressões, que mudanças destacaria nesta eleição?
No olho você percebe que o PSB cresceu. O PSOL, que saía de um patamar muito baixo, tendo concorrido em 2008 com uma organização tênue, também cresceu. O PSD, que surgiu agora, está tirando de alguém e fragmentando mais a disputa. O PT continua seu processo de interiorização, elegendo mais vereadores pelo Brasil afora, penetrando em Estados onde não tinha nada. O DEM sofreu com a perda de lideranças, dirigentes, militantes, quadros médios, or conta da fundação do PSD. Quero repetir, porém, que a chave para interpretar os resultados é a premissa de que as alterações partidárias nos municípios ocorrem de maneira muito lenta.
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Ainda não se sabe ao certo qual o peso do voto evangélico nas eleições majoritárias. Sua força é cada vez mais evidente, contudo, no caso das proporcionais. Um novo exemplo disso acaba de ser dado na composição da Câmara Municipal de São Paulo, a maior cidade do País. A bancada evangélica passou de cinco para oito nomes.
Entre os eleitos pela primeira vez encontra-se o pastor Edemilson Chaves (PP). Apadrinhado pelo apóstolo Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, ele aparece em 16.º lugar na lista dos mais votados, com 45.798 votos. Esse número não fica muito distante da previsão dele, repetida mais de uma vez para jornalistas, de que os fiéis lhe dariam 50 mil votos.
O pastor Jean Madeira, com 34.999 votos, ficou na 26.ª posição. Foi empurrado pelos votos da Igreja Universal do Reino de Deus, que, desde 1986, quando elegeu um deputado para a Assembleia Nacional Constituinte, vem conquistando cada vez mais terreno na área do legislativo em todo o País. A igreja controla atualmente a direção do PRB, partido ao qual o pastor recém-eleito é filiado.
Imediatamente atrás dele na lista dos mais votados, aparece a psicóloga Patrícia Bezerra (PSDB), com 34.496 votos. É mulher do deputado estadual Carlos Bezerra (PSDB), filho do fundador e líder da Igreja Comunidade da Graça, pastor Carlos Alberto Bezerra.
Entre os evangélicos reeleitos destaca-se o cantor gospel David Soares (PSD), que recebeu 32.049 votos. A porta do comitê da campanha dele, na Avenida São João, ficava a poucos metros da porta da sede da Igreja Internacional da Graça de Deus, liderada por seu pai, missionário R.R. Soares.
O missionário também empurrou, com sucesso, a candidatura de outro filho, Daniel Soares (DEM), eleito para a Câmara de Guarulhos.
Os parlamentares evangélicos estão filiados aos mais diversos partidos. Nos parlamentos, sua atuação é marcada sobretudo pelo corporativismo, como observou o professor e pesquisador Leonildo Silveira Campos, no ensaio Os Políticos de Cristo, publicado no livro Os Votos de Deus. De acordo com o texto, eles “procuram se integrar em comissões-chave, por meio das quais possam interferir como grupo parlamentar de pressão, defendendo os interesses da Igreja”.
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O candidato Gabriel Chalita (PMDB) voltou a demonstrar, na noite de quinta-feira, 4, sua intimidade com os rituais das celebrações católicas mais ao gosto do movimento carismático. Ao participar da tradicional missa celebrada pelo bispo d. Fernando Figueiredo e o padre Marcelo Rossi, no Santuário Mãe de Deus, em Santo Amaro, ele mostrou que sabia de cor das letras das músicas. Também agitou os braços, ajoelhou, bateu palmas e abraçou os outros devotos nos momentos apropriados e com precisão.
José Serra (PSDB), que estava sentado à frente dele, ao lado do celebrante, no altar que mais parece um palco italiano, a mais de dois metros do chão, mostrou-se mais contido.
Isso não quer dizer que o tucano seja um neófito naquele território. Amigo de d. Fernando, ele costuma ir ao santuário em ocasiões especiais. Uma delas foi o encerramento da campanha presidencial de 2002.
Nesta semana, Serra também decidiu encerrar no templo a campanha para a Prefeitura de São Paulo. ”Ele telefonou avisando que viria e eu concordei”, conta o bispo. ”O Chalita quis vir no mesmo dia e eu também concordei. Como franciscano, estou sempre disposto a acolher quem me procura.”
Foi assim, na versão do bispo, que os dois subiram juntos ao altar, na quinta-feira. Serra ganhou um lugar de maior destaque, na primeira fila. Mas quem mostrou ser mais conhecido daquela audiência e ganhou aplausos mais calorosos foi Chalita. Ao final, enquanto o tucano saía discretamente pelos fundos, o peemedebista descia para o meio dos fiéis, que o disputaram para fotos.
A diferença entre eles é que Chalita tem uma relação mais estreita com carismáticos – grupo católico que a cada eleição se mostra mais organizado na defesa de seus interesses e de candidatos.
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Em 1998, a Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Santo Amaro, ficou pequena para os fiéis que acorriam à chamada Missa da Libertação, celebrada pelo padre Marcelo Rossi. A cada celebração eram quase cinco mil pessoas, que acabavam se esparramando pelas ruas ao redor do templo.
Os vizinhos reclamaram e o padre encontrou um lugar maior, um antigo salão de shows musicais, conhecido como Gonzagão. A festiva inauguração do novo local de orações aconteceu no dia 12 de fevereiro daquele ano, com a presença de cerca de dez mil pessoas, segundo a Polícia Militar.
Encarregado da cobertura de assuntos religiosos do Estado, eu estava lá - e publiquei uma reportagem no dia seguinte. Duas coisas me impressionaram. A primeira foi a presença de mulheres: de cada dez presentes, pelas minhas contas, nove eram do sexo feminino.
A segunda foi o tipo de milagres que a maioria desejou, no momento em que o padre pediu que erguessem para o alto os objetos que desejavam ver abençoados. O que mais apareceu foram carteiras de trabalho. Eram impossível contá-las.
As mulheres pediam emprego para elas, os maridos e os filhos. Algumas das quais com quem conversei também pediam a formalização do trabalho. “Vim pedir a Jesus para que a empresa onde o meu filho trabalha registre ele na carteira”, me disse Maria de Fátima Silva, exibindo a carteira e a foto do filho.
Passados 14 anos, nesta quinta-feira, 4, voltei, novamente por dever de ofício, a assistir a mais uma celebração da missa do padre Marcelo, em Santo Amaro. No momento em que ele e o bispo d. Fernando Figueiredo pediram aos fiéis que erguessem para o alto objetos a serem abençoados, virei para trás, à procura das carteiras de trabalho, mas tive uma surpresa. Apareceram celulares, bolsas, chaves de carro e de residências, retratos de parentes, carteiras de motorista, DVDs, receitas médicas, velas, flores, mas pouquíssimas carteiras de trabalho.
Ali mesmo comentei o fato com a assessora de um candidato a prefeito, veterana em campanhas, que se encontrava ao meu lado. E ela respondeu, de bate-pronto: ”Não foi só aqui. Na eleição presidencial de 2002, quando os candidatos saíam nas ruas, o que mais ouviam eram pedidos de emprego. Agora as demandas são outras, os eleitores querem saber de saúde, educação, transporte e segurança.”
Mais tarde, na saída da missa, também comentei o fato com o bispo d. Fernando, que sorriu e balançou a cabeça, concordando.
Pode ter sido coincidência. Também pode ser que, no balanço da economia mundial, esse quadro mude logo adiante. Mas o fato palpável agora é esse: mudou a agenda dos pedidos de milagres endereçados ao céu (e aos políticos).
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O grupo político da ex-senadora Marina Silva, que se manteve neutro no primeiro turno da eleição paulistana, começa a ser sondado sobre seu possível apoio a algum candidato no segundo. O assunto ainda não foi discutido pelo grupo e não se descarta a possibilidade de se manter a neutralidade. A única coisa que parece acertada até agora é que Celso Russomanno, do PRB, sequer faz parte das suas cogitações. ”Não temos nenhuma identidade com esse candidato”, diz um dos integrantes do grupo mais próximos de Marina.
Terceira colocada nas eleições presidenciais de 2010, com 19,6 milhões de votos, Marina é evangélica, ligada à Assembleia de Deus. De maneira geral, porém, ela sempre procura dissociar a igreja de sua atividade política.
Atualmente sem partido, ela tem viajado pelo País para apoiar candidatos, de diferentes legendas, que se identificam com a proposta de sustentabilidade, defendida nas eleições presidenciais.
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Além de tornar público o apoio de grupos de intelectuais à candidatura de Fernando Haddad (PT), o ato realizado pela sua campanha na noite de terça-feira,2, foi uma tentativa de sensibilização da militância petista. Ao longo das quase três horas de duração do evento, no Hotel Jaraguá, diferentes oradores ressaltaram que, nesta reta final, com pesquisas de intenção de voto mostrando empates técnicos, quem pode fazer a diferença são os militantes.
A ministra e ex-prefeita Marta Suplicy conclamou os presentes a falarem com as tias, os vizinhos, os amigos, pedindo votos para Haddad. “Vocês são formadores de opinião”, disse, dirigindo-se à platéia com representantes de juristas, arquitetos, professores, historiadores, atores, economistas, estudantes e outros grupos. “Vocês têm poder e esse poder tem que ir para as ruas. Vocês têm cinco dias.
“Vamos sair daqui e trabalhar nesses cinco dias”, endossou o arquiteto Jorge Wilheim, ex-secretário de Planejamento de São Paulo. “Precisamos recuperar nossa garra, recuperar o que éramos”, pediu a urbanista Hermínia Maricato, ex-secretária executiva do Ministério das Cidades.
Última a falar, Haddad foi enfático: “Nesse momento, a militância vai fazer toda a diferença.”
Essa premissa era verdadeira anos atrás. O PT nasceu no meio dos movimentos sociais e sindicais e, no início de sua história, contou com uma militância aguerrida, voluntariosa e disposta a ir às ruas sempre que convocada - nas eleições ou fora delas.
O quadro mudou, porém, com o crescimento do partido e de sua máquina burocrática, juntamente com a feroz profissionalização do marketing eleitoral, entre outros fatores. A presença da militância tornou-se menos expressiva. Passou de protagonista a coadjuvante e, às vezes, figurante. Assim como os movimentos sociais, é conclamada sobretudo em momentos mais difíceis para o partido, como ocorreu no segundo semestre de 2005, quando a oposição ameaçou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o impeachment. A eleição em São Paulo é outro desses momentos.
O ato de terça-feira foi planejado com uma estrutura de apresentação, informal, que valorizou os apoiadores e não os caciques partidários. Estavam presentes Paul Singer, Dalmo Dallari, José Celso Martinez Corrêa, Raquel Rolnik, Margarida Genovois, José Miguel Wisnik, Ladislaw Dobor, Anita Freire, Roberto Schwarz, Maria Victoria Benevides, Fernando Morais e Vladimir Safatle, entre outros.
Resta saber agora de que forma a militância, lembrada na undécima hora, irá reagir.
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