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Três jogadores do Corinthians que foram campeões mundiais começam a se coçar no Parque São Jorge. A virada de temporada e a chegada de reforços fizeram com que Emerson , Jorge Henrique e Chicão fossem parar no banco de reservas. E de lá só devem sair em caso de contusão dos titulares ou quando Tite se valer do time B, principalmente no Paulistão.

Dos três, o mais incomodado parece ser Emerson. O atacante era titular absoluto na Libertadores, quando foi personagem principal ao fazer os gols na decisão com o Boca Juniors, e também no Mundial da Fifa diante do mais rico Chelsea. Ocorre que a chegada de Alexandre Pato no Parque São Jorge, além de fazer barulho no Brasil e na Europa, acabou com o sussego do Sheik. É bem verdade que Emerson contribuiu para o buraco em que se meteu. Andou faltando a treinos e se vê enrolado com a Polícia Federal por causa de um carro irregular que comprou.

Seu caminho pode ser a volta para o futebol do Rio de Janeiro. No Corinthians, embora seja importante para o time e bom de bola, isso é inegável, dificilmente ganhará posição de Pato e Guerrero. E Tite não vai atuar com três atacantes, como já fez, porque a chegada de Renato Augusto mudou o esquema do treinador. O meia já é titular do time.

E nesse caso, quem perdeu seu lugar entre os 11 foi Jorge Henrique. Renato Augusto também atua pela direita, ajuda na marcação e tem qualidade para chegar ao ataque. Na vitória do Corinthians por 3 a 0 sobre o Tijuana, ele teve sua melhor atuação, com participação direta nos gols. E tem ainda a presença de Romarinho, que vai se firmando como segundo opção de ataque para Tite.

Na defesa, após uma série de contusões, os anos mais avançados e as boas partidas de Gil, Chicão também perde terreno. Paulo André, que era reserva, cavou seu espaço e parecer ser titular inconteste de Tite em 2013. Essa é a sina de um time com elenco fortalecido. Isso só faz do Corinthians um time forte, sobretudo quando precisa mudar. Quase nenhum outro tem essa facilidade na temporada.

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Paulo Nobre e José Carlos Brunoro encaminham uma revolução silenciosa no Palmeiras, cujo único 0bjetivo é recolocar o clube no caminho das conquistas, vitórias e, sobretudo, tradição. Estamos em março ainda, mas muita coisa já foi feita na Academia nesse sentido. E a principal delas, ou pelo menos a de efeito mais simbólico e devastador, embora necessário, para acabar de vez com essa condição de ‘time refém da torcida’, é o racha com as Uniformizadas. O presidente Paulo Nobre, após as agressões de membros da Mancha a seus jogadores em Buenos Aires, tocou os torcedores de dentro do clube, cortando regalias, como a distribuição de ingressos ou venda mais em conta.

Mais que isso. Nobre pretende liderar um movimento que nasce em São Paulo, mas que deverá se esparramar pelo Brasil para que todos os clubes da primeira divisão também digam ‘não’ às arruaças das torcidas, que não é de hoje assombram a vida e o trabalho de jogadores e técnicos.

No Palmeiras, a dupla começa a dar o que falar. Cartorze jogadores chegaram ao clube, Barcos foi vendido (em negociação que começou na administração anterior) para que o time pudesse ter mais atletas no elenco, ‘chinelinhos’ e jogadores que já não rendiam mais deixaram o Palestra e, mais recentemente, uma limpa foi feita nas categorias de base.

Podem acusar o novo presidente de tudo, menos de omisso. Certo ou errado, só o tempo dirá sobre suas modificações.

O fato é que alguma coisa precisava ser feita para chacoalhar o clube, mexer com o brio dos jogadores, resgatar a confiança do elenco, mostrar aos patrocinadores que o Palmeiras é sim viável. Brunoro deve ainda neste mês começar a tocar o marketing do clube, correr atrás de patrocinadores e de novos anunciantes. O time deverá ter mais dois ou três reforços pontuais no time, como um atacante pronto, que chegue é vista a camisa do clube sem precisar de tempo para se adaptar.

Agora é tudo uma questão de tempo para que Gilson Kleina mostre seu valor ou também dê a vaga para outro mais tarimbado. Mais coisa vem aí. Paulo Nobre vai cobrar uma reação imediata na Libertadores também porque entende que esse Palmeiras tem condições de passar da fase de grupos da competição. Até o começo da Série B do Brasileiro, o Palmeiras espera ter um time competitivo e mais confiante.

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Os campeonatos precisam responder a anseios da torcida. Os Estaduais mais ainda, porque falam diretamente com públicos locais. Daí a necessidade de se repensar o sonolento Paulistão. E a maior comparação do fracasso de sua fórmula de disputa é o estardalhaço dado à primeira decisão no futebol carioca. Enquanto um padece, o outro vive de alegria. Os paulistas que me descupem, mas a maneira da turma do Rio de começar a temprada é muito mais divertida e empolgante. Para não ficar somente nas opiniões, um número: na final da Taça Guanabara deste domingo, entre Botafogo e Vasco, o Engenhão recebeu 40 mil torcedores. Deu Botafogo. No clássico entre São Paulo x Palmeiras, como se viu morno e sem gols, apenas 18 mil torcedores foram ao Morumbi.

Só isso já dá um pouco do tom das disputas. Mas tem mais. Enquanto o Paulistão se arrasta pela sua 12ª rodada e serão 19 nesta fase de classificação, o Cariocão já teve uma decisão, já há um campeão no Rio e já tem uma torcida em festa. Se lá nesta segunda-feira foi dia de trabalhar com a camisa do Fogão, com muito orgulho, em São Paulo não há motivos para comemorar. O São Paulo, líder do Paulistão, está no paredão porque não consegue fazer um começo de Libertadores consistente. Isso também dimensiona o peso do Estadual nesse momento. É claro que os grandes de São Paulo (Corinthians, Santos, São Paulo e Palmeiras) querem muito ganhar mais um Campeonato Paulista. Não há dúvidas disso, como também não há dúvidas de que qualquer dirigente e técnico desses gigantes vão apostar e priorizar a Libertadores (disputada simultaneamente com o Paulistão) em detrimento das partidas dessa primeira fase do Estadual.

Já tem ocorrido isso, e só a Federação Paulista não vê. A não ser que o jogo em questão tem algum peso. E nem o clássico do Morumbi deste fim de semana valia alguma coisa.

São Paulo e Corinthians já usam times reservas no Campeonato Paulista, fortalecidos por um ou outro jogador para não caracterizar equipes B de fato. E vai ser assim até o fim da fase classificatória. A emoção só vai começar nas etapas de mata-mata, mesmo assim se a condição técnica dos rivais não for gigantesca. Talvez nas quarta de final a coisa esquente. Enquanto isso não chegar, vamos continuar vendo uma ou outra partida mais bem disputada e com públicos maiores. Com emoção. O futebol vive disso.

Fazer um campeonato mais curto, com jogos decisivos e reunir dois campeões para uma grande final talvez seja o caminho do Paulistão. O argumento de que os times do Interior precisam jogar pode até ser válido, mas o torcedor não pode pagar por isso com partidas sonolentos e de pouca valia.

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Foi um clássico morno no primeiro tempo, mas bem agitado no segundo, com chances de gols dos dois lados, boas jogadas e muita emoção. Pena que a maioria dos jogadores, ou pelo menos os principais, já estava cansada. Pena também que não tenha saído gol. Clássico sem gol é jogo incompleto.

Três assuntos podem ser destacados no jogo do Morumbi.

1 – A volta de Valdivia - Depois de pressionado pela torcida após gestos obscenos, e provocado a ira da Mancha, que tentou bater em jogadores no aeroporto de Buenos Aires, o meia admite seu desejo de permanecer no Palmeiras para ajudar a equipe a subir no Brasileiro e para também festejar seu centenário em 2014. No Morumbi, Valdivia jogou bem, provocou a expulsão de Lúcio e cansou de deixar Vinícius em condições de gol. Apesar dos aborrecimentos da última semana, em que foi pivô e teve sua parcela de responsabilidade, Valdivia voltou a sorrir também porque foi novamente chamado para a seleção do Chile.

2 – Ganso não aprova sua substituição - O meia do São Paulo, questionado desde o começo da temporada, vinha aceitando a reserva como natural devido ao seu momento no time. Estava mal, Jadson voava e Ney Franco insistia no sistema do ano passado, quando Lucas atuava pela direita e infernizava os marcadores. Pouco disso mudou, é verdade. Só Ganso, que parece não aceitar mais tão facilmente o banco de reservas e as substituições. Ele não gostou de deixar o clássico no começo do segundo tempo, quando foi trocado por Jadson. Não reclamou, mas fez cara de insatisfeito.

3 – As torcida, organizadas ou não, mantiveram seu posto nas arquibancadas. Bom para elas e para o futebol. Todos ganham com isso. É preciso acabar com essa valentia de bando dos torcedores e desse desejo de querer fazer ‘justiça’ com as próprias mãos. Há muito o mundo deixou isso para trás. Menos os organizados do futebol. Está mais do que na hora de amadurecer.

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O maior bem que um time de futebol pode ter é sua torcida. E o maior bem que uma torcida pode ter é o seu time de futebol. Partindo desse pressuposto, está tudo errado. Refiro-me hoje à torcida do Palmeiras, que aprontou novamente ao fazer uma emboscada no aeroporto de Buenos Aires contra os jogadores da equipe, que na noite anterior tomaram a primeira surra na Argentina, do Tigre: 1 a 0. O jogo valia pela fase de grupos da Libertadores.

Houve bate-boca, empurra-empurra, agressões. Copos voaram, segundo jornalistas dos sites Globo.com e LanceNet. Mas que direito tem a torcida de descer da arquibancada, onde é o seu lugar, e bater em atletas profissionais? Por que ninguém vai preso, como fizeram os bolivianos depois da tragédia de Oruro. O exemplo dos 12 corintianos detinos na penitenciária da cidade boliviana precisa ser seguido. Olhem para a Bolívia.

Imagine se a multidão não gostar de um show de Caetano Veloso ou João Gilberto, que seja Paul McCartney, e parta para as vias de fato contra os músicos após a última canção? Foi isso o que aconteceu contra os palmeirenses. Não gostaram da apresentação do time na derrota para o Tigre e foram ‘ajeitar’ a situação atirando copos nos atletas. Cena patética, como quase tudo que os torcedores fazem quando não estão torcendo.

Vão dizer agora que era um ou outro membro da Organizada… ou que aqueles não representam a torcida… ou que talvez nem sejam membros da Organizada que sempre acompanha o Palmeiras. Esse discursinho é velho, fraco, mentiroso e não cola mais, antecipo.

É claro que a torcida não tem de aplaudir esse Palmeiras que perdeu para o Tigre. Nunca. Jamais. A apresentação foi ruim, sonolenta, cheia de falhas e de gols perdidos. Ganhar ou perder não é o problema. Nunca foi para a torcida. O problema é essa ‘preguiça’ de jogar bola, essa displicência na cara do gol e, pior, na defesa, essa falta de envolvimento do elenco com a Libertadores só porque disseram que o projeto do ano é subir para a Série A do Brasileiro, essa situação de ‘não é comigo’… Perder ou ganhar nunca foi o problema.

Mas entendo que tudo isso é do jogo. E que os novos comandantes do Palmeiras saberão o que fazer diante desse marasmo em verde e branco. Não digo que o Palmeiras esteja assim, como estava na temporada passada, em todas as partidas. Justiça seja feita. E que perder um jogo não pode ser o fim do mundo. Refiro-me somente a essa partida, talvez a última também. Mas só.

O que não é do jogo é bater em jogador em aeroporto.

E aqui vale um ‘bem feito’ de boca cheia. Porque os clubes são coniventes com essa gente. Todo diretor minimamente envolvido com seu clube sabe que esses torcedores, em tempos de paz ou de guerra, recebem ajuda ou facilidades para adquirir as entradas para os jogos. Basta ir às bilheterias do Palestra Itália para ver, sem dificuldade, que os uniformizados entram na fila várias vezes, quando já não têm seus ingressos nas mãos. Alguém dá.

Qual é a forma de tirar essa gangue dos estádios? Não vendendo ingressos para ela. Os clubes poderão, desse modo, perder dinheiro nas primeiras partidas, mas farão rapidamente um novo público, de gente do bem, desarmada, que não participa de emboscada. Enquanto não repensarem isso, nada vai mudar.

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O Maracanã alagou. Que o Mário Filho sempre esteve num local que inunda e que seu gramado estava abaixo do nível da rua, todos sempre souberam. A chuva forte que castigou o Rio na noite e madrugada desta terça-feira deixou um rastro de destruição nas imediações e nas próprias obras do imponente estádio. E num dia em que isso não podia ter acontecido. Nesta quarta, o secretário-geral da Fifa, Jêrome Valcke, ficou de vistoriar o local, com vistas para a Copa das Confederações. E não pôde por motivos óbvios. Estava sem galocha. Onde deveria estar o gramado, ou o canteiro de obra ainda, virou um piscinão, desses que nossos governantes deveriam tocar com dinheiro público, mas não o fazem por algum motivo.

É claro que a imagem do Maracanã alagado, mesmo em obras, correu o mundo. Afinal, o lendário estádio vai ser palco da Copa das Confederações e da grande final da Copa do Mundo de 2014. O recado que a chuvarada deixa é o mais comum de todos: o Maracanã poderá sofrer com esse tipo de problema natural da cidade ou podemos entender que só alagou porque as obras ainda não estão preparadas? Para Valcke, a pulga é ainda maior. O secretário da Fifa, quase um cidadão carioca, porque desde que o Brasil foi escolhido para sediar o Mundial ele frequenta o Rio com certa desenvoltura, a pergunta (já em tom de cobrança) é saber se o Comitê Organizador Local (COL) dará conta de entregar o Maracanã  a tempo.

O fato não é só entregar, diga-se. É entregar em boas condições, sem colocar em risco a segurança dos torcedores e a integridade dos jogadores, além, claro, da qualidade do espetáculo. E a imagem do estádio alagado desta terça não contribui em nada para ter essa segurança. A imagem do estádio cheio de água barrenta assusta.

Parte das obras tiveram de ser paradas, escavadeiras afundaram na lama. Mas ainda não se sabe se os danos foram grandes ou se houve perda do que já estava feito. O certo é que alguma coisa andou para trás. Informações oficiais dizem que o Maracanã tem quase 90% de sua construção concluída e que o prazo de entrega está mantido para maio deste ano, um mês antes de a bola rolar na Copa das Confederações. Para a Fifa, o tempo é curto. Não é possível acabar um estádio em três meses. E a entidade presidida por Joseph Blatter deixou bem claro em todas as suas visitas ao Brasil que precisava ter os estádios prontos para as Confederações. Quando teve de bater o martelo sobre as cidades-sedes (Brasília, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Salvador e Rio), e tudo estava ainda mais cru, especulou-se que o torneio de preparação da Copa pudesse ser organizado em apenas quatro cidades, mas o Rio nunca esteve fora dessa lista.

Agora, após o alagamento, o COL terá de correr contra o tempo, dimensionar os estragos no Maracanã e reavaliar seu cronograma.

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05.março.2013 16:56:26

Entre Kaká e Ronaldinho

Entendi na nova convocação de Felipão, feita nesta terça-feira, no Rio, que o técnico da seleção está entre Ronaldinho Gaúcho e Kaká para comandar o time na Copa das Confederações. Desta vez, para os amistosos contra Itália e Rússia, o treinador deixou o meia do Atlético-MG fora e mandou trazer o jogador do Real Madrid, que a bem da verdade vem jogando pouco na Espanha. Na partida do Real Madrid contra o Manchester United, Kaká ficou no banco.

Felipão deu a entender que vai testar os dois no meio de campo.  “Vou dar chance para todos”, disse. Se tivesse gostado de Ronaldinho na partida contra a Inglaterra, acredito que Felipão teria ao menos dito que o jogador não precisava mais ser testado ou algo parecido. Preferiu falar que não gostou do posicionamento do time em Wembley, após derrota de 2 a 1. Você acha que Felipão estão certo em ter apenas um dos dois? Ou ele deveria apostar em ambos? Ou em nenhum?

Em quem Felipão deve apostar para comandar a seleção?

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Tenho dois sentimentos sobre Neymar nesse momento. E acredito que ambos estejam diretamente ligados às fracas atuações do atacante santista na temporada. Como todos viram, ou a maioria, Neymar recebeu uma enxurrada de críticas após o clássico do Santos com o Corinthians, um 0 a 0 morno e sem graça, no Morumbi. Mais que isso: o craque foi crucificado porque simulou dois pênaltis e num deles recebeu o terceiro cartão amarelo, que o tira do próximo jogo do Santos.

Requisitado que é, Neymar pode estar cansado das coisas que tem de fazer diariamente fora de campo, incluindo se divertir. Além dos compromissos comerciais, que não são poucos, ele também mantém uma agenda de compromissos pessoais, as baladas na Augusta, as festas de aniversários, as reuniões com os amigos. Neymar muda qualquer cenário quando chega. Onde quer que pise, rouba a cena e não tem paz. Se fica num camarote superior, todos o cercam. E quem está na pista não tira os olhos dele. É o preço da fama. Neymar sempre foi de baladas, mas nunca deixou que elas prejudicassem seu trabalho. Nem acho que um garoto da sua idade, 21 anos, sinta o peso das noitadas. O fato é que a cabeça parece não estar boa e aí o corpo, mesmo ainda pouco surrado, padece.

Meu segundo sentimento sobre a fase (ruim) de Neymar, que deverá estar na convocação desta terça-feira de Felipão para o amistoso contra a Itália, neste mês de março, diz respeito ao seu possível arrependimento de ter permanecido no futebol brasileiro, como todos queriam – ele próprio, seu pai e dirigentes do Santos. Talvez o único que gostaria de ver Neymar fora do Brasil era o seu empresário, Wagner Ribeiro, primeiro por motivos óbvios (ganhar sua comissão) e depois por entender que o garoto já estava preparado para ganhar a Europa, refém dos talentos de Messi e Cristiano Ronaldo. Neymar chegaria para acirrar essa disputa. Ocorre que o próprio Neymar, sempre que pode, diz estar feliz em Santos, disputando o Paulistão na Vila Belmiro ou nas cidades do Interior de São Paulo. Suas palavras não convencem mais. Soam como provocações jogadas ao vento. Sobretudo nesta temporada, em que o Santos não disputará a Libertadores da América. Ou seja: Neymar terá de se contentar com os torneios nacionais.

A ficha caiu. Neymar terá de encarar o sonolento Campeonato Paulista e mostrar seu valor diante de rivais que se sabe de antemão morrerão na praia. São, em sua essência, jogos sem graça até que, de fato, o torneio entre na fase de decisões, depois da 19ª rodada – o campeonato Estadual de São Paulo jogou no fim de semana sua jornada de número 10. Há outro fator que talvez tenha ajudado o atacante santista a cair na real: as conversas com o amigo Lucas, que trocou o São Paulo pelo Paris Saint-Germain, o Brasil pela França, e aos poucos começa a ganhar fama na cidade luz, consequentemente na Europa. Risco afirmar que há mais torcedor que conheça hoje Lucas do que Neymar na Europa. Tudo isso deve passar feito um turbilhão pela cabeça do jogador endinheirado da Vila. Neymar parece triste.

É inegável também que ele sentiu as críticas feitas por Pelé em reportagem publicada no Estadão há duas semanas, quando o Rei disse que o atacante estava mais preocupado em se ajeitar e ajeitar o próprio cabelo do que jogar para o Santos. Neymar precisa de ajuda. Já tem em Muricy Ramalho um grande orientador e incentivador. Deveria ouvi-lo mais. Talvez precise também de novos desafios. E ele já entendeu que o Paulistão ou mais um Brasileiro não fará diferença em sua carreira.

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A alegria do futebol não combina com jogos sem torcida. Tampouco a emoção das belas jogadas. Um drible ou um gol só é eternizado porque as pessoas não se esquecem dele, porque a ginga ou a rede balançando provoca sentimentos imediatos, e dos mais variados. Aplausos, sorrisos, lágrimas. A expressão ‘Aguenta, coração!’, de mestre Fiori Gigliotti, traduz esse sentimento em sua essência. Por isso, é claro que é triste ver um  jogo sem a manifestação da arquibancada, como esse Corinthians e Millonarios, no Pacaembu.

Ocorre que a decisão da Conmebol de fechar os portões para todos os jogos do Corinthians na Libertadores tinha de ser tomada. Era questão de honra. O Corinthians paga pela desorganização da competição, uma disputa em que se tem a sensação de ser ‘um vale tudo ‘ do futebol das Américas, com regras que no subconsciente dos participantes, clubes, dirigentes e torcida, não precisam necessariamente ser cumpridas.

O Corinthians merece pagar o pato porque um torcedor do seu time atirou um sinalizador que matou um menor na Bolívia, mas não pode ser o único. Em praticamente todas as partidas da Libertadores há ocorrências fora do campo, confusões, brigas e enfrentamentos de torcidas com a polícia. Isso sem falar das malandragens (alguns podem chamar de desonestidade e falta de jogo limpo) de alguns dirigentes, inclusive brasileiros, de impedir que adversários se aqueçam no gramado, que tomem banhos com água quente ou que se troquem em vestiários com cheiro de tinta fresca. Acham que vão ganhar o jogo dessa maneira.

O assunto ainda vai dar muito pano para manga, uma vez que já há torcedores corintianos que compraram ingressos para um dos três jogos do time na fase de grupos da Libertadores com liminares nas mãos dando a eles o direito de entrar no estádio. Um proíbe. Outro libera. E isso só contribui para aumentar a desorganização do torneio e a falta de mando dos homens da Conmebol que deveriam comandar. Não é de hoje. Ainda assim, o tema não pode morrer na punição imposta ao Corinthians. Digo que se a Conmebol quiser mesmo tomar as rédeas da competição e levar adiante sua intenção de passar a Libertadores a limpo, fazendo da disputa mais importante do continente um exemplo de campeonato bem organizado, muitas outras medidas devem ser tomadas. Imediatamente.

Todo mundo viu, por exemplo, a confusão ocorrida durante a partida entre Penãrol e Vélez, também pela Libertadores. Isso precisa acabar, mesmo se para isso a Conmebol tenha de entregar seu campeonato mais charmoso para clubes convidados.

E digo mais. A Fifa deve entrar nessa discussão também, oferecer ajuda, ajudar a punir os responsáveis, desfiliar clubes por uma, duas, três temporadas se for o caso. O que não pode acontecer é o tempo passar e tudo continuar da mesma maneira, como é há anos.

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Apareceu um culpado, menor, que se diz envergonhado e arrependido de ter acionado o sinalizador que matou outro menor na partida do Corinthians com o San José, em Oruro, pela Libertadores, semana passada. O menor que se diz responsável pela agressão é da Gaviões da Fiel e tem todo o aparato da torcida organizada para se defender judicialmente. Um advogado o acompanha desde que se ‘entregou’, primeiramente para os chefões da organizada, depois para a polícia brasileira, talvez na ordem que as coisas funcionem dentro da Gaviões. É claro que muitos pontos de sua história não batem, como o momento em que descobriu que o boliviano havia morrido, todo o dinheiro gasto para acompanhar o time na Bolívia e também para comprar os sinalizadores (havia 12 em sua mochila), enfim, tudo pareceu armado demais depois de dias.

Nada me tira da cabeça, e posso estar errado, que o Corinthians estaria orquestrando toda essa história para se livrar da pena imposta pela Conmebol, que é a de disputar a Libertadores com portões fechados no Brasil e sem mais o direito de adquirir carga de entradas para jogos fora. Tudo cheira a armação. E nem precisava tanto porque a decisão da Conmebol também parece mais encenação do que qualquer outra coisa, sobretudo conhecendo a entidade, sempre mais disposta em perpetuar seus mandos ou os mandos de quem a comanda do que de arrumar confusão com federações e clubes filiados. O fato é que nos bastidores dessa discussão já se diz que a Confederação Sul-Americana pensa em punir o Corinthians somente nas três primeiras partidas da fase de grupos e que essa história de o time brasileiro se retirar da competição é pura balela.

Não há como desassociar todas as letras desse enredo. A entrega do gavião na polícia implica diretamente nos 12 presos da organizada em Oruro. O desfecho do caso na Bolívia pode tomar outro rumo, já que agora se tem um culpado oficial, mesmo sendo no Brasil. Nada impede que os 12 corintianos sejam ainda arrolados em qualquer outro artigo das leis penais da Bolívia, como cúmplices, por exemplo. Ninguém sabe. O fato é que soa anormal um torcedor corintiano da Gaviões dizer em entrevista que ele não acha justo que outros paguem por um crime que ele cometeu. Nunca ouvi isso de torcedor nenhum de organizada de qualquer time, e olha que já cobri muitas brigas dessa gente em estádios, delegacias, fóruns. Daí minha quase conclusão de que tudo não passa de um grande arranjo para aliviar para o lado do mais forte: o Corinthians e os 12 membros da torcida presos em Oruro.

Basta ver que o advogado de defesa diz não ter a menor dúvida de que seu cliente é, de fato, o cara que soltou o sinalizador no estádio. Temos, portanto, um réu confesso e um advogado do réu também confesso: ‘foi ele’. Não duvido que tudo isso acabe em pagamento de cesta básica. Gostaria muito de estar errado nisso. Mas…

Fifa
A Fifa poderia também assumir o caso e decretar que a Libertadores, enquanto não se reorganizar na Conmebol, não terá mais o direito de ter o seu campeão no Mundial de Clubes. Isso não resolveria o problema do torcedor corintiano e do clube brasileiro, mas poderia ser o começo para que a Confederação Sul-Americana repensasse sua forma de tratar o futebol do continente.

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