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O talento dos jogadores ainda diz quem vai ganhar e quem vai perder numa Copa

Robson Morelli

sábado 07/06/14

Como jornalista, acompanho Copas do Mundo desde 1994, algumas in loco outras na retaguarda dos colegas que estavam na rua. E digo que é muito difícil ganhar uma competição dessas. Muito mesmo. Tudo tem de dar certo ao extremo. Um senão, e todo o trabalho é jogado na lata do lixo. Técnica ainda é o [...]

Como jornalista, acompanho Copas do Mundo desde 1994, algumas in loco outras na retaguarda dos colegas que estavam na rua. E digo que é muito difícil ganhar uma competição dessas. Muito mesmo. Tudo tem de dar certo ao extremo. Um senão, e todo o trabalho é jogado na lata do lixo. Técnica ainda é o que mais conta nos jogos de Copa. O físico dos jogadores vem em segundo lugar. Existem outras variantes, como concentração, erros bobos, falta de sorte, o entendimento do árbitro em uma jogada, escolhas do treinador, excessos …

Dunga ganhou tudo com a seleção até chegar na África do Sul, mas voltou precocemente depois de erros pessoais de dois de seus jogadores, Felipe Melo e Julio Cesar, na partida das quartas de final contra a Holanda. Em 2006, o time era sensacional, mas ninguém ou poucos estavam envolvidos. Quem imaginaria que a liberdade pudesse ser a alegria e a tristeza daqueles jogadores? Em 2002, tudo deu certo para Felipão. Quem imaginava, por exemplo, que Ronaldinho Gaúcho poderia fazer aquele gol de falta contra a Inglaterra? Ou que Ronaldo se ergueria após lesões seríssimas para ser o cara?

De uns tempos para cá, a organização tornou-se um ponto forte para delegações candidatas ao título. Tudo é feito e montado para que o jogador, o artista da companhia, tenha tranquilidade e não se preocupe com nada. Mais recentemente, abriu-se a concentração para as famílias, namoradas, filhos – uma forma para tirar a tensão. O material esportivo é o melhor possível, assim como a qualidade dos gramados.

Ocorre que tudo isso é feito para os dois lados, do favorito ao candidato a ser o lanterninha. E aí, quando a igualdade se faz presente em todos esses quesitos, o que sobra é o futebol, é o talento, é a magia e a malandragem do jogador. Evoluímos tanto nas Copas que o futebol ainda é o que se sobrepõe e determina quem vai ganhar e quem vai perder. Isso explica o fato de o Brasil sempre ser candidato ao caneco. No quesito ‘talento’, o Brasil ainda deita e rola. Digo talento no sentido de saber o que fazer com a bola quando todas as portas estão fechadas. Não é fácil e sempre para o Brasil todas as portas estarão fechadas.

Se a seleção que começa sua mais dura caminhada daqui a quatro dias entender isso, será meio caminho andado para o hexa.