Robson Morelli - Estadao.com.br
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Não seria demais se o povo brasileiro associasse a seleção brasileira à tudo o que está errado no Brasil, que associasse o time de Felipão ao governo, ao Comitê Organizador Local da Copa do Mundo, aos engravatados que liberaram montes e montes do dinheiro público para a construção dos estádios do Mundial. Isso ocorreu durante a Ditadura durante a Copa de 1970. A seleção liderada por Pelé em campo e que tinha Zagallo e Parreira no banco foi identificada com os militares. Não era.

Por isso Felipão disse que a “seleção é do povo”, que os “jogadores também são povo”. O fato é que ninguém do time nacional esperava que o Brasil fosse pegar fogo com protestos em todas as principais capitais do país em meio à Copa das Confederações. O que tem isentado também a seleção de todas as manifestações populares contra os gastos da Copa é o fato de os jogadores posicionarem-se favoráveis às manifestações. Muitos deles, como o próprio Neymar, se disse orgulhoso do que está acontecendo no Brasil.

E a onda de protesto pegou, não há dúvidas. Em cidades grandes e cidades menores, em capitais ou praças do Interior. O fato é que todos querem se manifestar e protestar, reclamar, ser ouvido. O Brasil vive um basta às instituições políticas. Aqui em Fortaleza, a torcida esteve no treino do Brasil no Estádio Presidente Vargas. Liberar quase 5 mil pessoas para o treino foi a melhor coisa que Felipão e Parreira poderiam ter feito. Ganharam o público ali.

Até agora, e provavelmente continue assim, os protestos não vão recair sobre o time nacional.

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A seleção brasileira terá de mudar a sua cara para a partida contra o México. Os jogadores serão os mesmos que derrotaram o Japão na estreia, assim como o esquema tático. O que vai mudar é a velocidade do jogo, da bola, das tabelas no meio de campo. Essa é uma das formas que Felipão vê para que o Brasil supere os mexicanos e possa avançar na Copa das Confederações. Isso faz de Oscar um dos jogadores principais da seleção para essa partida. O meia do Chelsea, que não teve lá grande atuação diante dos japoneses, terá de melhorar e assumir o jogo, como fez contra a França, ainda em amistoso em Porto Alegre.

Felipão também já falou que não quer que seus zagueiros estiquem bolas para os atacantes sem que ela passe pelo meio de campo. Isso não existiu contra o Japão, mas também nem foi necessário. Com a posse de bola e muita velocidade, o treinador entende que o Brasil poderá criar jogadas e ocupar espaços no campo do rival.

O México perdeu na estreia para a Itália e agora precisa vencer o Brasil para continuar sonhando com a classificação. O Brasil sabe que não pode dar mole, principalmente porque os mexicanos têm sido um adversário apimentado e indigesto para os brasileiros.  Foram eles, quem não se lembra, que tiraram do time de Neymar, Lucas e companhia a inédita medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Londres.

Por isso é bom ficar esperto, Brasil!

Felipão também libera seus dribladores, Neymar sobretudo. Ele disse em sua entrevista que alguns jogadores do Brasil terão de vencer seus duelos com os marcadores. Além de Neymar, referia-se aos laterais Marcelo e Daniel Alves. Uma jogada vencida no 1 contra 1 e a seleção poderá abrir uma avenida na defesa mexicana.

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Felipão chegou o elenco, bateu no peito e disse que nada do que andam falando por aí da seleção é verdade. Em suas palavras, ainda somos pentacampeões mundiais e o vencedor das duas últimas edições da Copa das Confederações. Ora, então temos de acreditar que somos capazes. Primeiro ele falou tudo isso para seus jogadores, que compraram a ideia e fizeram de suas palavras uma tábua de mandamentos. Todos os jogadores do Brasil acreditam que, juntos, podem ganhar a competição que começa dia 15 contra o Japão.

Do ponto de vista da confiança interna que deve sempre existir em quem disputa torneios, ótimo. Tudo certo. Mas, e sempre tem um mas, esse grupo precisa jogar mais bola. Simples assim. Também acho que a seleção brasileira evoluiu, como os jogadores gostam de falar aqui em Goiânia. Paulinho mesmo cansou de repetir isso em sua entrevista nesta terça-feira. Evoluiu do nada para apenas o primeiro estágio. Não há dúvidas. Pelo menos agora o torcedor consegue escapar o Brasil: Julio Cesar, Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Luiz Gustavo, Paulinho e Oscar; Hulk, Fred e Neymar.

Gostem ou não, Felipão elegeu seus 11. Não deve mudar isso porque ele não é treinador que muda facilmente suas convicções. O próximo passo, e esse é fundamental já na Copa das Confederações, é fazer este time jogar bem, errar menos, ter mais confiança e menos desespero para chegar ao gol adversário, treinar jogadas capazes de surpreender, inventar mais. Momentos dos amistosos contra Inglaterra e França, confesso, vi um pouco disso. Mas foi bem pouco.

É claro também que esse trabalho passa necessariamente pelos pés de Neymar. Quando o atacante do Barcelona entrar de fato no jogo, a seleção dará um salto enorme.  Espera-se que Neymar esteja vivendo apenas uma fase ruim na seleção. Todos no elenco, inclusive Felipão e Parreira, fazem questão de dizer que Neymar é craque. Falam isso sempre que têm de responder sobre o jogador. Isso também faz parte do trabalho psicológico com o garoto.  Entre o cansaço e uma tendinite no joelho que ninguém na comissão técnica do Brasil confirma, prefiro acreditar que o melhor jogador do Brasil e a maior esperança de sucesso da equipe nas Confederações precisa apenas se recuperar do desgaste emocional e físico que foi sua transferência para a Espanha.

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Pode até ser que a Copa do Mundo de 2014 não seja ainda o Mundial de Neymar. Aos 21 anos, o atacante do Barcelona tem muito a aprender no futebol europeu e a amadurecer como atleta. Seu primeiro teste começa dia 15, contra o Japão, na primeira partida do Brasil na Copa das Confederações. Mas é inegável que Neymar não é daqueles jogadores que se sentem incomodados com a amarelinha. Basta vê-lo nos treinos e entre os companheiros mais experientes, que trabalharam em Goiânia nesta semana. Neymar treina como veterano e consegue se impor pelo carisma e qualidade técnica.

Isso basta em qualquer equipe. Todos na seleção sabem do que Neymar é capaz. Por isso também Parreira me disse que o garoto é a grande ESPERANÇA do Brasil na Copa. E essa esperança é sim com letras garrafais. Não há dúvidas de que Felipão tenta montar um time competitivo para que Neymar possa fazer suas mágicas em campo. “Ele é diferente”, disse Parreira. Diferente é como hoje em dia se qualifica um jogador acima da média.

O fato de Felipão e Parreira darem para ele a camisa 10 também tem muito da confiança que a comissão técnica deposita nele. Usar a 10 da seleção, por mais que essa camisa esteja desgastada, nunca será comum para o brasileiro, não depois que Pelé a eternizou. A 10 é a camisa do craque. Sempre será. Não digo que o mundo não tenha visto outros gênios do futebol mundial com números menos nobres nas costas. Cruyff usava a 14. Zidane, a 5. Mas a 10 sempre será a 10.

Neymar só precisa se achar em campo. Fazer o que sempre fez, sem se incomodar com os buracos que suas investidas possam ocasionalmente deixar para o adversário. Não é problema dele. Neymar cria. Os outros destroem. Felipão diz que seus volantes não são de fazer gols. Sabemos que não é bem assim e que ele ainda vai ter de se dobrar, mas enquanto isso não acontece, que fiquem na marcação para que Neymar possa infernizar lá na frente.

Acredito que isso seja mais um problema de Neymar do que de Felipão. Não tenho dúvidas de que o técnico dará total liberdade para Neymar atuar. Ele é que precisa tomar ciência disso e se soltar mais, provocar, passar o pé por cima da bola e atacar com objetividade. Quem viu Neymar jogar nesse semestre talvez tenha reparado que lhe falta um pouco de alegria, aquela alegria das dancinhas e dos gols bonitos. Neymar deve se tornar maduro sem perder sua molecagem. É assim que tem de ser.

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O empate de 2 a 2 contra os ingleses na reabertura oficial do Maracanã para a Copa das Confederações deve ser comentada com alguma cautela e boa dose de alegria. A felicidade se dá porque o Brasil hoje tem um time. Felipão escalou 11 jogadores de muita qualidade técnica, não há dúvidas. Você pode preferir Lucas no lugar de Hulk ou Hernanes no meio de campo ao lado de Paulinho. Mas aí é preferência. Como a de qualquer torcedor.

O fato é que a seleção brasileira, após uma semana de trabalho no Rio, já não apresenta mais aquela falta total de entrosamento, com jogadores sendo apresentados uns aos outros no Hino Nacional. O Brasil tem um time e esse time não tem mais pressa de chegar ao gol. Caminha fazendo a bola correr de pé em pé. Tudo bem que ainda existe um pouco de afobação, quando os zagueiros tentam lançar bolas aos atacantes, sem que elas passem pelo meio de campo.

Mas isso é questão de amadurecimento tático e boa dose de confiança. A seleção de antes não tinha mais confiança em jogar. Precisava sempre correr atrás do resultado e mostrar serviço. Penso que nesse jogo com a Inglaterra, o Brasil superou dificuldades e avançou. Bom. O torcedor também entendeu isso no Maracanã e esteve com o time o tempo todo.

Bom para Felipão, que começa a encurtar essa distância do campo com arquibancada. O resto é trabalho.

Falta ainda descobrir as melhores posições para alguns jogadores. Paulinho é um deles. Felipão deve segurar ou soltar o volante corintiano? Ele terá de decidir isso sozinho, ou com Murtosa, seu braço-direito. Se soltar Paulinho, alguém terá de ficar mais. Contra a Inglaterra houve momentos, poucos, é verdade, em que a defesa ficou mano a mano com dois atacantes. Isso não pode acontecer, jamais. Atenção.

Neymar também precisa se achar com a 10 do Brasil, camisa que ele usou nesta partida no Maracanã. Jogou bem, foi participativo, tentou o gol, mas ainda não foi Neymar que o torcedor quer ver. Talvez o craque precise de tempo, como Messi precisou para se impor na seleção argentina. Talvez. Ou esteja cansado. Acho que não. O fato é que Felipão vai tirar todo o peso de suas costas para que ele jogue com alegria e volte a fazer o que sabe de melhor: encantar.

É FANTÁSTICO
E na noite deste domingo, o programa da Rede Globo levou ao ar uma entrevista dada por Neymar quando ainda era um garotinho, muito antes de ser o craque que foi com a camisa do Santos. Entre suas preferências de menino, Neymar disse que torcida para o … PALMEIRAS.

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A lista do técnico Luiz Felipe Scolari para a Copa das Confederações é boa, sobretudo se a gente pensar nos 11 que podem ser titulares. O Brasil poderia ter a seguinte formação: Julio Cesar, Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Fernando, Hernanes, Paulinho e Oscar; Neymar e Fred. É uma seleção boa, desde que Felipão consiga fazer esse time jogar. No banco, para mudar o esquema ou tentar melhorar o redimento da equipe, se necessário, há três opções: Hulk, Lucas e Jadson. Digo isso porque ainda me lembro do jogo do Brasil com a Holanda na África do Sul, quando Dunga precisava mexer no time e não tinha muitas alternativas no banco. Deu no que deu.

A ideia é que Felipão não precise trocar tanto de jogadores no time, mas ele precisa ter alternativas caso precise correr atrás do marcador, fazer gols, virar resultados.

A defesa esta bem servida, não há dúvidas. Thiago Silva e David Luiz são zagueiros seguros e inteligentes. Julio Cesar é um bom goleiro, veterano, pronto. Os laterais, focados, podem fazer com que a torcida brasileira se esqueça de Cafu e Roberto Carlos, os dois últimos donos da posição. Livres, são opções interesantes de saída de bola.

O meio de campo tem qualidade no passe e nas investidas ao ataque. Na visão de Felipão, até de sobra. Fernando, do Grêmio, fará o trabalho duro, será o carregador de piano, o incansável marcador. Tem facilidade nos arremates de fora da área e num aperto, pode aparecer bem para ajudar. Hernanes e Paulinho são minhas apostas para equilibrar o setor. São jogadores técnicos, que sabem marcar e com passe bom na saída de bola. De quebra, se Felipão deixar, podem até figurar mais perto do goleiro adversário. Paulinho tem feito isso em todos os jogos do Corinthians, com certa facilidade e desenvoltura. Hernanes tem a mesma condição. E se o técnico precisar, também podem proteger a defesa.

Oscar, nesse esquema, e sem Ronaldinho Gaúcho, ausente na lista de Felipão, seria o grande maestro, com qualidade peculiar, boa técnica e muita inteligência. Neymar e Fred jogariam mais próximos do gol. O atacante do Fluminense empurraria as bolas para dentro, tarefa que faz muito bem. Seria uma espécie de Serginho Chulapa dos tempos modernos. Neymar faria o resto, com talento inigualável dentro do elenco. Seria o craque da companhia.

Portanto, o grupo é bom, tem qualidade e pode dar fruto. Pode se Felipão conseguir fazer esses jogadores atuarem juntos, com vontade, disposição e, acima de tudo, com qualidade. A bola agora está nos pés do treinador.

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Felipão não vai deixar acontecer na seleção o que aconteceu com ele no Palmeiras: não conseguir tirar de um elenco o que esse elenco pode dar e até oferecer. Foi esse o sentimento que o treinador teve após o empate com o Chile por 2 a 2 no Mineirão. Muito menos pelo resultado e bem mais pela forma com que o Brasil se comportou. Ronaldinho disse após a partida em que o time foi vaiado, diga-se, que todo mundo sabe que o grupo se reúne num dia, corre no gramado no outro e espera num terceiro pela hora do jogo. Ou seja: não treina. E isso tem peso no desempenho e rendimento da seleção.

Mas não pode ser a única explicação para a fraca atuação do Brasil em Minas. Felipão não entende o que leva seu time a entrar na correria dos adversários. O Brasil nas suas mãos tem sido um reflexo do que o oponente mostra em campo. Se o adversário coloca a bola no chão, a seleção também faz isso. Se, como diante do Chile, o rival impõe correria, por algum motivo o Brasil faz o mesmo. Está errado. Não é esse o padrão brasileiro de atuar. Nunca foi.

Entendo que isso tenha deixado Felipão insatisfeito a ponto de ele dizer que “ainda falta muito para organizar o time”. Porque na véspera ele afirmava que a equipe estava muito mais adiantada do que ele imaginava com tão pouco tempo de trabalho. O discurso mudou. E se Felipão falou isso em público é porque a cobrança no vestiário deve ter sido muito grande.

Cobrar e tentar mexer com o brio dos atletas também é uma estratégia do treinador. Sempre foi. Ele é bom nisso. Talvez ele queira usar essa apresentação ruim contra o Chile como um divisor de águas para o elenco. O fato é que dia 14 ele apresenta a lista da Copa das Confederações e a partir daí terá de focar nos seus 11 titulares. Essa coisa de colocar todo mundo em campo no segundo tempo também não deve continuar acontecendo. O tempo de teste para as Confederações acabou. Felipão busca agora entrosamento. Não vai inventar. Deverá montar o Brasil no 4-4-2, com dois zagueiros, dois volantes, dois meias e dois atacantes.

Terá de apresentar um time, e trabalhar com ele. Serão mais dois amistosos antes da estreia na competição. 180 minutos para ganhar entrosamento. Copa das Confederações não é Copa do Mundo, mas o torcedor quer ganhar tudo. Quer ver a seleção jogando bem em todas as partidas.  Felipão também. Por isso ele deu um gritou. É tudo ou nada.

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Restam poucas vagas, uma na defesa, uma no meio de campo e outra no ataque da seleção. O técnico Luiz Felipe Scolari já tem seu time. Já tem os 11 para a competição de junho. Pode até imaginar esse ou aquele na posição, mas quando assumiu o lugar de Mano Menezes, ele e Parreira sabiam que precisavam montar um time logo, mesmo que tivesse depois de fazer algumas modificações, o que é perfeitamente normal. Felipão vai definindo as posições.

Bem ou mal, com tem de apresentar um time para o torcedor.

No gol, enquanto seu antecessor levou 12 jogadores para testar, Felipão resgatou Julio Cesar e vai com ele até o fim do seu contrato, até o fim da Copa de 2014, salvo qualquer problema com o próprio jogador. E o mesmo vai fazendo nas outras posições. Na zaga, Thiago Silva e David Luiz são os caras. Fernando e Paulinho parecem compor os dois homens de marcação no meio, com qualidade para avançar. Felipão vai pensando por setor para depois arrancar o máximo de cada compartimento agregado ao time.

Arisco a dizer que o Brasil terá dois meias de armação. Ronaldinho Gaúcho e mais um. Um gênio e um jogador esforçado com características de criação. Gostaria de ver Kaká nessa função. Na cabeça do treinador, o nome mais forte para ocupar a posição é o de Jadson, do São Paulo, jogando bem ou não contra o Chile nesta quarta-feira. O desempenho pontual, durantes os 90 minutos, pesa muito, mas não é o único a ser levado em conta pelo treinador.

No ataque, Fred, que tem feito gols importantes pelo time desde que Felipão assumiu o posto pela segunda vez, é o titular da 9. Gostem ou não. Eu gosto. Pato (Corinthians) e Damião (Inter) brigam para conseguir convencer o chefe de que também merecem estar no grupo. Damião e Fred são jogadores que se equivalem. Pato joga mais fora da área. Pode ser uma opção diferente. Neymar vai ser sua grande aposta. O atacante do Santos é tudo o que ele tem de espetacular para tentar equilibrar o jogo contra rivais mais bem montados, casos de Itália, Inglaterra e, sobretudo, Alemanha. E ainda tem a Espanha nesse grupo.

Todas essas são seleções mais prontas que a do Brasil nesse momento, com esquemas táticos definidos e jogadores que já sabem o que fazer no grupo, e sem abrir mão de suas qualidades individuais.

Para quem ainda tem dúvidas, Felipão vai montar o Brasil das Confederações e da Copa de 2014 nos moldes do Brasil campeão do mundo em 2002. Com dois ou três zagueiros, dois volantes, dois meias e dois atacantes. Vai se valer do talento de Neymar, da inteligência dos meias, do faro de gol de Fred e da empolgação da torcida.

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Escrevi no último post que  a seleção brasileira começava a se impor. Foi depois de ver o jogo contra a Itália, empate por 2 a 2. Confesso que vi naquela apresentação um Brasil mais encorpado e sabedor do que fazer com a bola nos pés. Tomei muita cacetada do leitor, que não concordou comigo. Respeito todos os comentários. Mas continuei achando que a seleção tinha ido bem. Apostei que diante da Rússia, o Brasil encaixaria, finalmente, uma vitória sob o comando de Felipão.


E… quebrei a cara. A seleção jogou mal de novo, entrou na correria dos russos, não mostrou o mesmo padrão que vi diante dos italianos e só não perdeu porque Fred, que quase não tocou na bola o jogo todo, aproveitou jogada de Marcelo e Kulk pela esquerda e empatou. Não perdeu, como foi diante dos ingleses na reestreia de Felipão, mas jogou mal, sem criatividade e com a defesa tomando um suador danado. Se o empate contra a Itália tinha ficado de bom tamanho, apesar de o rival ter jogado melhor o tempo todo, a mesma igualdade (1 a 1) contra os russos teve sabor mais amargo.

Esperava sim uma vitória. E desta vez, não fiquei com a impressão de que o time tenha jogado bem. Portanto, dou a mão à palmatória e reconheço que o caminho é longo ainda. O problema é que não há mais prazo para fazer essa equipe jogar bem. É isso que incomoda o torcedor, a todos que gostam de ver a seleção em campo.

Ganhar ou perder, embora parece que não ganhamos mais, é do jogo. O que precisa acontecer é evoluir a cada rodada, a cada amistoso, a cade vez que Felipão reúne seus atletas. O próprio treinador reconheceu que o Brasil não saiu do lugar do jogo da Itália para esse diante dos russos. Acho até que o time andou para trás.

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Tudo bem que Julio Cesar, além de tomar dois gols, um deles porque estava adiantado, fez pelo menos quatro defesas importantes e que Neymar ainda não mostrou a mesma categoria quando veste a camisa do Santos, mas é inegável que o Brasil começa a engrossar o caldo e a se impor um pouco mais diante de adversários de peso. O empate em 2 a 2 com a Itália foi um bom teste para o time de Felipão, diga-se, o segundo desde que ele assumiu a vaga de Mano Menezes.


A seleção chegou a abrir dois gols no primeiro tempo, de Fred e Oscar. Mas achou que o jogo estava ganho. Claro, um erro que vai servir de lição para os próximos confrontos. Já dizia o ditado popular: o jogo só acaba quando o juiz termina. Essa é a lição de Genebra. Há também de se ressaltar a pedreira histórica que sempre foi a Azzurra, sobretudo essa nas mãos de Cesare Prandelli. O time é muito bom, bem armado na defesa e no meio de campo e com Balotelli e Giaccherini infernizando seus marcadores. Esse Balotelli é marrento, mas joga muito e tem um condicionamento físico invejável. Aos novatos de Felipão, o recado deve ser dado: seleção brasileira é coisa séria e onde não se permitem escorregões. Quem não entrar em campo com essa pegada, dança.

Na defesa, apesar da boa descoberta que foi Dante, Felipão deverá apostar em Thiago Silva. O jogador do PSG deve ser parceiro de David Luiz na zaga brasileira. Daniel Alves se soltou mais pela direita depois que pintou os cabelos de loiro. Isso é bom. Lembrou contra a Itália aquele jogador do Barcelona. Só não fez mais porque não recebeu mais bolas. Tudo bem que se esperava o corte de Daniel no gol de De Rossi, mas isso não pode tirar seus méritos na partida.

A dupla Hernanes e Fernando também funcionou. Ambos tiveram muito trabalho na marcação, mas isso também se deve à qualidade dos italianos. Hernanes deve ser titular. Fernando pode ser a maior aposta do treinador para a Copa das Confederações. Oscar e Kaká deveriam atuar juntos. Esse foi o pecado. Felipão errou ao colocar o meia do Real Madrid no lugar de Oscar. Se fizesse isso, teria de abrir mão de um dos três atacantes. Hulk era o mais indicado a sair porque estava pior que Neymar e Fred. Jogar com dois meias pode ser uma alteração tática quando o técnico quiser um time mais encorpado no setor. Perderia um atacante, o que pode acontecer sem dano para o time. Kaká e Oscar chegam bem.

Fred é o cara. O atacante tem faro de gol e cada vez mais toma noção disso. Ele nasceu para empurrar a bola para dentro do gol, como fez uma porção de atacantes antes dele na seleção. Neymar, pela primeira vez, jogou mais solto, sem tanta pressão nos ombros. E isso o ajudou. Participou dos gols, sobretudo o de Oscar. Neymar tem de jogar na seleção sem o peso de ser genial a cada vez que pegar na bola. Felipão já falou isso para ele. E tem razão. O resto é entrosamento.

A propósito, Julio Cesar é o goleiro do Brasil. E fim de papo.

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