O técnico Mano Menezes chega em momento crucial de seu trabalho à frente da seleção brasileira. Ou vai ou racha. Nesta sexta-feira, ele convoca mais uma vez o time nacional para uma série de quatro amistosos a partir de 26 de maio. O Brasil vai enfrentar Dinamarca, Estados Unidos, México e Argentina, todos fora do País, a maioria nos Estados Unidos.
Mano chamará um grupo só porque os jogos serão um na sequência do outro. Trata-se também de boa chance de o treinador dar padrão à seleção. O fato é que ninguém sabe ao certo quais serão esses jogadores. O Brasil não tem uma seleção na ponta língua do torcedor. Mano deverá fisgar seus atletas da lista de 52 que ele mesmo fez pensando na Olimpíada. Londres é o foco.
O treinador sabe que sua permanência no cargo depende de resultados. E a coisa está tão feia para o lado do treinador que não seria estranho se ele caísse após essa série de amistosos de maio e junho. O prazo era Londres, mas o novo presidente da CBF, José Maria Marin, poderá antecipar decisões. Uma mudança no comando da seleção também daria a Marin o respeito que ele tanto busca no posto, uma vez que ainda há muitas nuvens em seu trabalho. Vem coisa aí…
Nesta terça-feira o Brasil conheceu seus três primeiros adversários na fase inicial da Olimpíada de Londres. Mano Menezes será o comandante da molecada, que tenta o inédito ouro. Não era para ser. Mas o treinador se rendeu à ‘certeza’ de que pode levar a seleção ao lugar mais alto do pódio e resolveu comandar o time na Inglaterra.
A conquista olímpica já seduziu muitos outros técnicos e todos ficaram pelo caminho. Se Mano falhar em Londres, ele não será o primeiro. Ocorre que seu futuro até a Copa das Confederações em 2013, e mais tarde até a Copa do Mundo de 2014, passa necessariamente pela festa olímpica. Dúvido que Mano fique se faturar a prata. O bronze para um País pentacampeão mundial não vale nada, essa é a verdade.
O Brasil começa sua caminhada nos Jogos contra o Egito. Encara depois Bielo-Rússia e Nova Zelândia. Teoricamente, não são rivais páreos para a seleção, mesmo levando em conta o fato de Mano não ter um time pronto. Ninguém sabe ao certo quem serão os 18 jogadores da equipe olímpica. Mano fez uma pré-lista de 52. Só Kaká, dos selecionáveis, não está nela. A Fifa determina que 15 jogadores tenham até 23 anos. Três podem ser mais experientes.
O fato é que os chefes de Mano Menezes já lhe deram o aviso: ‘futebol é resultado’. A frase é de José Maria Marin, presidente da CBF, mas também foi dita por Andrés Sanchez, diretor de seleções da entidade. Em outras palavras, ou Mano ganha o ouro ou está fora.
Se Mano Menezes tivesse um pouco mais de orgulho próprio, teria pego o boné é se mandado da seleção. A gota d’água para o técnico teria sido o fato de o presidente da CBF, José Maria Marin, pedir para ver a lista dos jogadores que vão ser convocados para a Olimpíada de Londres. Tudo bem que a coisa deve ser mesmo conversada entre os pares à frente de qualquer trabalho. Ocorre que o pedido soa à cobrança para quem não sabe o que está fazendo, no caso Mano.
O técnico sofre pressão de todos os lados, do presidente da CBF ao torcedor de Manaus, passando pelo diretor de seleções da entidade, Andrés Sanches, seu amigo nos tempos de Corinthians. Parece insustentável sua permanência. É muita gente jogando contra. Mano fez 21 jogos no comando do Brasil e ganhou 13. Tem um aproveitamento de 70%. Mas não tem time.
O torcedor não sabe quem é o goleiro da seleção. As apostas são ruins e não convenceram. Pior: o time perdeu seus jogos contra rivais mais duros. Ganhou de Gabão, Egito e Bósnia nas três últimas partidas, mas isso não conta. São adversários fracos. Marin precisa mostrar que está no comando. Ele não vai segurar Mano caso o Brasil amargue novo fracasso na Olimpíada. Pode apostar.
E traduziram o francês de Jérôme Valcke de forma equivocada mesmo. ‘… se donner un coup de pied aux fesses’, embora signifique de fato … ‘dar um pontapé no traseiro’, também pode ser ‘acelerar o ritmo’ para os franceses.
O que mais tenho ouvido nas transmissões dos jogos do Campeonato Paulista são críticas à qualidade dos campos. No jogo do Guaratinguetá com o Corinthians, quarta-feira, o comentarista Neto, ex-meia dos bons, disse que o estado do gramado lembrava o de um pasto. Se não me falha a memória, chegou a dizer literalmente que o campo era um pasto e que por isso não dava para cobrar qualidade técnica dos jogadores.
Ora. Os clubes do Interior, há anos com o pires nas mãos, dão a mínima para a qualidade do gramado. Não que não se importem, mas na lista de prioridades esse quesito é um dos últimos. Há outros fatores mais importantes, como a folha de pagamento, a formação de um time razoável para não cair de divisão, por exemplo.
Então, esse problema da qualidade dos gramados do Paulistão não tem solução. A não ser que a FPF tome providências. Ajude. Empreste o dinheiro com parcelas a perder de vista. Ou então faça um campeonato mais curto, com menos equipes e deixe os “pastos” para divisões inferiores, em que a qualidade do gramado pouco importa.
O fato é que alguma coisa precisa ser feita. E já.
Amigos, paro por uma semana, um pouquinho mais. Nos vemos em breve por aqui.
Amigo do futebol, hoje a bola vai rolar. E vai ser em Belém, onde a Seleção Brasileira voltou a sentir o calor do povo e a ser amada ainda sem merecer. No Mangueirão, casa cheia, o Brasil tenta ganhar sua primeira competição pelas mãos de Mano Menezes, se é que podemos chamar o Superclássico das Américas dessa forma. O fato é que do jogo contra a Argentina sairá um campeão. No encontro de ida, com as duas equipes também formadas com jogadores de casa, houve empate.
Ocorre que esse jogo já está marcado por outro motivo. Refiro-me à renúncia do lateral gremista Mário Fernandes ao chamado de Mano. A ousadia, ou qualquer outro nome que queiram dar à decisão do atleta, requer mais discussão do que propriamente uma condenação. Quem nunca pensou em largar tudo que atire a primeira pedra.
Mário Fernandes não é jogador da Seleção. Tem potencial para se firmar nesse grupo ou em outros se assim desejar, se nada de ruim lhe acontecer na carreira, jovem que ainda é. Atendeu, por exemplo, ao chamado da primeira partida contra os argentinos. E aí começam as especulações. Ele não teria se adaptado ao elenco, à forma de trabalho de Mano, à presença de alguns jogadores… Pode ser.
Há episódios em sua vida que podem ser relacionados ao pedido de dispensa. Podem, mas não são necessariamente respostas para sua desistência. Falta de personalidade ou excesso dela? Lembram da confusão que Leonardo fez ao deixar a Seleção na Copa América de 1999? Fato até hoje mal explicado, a não ser pela conclusão de que o jogador queria e não tinha a braçadeira de capitão.
O garoto se disse envolvido com o Grêmio, com alguns problemas pessoais, com sua vida longe da Seleção e das pessoas que a formam nesse momento. É legítimo não querer estar aonde não se sente bem. Pode haver transparência maior nos dias de hoje que assumir vontades individuais em detrimento de causas coletivas?
Há uma série de outros jogadores que já fizeram o mesmo, alguns por acharem que o dever já estava cumprido, como Pelé depois de 1970, outros que não deveriam sequer começá-lo. Existe ainda, nesse episódio todo, o fato de a convocação de Mário Fernandes ter acontecido somente porque o jogo não é em data Fifa. Se fosse, ele poderia nem passar perto do time de Mano.
Coluna publicada no JT desta quarta-feira
Ganhar e não levar tem sido a sina de alguns grandes do futebol brasileiro. Nesta quinta-feira aconteceu com o Palmeiras. A vitória de 3 a 1 sobre o Vasco na Sul-Americano deixou o torcedor com aquele gostinho de que o time pode brigar com seus rivais de igual para igual. O Palmeiras precisava fazer 2 a 0 para levar a disputa para os pênaltis porque perdeu no Rio pelo mesmo placar. O gol de Kleber deu essa condição ao Palmeiras.
Aí a confiança seria em Marcos. Que outro goleiro melhor para estar numa disputa por pênaltis?
O que não estava no script do torcedor palmeirenses era aquele pombo sem asa de Jumar para fazer 2 a 1. O cara chutou do meio da rua e a bola fez mais curvas do que a estrada velha de Campinas. Alguns palmeirenses disseram que Marcos poderia ter ao menos tentado a defesa. Não daria.
O gol vascaíno obrigou o Palmeiras a fazer mais dois. Ai já era milagre demais. Até que o time de Felipão marcou o terceiro, 3 a 1, mas insuficiente para dar ao Palmeiras a vaga da próxima fase.
O Vasco, dirigido pelo técnico Ricardo Gomes, o RG, faz bonito na temporada. Ganhou a Copa do Brasil, beliscou vaga na Sul-Americana e vai para as cabeças no Brasileiro. Só para fazer uma comparação breve, o Santos faturou a Libertadores e sofre para sair das últimas posições no Nacional.
Ao Palmeiras resta a esperança de ter ajeitado o time para o clássico com o Corinthians, domingo, em Presidente Prudente. Se perder, entendo que a campanha vai para o vinagre. Aí Felipão terá de tirar leite de pedra para deixar o elenco animado para pelo menos brigar por uma vaga da Libertadores de 2012. Se ganhar é outro história. É clássico que muda destino de time.
LEIA COMO FOI O JOGO PALMEIRAS 3 X 1 VASCO
Um jogador de futebol tem o direito de se filiar ou ter seu nome vinculado oficialmente a uma torcida organizada? Esta é a pergunta que toma conta das discussões nesta terça-feira desde que a Gaviões da Fiel, do Corinthians, divulgou em seu twitter que o atacante Kleber, do Palmeiras, preencheu uma ficha de inscrição para se associar à uniformizada.
Isso foi em 2001, quando Kleber tinha 18 anos e ainda era jogador de base do São Paulo. Tenho pegado muito no pé de Kleber neste espaço, mas desta vez acho que os seguidores da Gaviões foram sacanas com o atacante. Soltaram a informação às vésperas do clássico de domingo entre Palmeiras e Corinthians. Provocação pura para tirar a concentração do jogador, sabedores do perigo que ele representa no ataque palmeirense, mesmo estando sem marcar desde junho.
Mas isso não responde minha pergunta. Acho que sim, mas limitaria sua disposição de defender outros times da mesma cidade. Imagine um jogador do Cruzeiro sendo sócio da torcida do Atlético Mineiro. Ou de um atleta do Grêmio com ficha da organziada do Internacional.
O futebol brasileiro, talvez mundial, não está preparado para isso. A rivalidade, e em muitos casos boa dose de ignorância, ainda impera entre essa gente. É preciso pensar o assunto com cuidado para não esquentar um clima hostil por natureza entre as uniformizadas.
Digo que é preciso respeitar a decisão de Kleber, sobretudo porque ele tinha 18 anos e nem jogador era ainda. Todos sabem que o atacante não se esquiva de confusão, mas neste caso ele foi pego de calças curtas. Que o torcedor palmeirense entenda isso.
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