Robson Morelli - Estadao.com.br

Robson Morelli

Já escrevi neste mesmo espaço muito sobre Adriano, infelizmente sempre retratando feitos pouco esportivos e só prejudicaram sua carreira e imagem. Já entrevistei Adriano algumas vezes, no São Paulo e, sobretudo, na seleção e ele sempre me pareceu um sujeito bacana. Quando jogava, e quando os treinadores não inventavam lugar para ele dentro de campo, Adriano era um atacante com faro de gol. Um trator que não economizava forças para empurrar a bola para o gol. Não era habilidoso, embora tivesse alguma técnica. E sabia chutar. Seu corpanzil sempre foi uma arma que lohe ajudou muito entre os marcadores.

Agora que tenta voltar a jogar por conta própria, pelo menos demonstra querer emagracer e se recuperar de cirurgia no tendão, há de se ressaltar o fato, o feito e, quam sabe, o resultado. Seu segundo desafio é seduzir algum dirigente de clube interessado em contratá-lo. Nesse último ano, Adriano perdeu o restinho de confiança que tinha no futebol. Ninguém mais lhe estende a mão, ao menos para o trabalho. E agora ele tenta dar a volta por cima. Mesmo tendo de esperar para ver no que vai dar, vale a ressalta da boa iniciativa.

O futebol deve dar nova chance para Adriano?

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A Liga dos Campeões, torneio mais charmoso e importante da Europa, rouba a cena e a atenção dos torcedores do mundo inteiro nesta semana. Mesmo aqui no Brasil, onde vivemos a dura realidade dos penapolenses e mirassóis, além dos clubes tradicionais que vivem na eterna gangorra dentros das temporadas, Bayern, Barcelona, Real Madrid e Borussia, dois gigantes da Espanha e outros dois do mesmo tamanho da Alemanha, já caíram no gosto da nossa garotada. E muitos outros da Europa também. Tem moleque que conhece mais as cores e distintivos dos times de fora do que daqueles que camelam nos rincões do País. Não deveria ser assim. Mas é. E por quê? Por vários motivos. Vamos pegar o exemplo do Real Madrid. Mas poderia ser qualquer outro. O clube espanhol faz sua pré-temporada na Ásia e agora nos Estados Unidos, por determinação do técnico José Mourinho. Seus jogos são negociados mundo afora. Seus jogadores vendem camisa. Para não perder essa pegada, mesmo em tempos de vacas magras e sem conquistas, ter um elenco forte nunca deixou de ser reivindicação de treinadores e presidentes. Assim como mostrar-se ao planeta se faz necessário todos os dias.

E se o Real Madrid não ‘vende’ em Barcelona, o time vai atrás de outras praças para expandir seu negócio e sua torcida. Flamengo, Corinthians, São Paulo, Inter e tantos outros do futebol brasileiro teriam a mesma facilidade para ganhar o mundo dado algumas conquistas importantes na história. No passado era assim. Os clubes do Rio, sobretudo, arranjavam brechas nas agendas para excursões. Tudo bem que havia no Botafogo um Garrincha. Ou um Pelé no Santos. Mas não só por isso. Perdemos esse bonde, mas poderemos tomá-lo em outra esquina, mais para frente, com mais marketing, divulgação, montando escolinhas como o Boca Juniors faz no Brasil e tendo bons jogadores. Tudo é uma questão de trabalhar a marca do clube, e isso passa diretamente pela qualidade do elenco. Uma coisa chama a outra.

Corinthians e São Paulo, por exemplo, estudam a possibilidade de disputar a Recopa na China. Ótima ideia. Nem precisava ir tão longe. Bastava marcar o jogo em algum estado do Nordeste. Mas e o fato de deixar os torcedores locais, da cidade de São Paulo, a ver navios? Não deixam. Há cerca de 70 jogos por temporada no futebol brasileiro. É jogo pacas. Dez desses poderiam muito bem ser disputados em outros lugares, cidade novas, países diferentes. O Santos saiu da Vila nesse Paulistão e conseguiu colocar bons públicos no Pacaembu, embora a proximidade das cidades pode fazer com que o público seja parecido. Perdemos quatro meses com os estaduais. É fato também. Os times que poderiam fazer a alegria de muita gente se valeram de equipes mistas, quando não reservas, e futebol sonolento, sem craques e empolgação. O São Paulo foi assim. A única exceção ainda é o Santos, que tem Neymar. Mesmo assim, o clube trabalhou muito mal a permanência do craque em suas fileiras nesses dois últimos anos.

Nossas rendas e bilheterias, exceto nos jogos do Corinthians, são baixas a não ser quando há alguma emoção em jogo, como a partida do São Paulo com o Atlético-MG, ou ainda a ‘decisão’ do Palmeiras com o Libertad. Fora isso, é vergonhoso. Daí a necessidade de se repensar tudo, e melhor: da cabeça de nossos dirigentes à comodidade de quem merece e paga pelo espetáculo, o torcedor.

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Parece sina. Pode ser fatalidade. Um operário morreu nesta segunda-feira nas obras da Arena Palestra, o novo estádio do Palmeiras. Agora que o time começava a ser assunto positivo nos bares e padarias por causa do futebol competitivo mostrado no Paulistão e Copa Libertadores, uma tragédia irreparável se apresenta ao clube. Vigas que sustentavam placas de concreto desabaram, provocando a morte instantânea de Carlos de Jesus, de 34 anos, um dos trabalhadores da WTorre empregados na construção. Carlos fazia história ao participar de uma obra gigantesca e importante para a comunidade palestrina e para a própria cidade de São Paulo. A polícia investiga os fatos. Uma perícia será feita a fim de averiguar o que aconteceu, se de fato tratou-se de um acidente ou se o pé no acelerador da obra foi acionado mais do que deveria.


Embora a Arena Palestra não esteja no caminho da Copa das Confederações e Copa do Mundo, o estádio também corria contra o tempo para ser entregue no começo do próximo ano, portanto, antes de o Mundial começar e bem antes de os turistas desembarcarem no Brasil. O Grêmio, que também fez seu estádio por conta própria, viveu situação parecida em Porto Alegre. Não há informações de desabamentos durante o processo de construção do estádio, mas grades erguidas para sustentar os torcedores no setor mais barato do estádio vieram abaixo quando sua tradicional avalanche foi testada de fato. Pessoas ficaram feridas. O episódio, assim como a tragédia da Arena Palestra, ganhou o noticiário de forma negativa. Um peso nas costas do país que organiza uma Copa, claro.

Fico imaginando o que os torcedores estrangeiros estariam pensando do Brasil nesse momento. Por isso que temos de respeitar os prazos das construções sim, mas também confiar nas pessoas que tocam essas obras quando solicitam mais tempo para a entrega. A Fifa trabalha com datas. Os responsáveis do Comitê Organizador Local (COL) precisam trabalhar também com segurança. A morte do operário da Arena Palestra, que morreu trabalhando, esmagado por uma placa de cimento, poderia ter acontecido em qualquer um desses estádios que ainda não foram entregues para o torneio de 2014, como o Itaquerão, palco da abertura da competição, cujos prazos se esgotam e as obras são aceleradas a qualquer custo. Digo que não pode ser de qualquer jeito, como boa parte das coisas que acontecem nesse País. A prova está aí, debaixo da placa de concreto.

Carlos de Jesus ou qualquer outro trabalhador não merecia tamanha sorte, ou falta dela. Gostaria muito de pensar que tudo não passou de uma fatalidade, de verdade, que alguma coisa feita de forma correta na Arena Palestra deu problema sem que ninguém pudesse ser responsabilizado. Mas não tenho essa certeza. A perícia vai nos dizer isso.

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Duas classificações asseguradas com antecedência, no Paulistão e na Libertadores, digamos, eram possibilidades que o torcedor do Palmeiras não esperava. Sejamos francos. Não seria demais dizer que o Palmeiras, pelo que demonstrou neste começo de ano, teria muitas dificuldades para conseguir vaga nas fases seguintes das duas competições, mesmo sendo o Estadual uma baba. Libertadores então, era só para cumprir tabela. Contra essa sina, o Palmeiras se superou.

Méritos para um elenco esforçado, e nada mais que isso. Ocorre que no futebol, ter raça, e boa dose de disposição, pode sim trazer resultados. É dessa água que o Palmeiras bebe no momento. Jogando com vontade, sem frescura ou salto alto, o time de Gilson Kleina tem comemorado vitórias importantes, uma atrás da outra, e classificações que até Deus duvidava. De modo que com isso conseguiu uma terceira façanha: reconquistar seu torcedor.

Ver um Pacaembu lotado, e depois uma festa, mesmo que timidamente, pelas ruas da cidade, era algo impensável há dois meses. O torcedor admira jogadores que correm atrás da bola com dedicação e empenho. Reconhece nos rostos desconhecidos dos atletas força para levar o time mais longe. É o que tem acontecido. De quebra, o clube consegue faturar um pouco mais com bilheteria (R$ 1,3 milhão nessa partida com o Libertad, pela Libertadores) e prestígio. É muito mais fácil fechar negócios com a equipe ganhando do que com ela lamentando derrotas, claro. E esse também é o momento do Palmeiras. Brunoro e seus comandados tentam ‘vender’ o Palmeiras a preço mais alto. As classificações podem ajudar nisso.

Só não podem se iludir. Esse Palmeiras que voltou a dar emoção à sua torcida não é um time capaz tecnicamente de chegar longe diante de rivais mais qualificados. E adversários mais qualificados o time vai encontrar nas fases de mata-mata do Paulistão e da Libertadores. O presidente Paulo Nobre precisa continuar seu trabalho de pescador para trazer reforços, jogadores com mais qualidade técnica para ajudar até esses meninos que começam a mostrar apetite e envolvimento. Só assim eles crescerão.

É preciso também resolver de alguma maneira mais efetiva a recuperação física e clínica de jogadores importantes para o time, como Valdivia, que continua se machucando demais e jogando de menos. Isso é fato. É preciso fazer alguma coisa mais séria com esse rapaz. Não dá para ter Valdivia internado no departamento médico do clube por tanto tempo. Com tamanho avanço na medicina esportiva, é duro engolir tantas contusões musculares.

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O cheiro começa a ser forte contra o presidente da CBF, José Maria Marin. Há manifestações públicas pipocando pelo Brasil, algumas vindas de fora, mais precisamente da Suíça, contra a permanência do cartola no comando do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo, cargo, diga-se, herdado por ele de Ricardo Teixeira, que abandonou o barco em meio à uma série de acusações ainda não explicadas totalmente e que foi morar bem longe do Rio, em Boca Raton, nos Estados Unidos. Marin começa a sofrer as mesmas acusações, e ainda pesa contra ele sua participação nos tempos de chumbo do País.

Seria a segunda alteração desde que o Brasil, de forma geral, começou a mexer na competição mais importante do futebol mundial. Nova troca a essa altura do jogo, seria uma demonstração péssima de falta de comando, desprestígio e bagunça, ou outro sentimento qualquer dessa natureza, diante da nossa capacidade de organizar um evento de grande porte. É claro que o futebol vai acontecer de qualquer maneira, já a partir de junho, quando o Brasil recebe a Copa das Confederações, meio teste para a Copa do Mundo. Disso não há dúvidas. Ocorre que nossa imagem ficará arranhada por tantas trocas. Marin, se cair do COL, dará inúmeras explicações para o fato. Pode até ter razão em algumas delas. Mas a impressão que fica é que ele bebe da mesma água de seu antecessor. E aí é mais um gol contra do Brasil, mais um chute no traseiro, para usar a frase dita e depois ‘desdita’ pelo secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, sobre a lentidão das obras dos estádios no ano passado. Seremos um País, ao menos no esporte internacional, movido a chutes no traseiro. Uma vergonha.

De modo que se isso acontecer de fato, ficará muito claro que quem dá as cartas no país do futebol em relação à Copa do Mundo é a Fifa e o governo brasileiro. A CBF e Marin apareceriam nessa composição como meros coadjuvantes, a turma do abraço e do sorriso. Isso não muda nada o desenrolar da competição e de sua organização. Nada. A não ser o prestígio abalado da entidade sediada no Rio e de seu comandante maior. A Fifa estaria de olho em Ronaldo Fenômeno para essa função. Na verdade, sempre esteve, mesmo embora o ex-jogador insiste em costurar compromissos que se confrontam, como ser comentarista da Globo e responsável pela Copa. Será pedra e vidraça no mesmo lance. Ronaldo garante, dentro da conduta que fez no futebol, que não economizará uma frase sequer para criticar, quem sabe, possíveis condições ruins dos novos estádios e de nossos organizadores. Será?

O Ministério do Esporte não tem poder para tirar Marin ou quem quer que seja de suas funções no futebol. A solução, se Brasília quiser mesmo levar esse caso adiante, é apelar para senadores e deputados federais. Romário é quem mais bate de frente com Marin. Ambos se acusam. O ex-atacante anda pegando pesado contra o presidente da CBF. Vai ser processado por isso, não há dúvidas. Talvez nem dê tempo para qualquer movimentação legal sobre isso, diga-se. Afinal, a Copa das Confederações já está nos nossos calcanhares e a Mundial corre bem perto de ter tudo pronto até o fim do ano. Mas que o cheiro é forte, é.

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O gesto de Alexandre Pato pedindo silêncio ou mandando o torcedor sao-paulino calar a boca pode transformá-lo no mais novo herói corintiano, depois de Emerson, na Libertadores, e Guerrero, no Mundial de Clubes da Fifa. Dedo na boca, o atacante saiu correndo pelo gramado do Morumbi após gol de pênalti no segundo tempo, que decretou a vitória dos visitantes.


Pato estava com a torcida do São Paulo entalada após ouvir provocações no clássico. Os jogadores corintianos foram chamados de ‘assassinos’ pela morte do torcedor do San Jose, naquele episódio do sinalizador pela Copa Libertadores. Os jogadores não precisam ouvir isso dos rivais, assim como os rivais não poderiam brincar com assunto tão sério como este, muito menos reverenciar ou culpar quem quer que seja. Há 12 corintianos presos em Oruro, na Bolívia, onde aconteceu o fato. E um corintiano continua detido em São Paulo após se entregar dizendo-se culpado.

As policias e justiça dos dois lados, Brasil e Bolívia, tratam do assunto com a competência que lhe cabe. Pato ficou com a aquilo na cabeça o jogo todo e quando entrou e teve a chance de marcar um gol, não teve dúvidas de dar o troco. “Para vocês que nos chamaram de assassinos! Somos apenas jogadores tentando levar a alegria para vocês”, escreveu o jogador nas redes sociais. Pato foi punido com amarelo na comemoração.

A provocação da torcida do São Paulo estava tão entalada entre os corintianos no Morumbi que até o sempre discreto e educado Tite tratou de assinar embaixo o desabafa de Pato. ” O Pato fez o sinal que eu gostaria de ter feito (para a torcida). Ninguém tem o direito de nos chamar de assassinos, e foi por isso que ele ficou revoltado. O gesto dele foi o meu também. Eu me senti desrespeitado.”

Pato também não é um jogador maldoso ou que se envolva em confusão com torcida ou atletas rivais. Também ainda não sabe o tamanho da rivalidade entre são-paulinos e corintianos, que beira o ódio. São inimigos, todos dizem, e não se respeitam. Daí a possibilidade de a torcida do Corinthians eleger seu mais novo candidato a herói. Em contrapartida, Pato poderá ser pessoa non grata pelos lados do Morumbi. E talvez isso seja para sempre.

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O Corinthians se move para tentar socorrer os 12 de Oruro, aqueles torcedores que foram  e estão presos na Bolívia acusados de participar da confusão que matou um menor boliviano de 16 anos, atingido por um sinalizador. O grupo de corintianos foi preso dia 20 de fevereiro, portanto, mais de um mês. Desde então, permanecem detidos numa Penitenciária da cidade de Oruro, em condições de presos como em qualwuer lugar do mundo. Como o assunto saiu do noticiário com a frequência que estava nos dias seguintes à morte do garoto torcedor do San José, familiares dos torcedores presos começam a pressionar os dirigente corintianos para que alguma coisa seja feita.

Existia a crença de que eles fossem soltos após a Gaviões da Fiel entregar para a Justiça brasileira um culpado confesso. Ocorre que isso não aconteceu e nada mudou em Oruro.

Pressionado, o Corinthians resolveu também pressionar quem pode ajudar no caso, até como uma forma de se justificar diante de sua torcida, ou quem os dirigentes do clube entendem que pode ajudar os 12 de Oruro. Diplomatas brasileiros encabeçam essa lista. Quem também anda recebendo ligações nesse sentido são os dirigentes de emissoras de tevês que têm os direitos de transmissão dos jogos da Libertadores da América. O Corinthians tenta engrossar o caldo para livrar das grades seus torcedores, como se bastasse fazer pressão para que a Justiça, do Brasil ou de fora dele, mudasse de caminho e abrisse mão de prender, investigar e condenar responsáveis. Esquece-se, por vezes, que um menino morreu dentro do campo de futebol, de modo que o assunto não deve ser tratado em outras esferas, o que parece começar a ocorrer. Espero o dia em que vão dizer que o culpado era o garoto boliviano morto pelo sinalizador.

Com o tempo, os argumentos também vão se refazendo. Os 12 de Oruro se dizem ameaçados na prisão, convivendo com pessoas diferentes deles e, portanto, perigosas. Temem por suas vidas. Em face disso, a partir dessa semana, o governo brasileiro vai intensificar sua tratativas e pedidos para que a Justiça boliviana esteja atenta para qualquer tipo de maus tratos no xadrez. Se colar, será pedida a transferência dos acusados ou para um lugar ‘mais brando’ ou até mesmo para uma prisão domiciliar na própria Bolívia.

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Os campeonatos precisam responder a anseios da torcida. Os Estaduais mais ainda, porque falam diretamente com públicos locais. Daí a necessidade de se repensar o sonolento Paulistão. E a maior comparação do fracasso de sua fórmula de disputa é o estardalhaço dado à primeira decisão no futebol carioca. Enquanto um padece, o outro vive de alegria. Os paulistas que me descupem, mas a maneira da turma do Rio de começar a temprada é muito mais divertida e empolgante. Para não ficar somente nas opiniões, um número: na final da Taça Guanabara deste domingo, entre Botafogo e Vasco, o Engenhão recebeu 40 mil torcedores. Deu Botafogo. No clássico entre São Paulo x Palmeiras, como se viu morno e sem gols, apenas 18 mil torcedores foram ao Morumbi.

Só isso já dá um pouco do tom das disputas. Mas tem mais. Enquanto o Paulistão se arrasta pela sua 12ª rodada e serão 19 nesta fase de classificação, o Cariocão já teve uma decisão, já há um campeão no Rio e já tem uma torcida em festa. Se lá nesta segunda-feira foi dia de trabalhar com a camisa do Fogão, com muito orgulho, em São Paulo não há motivos para comemorar. O São Paulo, líder do Paulistão, está no paredão porque não consegue fazer um começo de Libertadores consistente. Isso também dimensiona o peso do Estadual nesse momento. É claro que os grandes de São Paulo (Corinthians, Santos, São Paulo e Palmeiras) querem muito ganhar mais um Campeonato Paulista. Não há dúvidas disso, como também não há dúvidas de que qualquer dirigente e técnico desses gigantes vão apostar e priorizar a Libertadores (disputada simultaneamente com o Paulistão) em detrimento das partidas dessa primeira fase do Estadual.

Já tem ocorrido isso, e só a Federação Paulista não vê. A não ser que o jogo em questão tem algum peso. E nem o clássico do Morumbi deste fim de semana valia alguma coisa.

São Paulo e Corinthians já usam times reservas no Campeonato Paulista, fortalecidos por um ou outro jogador para não caracterizar equipes B de fato. E vai ser assim até o fim da fase classificatória. A emoção só vai começar nas etapas de mata-mata, mesmo assim se a condição técnica dos rivais não for gigantesca. Talvez nas quarta de final a coisa esquente. Enquanto isso não chegar, vamos continuar vendo uma ou outra partida mais bem disputada e com públicos maiores. Com emoção. O futebol vive disso.

Fazer um campeonato mais curto, com jogos decisivos e reunir dois campeões para uma grande final talvez seja o caminho do Paulistão. O argumento de que os times do Interior precisam jogar pode até ser válido, mas o torcedor não pode pagar por isso com partidas sonolentos e de pouca valia.

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Foi um clássico morno no primeiro tempo, mas bem agitado no segundo, com chances de gols dos dois lados, boas jogadas e muita emoção. Pena que a maioria dos jogadores, ou pelo menos os principais, já estava cansada. Pena também que não tenha saído gol. Clássico sem gol é jogo incompleto.

Três assuntos podem ser destacados no jogo do Morumbi.

1 – A volta de Valdivia - Depois de pressionado pela torcida após gestos obscenos, e provocado a ira da Mancha, que tentou bater em jogadores no aeroporto de Buenos Aires, o meia admite seu desejo de permanecer no Palmeiras para ajudar a equipe a subir no Brasileiro e para também festejar seu centenário em 2014. No Morumbi, Valdivia jogou bem, provocou a expulsão de Lúcio e cansou de deixar Vinícius em condições de gol. Apesar dos aborrecimentos da última semana, em que foi pivô e teve sua parcela de responsabilidade, Valdivia voltou a sorrir também porque foi novamente chamado para a seleção do Chile.

2 – Ganso não aprova sua substituição - O meia do São Paulo, questionado desde o começo da temporada, vinha aceitando a reserva como natural devido ao seu momento no time. Estava mal, Jadson voava e Ney Franco insistia no sistema do ano passado, quando Lucas atuava pela direita e infernizava os marcadores. Pouco disso mudou, é verdade. Só Ganso, que parece não aceitar mais tão facilmente o banco de reservas e as substituições. Ele não gostou de deixar o clássico no começo do segundo tempo, quando foi trocado por Jadson. Não reclamou, mas fez cara de insatisfeito.

3 – As torcida, organizadas ou não, mantiveram seu posto nas arquibancadas. Bom para elas e para o futebol. Todos ganham com isso. É preciso acabar com essa valentia de bando dos torcedores e desse desejo de querer fazer ‘justiça’ com as próprias mãos. Há muito o mundo deixou isso para trás. Menos os organizados do futebol. Está mais do que na hora de amadurecer.

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As grandes procuras nesta época de reformulações de elencos estão quase sempre no encalço dos jogadores capazes de organizar os times, os meias. Montillo, Ganso, Alex, Seedorf, Riquelme. Alguns, com contratos definidos em seus respectivos clubes, servem apenas de exemplos para outros. Os que estão no mercado, viram objetivo de desejo de todos eles. É o caso de Montillo e Riquelme, curiosamente dois argentinos. Ambos na mira de clubes que darão o que falar em 2013, pelo menos é isso que o torcedor espera deles.

O Palmeiras tenta de todas as formas contratar Riquelme. O Santos parece se acertar, finalmente, com Montillo, do Cruzeiro. Ambos também são camisas 10. O fato de carregar nas costas o número que Pelé eternizou e glorificou ainda tem sua fantasia, embora cada vez menos. Antigamente, o craque do time era o 10: Zico, Maradona, Pelé, Raí, Ademir da Guia, Alex, Zenon, Jorge Mendonça, Dicá, Giovanni, Denner… e tantos outros. Era o cara a ser marcado.

Há dois fatores que contribuíram para que os camisas 10 se confundissem com reles mortais: as safras ruins e a insistente decisão dos técnicos de pedirem para eles ajudar na marcação.  Pura cretinice. É um absurdo pedir para o cara de maior talento no grupo cercar o adversário, dar carrinho na lateral, correr como louco para fechar os espaços vazios. Que peça para outro! Imagine o Palmeiras se acertando com Riquelme e o técnico Gilson Kleina cobrando que o meia argentino ajude Luan a marcar pela esquerda. Digo o mesmo de Ganso, Montillo e Alex, só para citar três do mesmo nível.

O meia de que estamos falando precisa receber a bola e fazer as jogadas ofensivas. Essa é a diferença dele para os outros. Uma jogada que ele acerte, deixa o companheiro na cara do gol. Ou ele mesmo sai na cara do gol. Os técnicos brasileiros precisam apostar em seus meias, deixá-los livres, sem cobranças, sem desgastes desnecessários. Que resolva o problema da marcação com os outros 9. Simples assim.

É preciso montar esquemas táticos para que esse 10 funcione, se destaque, leve o time pra frente, atraia o torcedor. O São Paulo deu uma tacada de mestre ao contratar Ganso. O meia tem todas essas características que ressaltei. Sua apresentação e as primeiras partidas lotaram o Morumbi. O torcedor entende que de seus pés sairão boas jogadas. Também é preciso cobrar um pouco mais de personalidade desses 10. Eles precisam se impor aos esquemas que o desfavorecem. Precisam falar grosso e responder com boas atuações. O futebol brasileiros tem de voltar a jogar do meio para o ataque. Boas defesas são importantes, mas não podem ser o principal setor dos times.

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