Espanha! Fúria! Campeã! A Copa do Mundo da África do Sul teve um legítimo campeão, a Espanha. A Espanha do futebol bem tocado, de pé em pé, sem pressa e com inteligente principalmente no meio de campo. Viva a Espanha de Inieste, Xavi, Villa. Viva a Espanha de Barcelona e Real Madrid, equipes que se propõem a ganhar suas partidas, mesmo quando a temporada é dura, como foi a do Real Madrid neste ano. Felizmente o título dessa bela Copa do Mundo da África do Sul, país que aprendi a gostar, sua gente sofrida, mas educada, simpática, feliz com a vida que leva, ficou nas mãos de uma seleção ofensiva, que gosta da bola. Seria bom se o futebol repensasse, com o título da Espanha, suas origens, sua arte, sua necessidade de encantar. Chega de vencer por vencer. Chega de treinadores infelizes, de torcedores aborrecidos e malas, de gente que vê o futebol como um jogo de xadrez. Viva o futebol das grandes jogadas e das jogadas corajosas. Espero que a passagem pela África tenha trazido alguma lição para o Brasil não só para 2014, mas por décadas e décadas. Amém!
Gostei da festa em Johannesburgo de apresentação da Copa de 2014 no Brasil. Os principais responsáveis pelo evento, Ricardo Teixeira, Lula e Joseph Blatter, falaram grosso e se comprometeram em fazer uma competição transparente e inesquecível. Gravamos tudo. E vamos cobrar se for preciso. Acredito nas condições de o Brasil fazer um Mundial bacana, com bons estádios e boas condições de infraestrutura para as seleções e os torcedores. Não faremos menos que na África do Sul, estou confiante nisso. Sei que muitosvão falar sobre as necessidades maiores do País, como habitação, transporte, saúde, educação. Mas é inegável que muitas dessas necessidades caminharão a reboque da Copa no Brasil. Ela deixará um legado, e torço para que seja positivo. Não tenho dúvidas que será um grande passo para o amadurecimento e crescimento dos brasileiros e de suas cidades.
Falei com o prefeito Gilberto Kassab hoje de manhã no aeroporto de Johannesburgo. Ele chegou para uma visita não oficial-oficial. Veio de férias conhecer os estádios, o sistema de transporte público (trem) da cidade e se encontrar com membros da Fifa e do Comitê da Copa de 2014. Disse que fará um último apelo pelo Morumbi, mas já sabendo a resposta. ESTÁ FORA. Pretende apresentar o Piritubão com investimento da iniciativa privada. O prefeito quer sair de Johannesburgo com tudo apalavrado para que a abertura do Mundial seja ‘em sua cidade’. Garantiu não colocar um tostão público na arena do complexo de Pirituba, na zona norte de São Paulo, como foi anunciado neste blog lá atrás.
A CBF não pretende fazer uma transição conturbada e barulhenta para o cargo de Dunga. A experiência na África do Sul foi suficiente para os comandantes da entidade. O Brasil de 2010, um time trancafiado em seu reduto, andou o mesmo tanto do Brasil de 2006, uma equipe com liberdade durante toda a sua fase de preparação. Fechar demais ou abrir fora do controle uma concentração, provou-se na prática nas últimas Copas, não fazer a menor diferença dentro do campo. Lá, o que conta é habilidade, treinamento, condição técnica e física, nessa ordem, opções de escolha. Tudo isso serviu para fazer com que a seleção recomece do zero para 2014, ou melhor, recomece de suas origens, de onde, aliás, nunca deveria ter saído. Somos o país do futebol não por causa dos Dungas que já passaram pela seleção, com toda sua eficiência e patriotismo, mas por causa dos Zizinhos, Garrinchas, Rivellinos, Zicos, Sócrates, Carecas, Romários, Ronaldos e Ronaldinhos. Pelé, claro, não conta. Isso é a cultura do nosso futebol. Não é opção.
Felipe Melo não se sente um vilão. Fez um gol contra e foi expulso logo em seguida ao segundo gol da Holanda. Pode até não se sentir culpado, mas ele cumpriu o ‘script’ feito para ele nessa Copa do Mundo. Dunga foi alertado sobre a possibilidade de perder seu volante por destempero, expulso quando o Brasil mais precisava dos 11. Dunga foi alertado porque todos sabiam a temporada que Felipe Melo fez na Itália. Ele não é um mau jogador, longe disso, seu passe para o gol de Robinho foi primoroso, mas também não está preparado para assumir a função que lhe foi dada. A culpa então é de quem o inventou.
Brancos e negros já vivem em harmonia na África do Sul, mas ainda longe do respeito mútuo que o fim do apartheid prega. Não se muda um país com uma canetada, por mais importante e relevante no cenário mundial que ela possa representar. Leva anos. Mas o caminho tem de ser para frente. Alguns jornalistas do Grupo Estado presenciaram e se indignaram com uma cena dessas contra um negro num café do aeroporto internacional de Johannesburgo. Pedimos para um atendente, negro, para que ele organizasse uma mesa para seis pessoas. Tomamos o café da manhã no aeroporto aquele dia.
O rapaz, prestativo conosco, não teve dúvidas de tirar grosseiramente um segurança negro de uma das mesas para formar o mesão que havíamos pedido. O homem comia de sua marmita. Já havia dado pelo menos duas ou três garfadas. Não houve díalogo tampouco um pedido gentil para que ele se retirasse para dar seu lugar a seis brancos, nós. Aquilo nos revoltou. O rapaz saiu chateado, mas aceitou a situação sem reclamar. O garçon arrumou as mesas de forma a nos atender. Na minha cabeça, e na dos demais colegas, estávamos tirando um negro de um lugar público para dar o posto a brancos.
A cena andava na contramão do que Nelson Mandela pregou em seu primeiro discurso ao assumir a presidência do país em 1994, após deixar a prisão em Robben Island. Não era correto fazer aquilo na nova África do Sul. Resolvemos então sair do local. Nem nos sentamos. Fomos ao segurança negro, que havia se sentado em outro canto, pedir desculpas, explicar que não havíamos pedido aquilo muito menos concordávamos com o que tinha acontecido. Ele sorriu. Entendeu. Comentou o fato com outro ao lado. E nós fomos tomar café em outro lugar.
Como Felipão acabou de assinar com o Palmeiras por dois anos e meio, ele está quase fora de ocupar o lugar de Dunga para comandar a seleção na Copa de 2014. A escolha do novo treinador deverá ocorrer em agosto, primeiro porque Dunga já falou que não fica e segundo porque o time terá seis amistosos no segundo semestre para fazer. A chance de o auxiliar de Dunga, Jorginho, ocupar o cargo é nenhuma também. A CBF deverá optar por alguém mais carismático, principalmente pelo fato de a disputa ser no Brasil. O que ela menos deseja é se meter em confusão com a comissão técnica com uma Copa inteira para tratar. De jeito nenhum. Andres Sanches, o chefe da delegação aqui na África do Sul e presidente do Corinthians, sonha emplacar Mano Menezes. Aí aparece uma lista de nomes já conhecidos do torcedor brasileiro: Muricy, Luxemburgo, Ricardo Gomes, Leonardo, Abel Braga, Zico, Falcão (que quer voltar a ser treinador) e por aí vai. O assunto começará a ser discutido assim que Ricardo Teixeira, presidente da CBF, voltar para o Brasil, com Dunga campeão ou não.
Por um momento, por menor que fosse, o corintiano torceu para a Argentina na boa vitória por 3 a 1 contra o México no Soccer City, aqui em Johannesburgo. Carlitos, aquele que conhece o Parque São Jorge e que deixou saudades no clube, apesar de toda a confusão arrumada pela MSI, Kia, Dualib e demais cumplices, meteu dois gols contra os mexicanos. O primeiro, impedido. Mas o segundo, um tirambaço de direita que estufou a rede, um dos gols mais bonitos desta Copa. Ah, Tevez, que saudade!, deve ter pensando o corintiano, hoje se contentando com Souza, Ronaldo e alguns mais atacantes. Tevez foi o homem da partida. Abraçou Maradona no segundo gol como se abraça um pai, tamanha sua gratidão pelo treinador. Tevez e todo o time da Argentina estão empenhados em ganhar a Copa para Diego, para o povo argentino e, é claro, para o bem do futebol.
Só para esclarecer: a construção do Piritubão, o estádio que vai substituir o Morumbi na abertura da Copa do Mundo de 2014, terá dinheiro da iniciativa privada. Pelo menos é isso que o prefeito Gilberto Kassab vai dizer dia 13 de julho ao comitê central da competição, leia-se Ricardo Teixeira. Kassab garante que os
R$ 600 milhões não sairão do bolso do contribuinte.
Uma semana depois de a CBF confirmar que o Morumbi não será o estádio de São Paulo para a abertura da Copa de 2014, forças políticas da maior e mais importante cidade do Brasil começam a se mobilizar para entregar ao Comitê Organizador do Mundial projetos e garantias financeiras para a construção de um estádio na zona norte da cidade. Já há caixa suficiente para levantar a obra, em torno de R$ 600 milhões. O anúncio oficial será feito dia 13, dois dias após a Copa da África do Sul, em reunião do Comitê Geral, do Comitê paulista e provavelmente de membros da Fifa. O Piritubão já existe dentro de um complexo gigantesco de muito verde. A prefeitura vai investir porque entende que deixará um legado público. O engraçado dessa história é que os mesmos que estavam com o São Paulo há uma semana, como o prefeito Gilberto Kassab, sacaram da gaveta um projeto pronto para apresentar à CBF. Era ou não era um plano B? E só o São Paulo não sabia.
Em tempo: o amigo G me manda o seguinte desmentido do prefeito:
“A Prefeitura de São Paulo informa ser improcedente a afirmação de que o prefeito Gilberto Kassab teria comunicado a membros da Fifa aprovação de projeto e equação financeira para construção de um novo estádio em Pirituba. Reafirma também a sua decisão de não utilizar recursos públicos para a construção de nova arena na cidade de São Paulo, pois entende que o seu papel é fazer investimentos em obras de infraestrutura urbana que melhorem ainda mais o cotidiano dos paulistanos. Esclarece, ainda, que continua empenhada junto com o Governo do Estado e o Comitê Paulista na busca da melhor solução para a participação de São Paulo na Copa de 2014, preservando o patrimônio público e os interesses da população.”
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