O Congresso da Fifa em Budapeste é um desses encontros de cartas marcadas feitos para endossar as decisões do capo. A entidade presidida por Joseph Blatter adora reunir seus membros com a promessa de discutir o que, na verdade, já está discutido e envelopado. Mas faz-se todo o ritual como se de fato os assuntos pendentes estivessem mesmo pendentes. A Fifa adota esse expediente desde sempre. Em Budapeste, por exemplo, foi determinado que alguns estádios brasileiros terão mais tempo para martelar suas construções a fim de adiantar a obra. As arenas do Maracanã, Fonte Nova e Pernambuco ganharam seis meses para saber se elas estarão mesmo na Copa das Confederações, competição-teste em 2013 para o Mundial de 2014.
O tempo físico, claro, não existe. O torneio marcado para junho de 2013 vai acontecer em junho de 2013. É calendário oficial. O que a Fifa combinou com o governo brasileiro e seus pares da organização da Copa é que a decisão para definir as sedes que receberão os jogos da Copa das Confederações serão apontadas em dezembro apenas, e não mais agora no meio do ano, conforme o que estava combinado. Com isso, a Fifa e as arenas em questão ganham tempo para adiantar suas estacas. O ponto aqui é o cronograma das construções. Por isso também que a Fifa trabalha com quatro, cinco e seis cidades-sede para o evento-teste.
A decisão de escolher os estádios só foi postergada porque Fifa e Brasil têm cronogramadas diferentes das obras no momento. O cronograma de Blatter está atrasado. O de Dilma, no prazo. E assim cada um leva a brasa para a sua sardinha. O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, bate no peito e diz por onde passa que as obras das arenas da Copa estão de vento em popa, sem sobressaltos. Usa seus meninos-propaganda, como Pelé e Ronaldo, para espalhar o mesmo. Jèrôme Valcke, o secretário-geral da Fifa, e ainda homem forte da Copa do Mundo de 2014, não compactua com as declarações de Rebelo, com quem já trocou farpas, mas também não vai mais cobrar abertamente e sem classe como fez meses atrás. Vai empurrando as deliberações o quanto puder, como essa para escolher as sedes da Copa das Confederações. Era junho, foi para dezembro.
Em dezembro, em Salvador, onde se combinou em Budapeste realizar o sorteio das chaves da disputa do ano que vem, com a seleção brasileira como cabeça-de-chave, as duas partes, Fifa e Brasil, terão uma visão mais real e realista dos conteiros de obras das Arenas. E aí se o Maracanã não tiver condições de receber a competição, Rio de Janeiro dará lugar a outra praça. E assim por diante. Numa coisa Fifa e Brasil parecem de acordo hoje: nenhuma das partes tem a menor condição de escolher os locais dos jogos porque nenhum estádio brasileiro credenciado para a Copa das Confederações está minimamente pronto para receber jogos. Nenhum. E a Fifa não escolhe maquetes para realizar seus compeonatos.
Representantes do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, se reuniram nesta sexta-feira em Manaus para o 1º Seminário de Voluntariado da competição. Requisitar voluntários é uma determinação da própria Fifa em copas do mundo. No Brasil, estima-se que 18 mil voluntários trabalhem durante a competição nas 12 cidades-sede.
O voluntário ocupa todos os lugares em que a Fifa estará, como hotéis, estádios, estações de Metrô, aeroportos, espaços reservados aos jornalistas do mundo inteiro. Estarão ali para orientar o torcedor. São treinados para isso durante meses.
Em Manaus, o Programa Oficial de Voluntários foi apresentado com detalhes. Representantes do COL falaram sobre o processo de inscrição e seleção das pessoas, requisitos para participar e iniciativas de inclusão. Em 2013, a expectativa para a Copa das Confederações é que 6 mil voluntários já estejam pré-selecionados.
O lançamento do Programa Oficial de Voluntários será divulgado no site oficial da FIFA (www. FIFA.com). Somente serão aceitas inscrições realizadas via online. Para ser um voluntário, é preciso fazer a inscrição pela internet, participar do processo seletivo e acompanhar as notícias que serão divulgadas no próprio site. O lançamento será dia 30 de junho.
A informação é de Arnaldo César Coelho, no programa Bem, Amigos, da SportTV: a CBF e o COL, ambos presididos por José Maria Marin, convidaram o capitão do Brasil da conquista do tri, Carlos Alberto Torres, para participar da organização da Copa do Mundo de 2014. O convite está em vias de ser aceito, com Carlos Alberto reforçando o time de Ronaldo e Bebeto. A primeira medida do Capita será convidar para trabalhar com ele, de forma ainda não definida, todos os outros capitães da seleção brasileira. Cafu, por exemplo, usou a braçadeira no time de Felipão durante a conquista do penta em 2002. Dunga era o líder do grupo do vice-campeonato de 1998. O convite para fortalecer o COL será feito a todos eles. Os que aceitarem, começam a trabalhar imediatamente.
E traduziram o francês de Jérôme Valcke de forma equivocada mesmo. ‘… se donner un coup de pied aux fesses’, embora signifique de fato … ‘dar um pontapé no traseiro’, também pode ser ‘acelerar o ritmo’ para os franceses.
A ordem dos fatos sobre o embaraço político entre a Fifa e o Brasil é a seguinte:
1) O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, em evento na cidade de Londres, semana passada, tratou de desancar o Comitê Organizador Local (COL), presidido por Ricardo Teixeira e que tem na dupla Ronaldo/Bebeto sua voz e imagem, e o governo brasileiro sobre os atrasos de todas as obras no Paí ‘Está tudo atrasado. É preciso dar um pontapé no traseiro (desses brasileiros)” – em tradução literal.
2) O governo brasileiro ficou indignado com as reclamações e acusações pesadas que atingiram Brasília, sobretudo aquelas relacionadas a transporte, aeroportos e hotéis. E o tom de Valcke foi duramente criticado. Pontapé no traseiro não se fala. E deu o troco. O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, disse que o Brasil não aceita mais ter Valcke como interlocutor da Fifa. Relações rompidas.
3) Valcke fez uma carta oficial pedindo desculpas ao Brasil, e disse que foi mal interpretado em suas declarações, que o que disse, em francês, simplesmente significa ‘acelerar o ritmo’. E que não havia nada de chute no trazeiro dos organizadores do Mundial nem do governo brasileiro.
A bola está agora com Aldo Rebelo. Nesta quarta-feira, em agenda oficial, Jérôme Valcke chega ao Brasil para visitar o COL e o governo. O clima está pesado. Muitas explicações deverão ser dadas das duas partes. Valcke passou dos limites, mas não mentiu em suas declarações: o Brasil caminha a passos lentos em seu trabalho geral da Copa.
A discussão da meia-entrada para a Copa do Mundo de 2014 ainda vai dar muito pano para mangas. Em reportagem da Folha de S. Paulo desta sexta-feira, o jornal divulga que a Fifa não está disposta a abrir mão de US$ 100 milhões (R$ 180 milhões) da competição, valor que ela estima deixar de ganhar se o Brasil continuar com sua ideia de vender ingressos dos jogos pela metade do preço para estudantes e idosos.
Esse assunto deveria ter sido discutido antes, na assinatura do contrato. Ou ao menos ter acenado com a possibilidade de cumprir a lei do país-sede. Tudo bem que ninguém pensa nisso no calor da escolha de seu país para uma Copa do Mundo. Os responsáveis querem é festejar a conquista e assinar logo a papelada. E mãos à obra. Foi o que fizeram.
A Fifa tem dois negócios: organizar o futebol ao redor do mundo e ganhar dinheiro. Portanto, ela não vai abrir mão dos US$ 100 milhões. Na África do Sul, divulga a reportagem, a entidade de Joseph Blatter faturou algo perto dos US$ 4, 2 bilhões. É dinheiro! Aqui no Brasil, sua intenção é lucrar um pouco mais.
Ocorre que há um impasse nessa discussão, como o blog escreveu dias atrás. De um lado existe a legitimidade da Fifa de ganhar seu rico dinheirinho e do outro uma lei brasileira, estadual, que determina a obrigatoriedade da meia-entrada para estudantes e idosos acima dos 60 em qualquer atividade de entretenimento.
E agora? A Fifa e os representantes do Brasil precisam decidir rápido o que fazer porque a entidade necessita começar a vender os ingressos pela internet, como sempre faz. Estamos falando de clientes do mundo todo. Gente que quer vir para o Brasil para acompanhar a Copa.
Os representantes brasileiros do evento em suas cidades-sedes ainda não sabem o que fazer diante do dilema. Entendem que as duas partes têm lá suas razões. Só há uma saída então: assumir os US$ 100 milhões que seriam da Fifa. Os governos pagam isso e fazem o uso da meia-entrada. A Fifa não vai ceder. Ela nunca cede.
Se isso acontecer, só espero que o povo brasileiro seja informado. Difícil é deixar de pensar que essa bomba vai estourar no colo do contribuinte.
A CBF, a Fifa e o governo Federal vão se sentar nas próximas semanas para decidir o que fazer com dois assuntos que parecem cruciais nesse momento para a realização da Copa do Mundo de 2014: a possibilidade de vender ingressos pela metade do preço para estudantes e idosos e a liberação de bebidas alcoólicas durante a competição.
São casos separados, mas que precisam de uma definição, sobretudo no que diz respeito aos ingressos. As vendas devem começar em breve, tão logo os preços sejam formatados nos bilhetes. A presidente Dilma Russeff acena com alguma determinação de que não pretende deixar a Fifa cobrar valores cheios de quem deveria pagar 50% apenas. Trata-se de uma lei do País.
A Fifa nunca conviveu com isso. Sempre foi ela que determinou os valores e a quantidade de bilhetes para cada jogo. Quando ela finca sua bandeira no país-sede, assume todo o controle da situação do evento. E essa transação dos ingressos nunca foi transparente. Sempre foi na base do “e isso e ponto final”. Aliás, é um calcanhar de Aquiles da Fifa. Duvido que mude. Uma rendição aos pedidos da Fifa poderá significar derrota política para o governo. É necessário costurar bem, portanto.
Além da meia-entrada, é preciso saber quanto a Fifa vai cobrar pelos ingressos. Claro. Porque é cultural nesse País superfaturar os preços para poder recuperar os investimentos. Se um ingresso custa R$ 100, a meia entrada sairia por R$ 50. Ocorre que esse preço de R$ 100 pode subir para R$ 200 a fim de cobrar dos estudantes e idosos os mesmos R$ 100 iniciais. Uma manobra pra lá de desonesta. É preciso ficar atento.
Sobre as bebidas alcoólicas, a determinação imposta nos estádios do Brasil é da CBF. Ela manda. Ela desmanda. E é o que deve acontecer dado o interesse dos patrocinadores. Essa é derrota na certa. Já cobri outras Copas e confesso também nunca ter visto brigas ou vexames de torcedores que passaram da conta. Nem dos holandeses, que costumam se divertir bastante nas partidas.
Essas decisões devem ser ratificadas em breve.
Das 49 obras de mobilidade urbana listadas nas 12 cidades-sedes da Copa de 2014, apenas 9 estão em andamento. Algumas medições indicam um número menor: 5 apenas. Estamos falando de obras necessárias de infraestrutura. Tudo para fazer transcorrer de forma adequada a movimentação das pessoas envolvidas com o evento. A estimativa é de que meio milhão de pessoas de fora estarão circulando pelo País durante o Mundial.
Está, portanto, tudo atrasado. Este blog defende e informa há algum tempo a disposição de o governo fazer vistas grossas para uma série de burocracia esparramadas pelo caminho. Nesta quarta-feira, Brasília sinalizou mais uma vez que essa, de fato, é sua estratégia para fazer a coisa andar. Liberou da licitação imediata obras que poderão ser entregues até 2013. No bom português, vai levando.
As obras que o governo já percebeu que ficarão para trás, talvez nem para o Jogos Olímpicos do Rio elas fiquem prontas, serão esquecidas. PT saudações. Fica para a próxima. O próprio ministro do Esporte, Orlando Silva Júnior, já admitiu que o Brasil trabalha com a possibilidade de não entregar as 49 obras pensadas lá no começo como necessárias.
Não será surpresa se metade dessas obras permanecer no papel, à disposição de outros governos municipais/estaduais interessados. Nesta sexta-feira, o Brasil começa a contagem dos 1.000 dias para a Copa de 2014. Daqui para frente vai ser uma correria só dos três governos. Imagino que as `coisas` serão aprovadas sem muito critério. Espero estar errado. Duvido. Há sinais que apontam nessa direção, inclusive para parar greves, como a que acontece no Maracanã.
ESTÁDIOS
As obras de todos os estádios nas 12 cidades-sedes estão em andamento, umas mais adiantadas, outras atrasadas, como a do Itaquerão. O governo federal não se preocupa mais com isso. Esse problema ficou para trás. Agora é só alimentar todas essas obras com o dinheiro do BNDES para quem pediu. Viveremos mais adiante a fase dos 500 dias para a Copa e aí o brasileiro vai começar a sentir a diferença do País. Isso vai mudar a opinião de muita gente sobre o evento.
O que não quer dizer que os brasileiros devam fazer vistas grossas para a gastança de todas essas construções, principalmente quando mexem com dinheiro público.
Em entrevista à revista Carta Capital desta semana, a presidente Dilma Roussef afirmou não ver problemas em realizar a Copa do Mundo de 2014 em 10 e não 12 cidades-sedes, como fatiou a Fifa ao anunciar a escolha do Brasil como país-sede da competição.
Dilma disse isso para responder sobre os atrasos das obras de estádios e também de aeroportos, embora tenha garantido que tudo ficará pronto até o fim de 2013. O mapa da Fifa para a disputa relaciona as seguintes praças brasileiras:
São Paulo
Rio de Janeiro
Belo Horizonte
Brasília
Manaus
Cuiabá
Porto Alegre
Curitiba
Fortaleza
Natal
Salvador
Recife
Ocorre que as obras de estádios mais atrasadas são em São Paulo e Natal. Duvido que o governo tenha peito para excluir da festa São Paulo, por exemplo. A cidade é o pulmão financeiro do Brasil. Esquece. Natal prima pela beleza de suas praias. Se a presidente estava mesmo falando sério, pode sobrar para cidades menos “interessantes” no mapa geopolítico do País. E qualquer uma que for escolhida causará eternos melindres.
A própria Fifa achou em determinado momento da organização da Copa que 12 cidades-sedes era demais. Joseph Blatter foi convencido por Ricardo Teixeira com argumentos sobre o tamanho do País e o apego de sua gente por futebol. Bons argumentos, diga-se. De norte a sul, leste a oeste, em qualquer rincão do Brasil, é possível encontrar meninos jogando bola.
Também há as promessas e os acordos políticos feitos pela CBF. No bom português, dívidas com as 12 cidades. E todos os estádios já estão em obras, mesmo aqueles onde o futebol profissional se restringe à própria região, como Manaus.
Legado
Dilma também falou em 50 obras de legado para a população brasileira. 50. O próprio ministro do Esporte, Orlando Silva, no programa Roda Vida, também comentou sobre este número. Ele, no entanto, não deu certeza de que todas as obras orçadas e planejadas serão mesmo erguidas. Foi mais realista.
LEIA A REPORTAGEM NO ESTADÃO.COM.BR: http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,dilma-diz-que-pode-reduzir-cidades-sedes-do-mundial,758850,0.htm
O Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014, com seus pares no Governo, mapearam um pacotão de investimentos públicos com a finalidade de oferecer transporte aos torcedores durante os 30 dias da competição. São as obras de mobilidade urbana. Veja o que se pretende fazer:
BRT - Um modelo de transporte coletivo em que os ônibus trafegam por corredores exclusivos
CORREDORES EXCLUSIVOS - São faixas exclusivas de rodagem para ônibus, em médias ou longas distâncias
VLT/METRÔ - Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) é um sistema de transporte por meio de trens, movidos por eletricidade ou a diesel, espécie de metrô de superfície
MONOTRILHO - São trens que utilizam pneus e trafegam normalmente em vias elevadas
VIAS EXPRESSAS - São vias fechadas a ciclistas e pedestres, sem cruzamentos ou semáforos, que permitem velocidades maiores
Veja quais cidades-sedes utilizarão cada um desses transportes e o tamanho de sua extensão
Belo Horizonte - Investimento R$ 1,5 bilhão
BRT (41,4 km) + CORREDORES EXPRESSOS (9,1 km) + VIAS EXPRESSAS (8,6 km)
Brasília – Investimento R$ 364 milhões
VLT/METRÔ (6,4 km) + VIAS EXPRESSAS (2 km)
Cuiabá – Investimento R$ 481 milhões
BRT (23,2 km) + CORREDORES EXPRESSOS (10 km)
Curitiba – Investimentos R$ 453 milhões
BRT (4,1 km) + CORREDORES EXPRESSOS (71,5 km) + VIAS EXPRESSAS (8,5 km)
Fortaleza – Investimento R$ 562 milhões
BRT (15,5 km) + CORREDORES EXPRESSOS (7 km) + VLT/METRÔ (19 km)
Manaus – Investimentos R$ 1,5 bilhão
BRT (23 km) + MONOTRILHO (20,2 km)
Natal – Investimentos R$ 411 milhões
CORREDORES EXPRESSOS (22 km) + VIAS EXPRESSAS (4,8 km)
Porto Alegre – Investimentos R$ 525 milhões
BRT (27,3 km) + CORREDORES EXPRESSOS (12,4 km) + VIAS EXPRESSAS (2 km)
Recife – Investimentos R$ 872 milhões
BRT (18 km) + CORREDORES EXPRESSOS (16,5 km) + VIAS EXPRESSAS (4 km)
Rio de Janeiro – Investimentos R$ 1,6 bilhão
BRT (41 km)
Salvador – Investimentos R$ 570 milhões
BRT ( 19 km)
São Paulo – Investimentos R$ 3,7 bilhões
MONOTRILHO (6 km)
Fonte: CEF, BNDES, Ministério das Cidades e do Esporte, Comitê Paulista da Copa do Mundo
Veja mais notícia da Copa de 2014 em:
http://pt.fifa.com/worldcup/index.html
http://blogs.estadao.com.br/jt-esportes/…
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