Robson Morelli - Estadao.com.br
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Amigo do futebol, hoje a bola vai rolar. Rodada gorda no Brasileirão, com destaque para Vasco x São Paulo e Corinthians x Flamengo. Há outros jogos pegados. Amanhã, tem Palmeiras x Coritiba, em Araraquara. Ah! Tem a Seleção também, contra o Iraque, cujo nome mais relevante estará no banco, Zico.

Gilson Kleina esteve ontem na redação do JT. Acentuou a importância da partida contra o Coritiba, mas não quis jogar todas as suas fichas nela. E se perde? Não pode correr o risco de desanimar seu elenco antes da hora, embora para muitos a hora esteja chegando.

Kleina está na dele. O torcedor pensa diferente. Nenhum palmeirense tem coração para suportar mais uma derrota, a 17ª. Essa é a verdade. A surra levada do Tricolor (3 a 0) sábado doeu. Mais que isso: manteve o time no buraco de onde ele parece não ter forças para sair. Outro tropeço, então, significaria a pá de cal no time. Seria enterrado vivo porque, matematicamente, ainda teria chances de se salvar, mas não teria forças para isso. Kleina encontrou um Palmeiras mais morto do que vivo. Os jogadores caminhavam olhando pro chão, sem vontade e envolvimento, escondendo-se na desculpa de terem ganho a Copa do Brasil. Eram pacientes que não respondiam mais ao tratamento.

Foi preciso dar um choque na infantaria. Mostrar novo caminho e ambição. Endurecer sem perder a ternura. Foi o que Kleina fez. Disse suas verdades, a de que tem tudo a perder em caso de rebaixamento, porque ele é o único do clube que não ganhou nada e tem como objetivo a modesta 16ª posição, e pediu ajuda. Suas contas são simples: seis pontos em cada nove disputados. Mas elas não levam em conta o emocional do pelotão.

Por isso ganhar do Coritiba é fundamental. Esse Palmeiras humilhado o suficiente nesta temporada não suportaria duas derrotas seguidas, mesmo sabendo que a partida de amanhã abre uma nova série de três jogos, portanto limpa para somar seus salvadores seis pontos em nove.

Novo tropeço leva o grupo para o fundo do poço, de novo, e aí nem Kleina nem Cristo serão capazes de salvar a equipe. Degola certa. Mas se ganhar, além de responder à derrota para o São Paulo, não deixa que um rival na caminhada para fugir do descenso some pontos, recupera a confiança e volta a ter esperança.

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Amigo do futebol, hoje a bola vai rolar. Na Europa. Três bons jogos pela Copa dos Campeões: Porto x PSG, Ajax x Real Madrid e Zenit x Milan. Aqui no Brasil, a 28ª rodada do Brasileirão começa quinta-feira e termina sábado, antes das eleições municipais.

Na Vila Belmiro, R$ 1 para ver o Santos contra o Internacional, sábado. Neymar, suspenso, não joga. E é por isso que a diretoria resolveu baixar os preços. Baixou legal para sócios. Menos que R$ 1,99. A preocupação da diretoria é fazer com que o estádio receba um público razoável. E olha que tem gente que duvida que a Vila vai lotar.

A entrada vale R$ 1 e o picolé, R$ 4.

Logo o Santos que há bem pouco tempo era chamado de Cirque du Soleil, aquele dos grandes artistas, com lotação máxima e muita alegria. Hoje, pelo o que se vê em campo, e sem sua principal atração, o circo mais parece um que tinha lá no bairro perto de casa nos meus tempos de garoto. Chamava-se Circo Bandeirantes, e a gente ainda dava um jeito de passar por entre as grades para não pagar a entrada. Não éramos sócio.

Toda noite era o mesmo espetáculo, a não ser aos sábados, que sempre tinha algum convidado especial, esses de quinta categoria, mas que dava à apresentação um ar bem mais imponente.

Como mudou esse Santos, hein! Uma pena. Ganso foi embora sem olhar para trás. No meio do ano, o time perdeu bons jogadores e deixou Muricy na lona. Neymar é praticamente a única estrela da companhia, e agora tem de se dividir nos picadeiros da Vila e da CBF. O garoto está se desdobrando para ajudar as duas partes. Uma hora vai abrir o bico.

Pior. Aquele grandioso projeto de o Santos fazer crescer sua torcida na sombra de um time que dava espetáculo ainda não se traduziu dentro de campo. Na Vila, o time continua sendo aplaudido, quando aplaudido, pelos 8 mil, 9 mil torcedores de sempre. É quase uma família, em que todos se conhecem. No Pacaembu, a torcida cresce. E posso afirmar que isso só ocorre graças à presença de torcedores de outros times também. Pelo menos era assim quando a equipe tinha Neymar, Ganso…

Alguma coisa não deu certo nesse Santos que todos nós gostávamos de ver jogar. A graça acabou. E a diretoria já percebeu isso. Fosse um espetáculo concorrido, como cantado antigamente com muita prosa, o valor seria outro.

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Amigo do futebol, hoje a bola vai rolar. O Santos pode ser campeão da Recopa e o São Paulo, avançar na Sul-Americana. Bom para os dois times se isso acontecer. Para os torcedores das outras equipes, essa parada do Brasileirão veio em má hora. A competição está pegando fogo nos dois lados da tabela.

A CBF também fará hoje um jogo adiado da 14ª rodada, entre Flamengo e Atlético-MG. Jogão.

A notícia da semana é o sorteio do Mundial de Clubes da Fifa, tirando o Monterrey do caminho do Corinthians. Os mexicanos são sempre osso duro. Mano descobriu isso na Olimpíada de Londres. O México lhe tirou o ouro.

O Corinthians começa a respirar o Mundial. Essa competição é muito importante para os clubes brasileiros. Praticamente eleva o vencedor a um patamar diferente. O são-paulino sabe bem do que estou falando. O palmeirense poderia estar no mesmo nível não tivesse fraquejado diante do Manchester United. Estava lá, como enviado especial ao lado do companheiro José Patrício, fotógrafo dos bons, e voltamos no voo da delegação, um dos mais longos e silenciosos que já encarei. O dissabor de perder o Mundial parece fichinha perto da demora para pousar no Brasil. Os médicos do Palmeiras deram comprimidos para ajudar no sono.

O corintiano está empolgado e o presidente do clube mais ainda: garante 9 mil torcedores no Japão. Os mais exaltados falam em bicampeonato mundial, trazendo à tona a velha e boa discussão sobre a importância do Mundial que a Fifa fez no Brasil em 2000.

Ocorre que nem todos (os que não são corintianos) dão àquele torneio o mesmo peso que tem a competição no Japão para a qual o Corinthians se prepara, embora tivesse times de peso como o Real Madrid e o Manchester. Para alguns, mesmo com Blatter entregando a taça ao capitão Rincón, aquela competição não passou de um Torneio de Verão. É discutível.

Tite precisa de mais alguns pontinhos no Brasileirão para esquecer de vez a disputa e se dedicar quase exclusivamente à preparação do Corinthians para o Mundial da Fifa. Ele sabe que ainda falta aquela pegada da Libertadores, e a boa dose de sorte que o time teve em partidas decisivas. Os jogadores, nem todos, tiveram seu período de descanso e agora precisam voltar a jogar futebol, melhorar o entrosamento e recuperar o faro de gol.

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Amigo do futebol, hoje a bola vai rolar. Na Europa, tem o Barcelona na Copa dos Campeões. No Brasil, em Goiânia, tem mais um jogo da Seleção Brasileira. Pelo menos a camisa é a da Seleção. Já os jogadores, um ou outro apenas. Mas o evento é chamado pomposamente de Superclássico porque põe Brasil e Argentina em campo.

Digamos que esse confronto já foi mais respeitado, dos dois lados. Como Mano e Sabella não podem contar com o que têm de melhor porque não se trata de data da Fifa, eles chamam uma espécie de segundo quadro de seus times, com um ou outro jogador de primeira linha. Para os argentinos, isso pode servir. Para nós, não.

Esse é o problema da CBF e do técnico Mano Menezes ou de quem esteja no comando dos jogos do Brasil. Essa gente ainda não percebeu que jogos assim não valem nada para a preparação da equipe. O torcedor de Goiás, receptivo e apaixonado por futebol que é, já comprou com antecedência 39 mil dos 42 mil colocados à venda. Mesmo começando às 22h, ainda é bom programa, para aplaudir ou vaiar. A fase é mais para a segunda opção.

O fato é que o Brasil só tem a perder com esse Superclássico. Se ganhar, como na edição anterior, não dá um único passo em direção à Copa de 2014. Enriquece sua estatística, e só. Se perder, toma paulada. Esse Brasil não é o time do Mundial. É o segundo quadro. Entendo que a Fifa não facilita para as seleções nem os clubes estão dispostos a liberar seus astros a todo instante. Por isso que é preciso ter um esquema de jogo, uma tática definida, uma proposta clara na cabeça dos jogadores, mais ou menos como faz o Barcelona ou a seleção da Espanha. Mano Menezes não tem nada disso.

Pior. Ninguém da Seleção, nem o goleiro, sabe se é titular ou reserva. Nem isso Mano, a CBF ou quem toma conta da Seleção definiu ainda. Então, seja qual for o resultado contra a Argentina (é todos sabem que ganhar dos argentinos é sempre bom), o cenário para a Copa não muda.

E já que a fase da Seleção está mais para vaias do que para aplausos, a CBF precisa também dar um basta nessa situação de o time ‘vender a alma para o diabo’ e retomar as rédeas dos amistosos. Nesta semana foi confirmado um jogo contra o Iraque, do boa pessoa Zico. Mas o que essa partida acrescenta para a nossa equipe? Nada. É mais um tiro no vazio. Começo a achar que teremos Copa e estádios, mas não teremos um time.

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Amigo do futebol, hoje a bola vai rolar. Tem rodada cheia no Brasileirão. Uma super quarta, do jeito que o torcedor gosta. Três grandes precisam se reabilitar: Palmeiras, Santos e Flamengo. Cada um com problemas diferentes nesta fase da temporada.

O Verdão vive seu pesadelo com o fantasma do rebaixamento. É um time assustado. Somente um retiro é capaz de mexer com o brio dos jogadores. Felipão precisa inventar alguma coisa para mudar esse cenário. Palestras e treinos já não funcionam mais. É preciso reorganizar a família Scolari ou alguma coisa que o valha. César Sampaio diagnosticou total abatimento da tropa após a derrota para o Galo,de Ronaldinho. Não era para menos. Ocorre que assim como não dá para festejar vitoria na véspera, também não dá para jogar a toalha no começo do returno. O time é limitado, é verdade, ma
s não é pior do que outros tantos.

O problema do Santos é outro. Com todas as baixas do meio do ano para cá, com Ganso em parafuso e com Neymar vira e mexe a serviço da Seleção, Muricy joga pressionado pela necessidade de ter de montar um time no returno do campeonato. As peças que tem em mãos são pra lá de comuns, e a diretoria parece incapaz de ajudar nesse momento. A verdade é que há dois anos o Santos só pensa em Neymar e empurra tudo o que pode para debaixo do tapete. O Peixe ganhou muito nesses anos e encantou o torcedor com Neymar e companhia, mas parece incapaz de sair dessa sinuca de bico.

Na Gávea, os problemas são os mesmos de sempre: falta de tranquilidade para trabalhar, muita confusão interna, troca de técnicos e agora o problemão chamado Adriano. Parece pouco, mas não é.

O fato é que Palmeiras, Santos e Flamengo vão ter de rebolar para acabar a temporada de forma digna. Não vai ser fácil.

Biscoito da sorte
Esse amistoso contra a China foi, digamos, um autêntico biscoito da sorte para Mano Menezes e a Seleção Brasileira. A CBF deveria riscar essa partida de suas estatísticas. Foi vergonhoso. Mano deveria pedir desculpas em nome da entidade. E os jogadores, profissionais que são, deveriam ter parado de comemorar os gols tão logo perceberam a fragilidade do rival.

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Amigo do futebol, hoje a bola vai rolar. O Palmeiras visita o Botafogo pela Sul-Americana com a cabeça no Brasileirão. Felipão precisa achar o caminho para reagir e se afastar da zona de rebaixamento de uma vez por todas. O time ganha uma e perde outra, e está com a cabeça a prêmio desde que começou a competição. A notícia da semana, no entanto, é a volta de Adriano ao futebol.

O jogador assinou contrato com o Flamengo como tramou desde o dia em que abandonou o Corinthians. Isso foi em abril. De lá para cá, o atacante processou o clube paulista, passou por nova cirurgia no tendão de Aquiles, andou metido em algumas confusões e agora reaparece para vestir a camisa 10 do Flamengo, a mesma que já foi de Zico.

A decisão de contratar Adriano é da presidente do clube, Patrícia Amorim, e de mais ninguém. O Flamengo tem esse dom: o de resgatar e dar uma, duas, três chances a seus ‘filhos’. É a grande mãe do futebol brasileiro.

Clinicamente, Adriano está recuperado da contusão que o impedia de jogar. Em todos esses meses afastados, inclusive quando estava no Corinthians, onde jogou bem pouco, o Imperador brigava com a balança, tentando fazer de seu corpanzil algo mais atlético.

Sua sina de fazer o ponteiro da balança não avançar tanto para a direita continua. Ninguém que fica parado por tanto tempo volta fininho, principalmente conhecendo o histórico de quem é. No mínimo, ele vai precisar de um mês. Tirando as mancadas nas sessões de fisioterapia em que ele faltou no Ninho do Urubu, acusadas pela própria diretoria do Fla, Adriano se comportou quase sem chamar a atenção nesse exílio. Teve aquele ‘tirinho’ na mão de uma menina no Rio, na véspera do Natal, mas isso foi explicado pelo delegado que cuidou do caso, e pelas garotas envolvidas. Adriano reconheceu que deve essa recuperação a ele próprio.

Se conseguir, aos 30 anos, terá ao menos uma despedida um pouco mais honrosa de uma carreira que começou bonita. É justo acreditar nas pessoas, mesmo sendo Adriano. A torcida do Flamengo certamente dará apoio a ele e está feliz com sua volta. Até a primeira lambança. Tomara que não aconteça, mas duvido que tenha alguém na Gávea seguro de que o Imperador mudou. Patrícia sabe que o contrato é de risco. E alto.

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Amigo do futebol, hoje a bola vai rolar. O Palmeiras tem parada duríssima contra o Flamengo. Se perder, volta à estaca zero neste Brasileirão. E entra em crise. O Santos só joga amanhã, contra o Figueirense, lá. A coisa na Vila anda tão complicada também que a diretoria monta esquema especial para trazer Neymar da Suécia. Do Rasunda para o Orlando Scarpelli.

E já com Ganso no time. O futuro do meia, diga-se, andou de boca em boca enquanto ele esteve com a seleção brasileira em Londres. Ninguém sabe ao certo, nem o presidente do clube, se ele ficará na Vila. Essa história, de uma possível saída, se arrasta há meses, quase ano.

E nenhuma das partes envolvidas diz claramente o que vai acontecer. Nem o Santos nem Ganso nem os investidores do jogador. O que há é uma multa rescisória que implica num pagamento ao clube em caso de negociação.

O fato é que Ganso anda sendo maltratado no futebol brasileiro. Não diria que ele come o pão que o diabo amassou porque jogador nenhum do seu nível vive com dinheiro contado. Longe disso. Mas ele tem levado suas pauladas.
O Santos não chega a um acordo financeiro com o atleta, desses de deixá-lo em paz pelas próximas temporadas. Segundo a diretoria, sua pedida é altíssima. Aí fica essa lenga-lenga de sai ou não sai.

Com a seleção, o meia do Santos também parece ter perdido o encanto. E Mano Menezes com ele. Em Londres, Ganso foi um reserva de luxo. Não foi titular em nenhum dos jogos e sequer chegou a entrar em campo na final contra o México. Disse que estava inteiro e pronto para ajudar. A notícia de seu corte para o amistoso de hoje contra a Suécia pegou muita gente de surpresa, apostaria que até ele se surpreendeu.

Tanto foi dessa forma, um corte por decisão técnica, que o jogador já treinou no CT Rei Pelé e se coloca à disposição de Muricy Ramalho para enfrentar o Figueirense. Deve jogar, salvo qualquer outro problema fora do campo.
Ganso parece um jogador sem vontade, não de jogar, mas de representar os distintivos que carrega no peito: do Santos e da seleção (com essa comitiva que aí está). Sabe jogar, tem categoria, mas não se empolga e aí seu rendimento cai, o meia se entrega à condição que lhe é oferecida. Vira uma bola de neve. Somente ares novos são capazes de recuperar esse talento brasileiro. Se não no Brasil, que seja então na Europa.

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Amigo do futebol, nesta quarta a bola vai rolar. E pela última vez na Libertadores de 2012. Corinthians e Boca Juniors. Clássico das Américas. E só não é um Brasil e Argentina porque aqui, como lá, quem não é um é outro. Portanto, o Corinthians não é Brasil, assim como o Boca não é Argentina. Definidos os torcedores, o que conta é a disputa, dentro e fora de campo. Como a decisão é de Copa Libertadores, duvido que a partida acabe bem no Pacaembu se o Corinthians estiver perdendo a taça.

Vai faltar gato nas redondezas para jogar na caixa de força do Paulo Machado de Carvalho, diga-se, que não prima por sua modernidade. Também temo pela reação da torcida corintiana em caso de mais um fracasso na competição.

Nem todos pensam assim. Um amigo disse outro dia, depois do 1 a 1 na Bombonera, que o resultado foi ótimo, muito melhor do que se o time tivesse vencido. Olhei para ele com aquela cara de interrogação. Seu argumento, que transcrevo aqui, era bom. Ele me disse que a vitória deixaria o Corinthians de salto alto, já embebedado pela conquista inédita diante de um adversário pra lá de perigoso. E argentino. E que a derrota jogaria um balde de água fria no elenco. O gol do Boca alertou para a qualidade dos argentinos, como se alguém tivesse dúvidas disso. Quase me convenceu.

O fato é que o Corinthians e o corintiano estão ansiosos, de coração apertado, loucos para conhecer o desfecho desta decisão. Para quem não tiver coração para ver o jogo, há bons filmes no cinema. Sugiro os infantis, de tensão zero e diversão certa. Aos de sangue frio, 90 minutos – ou mais – de futebol.

O corintiano aposta alto no time porque entende do riscado. Se o Corinthians não foi brilhante nem ofensivo como se espera de um campeão, ao menos soube se defender, que também é uma virtude, e decidir as partidas em momentos isolados. Contou com muita sorte também, e certamente com o dedo de Deus. Foi Ele, para muitos, que assoprou para fora, depois do toque de Cássio, aquele chute de Diego Souza na vitória sobre o Vasco.

Incluo nessa lista de milagres o gol de Emerson na Vila, o de Danilo contra o Santos no Pacaembu e o de Romarinho na Bombonera. Nada disso, no entanto, seria possível se Tite não tivesse montado e segurado para a temporada 2012 um Corinthians maduro, sabedor de suas limitações e possibilidades. Os heróis corintianos têm sido os mais improváveis, mas não seria surpresa ver o time campeão hoje à noite.

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Amigo do futebol, hoje a bola vai rolar. É jogo para parar a cidade, chegar atrasado no trabalho no dia seguinte, gritar gol onde estiver. O Pacaembu vai tremer neste Corinthians e Santos pela Libertadores. Para o bem ou para o mal. Não que o Santos seja um mal. Longe disso. É que o Paulo Machado de Carvalho vai ter, praticamente, só corintianos, do tobogã à curvinha do escanteio, mais ou menos como foi na partida (sofrida) diante do Vasco.

As cartas estão na mesa e confesso que se tivesse de apostar, apostaria no Santos. Puro palpite. Essa vitória magra do Corinthians na Vila me deixou grilado. E não estou sozinho nesta.

Não vi o Corinthians tão mais forte assim para se sustentar bem em sua casa. E todos viram um Santos sem inspiração e um Neymar se arrastando. O craque estava tão cansado que quando a energia foi interrompida (não a de Neymar, mas a do estádio), quase deitou no campo.

A concentração antecipada, a bronca de Muricy, o descanso de Neymar e uma semana a mais para Ganso treinar podem fazer a diferença para o Santos no Pacaembu.

E se for pensar, é só um golzinho para deixar tudo igual.

O cenário é promissor para o time da Vila. E, em contrapartida, muito perigoso para o Corinthians, sobretudo sem Emerson, suspenso. Diria que ele foi o homem do primeiro jogo, e não somente pelo gol, mas pelo inferno que causou na defesa dura do Santos. Willian não é Emerson, tampouco Liedson é. E não seria demais dizer que Tite não tem ataque para essa decisão.

Como atacante ainda não é um detalhe no futebol, temo que esse jogador de frente faça falta ao Corinthians: um finalizador que seja capaz de segurar o Santos em sua defesa.

Para não dizer que só vejo desgraça nos donos da casa, nenhum time do País tem o entrosamento dos comandados de Tite. A defesa, talvez com exceção de Alessandro, trabalha feito um relógio, mas é no meio de campo que o Corinthians mostra sua forma, com Ralf e Paulinho, Danilo e Alex. Os dois primeiros marcam bem e Paulinho esbanja fôlego para chegar ao ataque. Danilo e Alex atacam e defendem com desenvoltura. Isso é raro para meias de habilidade e já consagrados. Tem seu peso na decisão. Pode fazer a diferença. O fiel da balança, todos sabem, é Neymar. Se o moleque quiser jogar, se consagra. E leva o Santos para mais uma final de Libertadores.

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Amigo do futebol, nesta quarta a bola vai rolar. Libertadores e Copa do Brasil em fase quentíssima, aquela em que meninos vão para um lado e homens para outro. O Corinthians visita o Vasco no Rio. Pedreira. Palmeiras e São Paulo atuam pelo torneio nacional. O time de Leão enfrenta o Goiás. O Verdão volta para Curitiba, onde joga contra o Atlético-PR. Essa quarta-feira promete.

Os holofotes, no entanto, iluminam o Santos, que ilumina o futebol brasileiro, com Neymar em estado de graça e Ganso recuperando sua magia. O restante do elenco é de bons jogadores. E há um cara fundamental nesse esquema vencedor do Santos: o técnico Muricy Ramalho. Após festejar o 20º Paulistão da história do clube, ele disse que “às vezes treinador estraga um time” e que esse Santos precisava de poucas orientações. A postura de Muricy é perfeita, incomum até nos dias de hoje. Deixa os meninos decidirem. É assim que tem de ser.

Embora Muricy seja uma máquina de ganhar títulos, e é isso o que o move, ele começa a olhar o futebol de outro jeito e a se render aos fatos. Quais fatos? Que Neymar e Ganso podem, juntos, ganhar campeonatos dando espetáculo, resgatando a velha e boa ginga do futebol brasileiro, conhecida mundialmente, mas perdida nos últimos anos por culpa quase que exclusiva dos treinadores. Claro. Porque nessa ânsia desenfreada de querer ganhar torneios para se manter empregado, o “professor” emburreceu o futebol pentacampeão. Tirou os meias e escalou os volantes, dando a eles a incumbência de criar. Pediu para os atacantes ajudarem na marcação, se preciso na área do seu próprio time.

Ora! Nem em pelada de fim de semana atacante volta tanto para ajudar a defesa. Isso, misturado à safra ruim que colhemos em temporadas seguidas, minou o futebol brasileiro. Já tem torcedor com saudade de jogadores mais ou menos da década de 90 e começo dos anos 2000. Outro dia um cara me falou do Zinho como se estivesse falando de Gerson.

Neymar e Ganso, e alguns poucos espalhados por aí, tentam manter acesa a chama do que sempre foi a nossa característica: o futebol alegre. Muricy, que já foi discípulo de Mestre Telê, tem tudo para mudar o cenário tenebroso, o do futebol vencedor acima de tudo. Ganhar é a essência de qualquer disputa. Jogar com graça e arte, e colocar os cara na roda, era só nossa.

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