Robson Morelli - Estadao.com.br
ir para o conteúdo
 • 

Patrocinado por

É claro que as lágrimas do torcedor palmeirense comovem. Mas a derrocada diante do Flamengo, com sua consequência, foi apenas o último ato de uma peça que começou lá atrás, mal ensaiada e de atores de péssima qualidade. A queda para a Segundona se anuncia há meses. E todos no clube, da situação à oposição, de Luiz Felipe a Gilson Kleina, de Valdivia a Maikon Leite, tem sua parcela de contribuição para esse fracasso que não combina com a história do Palmeiras.

E não combinar não quer dizer que não mereça. Pois digo que o Palmeiras mereceu o fim trágico que teve no Campeonato Brasileiro. O fato é que se formou no Palestra Itália em uma mesma temporada tudo o que é ruim no futebol, o contrário do que se prega dentro e fora de campo. O elenco, que entrou em campo 36 vezes nesta competição, carrega o maior fardo nas costas. Nunca um equipe do Palmeiras mostrou tão baixo índice técnica e redimento como essa, nunca se juntou tantos jogadores sem personalidade e nunca também se enganou tanto num mesmo elenco durante tanto tempo.

Daria para fazer uma lista dos jogadores do Palmeiras sem a menor condição de vestir a camisa do clube. Mas deixo essa tarefa para o torcedor, sábio em sua forma de avaliar atleta do seu time. A equipe abraçou jogadores de características das mais variadas possível. Tem o grupo dos pernas de pau, grossos na concepção da palavra, sem qualidade para acertar um passe um pouco mais longo. Tem o grupo dos esforçados, mas de pouca inteligência com a bola nos pés. Esses jogadores foram os que mais irritaram a torcida ao longo desse calvário. São aqueles atletas que não hora de passar a bola, preferem o chute. E na hora de chutar, fazem o passe. Estão sempre fazendo a jogada errada.

O time ainda sustentou o grupos dos ‘chinelinhos’, aqueles que ganham no mole sem se esforçar. É o emprego que todo mundo queria. Dinheiro no bolso e chinelo nos pés. São os chamados ‘malandros’ do futebol. Não se envolvem com nada e vivem no departamento médico, machucados ou tentando se colocar em forma. É inadmissível que um time como o Palmeiras tenha jogador fora de forma em novembro.

Dos que honraram a camisa, os agradecimentos do torcedor. Esse grupo é minoritário, infelizmente. E nada disso mudaria se o Palmeiras tivesse escapado da degola. O que se escreve aqui não é uma condenação sumária, mas uma constatação que independe do destino do time. Sabe-se agora, a Segunda Divisão.

A comissão técnica liderada por Luis Felipe Scolari também não teve pulso ou respaldo para fazer a coisa certa, na hora certa. Jogadores não foram cobrados tampouco afastados por falta de condição técnica e de envolvimento com o grupo. Esse, aliás, é um velho problema do futebol brasileiro. Técnico nenhum de futebol consegue mexer nos elencos, desaprovar jogadores e afastar aqueles que não contribuem. Não conseguem porque compram briga com a diretoria ou porque compram briga com o próprio elenco. Aí, dá no que dá. O caminho é se tornar ‘paizão’, amigos de todos. Só assim conseguem reunir o elenco em torno de um objetivo.

Felipão teve tempo para sentir o grupo e fazer sua avaliação. Dispensar jogador também fazia parte do seu trabalho. Escalar atleta sem qualidade foi um grande erro. Fosse Felipão um treinador de menor envergadura, dava até para entender o receio de trocar. Não espero isso de Gilson Kleina. Mas esperava de Felipão, o sargentão do futebol brasileiro. Mas ele perdeu a mão, foi levando sem se envolver também, aceitando tudo o que lhe era oferecido sem espernear até o fim. Foi um grande erro. Os bastidores do Palmeiras indicam também que ele não teve refresco da diretoria, sobretudo com Roberto Frizzo, com que nunca se bicou.

E por fim, a diretoria do Palmeiras mostrou-se não saber nada de futebol, apesar da boa vontade do presidente Arnaldo Tirone. Andou para trás nesses dois anos de comando e entrega agora um time na Segundona. Não dá para se esconder atrás de adminstrações anteriores. Não é mais o caso. Duas temporadas  são mais que suficientes para ajeitar o futebol do time. Foi um trabalho fraco. A única coisa que parece funcionar no clube é a construção do estádio. Mais nada. E se a situação deixou a desejar e deve pegar o seu boné agora nas próximas eleições, a oposição, que deve assumir o clube, também não fez nada para ajudar. Pior. Minou o pouco que se tentou fazer com brigas internas, desacertos e críticas. Como sempre.

Por isso que todos no Palmeiras mereceram a Série B. O Palmeiras, em todos os seus setores, é um clube de Segunda Divisão. E não merecia ficar entre os melhores do futebol brasileiro até que todas as suas arestas sejam aparadas.

Tags:

Comentários (24) | comente

A pergunta poderia não ter sentido fosse feita tempos atrás, quando o Palmeiras ainda mandava seus jogos de peito estufado e com a certeza de que poderia ganhar as partidas e sonhar com passos mais largos e dignos. Valdivia sempre foi a referência desse time, na primeira e muita mais na segunda passagem. Estive no salão nobre do Palestra Itália quando ele foi reapresentado como o mais novo reforço do Palmeiras. A empolgação e a confiança da nação palmeirense eram enormes, saltavam aos olhos.

Passados dois anos, o Mago perdeu o encanto e seu nome, feito o de Cristo após ser preso pelos romanos, já faz muita gente torcer o nariz no clube. O Palmeiras não sabe o que fazer com o chileno, também chamado de o ‘rei das contusões’. Seu contrato vai até dezembro de 2015, mas não se sabe se ele será cumprido, como desejavam todos naquela tarde de recepção calorosa e cheia de esperança de dias melhores. Na horrorosa campanha do Palmeiras neste Brasileirão, Valdivia fez 16 dos 35 jogos que o time disputou. E é muito provável que não faça mais nenhum jogo na temporada, embora diga a pessoas com quem conversa regularmente que estará de pé em três semanas. Pra quê?

Em três semanas, o Palmeiras já estará com seu destino definido, muito provavelmente de volta à Segundona após frequentá-la dez anos atrás.  O time pode cair neste fim de semana se não vencer o Flamengo, o que deve acontecer dada a fragilidade e o abatimento de todos no elenco. Dessa forma, Bahia e Portuguesa nem precisam entrar em campo para se garantir. Como tem 33 pontos e os rivais diretos 40, o Palmeiras não conseguiria mais alcançá-los. Se ganhar do Fla, estica o tempo de sofrimento caso Lusa e Bahia não ganhem suas respectivas partidas.

Valdivia parece indiferente a tudo isso. Jogou pouco e, portanto, tem pouca culpa no cartório, a não ser a culpa de não ter jogado mais. Essa sim pesa em suas costas. Daí a pergunta estampada no título da resenha: Vale a pena apostar novamente em Valdivia? Se o meia não teve forças nem entusiasmo para jogar na primeira divisão, muito provavelmente não terá também para comer grama na Série B, onde as canelas são mais duras, a bola nem sempre é redonda e os adversários vendem o almoço para garantir o jantar. A elegância e o toque refinado do Mago não combinam nem com o Palmeiras nem com a Segundona nesse momento, assim como sua disposição já desagrada a muita gente no clube. Apesar das contusões seguidas, a impressão que se tem é que Valdivia se escondeu, que poderia jogar mais e se preparar melhor para a temporada, sem tantas noitadas.

Tudo bem que o Palmeiras também terá a Libertadores para disputar, mas hoje, salvo uma mudança radical no cenário, Valdivia não tem espaço no clube. O que se extrai do seu talento é muito pouco para mantê-lo no Palestra Itália, a preço de ouro. Não digo que concordo com isso, mas essa é a situação e uma visão generalizada sobre o craque. O que segura o Mago no Palmeiras é o seu contrato. Nada mais.

Tags:

Comentários (7) | comente

A violência mostrada nesta madrugada por pessoas que se dizem apaixonadas pelo Palmeiras sugere medidas drásticas contra os chamados torcedores organizados. Um grupo não identificado ainda pela Polícia colocou fogo na loja do clube, no Palestra Itália, assustando moradores da região, dirigentes, jogadores e funcionários. Tudo isso para protestar com a situação do time, à beira de ser rebaixado matematicamente para a Segunda Divisão.

Esses propensos torcedores prometem aterrorizar ainda mais o ambiente do Palmeiras, não mais com derrotas, mas agora com possíveis agressões, pânico e emboscadas. Sai, portanto, do cenário esportivo para entrar no contexto policial. Acham legítimo reclamar do time dessa forma. A frase pichada no porta da loja incendiada do clube dava o tom do que planejam. “A Paz acabou”. Estão todos preocupados no Palmeiras, do presidente Arnaldo Tirone ao roupeira, aquela figura encarregada de ajeitar as roupas e as chuteiras dos atletas. Não é justo.

A história da torcida do Palmeiras não é boa. Ela já colocou para correr do clube jogadores como Vagner Love e Diego Souza. E depois, claro, se constatou que eles seriam útil para o time. O mesmo pânico volta à tona. O atacante Barcos, o melhor da equipe, já avisou que prefere deixar o Brasil a se ver acompanhado de seguranças pelas ruas. O recado foi direto para esses arruaceiros. Não adianta dizer que Barcos, pela bela campanha apesar da situação do Palmeiras no Campeonato Brasileiro, está fora dessas ‘cobranças’. Argentino que é, vai tomar a dor dos colegas que ajudaram menos a equipe e agora estão sendo ameaçados.

Temo por algo mais triste que possa acontecer. E  confesso que penso no zagueiro colombiano Escobar, morto em situação dessa natureza após fazer gol contra diante dos Estados Unidos na Copa do Mundo de 1994. É claro que o palmeirense anda triste, cabisbaixo, lamentando a situação do time e a ruindade de alguns jogadores. Mas daí a colocar fogo num patrimônio do clube, enfrentar a polícia como ocorreu no empate com o Botafogo e espalhar o pânico entre os jogadores e comissão técnica é algo além da compreensão de qualquer apaixonado por futebol.

Espero que o caminho da paz  seja tomado mesmo com o time na Segunda Divisão. Espero que os líderes de todos os lados possam se sentar juntos para saber como cada um deve ajudar o time se o pior acontecer, o rebaixamento. Espero que todos sobrevivam.

Tags:

Comentários (9) | comente

O empate nos minutos finais com o Botafogo, naquele golaço de Barcos (sempre ele), apenas prolongou a dor do torcedor palmeirense, que no fundinho do peito ainda tem esperança de que o time não caia para a segunda divisão. Como sofrer de antemão é sofrer duas vezes, o palmeirense ainda aguarda as próximas rodadas do Brasileirão para ter seu destino sacramentado, e aí sim aceitar o que lhe está reservado nesta temporada: a queda. Nesse momento parece inevitável pensar na Segundona. O abatimento dos jogadores no Palmeiras sentados no banco de reserva durante a partida de domingo dimensionava a agonia do elenco e, de certa forma, retratava o sentimento comum dos atletas.

Não há nesse momento luz no fim do túnel, embora a matemática do rebaixamento ainda dê ao Palmeiras sobrevida até a rodada de domingo, quando encara o líder Fluminense. Se perder para o time carioca e Portuguesa e Bahia se derem bem na rodada, o Palmeiras estará, aí sim, matematicamente rebaixado. E pelo que o time de Maikon Leite, Patrick Vieira e Maurício Ramos apresentou contra rivais menores, o torcedor não deve esperar muita coisa diante do ‘quase’ campeão nacional, o Fluminense.

Ganhar as quatro partidas que lhe restam (Flu, Flamengo, Atlético-GO e Santos), digamos, não é nada fácil para esse elenco comandado por Gilson Kleina. A fase, além de tudo, é horrorosa. Os adversários têm duas chances e marcam dois gols, como fez o Botafogo domingo. E ainda no primeiro gol do time do Rio, a bola batida na trave voltou na cabeça de Lodeiro. É muita falta de sorte para um time só. Cheira, de fato, uma morte anunciada. As esperanças são, nesse momento, bem pequenas, quase não existem. Há ainda aquele jogo contra o Inter, que foi anulado até segundas ordens. O resultado, que era derrota, mas que está sub judice, pode mudar. Seriam três pontos sujos para o Palmeiras, a volta do ‘tapetão’. Ocorre que essa posssibilidade ainda está em discussão. Isso não quer dizer que o Palmeiras some os três pontos. Uma nova partida seria marcada. Repito: se isso acontecer, o time pode até se salvar, mas mancharia sua diginidade, o que lhe resta nesse momento.

Até posso estar sendo pessimista demais, mas quando vejo o presidente do clube com um terço nas mãos durante a partida, como aconteceu no jogo em Araraquara no fim de semana, confesso que não tenho argumentos para acreditar que o Palmeiras vai se salvar. Nesse caso, como a bola nos pés, reza não ajuda.
 http://tv.estadao.com.br/videos,O-SOFRIM…

 

 

Tags:

Sem Comentários | comente

O maior ídolo do Palmeiras, o goleiro Marcos, também usou em seu facebook a expressão ‘dignidade’ para expressar tudo o que está acontecendo com o Palmeiras. Referia-se à falta de dignidade que toma conta do clube nesse episódio do gol ilegal de Barcos. Ora. Se o próprio Marcos acha que o melhor a fazer é esquecer tudo e tentar se salvar dentro de campo, a diretoria tinha mais é que deixar prá lá, pedir desculpas por tanto barulho e seguir seu calvário nas últimas partidas que lhe faltam do Brasileirão.

A decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva é de praxe nessas situações. Os promotores ‘anularam’ o resultado do jogo até que tudo seja esclarecido. Portanto, o Inter perde os três pontos que ganhou no Beira-Rio até que o martelo seja batido, o que deve acontecer em sessão do dia 8 ou em sessão extraordinária no dia 14. A última data prevista para o tribunal tomar sua posição, definitiva, é 22 de novembro. Disso não passa. Até lá será uma agonia, sobretudo se o Palmeiras precisar desses pontos. É aí que cheira ‘tapetão’.

A turma do Palmeiras entende que a brecha está aberta para conseguir a anulação do jogo e assim ter nova chance de ganhar mais três pontos. Um novo jogo. Até lá, quem sabe o Palmeiras nem precise mais desses pontos. Apesar que duvido que o resultado dos promotores seja pró time paulista. Duvido.

O argumento do Palmeiras é o mesmo do dia do jogo. O quarto árbitro da partida foi avisado por um repórter de tevê que o gol de Barcos foi de mão. Portanto, teve a ajuda externa para tomar a decisão de um lance que ninguém da arbitragem viu. O juiz deu o gol e depois voltou atrás. Ser ajudado por alguém de fora não é permitido pelas leis do futebol. Mas o gol, dse fato, foi de mão, irregular.

Então a defesa não vai entrar no mérito de Barcos ter tentado enganar a arbitragem ou não, ter usado a mão ou a cabeça. Vai alegar que o árbitro teve auxílio de alguém fora do jogo, um jornalista, para tomar sua decisão. Legalmente, as pessoas do Palmeiras acham que é possível anular a partida. Moralmente, se isso acontecer, o Palmeiras terá de carregar essa mancha por toda a sua história: a de ter se baseado em um gol de mão para mudar sua sorte no Brasileirão de 2012.

Para o torcedor que não está nem aí, isso pouco importa. Ele quer o time na Série A a qualquer preço. Parece que para boa parte da diretoria do clube isso também não faz diferença. Para as pessoas que, como eu, defendem a lisura dos fatos, a possibilidade de anular o resultado de um jogo tendo como fundamento um gol de mão, que todos depois viram pelas imagens de tevê, parece muito errado.

Daí a indignação do goleiro Marcos, que, como todos sabem, nunca foi santo. Mas não gostaria de ver seu time do coração se valer de um gol irregular para não cair. Estou com Marcos.

Tags:

Comentários (32) | comente

Falta bem pouco para que a diretoria do Palmeiras perca a dignidade que ainda lhe resta. Basta oficializar no STJD seu pedido de anulação do jogo com o Inter, derrota por 2 a 1, sábado, no Beira-Rio, para que isso aconteça. O prazo é nesta terça-feira.  O Palmeiras cobra a anulação da partida porque o juiz não deu um gol de mão de Barcos. Se isso, de fato, ocorrer, o clube vai brigar por um gol irregular na tentativa de cancelar uma derrota e ter a chance de somar três pontos em novo confronto, o que lhe ajudaria em sua caminhada até aqui ruim, mas honrosa, para tentar escapar do rebaixamento.

Palmeiras alega que a informação do gol irregular não partiu da arbitragem, como deveria ser, mas de repórteres de campo. Isso, de acordo com as regras, não poderia acontecer. O Palmeiras defende que nenhum dos árbitros e auxiliares viu a jogada. De modo que não poderia ter anulado o gol, mesmo que ilegal.

Pode até ser. E pode mesmo existir essa brecha para que o Palmeiras busque a anulação da partida. Puro desespero de quem está prestes a ser rebaixado. O que o Palmeiras está propondo é o tapetão, e de segunda categoria, porque nem sabe se poderá ganhar do Inter em outra partida. Onde fica a dignidade do clube e de sua gente? Vale passar por esse carão para se salvar? Ou o melhor é cair com alguma dignidade e respeito? O torcedor deveria responder isso.

O palmeirense não suportaria mais esse fardo, o de perder o respeito diante de seus rivais. Uma conduta dessas pode até salvar a equipe da degola, mas mancha sua história. E tudo porque todos viram que o gol foi de mão e que, por isso, o juiz o anulou. O Palmeiras buscaria então na justiça esportiva o direito de validar o torto, o errado, o mal-feito. É o fim do mundo. A diretoria deveria esquecer esse assunto e focar sua salvação nas cinco partidas que ainda lhe restam, no 11 contra 11. E fim de papo.

Tags:

Comentários (48) | comente

A paulada que o Palmeiras tomou na Sul-Americana, perdendo para o Millonarios por 3 a 0 e dando adeus à Sul-Americana, precisa refletir de forma positiva no elenco em seu calvário no Campeonato Brasileiro. Tudo bem que o time estava remendado e que muitos titulares não atuaram, enfraquecendo ainda mais o que já é um tanto fraco. Os principais jogadores foram poupados para evitar desgaste diante do Inter. Então, precisam jogar. Uma vitória neste sábado no Beira-Rio muda o cenário na Academia. O time busca mais um milagre na competição.

O Palmeiras precisa de uma vitória, diga-se, aliada a tropeços de alguns rivais. O primeiro que tem de cair é o Sport, um passo à frente do Palmeiras na classificação geral. Bahia, Portuguesa e Flamengo são os adversários que o palmeirense deve secar. O Flamengo, com 40 pontos, joga só na próxima quarta contra o Atlético-MG. Pedreira. É muito provável que perca. O Atlético é mais forte e está embalado para estragar a festa do Flu.

A Portuguesa, com 39, visita o Figueirense, penúltimo colocado. O time do Canindé, mesmo fora de casa, tem mais chances de somar os três pontos. Se perder, entra na briga com os que tentam fugir do descenso. E há o Bahia, o rival mais próximo dos times da zona da degola. O Bahia, com 36 pontos, recebe o Grêmio, outro embalado e brigando para se manter no G-4. Para animar o torcedor palmeirense, é bem provável também que aconteça uma vitória do time gaúcho.

O problema é o Palmeiras fazer a parte dele. Ganhar do Inter no Beira-Rio não é fácil. Com 48 pontos, o Colorado também precisa dos três pontos para se aproximar do São Paulo, o quarto classificado, e ultrapassar o Vasco. Gilson Kleina sabe disso. Existe a oportunidade de Correia e Maikon Leite serem liberados pelos médicos. Mais uma vez na competição, o Palmeiras vai para o tudo ou nada. Até agora está dando nada.

Tags:

Comentários (2) | comente

Ronaldinho comeu a bola na partida contra o Fluminense, comentada no Brasil todo após a vitória dos mineiros por 3 a 2. Foi, de fato, um jogaço, desses de encher os olhos do torcedor e de ecoar durante a semana. Ronaldinho não fez gol, mas participou dos três do seu time, e de algumas outras tantas jogadas ofensivas. O meia se reencontrou no Atlético-MG. Mas por quê? O que tem o Atlético de diferente do Flamengo?

A resposta está no seu presidente.

Alexandre Kalil não é Patrícia Amorim. Alexandre Kalil não dá beijinho em jogador quando ele chega ao clube ou participa de algum evento. Alexandre Kalil estende a mão, mas cobra fidelidade, compromisso, envolvimento e trabalho. Alexandre Kalil não é um presidente de meias palavras. Certa vez ele disse com todas as letras e com seu ‘mineirês’ característico que jogador nenhum bate boca com o presidente. Porque se isso acontecer, ele, o presidente, manda encerrar o contrato do jogador. Simples assim. Kalil impõe seu comando no Atlético Mineiro. Certo ou errado, existe um comando claro e bem definido. O presidente e seus pares mandam, os jogadores e a comissão técnica obedecem.

Ronaldinho, com toda a sua história, entrou no esquema. Essa era a condição para a sua contratação. Quando se estabelem regras e condutas, tudo fica mais fácil. No caso do Flamengo, isso nunca foi cristalino. Nem com Ronaldinho nem com Adriano, por exemplo. O atacante que tenta se recuperar na Gávea é tão vítima quando algoz da situação do clube. Ele finge que se esforça, o clube finge que ele está se esforçando… e o Brasileirão vai chegando ao fim sem que Adriano dê um único chute na bola.

Essa é a diferença. E o resultado disso está na tabela de classificação. O Atlético Mineiro é o único capaz de tirar o caneco do Fluminense. O Flamengo ainda luta para escapar do rebaixamento. É fato também que há mais flamengos no futebol brasileiro do que atléticos. E isso é uma pena.

Tags:

Comentários (4) | comente

Muricy Ramalho foi o primeiro a gritar quando desembarcou na Vila Belmiro e viu seu melhor jogador sofrer com a faltas dos marcadores ‘brucutus’ espalhados pelo futebol, do  Brasil e da América do Sul. Está cheio. Franzino debaixo de seus cabelos ora pintados de uma cor ora de outra, Neymar entortava os beques com a mesma disposição que eles (os beques) visavam suas canelas, ou mais para cima. Era pau atrás de pau. Neymar já apanhou de todas as formas nesses dois últimos anos, basicamente desde que assumiu a condição de craque do Brasil.

Apanhou e também simulou muitas faltas, derrubando a maioria dos comentaristas em seus comentários precipitados. Muitos repleys já  mostraram que Neymar estava fingindo a infração: na língua dos estádios, jogando a torcida contra o árbitro. E esse sentimento ‘anti-Neymar’ da arbitragem se alastrou pelo País, pela América do Sul e quem sabe já tenha chegado na Europa, um provável destino. A imagem de um craque ‘cai-cai’ então se formou quase que na mesma proporção da certeza do seu talento. O assunto até fez uma das principais revistas esportivas do Brasil,  a Placar, colocar em sua capa da edição deste mês um Neymar sendo crucificado por ‘simular’ faltas, quando na verdade, a publicação sustenta, ele sofre a maioria delas.

Neste domingo, Neymar foi expulso na partida contra o Grêmio. Recebeu amarelo por reclamar com o juiz pernambucano Nielson Nogueira Dias por falta recebida. Ganhou o vermelho, sem o segundo amarelo, porque se enroscou com o lateral Pará, com quem já jogou no Santos. Neymar recebeu o vermelho e foi para o chuveiro mais cedo. Pará não foi sequer advertido. Todos nos Santos reclamaram da perseguição.

Hoje, parte da mídia especializada condena o jogador por se atirar ao gramado a cada chegada mais dura da marcação. Uma outra fatia o defende dos caneleiros do futebol, esses zagueiros e volantes que só fazem destruir, na pura maldade. Uma terceira turma diz ainda que Neymar sofre mesmo muitas faltas, mas também tem a maladragem dos atletas que sabem enganar a arbitragem e que fazem isso somente para se valorizar.

Há pelos menos dois anos, um dos grandes jogadores que o Santos já teve, Coutinho, defende a tese de que Neymar é o maior ‘cai-cai’ do futebol brasileiro. Coutinho foi parceiro de Pelé durante anos na Vila Belmiro, e com ele formou o ataque dos sonho do Santos, com Dorval, Mengálvio, Coutinho, Péle e Pepe. ” Neymar cai muito. Olha o que eu vou dizer: não vai jogar na Europa.  Não vai, porque se o tocam, ele cai, não vai ficar quase em pé. Ainda assim, eu gosto da maneira que domina a bola e parte para cima. É muito rápido.”

Não é bem assim. Neymar melhorou muito desde que assumiu seu lugar no futebol brasileiro. Não cai mais como antigamente, longe disso. Aprendeu a respeitar os marcadores e a ser menos peladeiro. Seu carisma também aumentou muito no Brasil e isso deve ter algum reflexo em sua conduta dentro e fora de campo. Mas Neymar também ganhou voz. Não apanha mais calado, reclama, esperneia, xinga – uma combinação perfeita para incomodar qualquer juiz, dos veteranos aos mais novatos. Ocorre que somente ele pode mudar essa imagem ou essa falsa imagem. E precisa. Ou terá mesmo de deixar o Brasil.

Comentários (6) | comente

O Palmeiras resolveu nesta quinta-feira seu problema com a zona de rebaixamento, com a preguiça de alguns jogadores, com a falta de apoio de parte da torcida e com a fragilidade do elenco: demitiu Felipão. Simples assim. Contra o Corinthians, domingo, vai ser outro Palmeiras, e o rival do Parque São Jorge que se cuide, porque poderá pagar o pato. Nem político em campanha e capaz de direcionar tantos problemas para uma única causa.

É claro que Felipão não era o problema do Palmeiras. Sem ele, o clube tende a se apequenar ainda mais. Mas essa foi a decisão do presidente, amigo de Felipão, certamente pressionado por seus pares e outras forças dentro do clube. Pouca gente se lembra, por exemplo, que o Estadão deu reportagem, não desmentida pelo técnico, de que havia corpo-mole no elenco. Depois disso, a Palmeiras nunca mais foi o mesmo e algumas panelinhas trataram de jogar o comandante para o fogo.

A fumaça vinda da Academia de futebol desde a manha desta quinta indicava que o Palmeiras ficaria mesmo sem capo. E tentaria encontrar, num típico fim de feira, um substituto no mercado. Fim de feira não porque a competição esteja ruim, mas porque faltam menos de quatro meses para o seu término e todos sabem que não é hora de procurar treinador. Os bons estão empregados ou com outros projetos. Leão, por exemplo, já disse que não deixará o São Caetano. Ele era nome cotado. Mas daqui a pouco aparece um para ganhar R$ 200 mil.

Mostra de que o Palmeiras se apequena com a decisão é o fato de o time ser comandado por Narciso, ex-Santos, no clássico de domingo com o Corinthians. Nada contra Narciso, claro. Ocorre que o Palmeiras terá um técnico juvenil para um jogo senior. É o fundo do poço.

O presidente Tirone foi levado por seu desespero a tomar a decisão de demitir Felipão, claro, diante da incapacidade de o treinador fazer a equipe reagir. Todos sabem que decisões importantes não podem ser tomadas quando se está no meio do furacão. Mas o futebol não leva nada disso em consideração. Parece uma entidade além de tudo. Não há regras certas ou erradas e o que serve para João pode não servir para José. O Palmeiras está sim pior agora do que amanheceu quinta. Não vejo técnico mais capaz do que Felipão para levantar o moral do time. E se qualquer um depois dele conseguir a façanha, ganhando a confiança do elenco e boa dose de transpiração em campo, aí sim vai ficar na cara que o problema era mesmo outro.  A propósito, enquete feita pelo Portal do Estadão neste quinta, com a participação de 704 pessoas até as 18h30, dava que 63% dos torcedores não queriam que o treinador deixasse o Palmeiras.

Comentários (2) | comente

Arquivos

Blogs do Estadão