É difícil mesmo mudar o chip de uma competição para outra quando se está na fase decisiva de uma delas. É o que ocorre com os times paulistas em relação ao Brasileirão. São Paulo, Palmeiras, Corinthians e Santos estão com a cabeça em torneios mais importantes no momento. E tem de ser assim mesmo.
Corinthians e Santos se enfrentam na fase semifinal da Libertadores. Quem passar, portanto, fará a final e se ganhar a decisão estará no Japão no fim do ano diante do Chelsea, o campeão da Copa dos Campeões da Europa. Ora. Como fazer com que seus jogadores, treinador e comissão técnica foquem um Nacional que está apenas começando? É impossível do ponto de vista motivacional também.
Os caras querem é jogar a Libertadores e ver no que vai dar.
O mesmo acontece com São Paulo e Palmeiras, enfronhados na Copa do Brasil. O foco é outro. Esses elencos precisam respirar a Copa do Brasil para entrar com a faca nos dentes em seus compromissos: O Palmeiras contra o Grêmio e o São Paulo diante do Coritiba.
Portanto, o torcedor sabe que o Brasileirão começa em péssima hora para os paulistas, daí o desempenho fraco após duas rodadas. Veja a classificação:
São Paulo – 8º – 3 pontos
Santos – 13º – 2 pontos
Palmeiras – 14º – 1 ponto
Corinthians – 19º – 0 ponto
E não haverá cobrança nesse momento por parte da torcida. De nenhum deles.
Também gostaria de homenagear aqui o Doutor Sócrates, um dos jogadores mais elegantes que vi jogar. Morreu cedo e tomara que seus exemplos e vícios sirvam para melhorar a vida das pessoas, preocupado que sempre foi com os descamisados e maltratados.
No Pacaembu, o Corinthians fez o que se esperava dele. Jogou com maturidade, não se desesperou, deixou o tempo e a gana do Palmeiras passarem sem se incomodar com a torcida, aflita na arquibancada por um gol. É claro que agora, depois de levar o título para casa, é bem mais fácil analisar.
Mas essa maturidade nunca vi no Corinthians, um time sempre empurrado por sua torcida ou pela qualidade de seus jogadores. Dessa forma, com a cabeça no lugar e sem viver a ansiedade de outros tempos, o Corinthians, sob o comando de Tite, pavimenta um caminho mas tranquilo na Libertadores. Pode dar certo.
E agora, Corinthians? Esta é a pergunta de todo palmeirense para a última rodada do Campeonato Brasileiro. Tite e seus comandados precisam pelo menos do empate diante do rival de Palestra Itália para não depender do resultado da partida do Vasco com o Flamengo.
O problema, além da rivalidade, é o fato de o Palmeiras ter embalado com duas vitórias seguidas nesta reta final de temporada. E parece que seus jogadores pegaram gosto pelas vitórias. Há ainda uma outra questão: o Corinthians, embora continue ganhando suas partidas, está esgotado fisica e mentalmente. Já não agride tanto os adversários, embora continue com seu padrão tático, um pouco mais reforçado na defesa, e se valendo da qualidade de Liedson e dos homens de frente.
É jogo então para o predestinado Adriano. Tite também poderá colocar o regulamento debaixo do braço e fazer o ponto que precisa para ser campeão. Nesse caso, o contratempo é o Vasco. Se o time de São Januário bater o Fla, o que é possível também pela rivalidade que existe, adeus caneco.
Não seria uma injustiça o Vasco ser campeão. O time é o melhor do Brasil na temporada. Ganhou a Copa do Brasil, está na semifinal da Sul-Americana e tem chance de faturar o Brasileiro. Tem ou não tem qualidade? Ocorre que o Flamengo, de Ronaldinho, precisa de pontos para jogar a Libertadores/2012, com a premissa de perder seu treinador, Luxemburgo, se isso não acontecer.
Vai ser dureza para o Vasco. E esse é o alívio dos corintianos: saber que o Vasco vai ter pedreira na última rodada também. Vai ser preciso ter coração forte para aguentar essa decisão.
Dos quatro times, apenas o Palmeiras não tem nada a ganhar ou perder na rodada derradeira. Dos quatro também é o de menor qualidade técnica. Mas tem Felipão e alguns jogadores já perceberam o quanto é importante pela rivalidade das torcidas ganhar do Corinthians. Se puderem, vão ganhar.
É conversa fiada essa história de “não há nada que nos interesse nesse jogo”. O Palmeiras vai com tudo para cima do Corinthians. Tite e seus comandados precisam fazer o que fizeram durante a competição toda: jogar futebol. Só assim ficarão com o título.
A provocação do diretor de marketing do Corinthians, Luís Paulo Rosenberg, de que o Palmeiras deveria colocar a faixa no provável campeão brasileiro na última rodada da competição, quando as duas equipes mais rivais de São Paulo se enfrentam, pode ter sido um tiro no pé. Festejou e tirou sarro antes da hora. E isso ainda vai dar o que falar.
Rosenberg é um homem de marketing e os profissionais de marketing são provocadores por natureza. Ocorre que o Corinthians pode precisar de pontos quando entrar em campo contra o Palmeiras dia 4 de dezembro e aí não vai ser fácil bater um adversário mordido, por mais frágil e de pouca qualidade que ele tenha no momento.
O que a gente ouve por aí é exatamente isso: se tem um jogo que o Palmeiras precisa ganhar para encerrar sua horrenda temporada, esse jogo é diante do Corinthians. Se puder impedir que o rival fique com o título, ao menos uma de suas missões no ano estará salva. Começaria 2012 praticamente zerado, apesar dos fracassos retumbantes.
Então, o recado do palmeirense ao corintiano é um só: ganhe o campeonato antes da última rodada.
Os profissionais de comunicação que trabalham a imagem de Luis Fabiano procuraram o blog sexta-feira para contestar a informação de que o atacante do São Paulo está acima do peso. Garantiram que não, que seu peso é o mesmo de quando jogada no Sevilha: 86 quilos.
Leia a informação passada ao blog:
“Conforme adiantei por telefone, não procede a informação de que o Luis Fabiano está acima do peso. O jogador está com o mesmo peso que manteve nos últimos anos, no Sevilla e na seleção brasileira.”
A informação também foi checada no São Paulo, conforme e-mail enviado pelo assessor de imprensa do clube ao profissional que cuida da carreira de Luis Fabiano.
Leia:
“Depois que você me escreveu, fui ler o blog do Morelli e também conversei com o pessoal da comissão técnica a respeito do assunto. Tanto o médico Sanchez, pessoa que mais acompanhou o Luis durante todo esse processo de recuperação por ser o chefe do Depto. Médico, quanto o Zé Mario, preparador físico, garantiram que a notícia não procede. Segundo eles, o Luis Fabiano se encontra no peso e desde que retornou ao clube, no fim de março, nunca teve nenhum problema em relação a isso. O Sanchez disse que o Luis Fabiano se mantém no peso facilmente e mesmo no período em que esteve parado para recuperação fisioterápica, ele não teve maiores preocupações com a situação dele.”
Vale esclarecer que em nenhum momento o blog se valeu da informação para prejudicar a carreira de Luis Fabiano ou qualquer coisa desse tipo. A nota se propôs apenas a explicar a fase ruim do jogador.
No Rio de Janeiro, o nome do atacante Kleber foi ventilado em São Januário. O jogador foi afastado do elenco do Palmeiras pelo técnico Luiz Felipe Scolari, com o aval da diretoria do clube. Kleber tentava se arrumar no Flamengo, com seu amigo Vanderlei Luxemburgo. E isso ainda pode acontecer.
Tão logo o problema no Palmeiras ganhou repercussão, o nome de Kleber foi comentado pela comissão técnica do Vasco. A possibilidade de reforçar o time com o atacante para 2012, já que ele não tem como jogar neste Brasileiro por ter feito mais de seis partidas pelo Palmeiras, foi prontamente vetada pelo próprio elenco cruzmaltino.
Ou seja: não querem Kleber em São Januário. Mas duvido que o jogador fique sem time na próxima temporada. Se isso acontecer, o Palmeiras terá de pagar seu salário de R$ 300 mil por mês até 2015, quando termina sem contrato.
O problema é que nem todos ainda estão seguros de que Felipão permaneça no Palmeiras em 2012. Ele deu sua palavra que continua no clube, mas no futebol os ventos sopram fortes e rápidos demais. E tudo pode mudar.
A FRASE É DE ABEL BRAGA, TÉCNICO DO FLUMINENSE, QUE PERDEU NESTE DOMINGO PARA O FLAMENGO POR 3 A 2.
“O Luxemburgo não tem nada de ficar batendo boca com meu jogador. Aqui ninguém vai baixar a calcinha para o Luxemburgo. Ele é meu amigo, mas fui dizer que não tem de se meter. Não dou direito a ninguém de discutir com jogador meu. Até porque nenhum jogador meu vai bater boca com treinador adversário.”
NO INTERVALO, LUXEMBURGO BATEU BOCA COM OS JOGADORES DO FLU. APÓS A DERROTA, GRUPO TRICOLOR PARTIU PARA CIMA DO ÁRBITRO PARA TOMAR SATISFAÇÃO.
Dos times de São Paulo, somente o Corinthians fez bonito na rodada do fim de semana do Campeonato Brasileiro. Fez frente ao líder Vasco dentro de sua casa e por pouco não ganhou o jogo. Não há do que reclamar. O empate por 2 a 2 ficou de bom tamanho dado nível e o momento do adversário, um dos candidatos ao título.
O Vasco joga por sua torcida e pelo técnico Ricardo Gomes, que se recupera de uma AVC. Não há combinação melhor para fazer um campeão. Parece que encontrou um motivo para dar o máximo. E é isso o que tem feito.
No Morumbi lotado, 63 mil torcedores, o São Paulo fez sua festa antes de a bola rolar. A torcida apareceu, o estádio completava 51 anos e o time tinha finalmente a estreia do atacante Luis Fabiano. Ingredientes não faltavam para ter uma tarde proveitosa. Só faltou combinar com o Flamengo. O time de Luxemburgo veio para estragar a festa. E conseguiu: 2 a 1. O Tricolor precisa agora recuperar esses pontos fora para continuar na briga.
O campeonato começa a se definir e agora toda a partida será duríssima. O Brasileiro entra naquela fase de se jogar com o coração na ponta das chuteiras, cada um com seu motivo e interesse.
Sábado, o Santos poderia ter feito bonito diante do Fluminense no Rio. Quase deu. Não fosse o gol de Márcio Rosário aos 50 minutos do segundo tempo, o time de Neymar, que ontem roubou a cena no programa do Faustão, da Rede Globo, poderia ter beliscado um empate. Neymar, diga-se, jogou para ser apontado o melhor em campo. O Flu também foi bravo e buscou resultados adversos até o fim. Ganhou por 3 a 2.
No Canindé, o mico da rodada. De novo. O Palmeiras, em greve de silêncio, não conseguiu roubar três pontos do lanterna América-MG. Amargou empate por 1 a 1. E quase perdeu. Não há muito o que fazer com esse elenco. Além de fraquinho (os resultados demonstram isso), os jogadores estão escondidos atrás da disputa por espaço entre o vice Roberto Frizzo e o treinador Luiz Felipe Scolari. Enquanto esse braço-de-ferro não for resolvido, de forma que apenas um permaneça no clube, nada vai mudar.
Não tenho dúvidas de que se o treinador do Palmeiras não fosse Luiz Felipe Scolari, a diretoria já teria trocado de comandante. E não pelo trabalho ruim do técnico, longe disso. Sem ele o Palmeiras estaria bem pior. Ocorre que me parece cada vez mais claro o racha que está no elenco, cada um correndo para um lado, o pouco envolvimento dos atletas e a quase nenhuma disposição de trabalhar por um prato de comida.
Felipão usou a expressão “falta química” para tentar explicar o que está acontecendo entre a comissão técnica, ele, e o elenco, os jogadores mais experientes. O empate com o Atlético-GO por 1 a 1 com dois jogadores a mais durante boa parte do jogo parece uma resposta a tudo isso. É muita intriga. É muita gente jogando contra.
O presidente Arnaldo Tirone também já demonstrou não ter peito para mudar nada. Vai levando. A briga velada entre Felipão e o vice Roberto Frizzo respinga no elenco. Enquanto existir essa pendência dos dois lados (e ela só se resolve se um dos envolvidos deixar o clube), os jogadores terão álibi para fracassar. Que foi um vexame todo mundo viu. Nem precisa dizer.
Ocorre que é cada um por si no Palmeiras. E quem quiser que ataque a primeira pedra. Todo mundo deve no cartório. Não vai mudar até o fim da temporada. E quem paga o pato é o torcedor, que acredita, que faz suas contas pensando em colocações melhores na competição, que compra camisa nova…
Já passou da hora de alguém tomar uma decisão mais séria e ajudar o Palmeiras. Mas falta coragem.
O Santos não conseguiu sobreviver sem seu principal jogador em campo. Neymar não participou da partida contra o Figueirense neste sábado, na Vila, por estar suspenso pelo acúmulo de cartões amarelos. Também precisa descansar para não estourar a exemplo de Ganso. A derrota por 3 a 2, com gol de pênalti dos visitantes no segundo tempo, expôs a dependência do Santos de seu craque.
Sem Neymar, e com Ganso baleado, o Santos é um time comum. Tem bons jogadores em todas as posições, um Borges inspirado na frente dos goleiros, mas não se diferencia muito dos concorrentes. Ficou provado neste sábado. O Figueirense é um time bem mais comum que o Santos e ocupa posições intermediárias no Campeonato Brasileiro.
Mereceu ganhar? Sim.
O Santos correu atrás da vitória o tempo todo e não teve facilidade em sua casa. Neymar tem feito a diferença para o time em sua série de vitórias seguidas no Brasileiro. O craque incomoda a defesa e prende hoje qualquer time atrás. Não foi o que aconteceu neste sábado na Vila. Sem o atacante, o Santos não foi “respeitado” como deveria em seu quintal. O time de Muricy vai ter de se preparar para enfrentar tempos tempestuosos sem Neymar. Ele não vai agora para o Real Madrid, mas estará com a seleção brasileira cada vez mais e isso vai abrir uma lacuna na equipe da Vila.
2012
2011
2010
2009