Neymar é mesmo diferente. Ele acabou com o São Paulo neste domingo, marcou três gols e poderia ter feito um quarto não fosse a trave. Deitou e rolou em cima de Piris, seu joão em campo, e depois fez o mesmo diante de Rodrigo Caio, seu marcador no segundo tempo. Marcou seu centésimo gol com a camisa do Santos, transformando-se no terceiro maior goleador do time após Pelé, com 102 gols. Está atrás de Serginho Chulapa e João Paulo, que têm 104. De quebra, durante os 90 minutos da vitória por 3 a 1 no Morumbi deste domingo, ainda tornou-se artilheiro do Paulistão, com 16 gols.
Tudo isso em uma partida só. E olha que ele foi caçado no jogo do meio de semana contra o Bolívar, em La Paz, pela Copa Libertadores. O Santos, digas, foi o único dos quatro finalistas a jogar. Neymar é bom jogador o ano todo, mas quando chega a fase decisiva ele fica ainda mais decisivo. É preciso tirar o chapéu para esse menino. Neymar joga futebol e brinca com o futebol. O gol comemorado na bandeirinha do escanteio, imitando Juary, foi de caso pensado. Já sabia que faria isso. No fim da partida, após a classificação para a grande decisão do Paulistão, ele parecia um garoto que acabara de ganhar uma bola do pai. Era só alegria.
Neymar é o começo, o meio e o fim do futebol brasileiro jogando hoje. É sua essência.
Neymar tem razão quando reclama da violência dos adversários na Copa Libertadores. No jogo de quarta-feira contra o Bolívar, em La Paz, o atacante foi caçado em campo. Apanhou até da torcida, num gesto covarde dos nossos ‘hermanos’ bolivianos. Engrosso o coro de Neymar contra a violência dos brucutus do futebol. E olha que eles estão em todas as equipes. Na verdade, eles sempre existiram. Nem aquele Brasil e Holanda de 1974, com as duas equipes repletas de craques, escapou da violência dos marcadores. Ocorre que aquele jogo foi prometido, e deu no que deu, com a eliminação brasileira.
Vale rever alguns laces de Brasil e Holanda de 1974: http://www.youtube.com/watch?feature=pla…
O Palmeiras precisa reagir não somente nessa primeira partida contra o Paraná, mas numa classificação tranquila na Copa do Brasil. Felipão vai fazer mudanças no time e deve barrar jogadores em fase ruim, de baixo rendimento e com falta de confiança, como o goleiro Deola. Alguma coisa precisa ser feita. Já até passou do tempo. Tinga já se foi. Uma meia dúzia deve ir embora do clube também até o começo do Brasileirão, dia 19 de maio.
Ocorre que dirigentes de plantão já estão pressionando o presidente pela saída do treinador, que continua fiel a Arnaldo Tirone. Felipão mantém, pelo que demonstrou durante a semana após a eliminação no Paulistão, a cabeça no lugar. Não vai arrumar confusão enquanto estiver no comando. Ele sabe que há muitas coisas erradas no clube.
Amigo do futebol, hoje a bola vai rolar. O Santos visita o Bolívar na primeira partida do mata-mata da Libertadores. No Beira-Rio, tem o confronto caseiro entre Inter e Fluminense. No Santiago Bernabéu, em Madri, o Real tenta vaga na final da Copa dos Campeões diante do perigoso Bayern de Munique. O time espanhol, assim como o Barcelona ontem, precisa vencer porque perdeu por 2 a 1 na Alemanha.
O Barça não ganhou do Chelsea. Ficou no empate por 2 a 2 num jogo de um time só no Camp Nou. Martelou o quanto pôde o time inglês. Atacou por todos os lados e de todas as formas.
Era o futebol contra o antifutebol. Defesa contra ataque. Disposição para jogar diante da vontade de interromper o jogo a todo instante. E olha que não foi dessa forma somente na Espanha, hein! Em Londres, diante de sua gente, o Chelsea fez o mesmo. Ramires disse ao repórter Raphael Ramos que ‘o Chelsea não era um time covarde’. Defendeu-se antes mesmo de ser atacado por aqueles que gostam de futebol jogado no campo.
Fico imaginando o que comemorar numa classificação como essa, de futebol pragmático e voltado a destruir e não a criar. Saber se defender faz parte do esporte. Em todas as modalidades. Mas é preciso atacar também. E mais que isso: é preciso gostar de atacar.
Imagine um boxeador que só faz se defender. Não vai ganhar uma luta nunca. A essência do futebol que gostamos de ver se resume no ataque. Não na defesa. O Chelsea demonstrou no Camp Nou tudo o que o futebol de resultados é capaz de fazer. Teve um jogador a menos desde metade do primeiro tempo. Poderia ter três a mais que seria da mesma maneira. Ganhou uma batalha, mas provavelmente perderá a guerra.
O Barcelona sofreu com o tique-taque do relógio e com seus próprios nervos. Mas também com o dia nada inspirado do melhor do mundo. A atuação de Messi abaixo do normal, principalmente em relação ao seu poder de fogo (14 gols na Copa dos Campeões), foi fatal. Bola na trave. Bola para fora. Pênalti desperdiçado. Era Messi em corpo de Drogba. Quando se propôs a jogar, em raros instantes, o Chelsea até pareceu um time de futebol. O magricela Ramires fez um golaço, por cobertura. Lindo. E Fernando Torres, lá nos acréscimos, apareceu livre para empatar, classificando o time mais fraco. Azar da Copa dos Campeões.
Nesta terça-feira o Brasil conheceu seus três primeiros adversários na fase inicial da Olimpíada de Londres. Mano Menezes será o comandante da molecada, que tenta o inédito ouro. Não era para ser. Mas o treinador se rendeu à ‘certeza’ de que pode levar a seleção ao lugar mais alto do pódio e resolveu comandar o time na Inglaterra.
A conquista olímpica já seduziu muitos outros técnicos e todos ficaram pelo caminho. Se Mano falhar em Londres, ele não será o primeiro. Ocorre que seu futuro até a Copa das Confederações em 2013, e mais tarde até a Copa do Mundo de 2014, passa necessariamente pela festa olímpica. Dúvido que Mano fique se faturar a prata. O bronze para um País pentacampeão mundial não vale nada, essa é a verdade.
O Brasil começa sua caminhada nos Jogos contra o Egito. Encara depois Bielo-Rússia e Nova Zelândia. Teoricamente, não são rivais páreos para a seleção, mesmo levando em conta o fato de Mano não ter um time pronto. Ninguém sabe ao certo quem serão os 18 jogadores da equipe olímpica. Mano fez uma pré-lista de 52. Só Kaká, dos selecionáveis, não está nela. A Fifa determina que 15 jogadores tenham até 23 anos. Três podem ser mais experientes.
O fato é que os chefes de Mano Menezes já lhe deram o aviso: ‘futebol é resultado’. A frase é de José Maria Marin, presidente da CBF, mas também foi dita por Andrés Sanchez, diretor de seleções da entidade. Em outras palavras, ou Mano ganha o ouro ou está fora.
MATÉRIA DE JAMIL CHADE
Os cartolas que receberam propinas da ISL deram um calote na propria Fifa e geraram prejuizos milionários à entidade, usando contas em Andorra e também na Suíça. Essa é a conclusão que a Justiça suíça apresentou a politicos europeus, em audiência ocorrida no dia 4 de março e que nesta segunda-feira teve seu conteúdo revelado. O caso, segundo a rede britânica BBC e o jornal Tages Anzeiger, envolve o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e o ex-presidente da Fifa, João Havelange. Leia a reportagem completa.
Veja também, em inglês, o documento revelado nesta segunda-feira.
A diferença da eliminação do Corinthians para o fracasso do Palmeiras no Pauslistão é que a derrota do Corinthians ninguém esperava. As duas equipes perderam seus jogos neste domingo, e ambas por 3 a 2. O Corinthians caiu diante da Ponte Preta, e o Palmeiras apanhou de novo do Guarani. Os times de São Paulo tiveram em seus goleiros os grandes vilões dos 90 minutos. Parece um castigo, para nenhum gozar o outro. Júlio César entregou duas vezes. E Deola tomou gol olímpico.
O cruzamento da semifinal do Campeoanto Paulista ficou então assim:
São Paulo x Santos
Guarani x Ponte Preta
Os dois erros do goleiro Júlio César foram cruciais para a eliminação do Corinthians no Paulistão, após derrota para a Ponte Preta por 3 a 2 no Pacaembu. Falhou feio no primeiro gol e também no terceiro, ao repor mal bola que estava em suas mãos. O Corinthians pressionou nos dois tempo, como sempre fez durante todo o campeonato. No entanto, faltou ao time, além da tranquilidade de seu goleiro, maior organização ofensiva. A vontade de marcar, de empatar, de virar foi maior que a capacidade de a equipe atacar com inteligência. Foi no abafa e no abafa não conseguiu.
E olha que Tite fez a coisa certa depois do intervalo, quando mandou a campo Alex e Douglas. Duas peças que deveriam dar esse toque mais cadenciado e certeiro ao Corinthians. Jogar apenas a bola na área é tática de time pequeno, sem recurso. Não é o caso do Corinthians.
É preciso reconhecer também o que jogou a Ponte Preta, equipe classificada em oitavo lugar para as quartas de final. Seus jogadores estavam em todos os setores. Cicinho, na direita, correu muito. Existia um combinado entre os pontepretanos: ninguém desistiria. E assim foi. Com a vantagem, o contra-ataque ficou à disposição dos visitantes. E a Ponte Preta poderia ter feito mais.
A eliminação do Corinthians só reforça a fórmula equivocada de disputa do Paulistão. O Corinthians foi melhor que todos durante 19 rodadas. E caiu em 90 minutos. Não acho que o futebol deva ser justo, mas era preciso ter jogos de ida e volta nas fases mais saborosas. As injustiças do futebol acabam premiando também equipes que não merecem nada.
Atrás da orelha do torcedor corintiano, fica uma pulga em relação ao sistema de mata-mata. Não no Paulistão, que esse não volta mais, mas na Libertadores, contra o Emelec, semana que vem. A semana no Parque São Jorge será difícil.
O Bragantino não foi páreo para o São Paulo. Nem de longe. Perdeu por 4 a 1 e poderia ter amargado derrota mais elástica não fosse a trave, e também um pênalti perdido por Luis Fabiano – que marcou duas vezes. Em dois momentos, o Bragantino ofereceu perigo: no fim do primeiro tempo e no começo do segundo. Mas foi logo envolvido pelos donos da casa. O Morumbi recebeu um bom público, perto dos 30 mil.
O São Paulo jogou melhor e mereceu a classificação. Leão escalou três atacantes: Lucas, Fernandinho, que também fez o seu, e Luis Fabiano. Bom para quem gosta de futebol ofensivo. Eu gosto. O Bragantino atuou de acordo com o seu tamanho no cenário paulista: jogou retrancado, cheio de volantes e de marcadores. Foi ao Morumbi para se defender e não para tentar sua classificação. Esse tem sido o pecado dos que se julgam inferior. Jogam para perder de pouco.
O São Paulo agora espera de camarote pelo outro semifinalista entre Santos e Mogi Mirim. Aposto no Santos. Mas essa é barbada. Se der mesmo o time da Vila, acredito que neste jogo entre São Paulo e Santos sairá o campeão. São as duas melhores equipes da competição.
O desfalque do Tricolor na semifinal será Luis Fabiano, que recebeu o terceiro cartão amarelo neste sábado. Leão tem agora uma semana para montar o time sem o atacante. Se passar o Santos, de Neymar, aposto que ele vai reforçar o meio de campo, onde também pode ganhar o jogo.
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