Robson Morelli - Estadao.com.br
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A Fifa vai dar um jeito de empurrar para debaixo do tapete toda a sujeira espalhada em sua Casa, por gente de dentro, dias antes de Joseph Blatter ser reeleito pela terceira vez (quarto mandato) à frente da entidade. As laranjas podres da família ficarão por lá por mais quatro anos, como se nada tivesse acontecido. Como se o futebol mundial estivesse em boas mãos, como se a democracia e o direito de falar fossem caractéristicas daquela Casa.

Comprar e vender voto e distribuir dinheiro para seus filiados, como se tem comprovado em troca de e-mails entre membros desta família, são entendidos pelo Capo como ‘momentos de dificuldades’. Onde eu fui criado isso tem outro nome. A Fifa parece o País das Maravilhas e Blatter lembra Alice, até no tamanho. 

Se a Fifa não dá exemplo nenhum ou dá exemplos errados, como podemos cobrar honestidade, integridade, transparência no futebol brasileiro, colombiano, italiano, espanhol, inglês…

A renúncia de Blatter deveria ser a única opção nesse momento. Mas quem fiscaliza deus? O próprio deus. E aí sabe-se de antemão, desde os primódios da Fifa, que nada vai acontecer. A única esperança é que a Europa se revolte e comece uma avalanche nos alpes suíços capaz de destruir tudo em Zurique.  Alguém forte precisa se indignar.

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O fato é que Adriano Michael Jackson já passou dos limites nas contas de Felipão, chegando mais uma vez atrasado no treino do time. Foi sábado, antes da partida contra o Cruzeiro. Adriano é aquele que fez alguns golzinhos importantes. O que pouca gente sabe é que esses mesmos gols fizeram do jogador um “nojo” dentro do Palmeiras, do tipo de reclamar das refeições oferecidas pelo clube e até dos três tipos de sucos da mesa. Talvez tudo isso seja exagero, mas o exemplo é bom para mostrar ao torcedor o que virou Adriano depois que teve um pouco de mídia em São Paulo.

Os argumentos de Felipão são válidos para afastá-lo. Como pode um treinador trabalhar com honestidade com um elenco de 30 jogadores se ele empurrar para debaixo do tapete as sujeiras de uns e outros? Se Felipão não for duro, perderá o comando do time. Se afrouxar, o grupo monta em cima. É assim que funciona no futebol. No Palmeiras, no Corinthians, no São Paulo, no Flamengo, em qualquer equipe.

E cá entre nós, Adriano Michael Jackson não estão com essa bola toda para chegar atrasado nem em Missa de Sétimo Dia. Mostra com isso ser aquele típico jogador que se acha antes de ser o que nunca conseguirá na carreira. E se conheço bem Felipão, o jogador terá de fazer muito, mas muito mesmo para voltar a ter boas chances.

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O Palmeiras arrancou um excelente empate do Cruzeiro em Minas: 1 a 1. Somar pontos no início do Brasileiro pode fazer diferença lá na frente, quando os times de equilibram. Bom para a equipe de Felipão. O goleiro Marcos fez ótimas defensas, contou com a sorte, mas foi vencido por uma jogada de escanteio na primeira trave. Foi indeciso para a bola e ficou vendido no lance. O gol de Luan também foi incrível. Luan chuta muito mal, mas contra o Cruzeiro ele acertou um tirambaço. Tudo bem que o Cruzeiro jogou melhor, daí Felipão ter falado que o resultado foi injusto para os mineiros. O palmeirense não tem nada a ver com isso e pode ficar contente sim com o desempenho da equipe. O Palmeiras tem quatro pontos em dois jogos.

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Jérome Valcke, secretário geral da Fifa, deixou claro: Ricardo Teixeira, presidente da CBF e todo-poderoso da Copa do Mundo de 2014, não está metido em nenhuma falcatrua de venda ou compra de votos para a escolha de sedes dos Mundiais. Nesta quarta-feira, Joseph Blatter tenta se reeleger para seu quarto mandato à frente da entidade. Ele vai ganhar, com certeza. Blatter está há 13 anos no cargo. E ficará mais quatro.

Também foi abafado o envolvimento do dirigente brasileiro em atos ilícitos do passado. Simples assim. Dessa forma, Ricardo Teixeira terá tranquilidade para organizar a Copa. Nesta semana, ele deverá ter um encontro com a presidente Dilma Rousseff para, além de ganhar apoio político, saber como o governo pode acelerar as obras estruturais das cidades-sedes e dos aeroportos do Brasil.

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Um dos fato de o Itaquerão não ter saído do papel ainda é o superfaturamento por parte de quem toca o projeto da obra. Com o envolvimento do governo e do BNDES, pensou-se que se poderia pedir qualquer valor para erguer um estádio que ele seria aprovado. É a lei do levar vantagem em tudo. Todo mundo sabe que o valor do orçamento de uma obra, seja ela qual for, tem de 20% a 30% acrescido no decorrer da construção. Pode ser de um estádio ou de um puxadinho. É batata. E se para o Itaquerão foi pedido R$ 1 bilhão, no fim da obra o estádio fatalmente chegaria a R$ 1,3 bilhão. Uma afronta.

Há uma informação em off de alguns engenheiros que uma obra é orçada pensando em lucrar 100% do seu valor real. Ou seja, se um estádio tem projeto na casa do R$ 1 bilhão é porque, na vida real, ele poderia ser levantado por R$ 500 milhões, metade do preço. O Corinthians acredita que pode fazer o mesmo projeto dado a ele pela Odebrecht por um valor mais perto da realidade, mais perto dos R$ 500 milhões.

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Aos amigos de Curitiba que outro dia me condenaram por eu usar nesse espaço a expressão ‘time de menor tradição’ ao me referir ao Coritiba, meus parabéns pela classificação para a final da Copa do Brasil. Vai disputar o título com o Vasco em partidas de ida e volta. Tem a chance de fazer história. Quem vencer ainda terá vaga na Libertadores de 2012. É a chance de coroar uma campanha bonita que já vem lá de trás, da Série B. O Vasco, que estava morto até a chegada do técnico Ricardo Gomes, voltou à vida e agora também quer essa taça.

Se as equipes mantiverem suas disposições de jogar em busca do gol, tenho certeza de que será uma bela disputa. Também não tenho dúvidas de que o torcedor vai fazer bonito, tanto no Paraná quanto no Rio. O único alerta que faço é para que o perdedor saiba perder. E não arrume confusão depois.

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Foi uma vitória magra, de apenas 1 a 0, mas com a cara dos times de Muricy Ramalho. Fez o que precisava para viajar ao Paraguai semana que vem com o regulamento debaixo do braço diante do Cerro Porteño. O empate serve ao Santos. É o último estágio para chegar à final da Libertadores. O santista está empolgado. Se fosse santista, também estaria. Principalmente porque teria no meu time esse moleque chamado Neymar. Jogou sozinho. Jogou para ele e para seu amigo Zé Eduardo, o único vaiado ontem. Pudera. Não acertou nada e andou atrapalhando em alguns momentos. Fora isso, tudo ocorreu conforme o script do treinador. E o torcedor, 31 mil, foi pra casa satisfeito.

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Emerson Sheik leva para Corinthians a  malandragem do carioca. E também a malandragem do jogador de futebol. Digo isso no bom sentido. Refiro-me a essa ginga dentro de campo, esses atalhos que somente os descolados conseguem pegar. Vejo Sheik e lembro muito de Romário, aquele cara de fala mansa, língua presa e malaco na concepção da palavra. Outro dia alguém contou uma história na redação do Jornal da Tarde, acho que foi o colega Matheus Silva Alves, jornalista dos bons, sobre o tal do treino alemão que alguns técnicos gostam de fazer. Parreira era um deles, embora sob seu comando o trabalho parecia ter alguma finalidade.

O treino alemão é aquele em o treinador divide o grupo em três times e põe os caras para jogar num mesmo campo, com três ou quatro gols. Romário viu aquilo e quase tirou as chuteiras. Depois, perguntado para o atacante porque ele não havia participado do treino, não teve dúvidas: “Você viu o treino?, perguntou ao repórter. Vi. E entendeu? Nada. Então. Porque eu vou participar disso se não vai me ajudar no jogo? Inventou um dorzinha no tornozelo e rapou fora.

Olho para o Sheik e vejo o mesmo malandro. E esse é o malandro esperto. Digo isso porque há uma porção de jogadores por aí que se dizem malandro da bola e só se metem em confusão fora de campo. Esse é o malandro otário, que vive se explicando de seus atos. E tem mais: Emerson Sheik é bom de bola. Se ele vestir mesmo a camisa do Corinthians como pede a tradição, vai dar o que falar no Parque São Jorge.

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Juvenal Juvêncio usou sua caneta sacrossanta para se juntar aos presidentes de clubes fechados com a Globo para a transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro de 2012 a 2015. Era um dos últimos que faltavam. O comandante do São Paulo segurou as pontas junto ao Clube dos 13 até a corda roer de vez. Não poderia ficar isolado. Teve de engolir a quantia oferecida, diga-se, menor que as cotas de Corinthians e Flamengo, mas muito acima do que vinha recebendo. Sua fatia vai bater na casa dos R$ 70 milhões aproximadamente. Não havia saída para Juvenal.

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Poderia chamar de irresponsável a declaração do presidente corintiano Andres Sanches sobre o início das obras do estádio do clube em Itaquera para esta terça-feira. Ele disse isso em uma entrevista sábado. Desde então, centenas de trabalhadores da construção civil batem à sua porta atrás de emprego. Pedreiros, serventes, mestre de obra. Essa corrida tem feito operários desempregados da zona leste a acordar cedo, tomar a carteira de trabalho nas mãos e se aglomerar na frente do terreno onde será erguido o Itaquerão na esperança de obter o registro. É trabalho para três anos.

E o próprio Andres aguçou o interesse dos moradores locais por dizer que 90% dos contratados serão da região. Opa! O trabalhador viu a chance de arrumar um emprego próximo à sua casa. Se for corintiano, melhor. Vai trabalhar com gosto. Mas o que todos descobriram nesses dias é que não há vagas.

O Corinthians e a construtora contratada não estão prontos para começar a construção. E Andres não poderia ter dito o que disse sem ter certeza de que a obra no seu quintal começaria mesmo no dia divulgado.

Não tenho dúvidas de que o estádio vai sair mais cedo ou mais tarde e que trabalhadores serão contratados de fato, mas o que fazer para impedir que pessoas se aglomerem todos os dias na porta do Itaquerão. Nesta terça cerca de 300 homens e algumas mulheres estiveram no local. Sugiro então que o Corinthians comece a fazer um cadastro dos trabalhadores em algum canto do terreno, com nome, telefone e ocupação e se comprometa a chamá-los assim que o primeiro tijolo for liberado. Só assim Andres conterá de forma responsável a agonia das pessoas em querer arrumar um emprego no estádio.

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