O palmeirense anda sorrindo à toa. Nem o mais otimista torcedor apostava que o time pudesse ter um começo de temporada tão razoável. Foram três vitórias seguidas nas últimas três partidas. Topo da tabela. Alguns gols bonitos de jogadas bem trabalhadas pelas laterais. É claro que ainda é cedo para tanta alegria. O time sofre para se ajeitar em campo. O fato de Felipão ter colocado três atacantes (Luan e Dinei), tirando Kléber do isolamento, tem funcionado. A defesa vai se virando como pode, com a boa novidade chamada Cicinho. Ótimo começo quando todos ainda estão de pernas duras. Mas o time não sobra como vejo sobrar o Santos, por exemplo. O engraçado é que as vitórias até têm sido por placares elásticos se comparadas aos resultados de 2010. Vai entender.
Esses pontos em começo da campeonato farão diferença mais pra frente, quando os times se nivelarem técnica e fisicamente. O Palmeiras ainda aguarda o retorno de Valdivia, que deixará o time ainda mais redondo, com certeza.
Boa também foi a volta de Marcos depois de cinco meses ausente. Marcão é uma figuraça, seu bom humor, quando está de bom humor, faz falta ao futebol brasileiro. E ainda está em forma, apesar, como ele mesmo diz, do joelhão baleado. Todos gostam de sua presença em campo. Conheci o Marcos quando eu era setorista do Palmeiras, quando o time fazia aquelas pré-temporadas em Serra Negra, Águas de Lindóia. Eram outros tempos. Os jogadores se aproximavam mais dos repórteres. Todos se chamavam pelo nome. E Marcos já era o mais querido. Sempre tratou todos bem, mesmo aqueles mais ácidos com suas atuações ruins.
Ele está em sua última temporada no futebol, já falou isso. Vai parar. E fará uma tremenda falta.
Os corintianos são mesmo engraçados. Pelo menos os que eu conheço. Até outro dia, Roberto Carlos era um mostro de lateral, jogador exemplar e dono de um fôlego invejável já perto dos 40 anos. Bastou um erro contra o Noroeste domingo para ser execrado novamente. Digo novamente referindo-me ao que aconteceu com ele na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha. Lembram? Quando foi arrumar as meias e deixou Henry livre para fazer o gol da França - eliminação do Brasil nas quartas de final.
O Corinthians vencia por 1 a 0 quando Roberto Carlos se embananou todo com a bola e provocou um contra-ataque mortal. Para mim, nada de mais no seu erro no meio de campo. O que mais me chamou a atenção (negativamente) foi vê-lo deixar o atacante do Norusca chutar livremente. Ele até chegou na marcação, dentro da área, mas deixou o cara bater para o gol. Errou aí.
Com Rivaldo no São Paulo e Ronaldinho Gaúcho no Flamengo, o futebol brasileiro resgata a tradição do camisa 10, que havia se perdido por conta de jogadores ruins No caso de Rivaldo, pena que ele volta em fim de carreira. Quando um grande clube contrata um atleta que já brilhou por aqui e fez história na Europa, todos fazem a maior expectativa de que ele jogue o mesmo que jogava quando foi embora. Na maioria das vezes isso não acontece. Foi assim com Ronaldo e com Adriano. Rivaldo e Ronaldinho provocam esse mesmo sentimento.
Rivaldo poderia ter assinado com o Palmeiras. Mas ao que parece, Felipão não o quis. Ou talvez não tinha dinheiro suficiente no clube para pagá-lo. Foi no Palmeiras que Rivaldo brilhou e poderia ter sido no Palmeiras que ele encerraria sua carreira.
Ronaldinho desperta mais interesse. E no torcedor do Brasil todo. Estive em Belo Horizonte no fim de semana para o casamento do amigo Renato (que casamento!) e todos com quem falei estão ansiosos para ver o Gaúcho em ação. Refiro-me a torcedores do Galo e do Cruzeiro. ”Quando ele vir jogar aqui em Minas, vou levar meus filhos para ver”, me disse um dos mineiros com quem conversei. “Acho que o Luxemburgo vai deixá-lo livre no meio, como fez quando treinou o Alex no Cruzeiro.” É uma opção.
Acredito que o torcedor de norte a sul do País queira ver Ronaldinho em campo. Não agora exatamente, masquendo ele estiver um pouco mais entrosado. Gostamos de bons jogadores. Só espero que ambos respondam positivamente à toda essa ansiedade do torcedor.
O Palmeiras escolheu seu novo presidente. É Arnaldo Tirone Filho, candidato da oposição a Luiz Gonzaga Belluzo. Ele ficará no cargo durante dois anos. E tem espinhosas missões no mandato:
1) Pacificar a política no clube
2) Rever os contratos da construção da arena sem parar as obras
3) Administrar uma dívida de R$ 170 milhões
4) Fazer novas receitas para o clube
5) Fortalecer o time e pagar os salários em dia
6) Combinar com o treinador Luiz Felipe Scolari
7) Ajeitar a partte social do clube
Se conseguir fazer tudo isso nos 24 meses de sua gestão, Tirone entra para a história do Palmeiras como herói. Farão um busto dele no Palestra Itália. Muitos duvidam que consiga. Ele sempre defendeu as ideias do ex-presidente Mustafá Contursi, que certamente será seu mentor nesta caminhada. Alguns também acham isso um retrocesso. A vantagem na contagem dos votos e a facilidade com que elegeu os vices-presidentes, todos de sua chapa, darão a ele, no entanto, muita tranquilidade para governar. O torcedor, claro, tem sonhos imediatos: títulos. E já espera festejar no Campeonato Paulista. A cobrança a Arnando Tirone começa hoje.
Um rápido perfil do presidente
Arnaldo Tirone Filho, de 60 anos, vem do ramo imobiliário. É da turma dos ex-presidentes Mustafá Contursi, Afonso Della Monica e Carlos Facchina. Ele está no clube desde 1955. Seu pai, Arnaldo Tirone, já foi diretor.
É gigantesca a diferença de Neymar para seus marcadores no Sul-Americano Sub-20 do Peru, que vale vaga para os Jogos Olímpicos de Londres em 2012. Ele sobra diante dos marcadores, pensa mais rápido, encontra saídas que somente sua habilidade permite.
Contra o Paraguai, na estreia, depois de se apresentar aos peruanos com jogadas a lá Garrincha, três adversários passaram a se revezar em sua marcação, às vezes os três juntos iam ao encontro do brasileiro, que apanhou barbaridade também. A Seleçãozinha ganhou de 4 a 2, com os quatro gols do jogador do Santos.
Sem dúvida ele vai ser o destaque desta competição. Mas o chato aqui vai fazer duas ressalvas: Neymar precisa ver um pouco mais os companheiros, principalmente o centroavante de área, e pensar um pouco mais em toques rápidos. É claro que isso é mero capricho, somente para vê-lo perfeito em campo. Os passes demorados em nada diminuem sua apresentação contra os paraguaios. Sei que às vezes pego no pé de Neymar, mas porque o vejo muito melhor dentro de campo do que fora dele. E já vi, acreditem, muitos jogadores bons de bola se perderem pelo caminho da fama, da exibição, do exagero e da falta de uma base. Não gostaria de vê-lo por esse caminho.
O garoto precisa também estar preparado para as botinadas, porque elas virão. Seus dribles, muitos deles desnecessários, irritam os rivais, os fazem perder a cabeça.
O volante Casemiro, do São Paulo, também fez uma boa partida. Os brasileiros são habilidosos e têm talento. A defesa, por ser a estreia, mostrou certo nervosismo. Deu chutões demais. A velocidade com que todos esses garotos jogam faz desse recurso uma necessidade, é verdade. Mas dava para fazer com mais tranquilidade, acredito.
O Sul-Americano vale duas vagas para Londres. E com Neymar inspirado, uma dessas vagas caminha para ser brasileira.
O Palmeiras paga caro por uma administração que só conseguiu enxergar um palmo à frente do nariz. Digo isso com pesar, porque o futebol do clube enfraqueceu. O torcedor, como já escrevi outras vezes aqui, não merecia isso. Anda amargurado com a falta de reforços e com a pequena perspectiva para esta temporada.
O presidente Belluzzo teve oposição desde o primeiro dia de sua gestão. Também fez pouco para manter o clube no nível dos grandes do Brasil. Se perdeu em sua condição de gestor-torcedor.
Hoje, os melhores jogadores torcem o nariz para vestir a camisa do time. E alguns que já a usam se apressam na virada do ano para tomar caminho diferente. Em meio a esse turbilão de desgosto do torcedor (e alegria dos rivais), há um treinador que tenta não deixar a peteca cair, que conheceu um Palmeiras em outra condição em sua primeira passagem.
A parceria com a Traffic se notabilizou pelo imediatismo das ações, como foi a administração Belluzzo. Não há legado nela. Há, diga-se, um estádio em demolição e documentos que garantem a continuidade da obra. Diga-se também de grande porte. As eleições no clube vêm aí e a esperança do torcedor está nas urnas. O vencedor, que será o novo presidente, tem a espinhosa missão de mudar o cenário. Terá de costurar a paz das facções internas, dar continuidade nas obras do estádio e oferecer a Felipão uma equipe mais competitiva do que ele teve em 2010. Não será fácil.
Esperava-se que Ronaldinho Gaúcho fosse aunciar seu clube no Brasil na entrevista que ele mesmo marcou no Rio. Nada aconteceu, no entanto. A única notícia foi sua liberação do Milan, informação que o Guto (Luís Augusto Monaco), do JT, já havia dado há um tempão – em contato direto com Adriano Galliani, do Milan.
A piada da hora é que Ronaldinho morre de amores pelo Grêmio, quer morar no Rio (base do Flamengo) e sonha receber seu salário do Palmeiras (R$ 1,3 milhão por mês).
Ocorre que a temporada já começou e depois o atleta fica fora de forma até o meio do ano, sempre com a desculpa de que não fez a pré-temporada com o elenco. Sei que o Gaúcho estava treinando na Itália e participando das partidas do seu time. Mas a desculpas é recorrente no futebol brasileiro.
O caso de Ronaldinho é o mesmo de Ronaldo: paga-se mundos e fundos pela qualidade do jogador, mas é preciso cobrar profissionalismo, exemplo, disposição e envolvimento. Tomara que ele, e seu irmão-empresário Assis, faça logo sua escolha, seja ela qual for. O futebol brasileiro só tem a ganhar com ele no gramado.
Ronaldo não apareceu no primeiro dia de trabalho do Corinthians em 2011. Péssimo exemplo para o restante do elenco e também para o torcedor. Esticou suas férias no Caribe, no bem bom com a família e amigos. Nada contra se outros mais do elenco poderiam ter a mesma regalia. Só Ronaldo pode. Isso é injusto. Não é correto. Mas tem a conivência da presidência. Ronaldo responde diretamente para Andres Sanches. Talvez nem Tite sabia dessa falta com antecedência. Tudo bem que ele é o Ronaldo, mas então depois não me venha com o discurso de envolvimento, paixão pelo clube, essas coisas que ouvimos dele em 2010. Ou o cara está com o grupo ou o cara está fora. E isso também cheira um clube sem comando.
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