Na última rodada do Brasileiro, quatro times posarão para a tradicional foto do pôster: Flamengo, Inter, Palmeiras e São Paulo. A equipe carioca dificilmente deixará escapar a taça jogando em casa contra o Grêmio. Não acredito que repetirá Palmeiras e São Paulo na competição – os dois times tiveram suas chances de ficar com o caneco e fracassaram. Ainda não estão mortos, mas não dependem somente de suas forças. O Inter já começou a pressão contra qualquer corpo mole dos rivais gremistas. Será assim até domingo. Outra discussão boa é sobre os títulos do Flamengo. O rubro-negro tentará sua quinta ou sexta conquista nacional? Ganhou em 1980, 1982, 1983 e 1992. Na temporada de 1987, faturou a Copa União, mas a CBF considera o Sport o campeão brasileiro. Não fazemos as regras. A CBF é que faz. Portanto, nos corredores da sede da entidade no Rio, todos dizem que, se ganhar, o Flamengo será penta. Até que se defina o contrário.
Na derrota por 2 a 0 para o Flamengo, o Corinthians deixou a impressão para muita gente de não ter se esforçado como deveria para ganhar o jogo em Campinas. Dirigentes, técnico e jogadores negam isso. Mas essa foi a sensação.
Ninguém me tira da cabeça que a emboscada ao ônibus do Palmeiras ontem na chegada a São Paulo, vindo de Itu, foi uma represália de são-paulinos às besteiras cometidas pelo presidente Belluzzo, mas precisamente ao fato de ter falado numa festa da escola de samba Mancha Verde que iria ‘matar os bambis’ no campeonato. Todo mundo sabe que Belluzzo não iria matar ninguém, que aquilo foi um gesto figurado do cartola. Ocorre que o inocente Belluzzo provocou quem estava quieto, ofendeu quem não tinha nada a ver com a história, e demonstrou total despreparo do cargo. Conduzido à presidência do Palmeiras sem desconfiança, em pouco tempo Belluzzo provou não saber onde estava pisando. Foi suspenso por 9 meses por ter ameaçado dar porrada em Simon, o árbitro que anulou gol do Palmeiras contra o Flu. Chamou os são-paulinos de bambi e provocou a ira dos torcedores do Morumbi. No meio, começa a desfigurar sua imagem séria construída em anos na área econômica. Já dizem que o professor Belluzzo não sabe nada. Pior. Não tem noção do que o torcedor de futebol é capaz de fazer por seu time, ou contra ele.
Notícias deste fim de temporada que mancham o futebol
1) Belluzzo pede para ‘matar os bambis’, referindo-se a acabar com o São Paulo no Brasileiro. O time assumiu a liderança e riu por último ao ver seu adversário do Palestra Itália cair na tabela.
2) Só se fala em mala branca para equipes envolvidas com o título e com as vagas para a Libertadores.
3) O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) volta a roubar a cena na reta final da competição.
4) Dirigentes de clubes não sabem mais o que fazer para se aproximar da torcida. A última foi de Andres Sanches, que resolveu dar a renda da partida do Corinthians com o Flamengo para escolas de samba.
5) Clubes da Europa são suspeitos de forjar resultados.
Na série de complôs ventilados neste fim de Brasileiro, o da vez ao longo dessa semana será a possibilidade de o Corinthians entregar o jogo para o Flamengo. Os clubes e as torcidas são coirmãs e todos sabem da antipatia que corintianos, em todos os seus escalões, do presidente ao porteiro do clube, têm pelo São Paulo. Se há um time que não quer o Tricolor campeão é o Corinthians. O Timão entrega, o Fla vai para 64 e o Goiás rouba pontos da equipe de Hernanes, que continua com os 62. Se o Palmeiras (59 pontos) bater o Atlético de Minas (se!) quem sabe não volta para a briga. Tem ainda o Inter (59), que renasce e morre a cada rodada. Sua vida é mais fácil diante do Sport, já morto. Os jogos serão domingo, às 17h. Nego-me, no entanto, a creditar que um time possa perder para outro propositalmente. Isso não entra na minha cabeça, embora também não entrava a possibilidade de um juiz fazer resultados. E fazia. O torcedor só pensa dessa forma porque ainda não confia nas instituições (e pessoas) que regem o futebol no Brasil.
A Fifa está correta em não marcar outro jogo entre França e Irlanda valendo vaga para a Copa do África do Sul, já que o gol francês foi em jogada irregular que todo mundo viu pela tevê. Thierry Henry, o francês que ajeitou a bola com a mão no lance do gol, pediu desculpas, disse que a Irlanda deveria ir para a África do Sul e confessou a jogada irregular. Os irlandeses cobraram a entidade, que manteve sua decisão de validar o jogo e o resultado, para desespero dos perdedores.
Joseph Blater sabe que se abrir brecha uma única vez, por mais clara que seja a irregularidade vista pela tevê, terá de se submeter à uma enxurrada de outros pedidos. Não há uma só rodada do futebol pelo mundo em que as câmeras de televisão não flagram o que o juiz deixa de anotar. E se a tevê começar a decidir os resultados das partidas, acabou o futebol.
Não é de hoje que o Palmeiras dá sinais de fim de feira. Há tempos o técnico Muricy tenta, e não consegue, explicar suas dificuldades para fazer a equipe jogar. Perdeu no técnico e tático. Nunca teve o grupo na mão. Um profissional do seu estofo deveria ter percebido a gravidade da crise antes. Seria menos doloroso e mais fácil de resolver.
Os jogadores, usando o velho jargão popular, não falam o mesmo idioma. A defesa sempre bateu cabeça, passou a temporada no fio da navalha. Os craques, como disparou Marcos ontem, só falam de Europa, numa clara demonstração de que há jogador vendido no elenco. E que fique bem claro que a Traffic entrou no clube para isso mesmo: mostrar e depois vender. É o negócio dela. Todos no Palmeiras sabiam disso.
Não bastou segurar um ou outro. Era preciso fazer concentrar. Não fizeram.
A briga entre Maurício e Obina no Olímpico, de socos e pontapés, foi a gota d’água de um relacionamento, não entre eles apenas, mas de grupo, que nunca foi bom, verdadeiro.
Marcos, de novo ele, foi sincero ao dizer que o time não pode mais mentir para o torcedor. “Deixamos chegar no fundo do poço para resolver o problema, quando o certo era botar pressão logo depois da segunda derrota seguida.” Outro erro, portanto.
Mas mesmo com tamanha crise, muito bem varrida para debaixo do tapete verde, o Palmeiras ainda não está morto. O Botafogo pode muito bem aprontar no Engenhão para cima do São Paulo. Joga em casa e luta para não entrar na zona da degola. E o Goiás, de Hélio dos Anjos, já avisou que quer se despedir com dignidade de 2009. Vai ao Rio medir forças com o Fla. Se ganhar e o Tricolor perder, fica tudo como está, faltando duas rodadas e três pontos para tirar do líder. É preciso, portanto, esperar um pouco mais.
Um dia desses o amigo Favero fez a provocação numa roda de bar: a CBF vai ajudar o Flamengo a ganhar o Brasileiro. Era só provocação para animar o papo. Havia um flamenguista no recinto que ficou indignado. Subiu na mesa para criticar a postura do que ele chamou de ‘comentário paulista’.
Favero falou e se mandou. Eu fiquei ouvindo o amigo, revoltado. Não é que o STJD arrancou do São Paulo três importantes jogadores: Borges, Dagoberto e Jean por três partidas, numa clara demonstração de falta de critério para julgar e punir.
Borges agrediu sim Túlio, do Grêmio. Pena de bom tamanho, portanto. Para Dagoberto e Jean, não. Jean foi punido com o segundo amarelo. Nem vermelho levou. Duas partidas já seria difícil engolir.
O fato é que o trio já cumpriu um jogo e agora terá de ficar os próximos dois fora. Eles voltam na última rodada do Brasileiro, dia 6. O STJD pegou pesadíssimo, não usou critérios para os três são-paulinos. Apenas os jogou no mesmo balaio e deu a sentença. E desta vez não houve indignação dos flamenguistas.
Treinador no Brasil é supervalorizado. Basta ver o salário que ganham. Culpa de quem paga, gosto de provocar. Quando o time vai bem, o técnico abocanha boa parte das glórias. Quando vai mal, os craques são detonados. É o que ocorre com o Palmeiras nesse momento. Torcedores com quem converso entendem, no entanto, que as duas partes devem assumir a culpa pelo fracasso no Brasileirão, pelo menos até agora.
Faz tempo que o time não joga nada. Faz tempo que Muricy trabalha sem resultados. A culpa então é de quem? Confesso que desde que Muricy chegou ao clube, vi o Palmeiras fazer duas ou três partidas de encher os olhos. É pouco. Mesmo assim, foi somando pontos e iludindo o torcedor.
Quando a coisa apertou, o mundo caiu no Palestra Itália. De iludidos, os palmeirenses jogaram a toalha. Não encontro um só confiante. E olha que conheço muitos. Parece até que o tombo nesta temporada machucou mais que em outras. Há três chances, ainda, para se despedir com dignidade. A primeira é amanhã, contra o Grêmio, no Olímpico.
Roberto Carlos desembarcará em breve no Parque São Jorge. O lateral chega pelas mãos do amigo Ronaldo, o grande incentivador dessa repatriação. Com RC no Corinthians, o Fenòmeno terá com quem dividir a responsabilidade e cobranças da Libertadores, competição, todos sabem, que pesa um fardo ao clube. Apesar de seus 36 anos, Roberto Carlos acredita poder ser competitivo mais duas ou três temporadas. É melhor que muitos laterais em atividade no Brasileiro, diga-se, e tem a experiência que a equipe alvinegra vai precisar no ano do seu Centenário. A empolgação corintiana com a contratação do jogador só prova que o mundo do futebol dá mesmo muitas voltas. RC foi execrado após o fracasso do Brasil na Copa da Alemanha, em 2006. Personificou o vilão da história. Volta agora ao Brasil em condição bem diferente.
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