Os camarões que Felipão tanto queria não chegaram. Mesmo assim o Palmeiras se reforçou e vai dando pinta de que pode voltar a ter um time competitivo na temporada. Claro que ainda é cedo para apostar todas as fichas nesse elenco. Há muito ainda por vir e por fazer e o Estadual é apenas um aperitivo para o restante do ano.
A vitória por 3 a 0 sobre o Ituano neste sábado levou a equipe para a ponta isolada da tabela. O Palmeiras ainda não perdeu no Paulistão após sete rodadas e tem o ataque mais positivo, com 14 gols, ao lado do São Paulo. Para um time que terminou 2011 sendo gozado pelos rivais até que o recomeço está sendo maravilhoso. Ninguém esperava isso do Palmeiras neste início de 2012.
Felipão também parece ter acertado a mão depois de sua readaptação ao futebol brasileiro. Voltou a ser o Felipão que o palmeirense conhece bem. Ótimo para o time.
O presidente Tirone anda fazendo a sua parte também, reformulando contratos de patrocínio, assinando outros, contratando reforços, afastando Frizzo de cena e dando sinal verde para o treinador trabalhar mais tranquilo. Enfim, recuperando um pouco da paz perdida ano passado.
O resultado disso se vê em campo. Repito: ainda é cedo para apostar as fichas embora essa mudança de postura já reflita no sorriso e na alegria do torcedor.
O São Paulo não abre mão de brigar pelos direitos federativos de Oscar, que fez contrato com o Internacional depois de deixar o clube do Morumbi pelas portas do fundo. As diretorias de futebol e jurídica não acreditam que o garoto vestirá novamente a camisa do time. Esse sonho eles não têm, embora o futebol brasileiro vive nos pregando peças e parece ter regras próprias para todas as suas pendengas.
Ocorre que a justiça julgou e decidiu dar ganho de causa para o São Paulo nesse momento, obrigando a CBF e todas as instituições legais do País a informar os envolvidos da sentença: Oscar passa a ter seu contrato com o Tricolor restabelecido. É a decisão, como disse, de momento. Os advogados do jogador vão recorrer.
O Inter não está arrolado no processo, mas vai ser notificado pela CBF de que tem um jogador ilegal contratualmente em seu elenco. Depois que isso acontecer, terá de abrir mão do jogador ou pagar para ver o que poderá ocorrer lá na frente. O São Paulo acredita que se o Inter continuar escalando Oscar, o clube gaúcho pagará um preço.
O São Paulo quer o que todo clube quer quando um jogador de seu elenco vai embora por conta própria: ser ressarcido. Se o Inter assumir essa dívida e pagar o São Paulo, ótimo. Se o jogador usar seu próprio dinheiro, ótimo do mesmo jeito. Os valores serão estipulados.
O fato é que em situação como essa, geralmente as partes acham estar certas. Assim como também é fato que nenhum advogado ou a própria justiça pode impedir que uma pessoa livre trabalhe. Oscar, por mais enrolado que possa estar, continuará jogando seu futebol, no Inter ou em qualquer outro lugar. Disso não há dúvidas.
A diretoria do Corinthians precisa de uma resposta imediata de Adriano. A comissão técnica, embora tenha carinho pelo atacante, entende que já passou da hora de ele entrar em forma, ter uma sequência de partidas, ajudar o time em seus objetivos. Por isso que haverá um controle mais rígido ao jogador.
E cá entre nós, essa iniciativa deveria ter acontecido lá atrás. O fato é que o Corinthians precisa também de um jogador como Adriano na Libertadores para tentar o tão sonhado título. Do jeito que a coisa está, apenas o Corinthians ajuda o jogador. Não dá também para defender que aquele gol contra o Atlético-MG no Brasileiro de 2011 seja suficiente para justificar o custo-benefício do atacante. Não é.
O Palmeiras parece ter resolvido boa parte de seus problemas de 2012: a falta de dinheiro. Com a cota de R$ 25 milhões da Kia Motors, que passa a assinar a camisa do time, o presidente Arnaldo Tirone, finalmente, entra em cena. Com a nova marca, o Palmeiras vai ter um dos uniformes mais bem pagos do futebol brasileiro.
Soma-se aos R$ 25 milhões da Kia, R$ 7 milhões do banco BMG, R$ 4 milhões da Skill e R$ 2 milhões da TIM, totalizando R$ 38 milhões.
Os números do Santos giram em torno dos R$ 30 milhões. O Corinthians tem perto de R$ 46 milhões, mas com o principal deles para vencer após o Paulistão. O São Paulo ainda corre atrás de um parceiro de peso, assim como o Flamengo, por exemplo.
O contrato que o Palmeiras fez com a Kia é de três anos. Portanto, se nada mudar até o fim dele, o clube terá boa verba para se planejar e buscar reforços. Aí sim Felipão resolverá o segundo problema do time: a falta de qualidade técnica.
Com a janela da Europa fechada nesta terça-feira, o futebol brasileiro conseguiu feito quase que inédito: segurar seus principais jogadores. Va lá que somente o Santos tem jogador que desperta interesse nos clubes europeus, mas já é alguma coisa. O caso mais difícil, além de Neymar, foi a decisão de Ganso de permanecer no País.
O meia balançou até mesmo com a proposta do Porto. Não é de hoje que Ganso quer deixar a Vila Belmiro. Mas ainda não foi dessa vez. Bom para o time de Muricy Ramalho, que poderá contar com o craque em mais uma Libertadores. O projeto dos que detêm os direitos ou parte dos direitos do jogador é usar esses primeiros seis meses de 2012 para fazer com que Ganso arrebente em campo, como foi antes de ele se machucar seriamente da primeira vez.
Dessa forma, esperam fazer com que as cifras pelo seu contrato suba consideravelmente. Só depende então do jogador.
O futebol brasileiro está mesmo se modificando. Para melhor, arrisco em dizer. Refiro-me à postura dos jogadores de Cruzeiro e Vasco que tomaram decisões duras e de respeito contra presidentes e diretores de seus respectivos clubes. O atraso nos salários motivou o elenco do time mineiro a enviar carta de repúdio ao presidente. Os atletas ficaram inconformados com a ironia do cartola ao dizer que ‘jogador ganha mal mesmo e que não pode esperar alguns dias para receber o pagamento do mês.”
No Rio, a bronca foi além. Os jogadores do Vasco, também revoltados com a falta de pagamento de salário, 13º e direitos de imagem, decidiram não se concentrar para a partida desta quarta-feira contra o Bangu. Vão se apresentar ao técnico às 10 horas da manhã no dia do jogo.
Se a moda pega, e parece que já pegou, os dirigentes de futebol terão de ser mais sérios e honrar seus compromissos financeiros. Isso pode ter duas consequências imediatas: os cartolas vão dar lugar a dirigentes competentes e que não querem ter seus nomes envolvidos em situações como essas; o salário dos jogadores vai baixar. Os presidentes não vão mais se comprometer ao que sabem que não podem pagar.
Parece que está tudo acertado para que bebidas alcoólicas (cerveja) voltem aos estádios de futebol. Brasília e CBF já têm tudo aprovado. Basta agora o Congresso Nacional assinar, o que deverá ocorrer até março. Na prática, não vai mudar nada, a não ser a comodidade do torcedor brasileiro, que terá de andar menos para comprar sua latinha gelada. E também não precisará mais escondê-la quando policiais se aproximam.
Ou alguém acreditava que as bebidas não eram vendidas. Todo mundo já denunciou isso. É a mesma história dos cambistas em portão de estádio. A PM finge que eles não estão lá. Eles fingem que são trabalhadores e o comércio ilegal continua. O problema é que tem gente que compra. Sempre há aquele que não adquiriu o ingresso com antecedência ou que não quer encarar as demoradas filas das bilheterias.
São esses que alimentam a venda dos cambistas.
O fato é que a Fifa forçou e vai conseguir que as bebidas voltem aos estádios. E não somente durante a Copa de 2014. A proposta, depois de aprovada, estará valendo para jogos de todos os campeonatos em todas as temporadas.
Torcemos então para que o torcedor siga a orientação dos órgãos públicos. Beba com moderação. E se beber, não dirija. E também não se torne mais valente do que é. E se puder evitar de beber na frente das crianças, melhor. Duvido que tudo isso aconteça. É difícil. Mas torço.
O policiamento também vai ter de ser mais efetivo dentro dos estádios, porque agora o torcedor passará a beber lá. Essa é a novidade da lei. Porque fora, nas imediações, isso nunca deixou de acontecer. Todo mundo sabe. Afirmar o contrário seria hipocrisia. Prefiro acreditar que o torcedor brasileiro está mais educado e consciente. Daí meu voto de confiança a ele. Tomara esteja certo.
A situação do técnico Vanderlei Luxemburgo no Flamengo não é das melhores. O fato de a presidente Patricia Amorim declarar com todas as letras que ‘quem segura treinador é resultado’ deixa a permanência do treinadora ainda mais complicada. Luxa está sob pressão. E olha que estamos apenas em janeiro. Resultado ruim no Cariocão e tropeço na Libertadores podem tirar o treinador da Gávea.
O que seria um erro. Luxemburgo tem agora um atacante que sabe fazer gols, Love, e continua com um elenco forte para a temporada. Há muitos times teoricamente mais fracos e bem poucos mais fortes. Nenhuma equipe que trocou de treinador em 2011 foi bem. E se isso acontecer no Flamengo, duvido que o novo escolhido fique até o fim do ano. Começa torto, acaba torto.
A situação do Flamengo é até um pouco parecida com a do Palmeiras, embora o time paulista tenha um elenco mais fraco. Trocar Luxemburgo ou Felipão seria burrice. Claro. Quem poderia substitui-los nese momento? O futebol brasileiro carece de bons técnicos. Tanto é assim que o São Paulo foi buscar no quase aposentado Leão a solução de seus problemas.
Não tenho dúvidas de que qualquer um que chegar vai fazer um trabalho inferior, e levará mais tempo para acertar o elenco.
Os campeonatos regionais que já começaram ainda estão longe de empolgar. A maioria das equipes, para não dizer todas, procura ainda formações mais adequadas. Os jogadores estão amarrados por causa do excesso de exercícios físicos da pré-temporada. Soltam a musculatura a cada rodada. Especialistas sempre dizem que o atleta fica bom mesmo lá pela quinta rodada. Enquanto isso, os elencos mais entrosados vão somando pontos.
É o caso de Corinthians e São Paulo, primeiro e segundo colocados na tabela do Paulistão.
É engraçado, mas alguma coisa me diz nos bastidores que o São Paulo vai levar esse Estadual. O clube precisa disso para, principalmente, fazer frente ao Corinthians, que tanto festejou em 2011. Ocorre que esse cheiro tem mais a ver com o envolvimento político da Federação, com as obras do Morumbi, com a retomada de Juvenal Juvêncio do comando do futebol do que de qualquer outra coisa.
Vejo que o técnico Leão está acertando o time e que o grupo, reforçado, é um dos melhores. Ocorre que o cheiro é outro. Mas por enquanto é só um cheiro. Não estou aqui denunciando nenhuma armação ou falcatrua. Trata-se apenas de uma impressão de recomeço de temporada. Tomara esteja errado e que o campeão (ainda é cedo para isso) saia dentro de campo. E por esse início de temporada, o São Paulo dá pinta de que pode decidir tudo no gramado. Que seja assim então.
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