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Como a mudança na metodologia do Inep altera o cálculo da evasão*

Cristiane Nascimento

sexta-feira 20/07/12

Após observar discrepância em alguns dados ao longo da série histórica dos nossos estudos, verificamos junto ao INEP que as informações fornecidas pelo Censo a partir de 2009 sobre o número de ingressantes nas IES embutiam profundas mudanças de metodologia. Até 2008, os ingressantes eram divididos em Ingressantes por Processo Seletivo e por Outras Formas [...]

Após observar discrepância em alguns dados ao longo da série histórica dos nossos estudos, verificamos junto ao INEP que as informações fornecidas pelo Censo a partir de 2009 sobre o número de ingressantes nas IES embutiam profundas mudanças de metodologia.

Até 2008, os ingressantes eram divididos em Ingressantes por Processo Seletivo e por Outras Formas de Ingresso, esta última podendo ter várias origens: Mudança de Curso na Mesma IES, Transferência de IES, Transferências ex-officio, Matrículas de Cortesia, Estudantes Convênio, Acordos Internacionais, Admissão de Diplomados, Admissão de Alunos Especiais, Rematrículas e Reaberturas de Matrículas.

A partir de 2009, o INEP passou a acompanhar os estudantes pelo CPF, não mais recebendo números agregados das IES, e desconsiderando (dependendo de como as IES fazem a declaração) parte das contagens relativas, por exemplo, às Transferências de Curso dentro da mesma IES, bem como as Rematrículas e Reaberturas de Matrículas como novos ingressantes (que eram assim consideradas até 2009!).

Para manter a coerência no tempo e poder recompor as curvas históricas de evasão, o Instituto Lobo procurou, embora sem exatidão absoluta, recompor os dados até 2008 fazendo projeções aproximadas baseadas na metodologia utilizada a partir de 2009. Para isso, subtraindo destes anos os ingressantes por Tranferências de Curso na Mesma IES e Rematrículas e Reaberturas de Matrículas. As curvas históricas foram, então, ajustadas por polinômios para se tornarem suaves, compensando alguns erros de coleta e lançamento de dados pelas IES ou pelo INEP.
O resultado do cálculo descrito está representado na tabela abaixo:

tabelalobo.PNG

 

A partir destes dados é possível calcular a taxa de titulação, ou a taxa de sucesso, que mede o número de formados em um determinado ano dividido pelo número de ingressantes cinco anos antes. Esta taxa tem decaído continuamente nos últimos anos, sendo de 60,93% em 2005 e 52,47% em 2010.

A conclusão a que o trabalho chega é que, até 2008, a Evasão Anual do Ensino Superior Brasileiro se manteve por uma década próxima a 20%, o que é confirmado pelos cálculos atuais, que a situam, mais precisamente, entre 17,14% e 18,69% (variação máxima de cerca de 8% no período).

* Artigo de autoria de Roberto Lobo e Maria Beatriz de Carvalho Melo Lobo, publicado na íntegra no site do Instituto Lobo.