Emanuel Bomfim, no Rio
Após Maria Bethânia e Caetano Veloso, foi a vez de Marcelo Jeneci se apresentar no ‘Humanidade 2012′, evento paralelo à Rio+20 que ocorre no Forte de Copacabana, na zona sul do Rio.
Acompanhado de sua banda, o músico apresentou faixas de seu disco ‘Feito Pra Acabar’, lançado em 2010. Após o show, ele conversou com a reportagem da Rádio Estadão ESPN e falou sobre seu engajamento em temas ambientais.
“Todo pessoa que acaba afirmando que a vida existe através da arte, ela tem uma responsabilidade, um certo poder. Pode ter quem não queira, mas esses recados vem nas letras das canções, na postura, como você se comunica… É um fado necessário que todo artista tem que carregar”, defendeu o compositor.
Jeneci ainda afirmou que só irá trabalhar em novas composições no ano que vem. Até lá, seguirá com o show de seu disco de estreia. Ouça entrevista:
Emanuel Bomfim, enviado ao Rio de Janeiro
A aridez que domina o debate ambiental na semana da Rio+20 deu passagem para uma exibição de gala na noite desta terça-feira, 12 de junho. A cantora Maria Bethânia levou seu show ”Bethânia e as Palavras” ao palco do Auditório Humanidade, no Forte de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. O local, batizado de “Humanidade2012″, recebe uma série de eventos paralelos à Conferência da ONU. Amanhã, 13, será a vez de Caetano Veloso se apresentar para uma restrita plateia de cerca de 400 pessoas.
As senhas distribuídas hoje, às 18h, se esgotaram rapidamente. Às 19h45, Bethânia iniciou sua performance, um misto de recital literário com show musical propriamente dito. Ela estava acompanhada de seu fiel parceiro nos violões, o maestro Jaime Allen, e do percussionista Carlos Cesar. Bia Lessa, criadora do espaço em Copacabana, fez as honras da casa e não economizou no discurso: “Não poderia ter sido melhor pessoa para inaugurar este auditório do que a imprescindível Bethânia.”
Confortável, Bethânia passa a maior parte do tempo lendo poemas. Os trechos musicais são mais tímidos, servem de passagem para novas récitas, extraídas da obra de autores como Padre Vieira, Guimarães Rosa, Manuel Bandeira e, principalmente, Fernando Pessoa e seus heterônimos (Alberto Caieiro e Álvaro de Campos). Sua devoção pelo trabalho do português já lhe rendeu a Ordem do Desassossego, conferida pela Casa Fernando Pessoa, instituição de Portugal.
No meio da apresentação, ela faz questão de frisar: sua habilidade na leitura é fruto dos ensinamentos de um professor da época do colégio, quando morava na Bahia. ”É a prova que é possível ter boa educação nas escolas brasileiras”, defende. O público aplaude. Mas fica ainda mais alvoroçado nas interpretações de clássicos como “Romaria”, de Renato Teixeira, e “Dança da Solidão”, de Paulinho da Viola.
Em nenhum momento ela fez menção direta à Rio+20, mas o show é permeado por temáticas compatíveis com a reunião ambiental. Fala de natureza, de índios, de rios e do sertão brasileiro. Seu último disco não teria nomes mais apropriado: “Oásis”. Em seu exercício poético, Bethânia, assim como tantos ambientalistas, parece imaginar um mundo ideal.
2012